Quase oito anos depois, o FC Porto volta à cidade onde escreveu uma das páginas mais douradas da sua história, com a vitória da Taça UEFA frente ao Celtic de Glasgow (3-2).
Agora, a cidade é a mesma mas o cenário é outro: muda o estádio, muda o adversário, muda a eliminatória e muda a competição – para todos os efeitos, a Taça UEFA foi extinta para dar lugar a esta Liga Europa.
O percurso em 2010/2011 é auspicioso para os portistas, ainda imbatíveis a nível europeu e já com 21 golos no currículo. Villas-Boas, ele que já integrava a equipa técnica de José Mourinho na caminhada triunfal de 2002/2003, já afirmou querer voltar a erguer o pesado troféu.
Para já, está nos oitavos-de-final, tendo “apanhado” uma das equipas menos desejadas no sorteio. O Sevilha desta temporada é, no entanto, uma sombra do que se tem visto em épocas anteriores – ocupa um modesto 8º lugar na Liga espanhola.
Finalmente, um lateral ofensivo e uma referência no ataque
Na preparação para o regresso da Liga Europa, em “banho-maria” desde meados de Dezembro, o destaque não pode ser outro. Ou outros, melhor dizendo. Falcao e Alvaro Pereira. Os nomes que tanto têm andado pelas bocas dos adeptos, a suspirar pelo regresso do colombiano e do uruguaio, que tanta falta têm feito, estão de volta.
O primeiro vem de uma ausência de cerca de dois meses, com um jogo pelo meio, entre duas lesões distintas. O segundo vem de uma lesão mais delicada, que o obrigou a ir ao bloco operatório, parando por oito semanas consecutivas.
É, por isso, de prever que apenas Falcao entre directamente para o “onze”, até porque Hulk tem sido “curto” no centro do ataque, não obstante os golos que marcou na ausência do ponta-de-lança habitual. Perante o regresso do 9, espera-se que James seja o sacrificado, ele que foi o principal beneficiado da lesão do compatriota.
Uma questão lateral
No ataque, não sobram grandes dúvidas, a menos que o técnico azul-e-branco opte por poupar Falcao. A dúvida continua na lateral-esquerda, onde vai ser preciso alguém com o ritmo necessário para travar o rapidíssimo Jesus Navas, um dos campeões do Mundo do plantel sevilhano. Coisa que Álvaro Pereira, certamente, não terá nesta altura.
Villas-Boas tem duas hipóteses: ou opta por Fucile, que deu boa resposta no último jogo e que está mais habituado à posição, ou por Sereno, mais lento, mas mais posicional e mais concentrado.
Como travar uma equipa “revoltada”
Luís Fabiano, uma das principais figuras da equipa andaluza – e que se reencontra com os dragões depois de lá ter jogado sem grande brilho há seis temporadas -, deixou o aviso: o FC Porto que se cuide, porque o Sevilha é “muito perigoso” e tem por lá gente “que ganhou títulos”. Pelo meio, admitiu que a equipa não vive um “bom momento”.
O treinador, Gregorio Manzano, já assegurou que a Europa é a solução para sair da crise – o Sevilha está fora dos lugares europeus e não ganha há cinco jogos (três derrotas e dois empates). André Villas-Boas diz ter a solução. Ou, pelo menos, garantiu “dar-se bem contra equipas revoltadas”, assim lhe chamou.
A história não sorri ao FC Porto, que em Espanha soma 17 derrotas contra 10 vitórias e seis empates. Mas Sevilha é um nome que faz o dragão sorrir e recordar o sucesso da história recente. Resta saber qual delas prevalece.
in "relvado.aeiou.pt"