segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"Villas-Boas mexeu com este grupo" - Helton

Na primeira grande entrevista desde que é capitão do FC Porto, Helton falou do presente e do futuro, mas recusou-se a abordar a fundo algumas questões do passado. Por exemplo, elogiou o novo treinador, André Villas-Boas, que diz ter trazido "mais liberdade" aos jogadores, mas nunca quis falar do último, Jesualdo Ferreira. Quanto ao resto, destacou as qualidades do plantel, mas, mais do que isso, o espírito de grupo que impera no Dragão, tendo pegado em Mariano para exemplificar a união no balneário. Sobre o campeonato, recusa-se a dá-lo como conquistado, mas sempre foi dizendo que viveu um dia memorável na goleada sobre o Benfica.


Imagina-se a treinar, por exemplo o FC Porto, na próxima época?

Eu, a treinar o FC Porto? Essa é boa [risos]. De onde surgiu essa ideia?

É apenas uma brincadeira para sublinhar o facto de André Villas-Boas só ter mais um ano do que o Helton...

Bem, vou falar por mim. Quando tive a certeza de que ele seria o nosso míster, procurei colocar em prática os ensinamentos da minha família, que sempre me ensinou a separar uma eventual amizade das questões profissionais. Isso significa que tenho de ter respeito pelas pessoas. Ele podia ser mais novo do que eu ou poderia ter o triplo da minha idade que eu iria tratá-lo sempre com respeito. Aliás, nunca o tratei por André; sempre que me dirijo a ele, digo "míster". E quando preciso de conversar com ele, muitas vezes na condição de capitão, bato à porta do seu gabinete e pergunto se posso entrar. Em nenhum momento pensei na sua idade, mas sim na pessoa e na sua qualidade. Para além disso, ele tem ambição, respeita os jogadores e oferece-nos liberdade.

Curiosamente, muitos jogadores têm utilizado a palavra "liberdade" quando falam de André Villas-Boas. Isso significa que não havia liberdade com Jesualdo Ferreira?

Eu falo apenas do André, do míster André...

E quais são as vantagens e as desvantagens de ter alguém tão novo a treinar uma equipa como o FC Porto?

Muitos poderiam ver a idade como uma desvantagem; eu, não. A idade muitas vezes não condiz com a mente. Existem pessoas mais velhas que muitas vezes não conseguem ser respeitados pelos mais novos. Quanto às qualidades - e não quero com isto dizer que as pessoas mais velhas não são assim -, destaco a forma como ele está sempre em sintonia com os jogadores, para além de conseguir passar mais rapidamente as ideias que tem. Se repararem, também não há muitos velhotes no nosso plantel [risos]...

Houve alguma palestra emblemática de André Villas-Boas?

No final de todas as palestras que ele faz, os jogadores param para pensar. Podem ter a certeza de que não há nenhuma que não seja assim, e isso é óptimo. Há uma coisa que este grupo tem: pensamento positivo. Nunca desistimos, mesmo quando parece que algo vai correr mal. Temos um grande espírito de grupo, e ninguém está preparado para abrir mão disso.

Pinto da Costa afirmou, numa entrevista a O JOGO, que sentia a equipa acomodada e que a chegada de Villas-Boas também serviu para abanar com o grupo. Concorda?

[pausa prolongada] É verdade que o míster André mexeu com este grupo. Ele tem ideias e métodos bem diferentes daquilo a que estávamos habituados. Na vida, temos de estar sempre à procura de novas formas de nos motivarmos. O incentivo passa por procurar algo diferente, mas sem fugir à base que, aqui no FC Porto, são as vitórias. Já viram há quantos anos estou aqui no FC Porto? Esta será a minha sexta época... E, durante este tempo, já fui quatro vezes campeão...

Já agora, a saída de Bruno Alves, o capitão, fragilizou de alguma forma o balneário?

O Bruno sempre teve uma grande postura no clube, sempre demonstrou seriedade, empenho e prazer pelo que fazia. Era uma referência para muitos que cá estavam, mas também para quem chegava. Se fragilizou o balneário? Não vemos as coisas desse modo. Sabemos que, se tivesse ficado, nos estaria a ajudar, mas aqueles que cá estão conseguiram ocupar, e bem, o espaço do Bruno. Obviamente estamos sempre ao lado dos amigos, sobretudo daqueles que nos ajudaram a ser felizes, mas entendo que ambas as partes têm de estar em sintonia. Nesse sentido, acredito que o que aconteceu foi bom para ele, mas também para o clube.

"Houve alturas em que um colega falhava um golo e a culpa era do Helton"

O facto de ser o capitão de equipa serviu para o incentivar?

Vou fazer uma retrospectiva da minha carreira no FC Porto. No primeiro ano, fiz 11 jogos e sofri apenas um golo, por sinal de penálti, mal assinalado, marcado pelo João Tomás, na altura no Braga. Fiz um bom final da temporada, e a prova disso é que no ano seguinte mantive a titularidade. Foi passando o tempo, e nunca tinha sido capitão, nem nunca tinha sido comentada essa possibilidade, nem tão-pouco tinha sido destacada a minha importância. Mesmo assim, nunca deixei de trabalhar. Algumas vezes colocaram em causa o meu trabalho, quase sempre sem eu ter culpa. Aliás, e em jeito de desabafo, por vezes um colega perdia um golo em frente à baliza e a culpa era do Helton. Mas pela minha personalidade e vontade de triunfar, por tudo aquilo que já passei no futebol - e não falo apenas do FC Porto, porque também conquistei títulos no Brasil -, nunca deixei de acreditar nas minhas qualidades. Nos momentos mais difíceis tive pessoas do meu lado que me ajudaram e que me diziam que, muitas vezes, algumas pessoas se esqueciam daquilo que eu já tinha feito. Voltando à pergunta sobre se a braçadeira de capitão me incentivou... Posso dizer que falei com uma pessoa à qual disse o seguinte: "Muito obrigado, o senhor fez-me voltar a gostar de jogar futebol..."


Mas quando foi isso? E quem é essa pessoa?

Isso não vou revelar....

Imagina-se a acabar a carreira no FC Porto?

Isso é um assunto interno... Ainda tenho 32 anos, mas porque não?

Falou-se recentemente da possibilidade de ir para o Fluminense. Gostava de regressar ao Brasil?

Bem, se fosse por vontade de alguns amigos, que são tricolores, de certeza que já lá estava [risos]. Mas tenho trabalho, contrato até 2012, sinto-me feliz no FC Porto e tenho a minha família adaptada à vida em Portugal. Neste cenário, só ponderava o regresso se os dirigentes do FC Porto me dissessem que não contavam mais comigo. Para já, a minha prioridade é o FC Porto e nem sequer penso no resto. É verdade que se comentou sobre a possibilidade de ir para o Fluminense, mas nunca passou disso mesmo.

Pinto da Costa considerou-o o melhor guarda-redes em Portugal. Concorda? E se não concordar, quem é o melhor guarda-redes do campeonato?

Fico feliz por ele ter dito isso, ainda para mais vindo do presidente. Mas temos de reconhecer que, neste caso, a opinião dele é suspeita [risos]. Não me considero o melhor; limito-me a trabalhar para ser o melhor. E não vou escolher ninguém, porque poderia falhar, apesar de considerar que tudo depende do momento. Reconheço que estou a atravessar um bom momento, mas a equipa também me tem ajudado muito.

Mas o Helton também foi, por exemplo, um dos melhores jogadores em campo em Paços de Ferreira...

Lá está, estamos aqui uns para os outros. É o nosso espírito. Aqui não são o Hulk, o Falcao ou o Varela que têm dado o máximo; são o Hulk, o Falcao, o Walter, o Ukra, o Castro, o Guarín, o Fernando, o Rolando, o Otamendi, o Maicon... Somos todos.

Vítor Baía afirmou que a melhor época do Helton foi quando ele ainda estava no FC Porto. Concorda?

É verdade que tive uma época brilhante quando ele esteve aqui. Foi uma pessoa que me ensinou a gostar do FC Porto, a lutar pelo FC Porto, que me fez ver muitas coisas. Ele, o Jorge Costa, o Pedro Emanuel... Estou muito grato por aquilo que aprendi com eles e não posso deixar de concordar que vivi uma grande época quando ele cá estava. Mas agora pretendo fazer ainda melhor. E isso depende de mim.

"Não ouvi o apito de Elmano Santos"

Ouviu o apito de Elmano Santos no penálti no jogo com o Setúbal?

Ainda estou para perceber o motivo pelo qual vi um cartão amarelo nesse jogo... Houve uma substituição na nossa equipa, num canto contra nós, mas o árbitro não deu tempo para o Sapunaru - que estava a entrar - chegar até à nossa área. Nunca tinha visto nada assim, e limitei-me a perguntar-lhe porque não o deixou posicionar-se na nossa área. Vi um amarelo por isso, sendo eu o capitão.

E no lance do penálti, ouviu o apito?

Não ouvi apito nenhum. Sinceramente.

"Goleada ao Benfica foi um momento memorável"

Directos ao assunto: a vitória no campeonato está próxima?

Ora bem, vamos fazer contas. Faltam 16 jogos e cada um vale três pontos... Ou seja, ainda não ganhámos nada. Este campeonato está muito competitivo e, como já deu para perceber, qualquer equipa pode perder a qualquer momento.

Perguntado de outra forma: seria complicado perder o campeonato depois de uma primeira parte de temporada com apenas dois empates?

Temos a oportunidade de conquistar o título, mas não há jogos fáceis e os maus resultados podem suceder a qualquer momento. Já repararam que tem sido complicado assistir a goleadas? Isso é a prova da competitividade do campeonato. Não há equipas fracas e já tivemos jogos muito complicados com clubes de menor expressão. Felizmente, temos conseguido vencer, mas apenas porque estamos com um colectivo muito forte.

Na equipa que foi mais vezes utilizada, apenas o Moutinho não fazia parte do plantel da época passada. Afinal, a que se deve esta diferença de rendimento?

Confesso que não gosto de fazer comparações. Para mim, importa destacar os méritos desta equipa, embora reconheça que também podemos aprender com os erros, de forma a não os repetir. Para além disso, teria de falar de pessoas que não estão actualmente no clube, e isso não quero fazer. O importante é falar do presente, das pessoas que cá estão, do grupo actual - que é fantástico - e de tudo o que já conseguimos alcançar nestes primeiros meses de competição.

Tendo em conta os elogios, considera que este é o melhor grupo que encontrou no FC Porto?

Posso dizer que é um excelente grupo. Sem dúvida. Mas, cada um teve as suas virtudes e defeitos, não tendo sido por acaso que fomos tantas vezes campeões ao longo dos últimos anos.

Qual foi o momento mais importante desta época?

Todos reconhecemos a importância de começar a temporada com uma vitória, sobretudo frente ao campeão da época passada, e isto apesar de encararmos todas as equipas da mesma forma. Sabemos que há jogos e jogos, mas respeitamos todas as equipas, porque isso é um sinal de humildade. Costumo dizer que a humildade não se aprende na escola, mas que vem do berço. E, felizmente, pode dizer-se que a humildade passou um pouco por todos os berços aqui do clube.

E qual foi o jogo mais difícil até ao momento?

Tivemos dois jogos muito importantes, não só pela dificuldades impostas pelos adversários, mas também pelo estado do relvado. Foi em Coimbra, frente à Académica, e em Viena. Foram duas partidas muito complicadas, porque com aquelas condições climatéricas não conseguimos controlar todos os aspectos do jogo.

E nem sequer estava para jogar em Viena. Nessa partida, estava a preparar-se para assistir ao jogo sossegado no banco...

Bem, sossegados nunca estamos. Nem no banco, nem em casa, quando não somos convocados. Aliás, às vezes até é bem pior, porque a ansiedade é maior. De fora, vemos coisas que lá dentro nem nos apercebemos que estão a acontecer. Mas voltando a esse jogo, acabei por jogar devido a uma infelicidade do Beto. Ele queria muito jogar aquele jogo, para demonstrar em campo toda a dedicação que tinha vindo a colocar nos treinos. Foi uma situação chata para ele, mas também para mim, porque tive apenas cinco minutos para aquecer... Felizmente, correu tudo bem e conseguimos uma vitória importante.

E o jogo mais fácil, esta temporada, foi frente ao Benfica para o campeonato?

Fácil? Não, de maneira nenhuma. Não há jogos fáceis. Nesse encontro, limitámo-nos a não complicar e se marcámos tantos golos foi graças ao nosso empenho e qualidade. Mas, reconheço, foi um jogo memorável. Nunca o FC Porto tinha vencido o Benfica por aqueles números em jogos do campeonato...

Foi um momento de afirmação da superioridade do FC Porto no campeonato?

A equipa tem demonstrado um espírito muito bom. O grupo está em sintonia, mesmo aqueles que são menos utilizados ou até os que não são utilizados. Aliás, tenho de destacar o caso do Mariano que, por uma infelicidade, não foi inscrito para a primeira fase da época. As pessoas não sabem, mas o que ele tem feito é algo de verdadeiramente impressionante. Ele é um companheiro, um amigo, e a atitude dele no dia-a-dia tem sido impressionante, até pelo que ele representa no balneário. E estes actos servem para explicar muito do que se passa este ano, porque ele nem sequer tem jogado.

Conhece Dublin?

Não conheço, mas conto lá ir [risos]...

Mas então o FC Porto é mesmo candidato a vencer a Liga Europa?

Estamos a fazer o nosso trabalho e o melhor é deixarem-nos quietinhos, no nosso canto, a fazer o nosso trabalho. Lá mais para a frente se verá se somos ou não candidatos. Uma coisa é certa: temos os nossos objectivos e no FC Porto pensamos sempre em grande.

"Hulk vai acabar por se fixar na selecção"

A selecção do Brasil é um caso encerrado para si?

É complicado falar sobre isso. Cada treinador tem as suas ideias e nem todos confiam nos mesmos jogadores. É normal. Sinceramente, nunca me preocupei com a selecção. E quando digo preocupar, estou a querer dizer que nunca foquei aquilo como primeiro plano. Ou seja, a selecção foi e será sempre a consequência do trabalho que faço no meu clube. Não adianta pensar na selecção se não estiver bem no clube.

Ficou surpreendido pelo facto de Hulk ter ficado de fora das últimas convocatórias?

Sou suspeito para falar, porque trabalho com ele todos os dias. É óbvio que temos de respeitar aqueles que vão no lugar dele, porque também são bons jogadores. Apesar disso, acredito que o Hulk ajudaria muito esta selecção, tal como tem ajudado o FC Porto. Ele está em grande forma e, conhecendo bem a selecção do Brasil, acho que é uma questão de tempo até se fixar em definitivo naquela equipa, até porque qualidade para isso não lhe falta.

Os remates de Hulk mas também de... James

Quem é o jogador do FC Porto que remata melhor? A pergunta parece ter uma resposta óbvia: Hulk. No entanto, Helton, que trabalha todos os dias com o plantel, faz questão de acrescentar mais nomes à lista. "Ora aí está uma pergunta difícil... O melhor... Bem, com esta bola todos os remates são complicados. Se piscar os olhos, já fui [risos]. Agora mais a sério: o Hulk, o Guarín, o Belluschi, o James... O James remata muito bem, cuidado com ele. Mas é complicado escolher só um, porque todos têm uma maneira diferente de bater na bola. Uma coisa é certa: eles fazem-me a vida negra nos treinos", contou.

O agradecimento a Moutinho

A mudança de João Moutinho para o FC Porto apanhou de surpresa muitas pessoas ligadas ao futebol, mas Helton confessa que encarou a transferência com naturalidade. "Sinceramente, não pensei nada de especial quando vi a notícia nos jornais. Depois, quando o encontrei pela primeira vez, limitei-me a dizer-lhe que se precisasse de alguma coisa, estaria aqui para o ajudar. Nada mais." Apesar disso, o guarda-redes reconhece que não existe a tradição de haver trocas de jogadores entre os grandes, muito menos um capitão de equipa. "Sim, sim. Eu sei disso. Mas aconteceu e ainda bem para nós. Foi uma grande contratação e já tive a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente por ele ter vindo para o FC Porto."

O sonho da música e as brincadeiras no balneário

Helton realizou um sonho: no passado dia 13, apresentou, em plena Casa da Música, o novo CD do seu grupo musical, Ministério Shalom, perante cerca de 500 convidados, entre os quais a quase totalidade do plantel do FC Porto. "Foi um grande dia para mim e confesso que fiquei surpreendido por terem ido todos. Caramba, foi mesmo muito bom, ainda mais sendo a realização de um sonho. Houve até amigos que mudaram o dia das suas viagens para me irem ver. Foi fantástico". E no balneário, qual foi a reacção no dia seguinte? "Bem, tive de aguentar as brincadeiras do costume. Houve até quem dissesse que o bombo já estava ensinado [risos]".

in "ojogo.pt"

Galatasaray pensa em Falcao

Enquanto passeava por Roma na pausa natalícia, o nome de Falcao era apontado pela Imprensa turca como o principal alvo do Galatasaray. A história, contada por vários jornais, é simples: o Galatasaray está numa situação difícil no campeonato, em nono lugar, e os avançados marcam poucos golos (o checo Milan Baros é um deles), daí a necessidade de reforço da equipa treinada pelo romeno Gheorge Hagi.

Ora, Falcao é o jogador preferido dos dirigentes do clube turco, embora as hipóteses de sair do FC Porto, nesta altura, sejam remotas ou mesmo nulas. Pinto da Costa já disse que não pensa vender nenhum jogador do núcleo duro nesta altura da temporada. Garantir a conquista do campeonato nacional e da Taça de Portugal, bem como continuar na Liga Europa, são os objectivos assumidos para a época, colocando-se apenas a questão da venda de jogadores no Verão. De qualquer forma, o currículo de Falcao no FC Porto, melhor marcador da Liga Europa (dois golos ao Besiktas, rival do Galatasaray) e o segundo melhor da equipa no campeonato, faz com que o ponta-de-lança surja no mercado de jogadores como um alvo apetecível. A notícia também refere que o Milan está atento ao goleador portista e que poderia complicar um eventual negócio. Certo é que, em Janeiro, Falcao não está à venda.

in "ojogo.pt"

A resposta por James mantém-se: é mesmo não!

O assédio a James Rodríguez tem sido quase diário, mas a posição do FC Porto é clara: o colombiano não sai em Janeiro, nem mesmo por empréstimo. Foi essa a resposta dada a dois clubes argentinos que, nos últimos dias, averiguaram a hipótese de receber o extremo por empréstimo. Segundo apurou O JOGO, e apesar de o ex-treinador no Banfield (Júlio César Falcioni) ter mudado para o Boca Juniors, o interesse no portista terá partido do Racing Avellaneda e do Estudiantes, históricos do campeonato argentino, onde James mantém o estatuto intocável.

A dificuldade que o jogador encontrou para entrar nas opções de Villas-Boas foi gerando uma série de perguntas da parte de alguns clubes e foi também alimentando contactos regulares do empresário com o FC Porto, porque a proximidade do Mundial de sub-20, organizado pela Colômbia, aconselha uma rodagem mais intensa. O facto de James ter sido titular nos últimos jogos, assim como a resposta positiva dada nessas oportunidades, reforçou a certeza de que o jogador faz parte dos planos para a segunda metade da época. Em Itália, são quase diárias as declarações de Bruno Carpeggiani, que não é o empresário de James, intermediando apenas, ao que se sabe, contactos provenientes de Itália, mencionando o interesse de Sampdória e Chievo. Cheguem ou não contactos oficiais, a resposta do FC Porto, ao que apurou O JOGO, será a mesma: não, não e não. James, apontado como uma das maiores promessas, é mesmo para manter no plantel.

Entre os mais promissores segundo o site da FIFA

Depois de ter sido nomeado para o prémio "Golden Boy", entretanto atribuído ao italiano Balottelli, e de estar entre os 100 talentos de 2010 da "Don Balon", James Rodríguez volta a estar na lista VIP dos jogadores jovens mais promissores, segundo um fórum promovido pelo site da FIFA. Além do portista, na lista estão nomes como Canales (Real Madrid), Neymar (Santos), Wilshere (Arsenal), Philippe Coutinho (Inter), Kakuta (Chelsea) ou Lukaku (Anderlecht).

O Natal especial de Moutinho

NATAL NA LIDERANÇA DA LIGA PELA 1.ª VEZ NA CARREIRA


Na atual temporada, a primeira em que não enverga a camisola do leão, João Moutinho alinhou em 13 das 14 jornadas que já leva a Liga, tendo falhado o jogo com o Portimonense somente por se encontrar castigado. Sinal claro de que tem a sua quota-parte de influência na liderança destacada do FC Porto. O ex-Sporting vive dias de glória de azul e branco e saboreia este Natal como nunca antes o fez, ou seja, na liderança da principal prova do futebol português.
Foi por sede de títulos, conforme já assumiu publicamente, que João Moutinho deixou um eterno candidato à vitória na Liga para se juntar a um clube rival e, nestes primeiros 5 meses, já começou a provar que fez a aposta certa. Depois de ter participado na conquista da Supertaça, em jogo de estreia oficial no FC Porto, Moutinho segue invicto com a equipa nas três frentes de batalha e com participação em todas elas.
André Villas-Boas não prescinde dos seus serviços e José Peseiro compreende-o. É que o facto do médio ainda só ter marcado um golo e na Taça de Portugal, frente ao modesto Juventude de Évora, pode levar a falsas análises, pois é o “trabalho invisível” que faz com que o ex-leão seja o reforço mais produtivo do FC Porto.
“Os jogadores que mais se destacam, até entre os médios, são aqueles que marcam os golos e os que fazem as assistências. Esses são sempre alvo das melhores análises, no entanto, para os treinadores não é só isso que conta e o João executa uma série de ações importantíssimas, mas que não se conseguem ver”, apontou José Peseiro, contactado porRecord.
in "reecord.pt"

A hora dos reforços

VILLAS-BOAS TEM RECURSOS DENTRO DO PLANTEL


Quem vai à frente raramente encontra motivos para ir às compras no mercado de inverno, preferindo rentabilizar os recursos que tem dentro de portas e que muitas vezes aguardam por oportunidades para mostrar talento. Tanto Pinto da Costa como André Villas-Boas já deram conta da satisfação pelo grupo que dirigem, não encontrando necessidade de reforçar o plantel. Salvo circunstâncias imprevisíveis, como lesões ou transferências, o FC Porto deverá abordar esta fase de forma discreta. Aliás, é no próprio Dragão que o treinador encontra os melhores reforços possíveis nesta fase da época.
Onde é que o FC Porto encontraria alguém melhor que Varela ou Fernando para manter a equipa com a consistência e maturidade que demonstrou nos últimos jogos de dezembro, quando esta dupla estava de fora?
Há ainda um Cristian Rodríguez que já deu um pequeno grito de revolta no jogo com o V. Setúbal, mas que acabou por se ver novamente afastado da competição, devido a nova lesão. Cebola é um daqueles jogadores que Villas-Boas pretende reabilitar. Não se trata apenas de recuperar um atleta que já provou ter qualidade acima da média como também valorizar um importante ativo da SAD. É por aí que o uruguaio se constitui como uma peça importante para a segunda metade da temporada.
Experiência
Em termos ofensivos, o técnico ganha ainda Mariano González. O argentino é uma incógnita, face aos longos nove meses que leva de afastamento da competição, mas a sua presença no grupo é importante. Além de ser um dos mais experientes do plantel, é também um dos capitães. Se voltar com a mesma inspiração que tinha quando foi obrigado a parar, será um bom reforço. Seja como for, o extremo terá as suas oportunidades.
Em matéria de reforços dentro de portas há ainda o caso de Beto. O guardião é, sem dúvida, o número dois da baliza, tendo-se lesionado quando aquecia para ser titular num jogo da Liga Europa, em Viena. O técnico pretende ter os seus principais guardiões o mais aproximados possível, de forma a que também Beto esteja em plenas de condições de entrar na equipa a qualquer momento.
Com as Taças de Portugal e da Liga em ação, o internacional português tem possibilidades de voltar à baliza. Mesmo a sua presença nos convocados já é significativa, tendo em conta que se trata de um dos atletas que melhor contribui para o bom ambiente no balneário dos dragões.
in "record.pt"

Walter cumpre com a sua parte

DÚVIDAS NO ATAQUE TÊM SIDO AFASTADAS


A época começou com uma dúvida no ar e ainda paira nesta altura. Falcão e Walter serão suficientes para a frente de ataque? Conforme o próprio Villas-Boas respondeu antes do jogo com o Paços de Ferreira, os números dizem que sim. Os dois avançados deram garantias na primeira metade, com o colombiano a assumir o protagonismo, como seria de esperar. Mas Walter também fez por merecer a confiança do treinador. Com 6 golos, encontra-se num segundo patamar de goleadores da equipa, ao lado de Varela. Só Hulk e Falcão fazem (muito) melhor.
Aliás, Villas-Boas já fez questão de sublinhar que há outras alternativas que podem ser empurradas para o lugar mais ofensivo da equipa, dando como exemplo Hulk.
A não ser que surja uma excelente oportunidade de negócio no mercado, não parece que os dragões procurem um dianteiro para integrar o plantel nos próximos tempos. A solução passa por motivar o Bigorna, tendo-o sempre em condições de substituir Falcão numa troca direta.
Em caso de necessidade, tal como aconteceu há um ano, quando faltaram os extremos, a alternativa poderia estar numa alteração tática. Tudo cenários que Villas-Boas tem em conta quando faz as contas ao grupo que vai levar até ao final desta campanha.
in "record.pt"

James Rodríguez assediado pelo Calcio

EMPRESÁRIO INSISTE QUE O COLOMBIANO QUER SAIR


André Villas-Boas já disse que James “dificilmente sairá” e que pretende potenciar o seu jogador. O próprio colombiano afirmou recentemente que “só pensa no FC Porto” e em continuar no clube. Contudo, o seu representante na Europa, o empresário Bruno Carpeggiani, insiste na saída por empréstimo e já no mercado de janeiro. Pelo menos, foi isso que afirmou à rádio colombiana Antena 2.
Apesar do interesse do Espanyol (Espanha) e do Racing Avellaneda (Argentina) já ser do domínio público é ao campeonato italiano que Carpeggiani aponta James. Depois da Sampdoria, há mais dois clubes do Calcio interessados no colombiano.
“Em janeiro vamos ter reuniões no Porto e o James vai pedir para ser emprestado, por forma a jogar mais”, começou por dizer o representante do portista, prosseguindo sobre os clubes que já manifestaram interesse. “Na Juventus conhecem-no bem e desde os tempos em que jogava na Colômbia, mas o Chievo também está na corrida e o Mario Yepes (colombiano e ex-jogador do Chievo) já nos deu boas referências do clube”, acrescentou Carpeggiani.
in "record.pt"

F.C. Porto pondera contratar avançado

O F.C. Porto está atento ao mercado e o mês de Janeiro poderá ser aproveitado para contratar um avançado capaz de entrar na luta com Walter para ser alternativa a Falcao. O brasileiro Diego Maurício, do Flamengo, está referenciado pela SAD azul e branca.


Comprar de forma cirúrgica, sim, vender os jogadores principais do plantel, não. É esta a postura do F. C. Porto no mercado de Inverno, cuja janela estará aberta durante o mês de Janeiro. Pinto da Costa disse, há dias, que André Villas-Boas não lhe pediu reforços, mas o treinador poderá mesmo receber uma prenda de Ano Novo para o ataque.
Na primeira metade da época, Walter foi a única alternativa a Falcao para a posição nove, depois de falhada a tentativa de fazer chegar Kléber (Marítimo) ao plantel portista, mas essa será uma opção curta, em função da exigência dos compromissos que os dragões terão nos cinco meses que faltam até terminar a temporada. Para além de ganhar o campeonato, o grande objectivo de 2011, a equipa de Villas-Boas tentará chegar muito longe na Liga Europa, tendo ainda a Taça de Portugal e a Taça da Liga para disputar.

No Brasil, o nome do avançado Diego Maurício, de apenas 19 anos, é apontado como possível reforço dos dragões, sabendo o JN que o jovem formado no Flamengo está referenciado pela SAD azul e branca. Maurício foi uma das revelações da última edição do "Brasileirão", com cinco golos marcados em 16 jogos, e está convocado para o campeonato sul-americano de Sub-20.

Esse é um factor que não joga a favor da sua contratação imediata pelo F. C. Porto, mas que não a torna impossível, até porque o jovem brasileiro será sempre uma alternativa para o futuro, e não um jogador com a responsabilidade de ser titular a breve prazo.

O dono indiscutível do lugar no ataque portista é Falcao, só que os golos que o internacional colombiano tem marcado nos últimos meses, em Portugal e na Europa, devem torná-lo irresistível para um dos "tubarões" europeus no final da época - e é nessa perspectiva que se poderá colocar a hipótese de o F. C. Porto contratar, de imediato, um avançado jovem,   com tempo para se adaptar às exigências do Dragão.

Titulares à prova de propostas

No sentido inverso, é garantido que Villas-Boas não perderá nenhum dos habituais titulares em Janeiro. Nos últimos dias, a imprensa inglesa tem insistido no interesse do Manchester City em Hulk, sobretudo no caso de Tévez abandonar a equipa de Roberto Mancini nas próximas semanas, mas o contrato do avançado brasileiro, válido até 2014, está protegido por uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, quase impossível de ser batida.
Por outro lado, a SAD portista veria com bons olhos uma proposta tentadora por um dos elementos menos influentes do plantel, como é o caso do uruguaio Rodríguez, para o qual a porta de saída não está, nem por sombras, completamente fechada.
Outras saídas em aberto, mas por empréstimo, são as de Castro e de Ukra, pretendidos por vários clubes portugueses, como o Braga, a Académica ou o Olhanense, e até estrangeiros. Numa perspectiva de acompanhamento mais pormenorizado das carreiras dos dois jovens formados no clube azul e branco, o mais provável é que, se forem de facto cedidos, isso aconteça a clubes nacionais do escalão principal.

in "jn.pt"

F.C. Porto foi a equipa com melhor rendimento em 2010

Benfica foi campeão, mas F.C. Porto somou mais vitórias, marcou mais golos e só consentiu três derrotas



O Benfica foi campeão em 2010, mas o F.C. Porto foi a equipa com melhor rendimento ao longo do ano que agora está a acabar. Na transição de Jesualdo Ferreira para André Villas Boas, entre Janeiro e Dezembro, a equipa do Dragão somou mais vitórias, marcou mais golos e, talvez o dado mais surpreendente, consentiu apenas três derrotas: na Liga com o Sporting, na final da Taça da Liga com o Benfica e na Liga dos Campeões com o Arsenal. O Benfica destaca-se no segundo lugar, com o Sp. Braga a empurrar o Sporting para o quarto posto.

Numa comparação com o ano de 2009, o F.C. Porto é claramente a equipa que mais cresce, com mais jogos disputados (55 em 2010 contra 52 em 2009), maior número de vitórias (44 contra 34) e registando uma subida assinalável na marcação de golos (131 contras 96).

O Benfica, que em 2009 tinha sido o único a ultrapassar a barreira dos 100 golos (102), voltou a ultrapassar a barreira centenária no corrente ano, com 103 golos, sendo, a par do F.C. Porto, a única a chegar aos três dígitos.

No ano em que garantiu a conquista do título, a quebra do clube da Luz nota-se a partir da segunda metade do ano, já no arranque da nova temporada, em que, além da derrota na Supertaça, perdeu três dos primeiros quatro jogos da nova edição da Liga. Em 2010, o F.C. Porto regista uma percentagem de vitórias de 80 por cento, com 44 vitórias em 55 jogos, enquanto o Benfica chega aos 70 por cento, com 35 triunfos em 50 jogos.

Num plano mais abaixo, o Sp. Braga, surpreendente vice-campeão em 2010, conta com uma média de vitórias de 57 por cento, melhor do que o Sporting que só chega aos 54 por cento. O clube de Alvalade foi, a seguir ao F.C. Porto, a equipa com mais jogos disputados em 2010 (53), com um total de 29 vitórias, nove empates e 15 derrotas, enquanto os minhotos, com 47 jogos realizados, somam 27 triunfos, cinco empates e também quinze derrotas.

As diferenças de Sp. Braga e Sporting para F.C. Porto e Benfica são mais visíveis no total de golos marcados. Os leões ficaram-se pelos 89, enquanto os minhotos, a equipa com menos jogos, não foi além dos 77.



in "maisfutecol.iol.pt"

«Hulk é pouco acessível mas virá para Inglaterra» - Mike Rigg

Director técnico do Manchester City sonha com o impacto da sua contratação. Mas não esconde que o seu preço é realmente proibitivo. Perfil ideal para o futebol inglês.

O tema Hulk-Manchester City fervilha no país do futebol e, mesmo com o Boxing Day a centralizar atenções, o dossier envolvendo o atacante do FC Porto não perdeu nem força nem visibilidade mediática. 

O director-técnico do City, Mike Rigg, teve de dar novas explicações, face à contínua e pressionante insistência da imprensa inglesa.

Assim, e numa altura do ano em que os negócios param para se celebrar o Natal, as grandes excepções vêm precisamente de Inglaterra, o destino mais fervente do futebol europeu, e onde Hulk tem um assinalável cartaz. 

Rigg é forçado a admitir, em novas e cautelosas reacções ao dossier Hulk, servidas através da edição on line do Observer.

«Não tenho a menor dúvida de que o destino de Hulk é Inglaterra», disse Rigg, admitindo que caso ele fuja ao City (o Chelsea e o United são outros pretendentes citados na imprensa britânica), «será duro jogar contra ele.» 


in "abola.pt"

Rodriguez é para vender

Espanha deve ser o destino do atleta, que parece ter boas ofertas para sair. Situação no plantel do FC Porto facilita a transferência, porque James e Varela são as prioridades. Mariano Gonzalez veio criar um excedente. 

Cristian Rodriguez deve deixar o FC Porto já em Janeiro e começam a perfilar-se os candidatos.

Na Grécia correu o rumor de que poderia entrar na equipa de Jesualdo, o Panathinaikos, mas A BOLA confirmou que esse interesse não é efectivo, apesar de o professor conhecer muito bem o futebolista, que em 2008 chegou aos dragões depois de ter vestido a camisola do Benfica, numa contratação que animou o defeso. 

Espanha parece ser o destino de Cebola e a oferta até já terá chegado via empresário ao FC Porto.

Uma lesão na última temporada impediu o jogador de fazer uma época ao nível da anterior. Um problema que aumentou com o seu afastamento do Mundial da África do Sul, onde o Uruguai viria a ser uma das revelações, chegando às meias-finais da prova. 

Cebola ficou fora devido a um gesto irreflectido no final de um dos jogos de apuramento. Foi punido com quatro jogos e Óscar Tabarez não podia fazer nada. Não o levou para o certame.

Rodriguez, que ganhou a simpatia dos adeptos portistas, bem falta fez a Jesualdo Ferreira e, nesta temporada, as coisas pioraram. 

Também andou a braços com uma lesão e quando estava a voltar ao activo e a começar a convencer Villas Boas, voltou a lesionar-se, num jogo com o Vitória de Setúbal e numa altura em que estava a ser um dos melhores em campo.


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Prediger quer voltar para justificar aposta do dragão

Sebastian Prediger pretende deixar o Cruzeiro para jogar com mais regularidade. O médio argentino quer demonstrar que a aposta do FC Porto não foi em vão. 

«Estou a falar há já algum tempo com o FC Porto para encontrar um novo clube e renascer futebolisticamente. Cada vez que comunico com eles, sinto que essa é também a vontade do FC Porto, e eu quero, realmente, voltar à Europa e afirmar-me, para poder demonstrar por que razão pagaram quatro milhões de euros pelo meu passe», disse Prediger em entrevista aoAnálisis Digital.

Com «várias hipóteses» para prosseguir a carreira, o argentino reconhece que gostaria de regressar ao Cólon – clube onde se formou – antes de voltar a jogar de dragão ao peito


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sábado, 25 de dezembro de 2010

Pinto da Costa Entrevista 1


"Quem está na sua cadeira de sonho dificilmente aceita trocá-la"


Pinto da Costa não ganha sempre. No dia em que recebeu O JOGO no seu gabinete no Estádio do Dragão, tinha acabado de perder Pôncio Monteiro. "Um amigo de todos os dias e de todas as horas", confessou com a mesma emoção que coloca no discurso sempre que fala do FC Porto, que ambos defenderam lado a lado. Pinto da Costa não ganha sempre, mas não se consegue habituar a perder, e é por isso que aposta em voltar a ganhar tudo esta época. O campeonato e a Taça, claro, mas também a Liga Europa, até porque acredita que, depois de Viena, o FC Porto pode voltar a ser feliz em Sevilha. Para o conseguir, conta com "uma grande equipa", mas acima de tudo com um treinador que conhece "desde sempre": "Sei quem bem quem é o André e o que ele vale." É por isso que o presidente do FC Porto tem a certeza de que Villas-Boas vai ficar no clube para além dos dois anos que tem de contrato.


Que importância teve André Villas-Boas neste arranque de temporada do FC Porto?

Teve a importância que atribuo sempre a um treinador. Um treinador é sempre uma peça-chave em qualquer equipa. A escolha do treinador é uma responsabilidade que sempre assumi precisamente por isso. Para que, no caso de correr mal, seja da minha responsabilidade. Creio que 50 por cento daquilo que conseguimos até agora é mérito do André Villas-Boas e da sua equipa técnica, que é excelente.


Havia dúvidas em relação à juventude dele. Nunca as partilhou?

Não. Nunca tive dúvidas, até porque se tivesse, não o tinha contratado. Acho que um indivíduo aos 32 anos, que era a idade que ele tinha, ou é bom ou não é.

Qual é a primeira qualidade que procura quando escolhe um treinador?

A primeira de todas é a competência, e essa associada à liderança e à coragem. O que mais me irrita num treinador é ter consciência de que devia fazer algo e não o fazer porque tem medo. Conheço o André desde os 15 anos e sei que ele fará sempre o melhor para que o FC Porto vença.


Sublinhou que Villas-Boas é uma aposta pessoal. Sentiu resistências dentro da SAD à sua escolha?

Não. Todos sabem que não há nenhuma decisão aqui que não seja tomada por consenso. Há apenas uma excepção: eu escolho o treinador. Foi sempre assim. Foi assim com o Jesualdo, com o Mourinho, com o Robson e com todos. Quero ser eu a assumir essa responsabilidade e quero que o treinador saiba que é uma escolha pessoal. Neste caso, foi uma escolha sem risco, porque conheço o André desde sempre; sei quem ele é e o que vale.


O FC Porto desempenhou algum papel no fracasso das negociações entre o Sporting e Villas-Boas?

Não. Quando o André Villas-Boas teve um acordo com o Sporting assinado no Gerês, com a presença do dr. José Eduardo Bettencourt, o FC Porto não teve nada a ver com isso. O FC Porto nessa altura estava ainda lançado para o pentacampeonato, e não pensávamos em substituir o treinador. Tomámos conhecimento de que ele tinha um contrato-promessa, achei que era uma boa solução e cheguei a dar essa opinião ao presidente do Sporting. Depois, num jogo em Coimbra, o presidente da Académica disse-me que devia optar por ele e que não existia compromisso com o Sporting, porque havia uma cláusula que não fora cumprida. Só quando decidimos que o Jesualdo saía é que partimos para a escolha de um novo treinador. Nessa altura era do conhecimento público a rescisão do acordo-promessa que ele teve com o Sporting.


Dois anos de contrato é suficiente para um treinador que é falado como hipótese para clubes como o Inter de Milão ou o Liverpool?

Qualquer indivíduo que ganha é falado. Para isso corresponder à verdade, são necessárias duas coisas: a vontade de alguém contratar outra pessoa, e a vontade dessa pessoa de ser contratada. O André tem manifestado de forma categórica que - e a frase é dele - a cadeira do FC Porto é a sua cadeira de sonho, e quando um indivíduo está no seu clube, dificilmente aceitará uma troca.


O facto de ser portuense e portista é uma qualidade para um treinador do FC Porto?

É, sem dúvida. Nestes 28 anos como presidente, tive muitos treinadores. Tive quase sempre treinadores altamente competentes, cem por cento profissionais, mas que não tinham o coração azul e branco. Tirando o Pedroto, o Artur Jorge e o Oliveira, nos últimos anos não tive um treinador do FC Porto. O Villas-Boas acompanhou os sucessos do clube e compreendeu, com o Robson e com o Mourinho, o que era preciso lutar para ter sucesso. Se é um apaixonado pelo clube, não foi por isso que o convidei, mas é um acrescento na minha satisfação saber que escolhi um treinador pela sua competência, pelo seu carácter e pela sua liderança e que, ainda por cima, ele é dos nossos.


Acredita que Villas-Boas pode bater o recorde de quatro anos de Jesualdo?

Acredito. Acredito numa coisa com a certeza absoluta, que é que ele vai fazer mais do que os dois anos de contrato que tem agora.


Apesar do interesse...

Apesar do interesse, seja de quem for. Aliás, admira-me é que haja tão poucos interessados.


Então vai renovar com ele?

Isso é algo para discutir mais adiante.

"José Mourinho e André Villas-Boas têm o mesmo profissionalismo, a diferença é a paixão pelo FC Porto"

Há muitas pessoas que traçam paralelos entre André Villas-Boas e José Mourinho. Acha que existe algum paralelo entre ambos? Há semelhanças?

Não. Acho que se passa essa imagem, mas são muito diferentes. Claro que há semelhanças; por exemplo, são ambos altamente profissionais, vivem intensamente a sua profissão e dedicam-se aos seus clubes. Mas há logo aí uma grande diferença: o Mourinho foi um treinador de sucesso no FC Porto, mas, para ele, vir para cá ou para outro clube era igual, porque não era adepto do FC Porto. Curiosamente, a sua esposa até é portista desde pequena. Tenho ali uma fotografia em que eles assumem isso mesmo dizendo que o Mourinho festejou as vitórias de Viena e de Tóquio porque a esposa o obrigou. Foi um treinador fantástico, que se dedicou a cem por cento ao clube com um sucesso enorme. O Villas-Boas tem o acrescento de fazer o seu trabalho com profissionalismo, mas também com a paixão de o fazer pelo seu clube.


Consegue prever se André Villas-Boas chegará ao nível de José Mourinho, com os títulos que ele conseguiu?

Com os títulos que ele conseguiu, é difícil - vai ser difícil mais alguém chegar lá. Aqui, no FC Porto, teve um grande sucesso por mérito seu. Depois apanhou o Chelsea numa altura em que um milionário russo queria investir e lhe deu uma grande equipa, mas, para mim, o seu grande mérito foi o que conseguiu no Inter de Milão. Fez um trabalho notável, e não tenho dúvidas em dizer que ninguém mais fará o que ele fez.


Existe na opinião pública a ideia de que há algum ressentimento por parte do FC Porto em relação a José Mourinho. Isso corresponde à verdade?

Em termos pessoais, quando ele estava no Inter eu vivia intensamente as suas vitórias, tal como acontecia quando estava no Chelsea, de resto. Agora, no Real Madrid, estou dividido, porque o meu clube do coração em Espanha é o Barcelona e, naturalmente, estando ele no adversário do clube que se identifica connosco, fico dividido. Mais ainda tendo lá o Ricardo Carvalho e o Pepe, de quem sou amigo. Mas ressentimento quando ele ganha, nunca senti, muito pelo contrário.

"Acomodados com Jesualdo"

Há uma diferença que salta à vista quando se compara André Villas-Boas com o seu antecessor no cargo de treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira: o primeiro tem praticamente metade da idade do segundo. Uma diferença que força a pergunta: Pinto da Costa sentiu a necessidade de fazer uma ruptura com o passado quando contratou Villas-Boas? A resposta não podia ser mais directa: "Senti, sim. Senti que o FC Porto, no futebol, estava acomodado. Já sabíamos o que ia acontecer. Já sabíamos quem ia jogar, já sabíamos em que sistema íamos jogar, já sabíamos tudo e estávamos acomodados. O Jesualdo Ferreira foi um treinador competentíssimo, é um autêntico professor de futebol, fez evoluir e fará sempre evoluir os jogadores, mas faltava a dinâmica e a ambição de que uma equipa campeã precisa. Por isso foi necessária uma ruptura."

"Dilúvios, neve e até um ciclone de apito na boca"

É inevitável abordar o facto mais relevante desta primeira fase da temporada: 36 jogos sem derrotas. Estava à espera de um número assim?

Se 36 jogos sem derrotas bate um recorde do tempo do Mourinho, é sinal de que é muito difícil de conseguir. Felizmente aconteceu assim, o que é óptimo e possibilita várias conclusões. A primeira é que esta série começou com o regresso do Hulk à equipa, ele que devia ter cumprido três jogos de castigo, tal como foi determinado pelo Conselho de Justiça [CJ] da Federação Portuguesa de Futebol, que é a entidade máxima da justiça no futebol. Bizarramente cumpriu 17 por vontade de alguém que não tinha fundamento jurídico para o fazer, como o provou o CJ da FPF. A primeira ilação a tirar é que a falta do Hulk foi preponderante e daí que, por mais que isso irrite alguns cavalheiros, o último campeonato ficará sempre associado aos túneis. Foi no de Braga, foi no da Luz, foi aí que o nosso adversário conseguiu afastar os principais jogadores da luta pelo título; dez jogos com o Jesualdo após o regresso do Hulk e mais 26 com Villas-Boas. É evidente que se no começo da época me perguntassem se, praticamente no final da primeira volta, ficaríamos satisfeitos com três ou quatro pontos de avanço, o que representaria ter a mesma "performance" do Benfica tendo ganho o jogo entre ambos, diria que seria muito bom. Chegar aqui com oito pontos de avanço é muitíssimo bom.


Começou a ganhar no jogo da Supertaça?

Não, começámos muito antes disso. As coisas começaram a correr bem no dia da apresentação do André Villas-Boas; foi o momento da primeira vitória. A forma desinibida, inteligente e directa como ele se apresentou e respondeu a todas as questões criou uma lufada de ar fresco e onda de esperança entre os adeptos. Criou-se uma nova dinâmica com a sua maneira de ser, capacidade, juventude e ambição. Depois foi decisiva a pré-época. Não vencemos alguns dos jogos que fizemos, nomeadamente no Torneio de Paris, enquanto o nosso adversário directo empolgava a crítica de Lisboa com exibições fantásticas e goleadas a adversários de segunda linha. É evidente que o empolamento dessas vitórias, ligado à maneira negativa e depreciativa como viam o nosso treinador e a equipa, foi fundamental para que, na Supertaça, cilindrássemos em jogo o Benfica, com uma exibição convincente. Aliás, quando íamos para o estádio os adeptos encarnados faziam-nos gestos indicando 5-0, como se fossem vencer por esses números. Não era com certeza uma antevisão do que seria o resultado do Dragão. E era assim também nas apostas, uma percentagem enorme de favoritismo para o Benfica. Mas, dentro do campo, com uma ambição, uma força e uma consciência do nosso valor imparáveis, conseguimos ultrapassar as dificuldades, pôr o adversário no seu lugar e tornar evidente que o empolamento habitual, tanto das exibições anteriores como a supervalorização de qualquer jogador que chega ali, que tudo isso jogou a nosso favor. Foi uma jornada em que vencemos claramente, em que fomos prejudicados com agressões que passaram impunes, e foi o lançamento para esta carreira. Os jogadores passaram a acreditar no seu valor, o treinador começou a entusiasmar os adeptos, e todos formamos um grupo que tem sabido ultrapassar todos os obstáculos.


Qual foi o obstáculo mais complicado de ultrapassar até agora?

Já jogámos debaixo de um dilúvio em Coimbra e vencemos. Já jogámos com neve em Viena e vencemos. Já tivemos um jogo com um rival directo em que sofremos um golo irregular, vimos um jogador mal expulso e outro ficou em campo inexplicavelmente que foi um misto da tempestade de Viena e do dilúvio de Coimbra; foi um ciclone que passou com apito na boca por esse jogo, e conseguimos resistir. A equipa está habituada a ultrapassar todos os problemas e a encarar todos os jogos para ganhar, seja contra quem for e seja onde for. E por isso é evidente que estes resultados não me podem surpreender.


Sonho

"Quando disse que ele era jogador à Porto, nunca sonhei que fosse possível que viesse para cá


Invencível

"Se bate recorde de Mourinho, é sinal de que é muito difícil de conseguir

"Moutinho é a mola de um relógio suíço"

João Moutinho foi a grande contratação desta temporada. Correspondeu completamente às suas expectativas daquilo que é um jogador à Porto?

Totalmente. O João Moutinho, como jogador, é o que toda a gente sabe e, como homem, é fantástico. Um indivíduo que, com o seu passado no Sporting, teve de ouvir ser apelidado de maçã podre e que não teve uma reacção violenta em resposta - que podia dar fundamentadamente, com os documentos que tinha e que levaram à sua saída - e se manteve em silêncio por respeito ao clube que representou e aos companheiros que lá ficaram... é uma atitude notável, que não sei se muitos outros teriam.


Dentro de campo, como corresponde ele à sua descrição de jogador à Porto?

É a mola, o motor de um relógio suíço. Ele não é do Porto, mas também não é de Lisboa; é do Algarve e, já agora, faço-lhe uma inconfidência dizendo-lhe que ele esteve cá a prestar provas antes de ir para o Sporting porque queria vir para cá. E só não ficou porque tinha um irmão que não foi aprovado, e os pais queriam que ambos ficassem juntos. Caso contrário, teria ficado cá. Quando disse que ele era um jogador à Porto, nunca sonhei que fosse possível que viesse para cá. Pela forma de ser, pelo facto de jogar sempre, de ser o primeiro a assumir os problemas, é o tipo de jogador que está de alma e coração em qualquer clube.


Acha que ainda vai rendibilizar os 10 milhões que investiu nele ou isso nem lhe passa pela cabeça?

Passar pela cabeça, pode passar, agora vontade de o vender, não tenho. Quero que esses dez milhões sejam rendibilizados com muitas vitórias e mantendo o relógio sempre a funcionar.


O jogo com o Paços de Ferreira foi um jogo para jogadores à Porto?

Foi um jogo que foi mal analisado. Li um título no teletexto que dizia: "FC Porto treme, mas não cai". Quer dizer, estava frio, mas não assim tanto. O FC Porto fez uma primeira parte fantástica. O Helton, na primeira parte, teve de correr para não arrefecer. O Paços não passou do meio-campo. O FC Porto teve um remate de cabeça do Sapunaru, o Falcao falhou dois golos que normalmente não falha, o Hulk esteve isolado, e eles nem respiraram. Na segunda parte, o Paços de Ferreira atirou-se para a frente. Agora, há uma coisa que temos e que muita gente pensa que não faz parte da equipa, mas nós temos: um grande guarda-redes. O Helton tem cinco golos sofridos, e os outros têm 14 ou 15. O Helton está lá para defender e faz parte da equipa, e acabámos o jogo em cima do Paços e vencemos por 3-0. Houve um momento em que o Paços de Ferreira dominou, mas, mesmo aí, sentimos que a equipa não queria ceder. E quando uma equipa joga assim, com aquela determinação, as probabilidades de ganhar são muito maiores. É isso que define os jogadores à Porto.

"Bruno Alves e Raul Meireles não estavam com a cabeça aqui na última temporada"

Disse que havia jogadores que não estavam com a cabeça no FC Porto. Referia-se a Bruno Alves e Raul Meireles?

Sim, referia-me a eles. Tenho todo o respeito por eles, são grandes jogadores, foram grandes profissionais, mas não tinham a cabeça aqui. O Bruno e o seu pai falavam todos os dias em transferências, o Raul Meireles menos, mas também, e toda a gente sabia que a vontade deles era sair. Acredito que deram todo o seu empenho, mas no subconsciente estava a vontade de sair e, quando isso acontece, o rendimento não é o mesmo. Não é uma crítica, mas apenas a constatação de uma realidade. Quando me perguntam o que é um jogador à Porto, tenho de responder que a primeira qualidade para qualquer jogador é querer estar no FC Porto. Ainda há dias ouvi o Álvaro [Pereira] a dizer que nem quer ouvir falar em transferências, e isto é que é um jogador à Porto.


Surpreendeu-o a forma como a equipa ultrapassou a saída deles?

Não, não me surpreendeu porque conhecia o valor dos que ficavam e dos que vieram. Trocar o Raul Meireles pelo João Moutinho não é um risco; sair o Bruno Alves, com o crescimento do Maicon e tendo já na agenda o Otamendi, que é só internacional argentino, era de prever que não houvesse assim um grande abalo. Só tive pena que o Bruno saísse porque me dava gozo ouvir o doutor Eduardo Barroso, que via cotovelos por todo o lado, talvez por deformação profissional. Nesse sentido, o Bruno faz falta.

"Tive pena que Baía e Fernando Gomes saíssem"

A escolha de Antero Henrique para o futebol corresponde à necessidade de renovação que disse sentir no final da última época?

O Antero é quase um caso como o do André Villas-Boas. Conheço-o há mais de 15 anos. Acompanhei a sua evolução, e ele quase não precisa de falar para eu saber o que pensa. Ele já estava cá com o Jesualdo e tem a mesma preponderância que tinha. Poderá é sentir-se mais envolvido, porque este projecto entusiasmou toda a gente no clube que sentia, como ele sentia, que estávamos a cair num comodismo que é o pior que pode acontecer numa instituição como o FC Porto.


Em contrapartida, as saídas de Vítor Baía e Fernando Gomes representaram algum percalço para o clube?

Tinha e tenho relações de amizade com ambos. Conheci o Vítor Baía ainda nos juniores e guardo com carinho a primeira camisola que ele usou como sénior, bem como a camisola com que ele ganhou a Champions contra o Mónaco. Tive pena que saíssem do clube, e essa saída não aconteceu por minha vontade, mas eles entenderam que esse era o caminho que deviam seguir, e eu tive de respeitar essa decisão.

"Recandidatura? No fim do mandato logo vemos"

Na véspera da entrevista a O JOGO, Pinto da Costa foi jantar com a sua comissão de recandidatura, tornando inevitável a pergunta óbvia: vai recandidatar-se? A resposta foi um claro nim, mas um nim pontuado por algum humor. "Acho que esse jantar foi mal interpretado", começou por explicar o presidente portista. "Este é um jantar habitual nesta altura do ano e nem sequer estamos em época eleitoral", acrescentou. Mas está ou não disponível para se recandidatar? Mais sorrisos na resposta: "Neste momento estou a cumprir o meu mandato; no fim logo vemos. Antes disso tenho muita coisa em que pensar. Temos o museu, por exemplo, que quero inaugurar no final do próximo ano." A próxima obra do catálogo do presidente portista tem projecto e até já começou a dar os primeiros passos, embora, para já, Pinto da Costa prefira mantê-los em segredo. "A seu tempo, tudo será anunciado. Posso dizer que será de topo, que servirá de complemento perfeito para o nosso estádio e para o nosso pavilhão, e garanto que será uma visita obrigatória da cidade, por muito que isso custe ao presidente da Câmara Municipal do Porto."

"Ganhar por cinco foi agradável mas podia ter sido por seis..."

Houve algumas críticas do Benfica às arbitragens, e Jorge Jesus até já disse que o campeonato está desequilibrado por causa delas...

Claro que disse. Teve de dizer, porque foi o que resultou de uma reunião de alguns senhores do Benfica para delinearem uma estratégia de ataque ao FC Porto. O Jorge Jesus sabe muito bem porque é que o Benfica falhou e porque é que o FC Porto venceu. Isso são entretenimentos ridículos, as chamadas desculpas de mau pagador. Se eu dirigisse o FC Porto e orientasse o FC Porto reunindo-me com um "staff" onde estavam comentadores de televisão e jornalistas de jornais amigos, é evidente que tinham de sair asneiras; se o sr. Delgado e o sr. Guerra tivessem capacidade para dirigir o Benfica, já estariam lá. Quando são esses iluminados que vão lá dar opinião e iluminar, é óbvio que levam à situação ridícula de pôr o presidente da Assembleia Geral a pedir aos sócios para não irem aos jogos fora. Isto realmente é uma ideia peregrina, que ninguém percebe. Claro que ninguém lhes ligou nenhuma; quando muito, perceberam mal, porque deixaram foi de ir à Luz, onde as audiências baixaram drasticamente. Depois forçaram o presidente a desdizer numa carta aquilo que os órgãos sociais tinham decidido inicialmente. Claro que quando não há uma orientação séria e se dirige ao sabor das opiniões de meia dúzia de opinadores e jornalistas, é óbvio que tem de dar asneira.


E que balanço faz do trabalho de Vítor Pereira na Comissão de Arbitragem?

Não queria comentar muito o trabalho do Vítor Pereira. Tenho a ideia de que é uma pessoa séria, que procura fazer o melhor que pode e sabe, mas compreendo que a sua missão é muito difícil. Portugal é o único país da Europa que tem três programas televisivos de mais de uma hora de gente que não percebe nada de futebol. Podem perceber de medicina ou cinema, mas são pessoas que não sabem nada de futebol e vão discutir até à exaustão o trabalho dos árbitros. É muito difícil que este barulho todo não influencie o subconsciente das pessoas. Estou convencido de que quando as pessoas perceberem o ridículo que é ver o doutor Eduardo Barroso ou o doutor Fernando Seara a dizer que os penáltis contra as respectivas equipas nunca o são e que os penáltis contra o FC Porto são todos, isto acaba. São pessoas que não ajudam o futebol e desprestigiam as classes a que pertencem pelo fanatismo que evidenciam.


Os 5-0 ao Benfica foram uma espécie de retribuição pelo que aconteceu na Luz na última época?

Não. Foi um jogo normal. Nem sequer foi inédito. Aliás, foi muito mais interessante termos dado 5-0 na Supertaça em Lisboa, porque foi em casa do adversário e teve mais impacto. Acho que não teve nada de especial. Se ganhássemos por 1-0, ficava satisfeito na mesma. Por cinco, foi agradável. Podia ter sido por seis...


Mas não acha que foi esse o jogo que definiu decisivamente a liderança do campeonato?

Isso estava definido muito antes. Aliás, nos últimos três jogos com o Benfica, já com a equipa completa depois das injustiças que resultaram das confusões no túnel da Luz, demos 10-1. Por isso, as coisas estavam definidas há muito...

"Já fomos felizes em Viena, por que não em Sevilha?"

No início da época disse que o FC Porto ia voltar a vencer interna e internacionalmente. Acredita que o FC Porto pode voltar a vencer uma grande competição europeia já este ano?

Acredito que sim, que é possível, embora seja difícil, como mostra o sorteio da próxima fase de Liga Europa. O Sevilha é sempre um adversário de respeito. Nunca dissemos que vamos ganhar; dissemos, e mantemos, é que vamos tentar ganhar. Sabemos que não há equipas invencíveis, mas vamos lutar para sermos invencíveis até onde for possível. De resto, o FC Porto já foi feliz em Viena este ano; porque não há-de voltar a ser feliz também em Sevilha?


Não há representantes portugueses na Liga dos Campeões nos oitavos-de-final...

Algo que vejo com tristeza e que é negativo para o futebol português. Mas talvez assim as pessoas que só olham para o Sul possam dar o valor que é devido ao FC Porto pelo facto de passar regularmente para além da fase de grupos.


O FC Porto apresentou recentemente o maior orçamento do futebol português. Essa é uma situação sustentável?

É. O FC Porto tem apresentado lucros nos últimos quatro anos. De resto, apresentou este orçamento mais recente com uma nova previsão de lucro. Portanto, é sustentável.


Mesmo fora da Liga dos Campeões?

Pensamos que sim. Embora a nossa vontade seja a de sobreviver fora da Liga dos Campeões o menos tempo possível, até porque a diferença nas receitas para a Liga Europa é muito grande.

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