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sexta-feira, 22 de março de 2013

Kiki, o rapaz das tranças que o F.C. Porto raptou


O maior susto da vida, uma mala cheia de dinheiro e a «barracada total» em Braga: reportagem-Maisfutebol



Kiki: destino, 80sDESTINO: 80's é uma nova rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 80's.


KIKI: F.C. PORTO, DE 1989 A 1992



1989 é o ano de Kiki. O rapaz das tranças longas, o Bob Marley da Cidade da Praia. A paixão pelo F.C. Porto, de criança, é enfim correspondida. Os dragões antecipam-se ao Benfica (criativo, não?) e vão a Braga buscar este médio: raçudo, competitivo e nada trapalhão de bola nos pés. 



Kiki atende o telefone, 24 anos depois, em Cabo Verde. É empresário nas áreas da construção e alimentação. Está completamente afastado do futebol, mas com saudades do mundo da bola. O Maisfutebol convida-o a uma viagem ao passado e à noite em que tudo começou a fazer sentido.



A noite em que o F.C. Porto raptou Kiki. 



«Estava a chegar a casa, lá para as 22h30, entro na minha garagem e estava tudo escuro. Normal. Quando abro a porta, aparece-me um senhor já de alguma idade à frente, a poucos metros», conta Kiki, um bem disposto por natureza.



«Apanhei o maior susto da minha vida». Não custa a acreditar. «Eu reconheci o homem e percebi que era o Domingos Pereira, funcionário do F.C. Porto. Disse-me que o presidente estava à espera. Tínhamos de ir a correr para o Porto». 



Assim foi. Kiki entra no automóvel, faz a viagem a pensar no momento Soprano e é levado à presença da cúpula azul e branca. «Pinto da Costa, Reinaldo Teles e Pôncio Monteiro. Que simpatia, todos eles. Em cinco minutos ficou decidido: ia para o F.C. Porto e a minha vida ia mudar completamente». 



Tudo muda, de facto, para Kiki. Em três temporadas ganha duas vezes o campeonato nacional, trabalha sob as ordens de Artur Jorge e Carlos Alberto Silva, pisa os maiores palcos do futebol europeu. O menino da Praia passa a ser mais um na família azul e branca. 



«Faltavam muitos meses para acabar a época ainda e o Sp. Braga queria que eu renovasse. Fui suspenso, claro. Barracada total!», conta Kiki, já despido das longas tranças, as mesmas que entre 1982 1994 passearam o ar cool do reggae pelos relvados portugueses. 



«Já as cortei há alguns anos. Agora, se for a Portugal ninguém reconhece o Kiki». 



No dia posterior ao rapto, Kiki vai a casa de Pinto da Costa. Sai de lá com uma mala cheia de notas, «como nos filmes de gangsters». «Não havia cheques, muito menos contas bancárias», explica o antigo dragão. 



«Assinei o contrato por três anos e o presidente pagou-me tudo em dinheiro vivo. Eu nem contei o que lá estava. Saí de casa dele e fui logo depositar o dinheiro em três sítios diferentes», dispara o bom do Kiki, como se estivesse a reviver tudo. 



«Está a imaginar-me a entrar nos bancos, carregado com aquela mala? Pensaram que eu era um bandido. Valeu bem a pena».



Kiki tem uma vida «acima da média» em Cabo Verde. Deve-o aos dias «de bom dinheiro» no F.C. Porto. «Se não fossem eles, o que seria de mim aqui na Praia? Vendia gelados?» 

Kiki, o «gémeo falso de Vítor Baía»

A melhor exibição de dragão ao peito, os dias com mestre Pedroto e o guarda-redes inseparável: reportagem-Maisfutebol


Kiki: destino, 80sDESTINO: 80's é uma nova rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 80's.


KIKI: F.C. PORTO, DE 1989 A 1992



16 jogos oficiais em 1989/90, 26 jogos e um golo (ao U. Madeira) em 1990/91, dez jogos em 1991/92: três anos «maravilhosos» no F.C. Porto. A melhor exibição, diz Kiki, foi conseguida em Bucareste. «Empatámos 0-0 com o Dínamo e enchi o campo. Até o Artur Jorge me deu os parabéns». 



Entrar num balneário campeão da Europa, recheado de monstros sagrados, intimida o mais impávido dos seres. Kiki não é diferente. Estranha e receia. Depois, tudo passa. «No final da primeira semana já ia aos almoços de quarta-feira. Se eu estava lá era porque eles me aprovavam».



O melhor amigo de Kiki é Toni [António Conceição], que com ele viaja de Braga. No F.C. Porto passa a ter outro amigo para a vida. Um menino de 19 anos chamado Vítor Baía. «Fomos morar para o mesmo prédio no Vale Formoso. Eramos os dois solteiros e muito bons rapazes».



«Passámos a ser os gémeos falsos, como diziam». E Kiki ri-se ainda mais. «Tínhamos casa igual e carros iguais. O dele era preto e o meu branco, claro. Partíamos tudo, nas horas permitidas». 



Domingos, «o craque», Fernando Couto, Jorge Couto e Folha juntavam-se aos gémeos falsos. Entusiasmo não faltava, mas tudo esmorecia na presença de Artur Jorge. «Vou-lhe ser sincero: todos tínhamos medo dele». 



Faltava falar de alguém: André. «O meu colega do meio-campo. Tínhamos um plano: nos jogos contra o Benfica e o Sporting provocávamos os adversários do princípio ao fim. Juntávamos atrás de um ao outro e ameaçávamos o tipo». 



«Não passava disso, mas assim se ganhavam muitos jogos. Contra o Benfica, em dez ganhávamos sete».



«Mestre Pedroto inventava todos os dias alguma coisa»



Antes de ser dragão, Kiki tem já uma carreira de respeito. Chega a Guimarães em 1982, «com 19 anos», pela mão de mestre Pedroto, por exemplo. «Era um homem especial, um brincalhão. Todos os dias inventava qualquer coisa nos treinos. Aprendi quase tudo com ele». 



Seguiu-se o Desp. Chaves e uma presença histórica na Taça UEFA. O clube acaba em quinto na época 1986/87 e chega às provas europeias. Elimina o Universitatea Craiova (Roménia) e é afastado pelo Honved (Hungria). Kiki está lá. 



«O treinador era o Raul Águas e jogávamos um futebol lindo, de bola no pé e pelo campo inteiro. Chaves é uma cidade de gente boa e ainda há poucos anos lá fui a uma homenagem». 



De Chaves, Kiki salta para Braga. Mais duas épocas de bom nível, agora treinado por Manuel José. «Bom homem, mas um excêntrico. Vivemos três meses juntos no mesmo hotel e passávamos imenso tempo junto. Quis levar-me para o Sporting com ele e o Braga não deixou». 



«Nas férias espalhei a notícia por Cabo Verde, pensei que ia ser leão e, à última da hora, tudo fracassou. Passei uma vergonha das grandes». 

Kiki, «Artur Jorge passava e nem nos cumprimentava»

O temor que o treinador impunha aos jogadores e o adeus às Antas com Carlos Alberto Silva: reportagem-Maisfutebol


DESTINO: 80's é uma nova rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 80's.


KIKI: F.C. PORTO, DE 1989 A 1992



«Só tenho a agradecer a Artur Jorge. Foi dos homens mais inteligentes que conheci, mas...» Kiki começa assim a falar sobre o homem que o treinou no V. Guimarães (adjunto de Pedroto) e no F.C. Porto. Sim, a admiração é evidente, mas... 



«Vou contar-lhe uma coisa, para perceber. Num dos primeiros dias de folga no F.C. Porto fui dar uma volta ao shopping. Estava a ver umas montras quando, de repente, me cruzo com o Artur Jorge». Kiki, ingénuo, foi ter com o técnico. 



«Aproximei-me do mister para cumprimentá-lo, claro. Ele virou a cara e seguiu em frente. Fez como se eu não estivesse lá», conta o antigo médio do F.C. Porto, já a explodir numa gargalhada. «Artur Jorge não era um treinador normal». 



«No dia seguinte fui contar este episódio a alguns colegas. Disseram-me logo: já nos aconteceu a todos. Fora daqui [dos treinos e jogos] não existimos para ele. Percebi que era uma forma de ele manter uma distância grande para os jogadores e impor uma certa cultura de temor». 



Este era o lado mau de Artur Jorge. Não tinha qualquer relação com a equipa nos momentos estranhos ao trabalho. 



«A verdade é que ele nos intimidava. Quase todos tremiam ao falar com o Artur Jorge. Isso era nos dias bons. Nos dias maus, num dia de derrota por exemplo, ai de quem abrisse a boca. Vi alguns balneários partidos e fiz várias viagens de autocarro em absoluto silêncio». 



Artur Jorge, porém, era mais do que isso, diz Kiki. «A forma como preparava os jogos e comunicava connosco era excecional. Entrávamos em campo decididos a dar a vida por ele. Por respeito, por orgulho, por medo, ninguém queria falhar. Nunca ouvi ninguém dizer mal do Artur Jorge. Ninguém se atrevia». 



Em 1991, Artur Jorge saiu e chegou Carlos Alberto Silva. Kiki perdeu espaço e no final da época, em 1992, abandonou o F.C. Porto. 



«Já estava com 30 anos e cumpri o contrato de três épocas até ao fim. Joguei menos nessa última temporada, mas não tive problemas com o CAS. Bem pelo contrário, ele era mesmo brasileiro: comunicador, simpático, atencioso, boa gente». 



Números de Kiki no campeonato nacional:



1982/83: 2 jogos, 1 golo (V. Guimarães, 4º lugar)
1983/84: 7 jogos, 1 golo (V. Guimarães, 6º lugar)
1984/85: 26 jogos, 1 golos (D. Chaves, 1º lugar II Liga)
1985/86: 22 jogos, 3 golos (D. Chaves, 6º lugar)
1986/87: 12 jogos, 0 golos (D. Chaves, 5º lugar)
1987/88: 34 jogos, 0 golos (Sp. Braga, 11º lugar)
1988/89: 30 jogos, 1 golo (Sp. Braga, 6º lugar)
1989/90: 13 jogos, 0 golos (F.C. Porto, 1º lugar)
1990/91: 22 jogos, 1 golo (F.C. Porto, 2º lugar)
1991/92: 7 jogos, 0 golos (F.C. Porto, 1º lugar)
1992/93: 13 jogos, 0 golos (Sp. Braga, 12º lugar)
1993/94: 17 jogos, 0 golos (P. Ferreira, 16º lugar)

in "maisfutebol.iol.pt"

domingo, 2 de dezembro de 2012

Artur Jorge diz que o F.C. Porto «tem grandes hipóteses» em Paris


Artur Jorge, antigo treinador do F.C. Porto e do Paris Saint-Germain, acredita que os «dragões» têm «grandes hipóteses de fazer um bom resultado em Paris» e garantir terça-feira o primeiro lugar do Grupo A da Liga dos Campeões.

Em declarações à agência Lusa, o antigo treinador antevê «um bom jogo, entre duas boas equipas, com bons jogadores, que querem ficar à frente do grupo, porque também é importante ficar em primeiro».

Para além do prestígio, o treinador que levou o F.C. Porto à conquista da Taça dos Campeões, em 1987, destaca ainda que «o vencedor do grupo defrontará uma equipa segunda classificada na fase seguinte», logo teoricamente mais acessível. «É um jogo importante. São duas equipas com nível, com nome e é importante qual fica em primeiro lugar. Também por isso, antevejo que vai ser um jogo bom», sustentou.

Artur Jorge considera que ainda é cedo para aferir qual das equipas está melhor, até porque ambas se assumem como candidatas ao título, mas espera que o F.C. Porto saia vencedor. «Estamos no início da época, ainda faltam muitos jogos e, nesta altura, não podemos dizer muito mais. São duas boas equipas, com jogadores de grande qualidade. Se estiverem ao seu nível, podemos assistir a um grande jogo», defendeu.

O ex-técnico considera que os portistas possuem um grande meio-campo e bons avançados, tal como o PSG, pelo que entende que são duas equipas positivas, com grande vontade de jogar bem e de marcar golos. «Isto tudo são aliciantes que vão fazer com que este jogo seja um jogo bom. Se o F.C. Porto jogar ao seu nível, tem grandes hipóteses de fazer um bom resultado em Paris», justificou.

O ex-treinador, que se sagrou campeão nacional pelos dois clubes, sublinha que «o PSG tem presentemente condições que nunca teve. Pode comprar os jogadores que quiser e quando se tem jogadores de muita qualidade, e treinadores, as portas estão completamente abertas». «Se olharmos para o F.C. Porto, também é um bocadinho a mesma coisa. É um clube muito grande e eu não diria que tem um passado, mas sim um presente muito forte nas competições europeias», adiantou.

Por tudo isto, Artur Jorge acredita que as equipas vão proporcionar um bom jogo, positivo, e sustenta que o PSG não é só Zlatan Ibrahimovic, «embora a equipa seja mais forte a jogar com o internacional sueco». «É um jogador que faz golos, tem feito no campeonato e na Taça, e é um verdadeiro ponta-de-lança. Faz golos à frente, atrás, à esquerda e à direita, com os pés, com a cabeça, com o calcanhar. É um jogador de muita qualidade», disse.

No entanto, acrescenta, «se se olhar para o F.C. Porto, também tem jogadores capazes de fazer golos, tem muitos e bons jogadores. Toda a gente sabe quem são e não vale a pena destacar nenhum».

Artur Jorge pretende assistir ao jogo no Parque dos Príncipes, até porque ao vivo tem outra envolvência, mas não sabe ainda se tal será possível, devido aos seus afazeres pessoais.

Além da conquista europeia, Artur Jorge foi três vezes campeão nacional com o F.C. Porto (1984/85, 1985/86 e 1989/90), tendo também conquistado uma Taça de Portugal (1990/91), e foi campeão francês, pelo Paris Saint-Germain (1993/94).


in "maisfutebol.iol.pt"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Artur Jorge. “Vitória 400 do Mourinho? Ligue-me quando chegar às 500, 600 e por aí fora, sff”


Bom dia, é o Artur Jorge?
Sim, sim, bom dia.
Daqui Rui Miguel Tovar do i. Como está?
Olá, tudo bem, obrigado.
Desculpe incomodá-lo antes de almoço, mas é rápido.
Ora essa, avance.
O Mourinho alcançou a vitória 400...
Grande número, sem dúvida. Ligue-me quando atingir a 500.a, a 600.a, e por aí fora se faz favor.
OK, ligo, mas antes diga-me se se lembra de ter chegado a esse número, em Novembro de 2001, pelo Al Hilal.
Eeeeee, vai buscar cada coisa ao baú... Não pode ser, não tenho essa capacidade, até porque nunca fui uma pessoa muito ligada à estatística.
Mas estou-lhe a dizer.
Acredito em si, claro.
E...
Se foi em 2001, já foi há muito tempo [risos]. Repare, antigamente – e nesta sociedade dez anos já é muito tempo – não se ligava nada ou quase nada a esses números.
Outros tempos, portanto.
Claramente. Treinei tantos clubes. Belenenses, Portimonense, FC Porto. Depois aventurei-me em França, pelo Matra Racing, uma equipa com nome e prestígio. As coisas começaram a ser feitas antes de mim, mas o projecto era interessante. Acabámos por não fazer o pretendido e o Matra deixou de existir.
A seguir...
FC Porto, selecção nacional e outra vez França, agora PSG. Uma grande equipa, um projecto ambicioso com o Canal Plus a financiar. Enquanto houve dinheiro fizemos épocas formidáveis, com plantéis extraordinários: Ricardo Gomes, Valdo, Ginola, Weah, Lama...
Pano para mangas.
Sim, ganhámos a Taça de França num ano [1993], fomos campeões franceses no outro [1994] e eliminámos o Real Madrid duas vezes. Não é para todos. Por questões empresariais, não quiseram dar aquele título francês do Marselha [92/93] ao PSG porque havia muita gente do Canal Plus em Marselha.
A seguir...
Benfica e a Suíça. Fui lá para o Euro-96. A pessoa que lá estava [Roy Hogdson, entretanto contratado pelo Inter] queria regressar e arranjou confusão com os amigos jornalistas. Treinar uma selecção é sempre um momento especial, mas foi uma caldeirada, digamos assim. Tivemos azar no grupo: Inglaterra, Escócia – ambas a jogar em casa – mais a Holanda. Em função da qualidade da Suíça, foi um trajecto razoável.
A seguir...
Tenerife, em Espanha, Vitesse, na Holanda, novamente PSG, e virei-me para o mundo árabe. Primeiro o Al Nasr, em que chegámos a quatro finais num ano, depois o Al Hilal, em que fomos campeões nacionais com a equipa de reservas porque o plantel principal estava todo na selecção da Arábia Saudita. Acontece que lá o presidente manda mais que o treinador no preparo na equipa e isso não é bem assim. Pelo menos para mim. Por isso saí.
Então...
Para a Académica, em 2002. Ficámos na 1.a divisão e então embarquei para o CSKA Moscovo. Ganhámos a Supertaça russa [3-1 ao Spartak, após prolongamento] mas repetiu-se o problema do Al Hilal: um presidente que quer mandar mais que o treinador. Ele era amigo do Abramovich e queria ser campeão russo à 10.a jornada. Ora bem, se alguém aparece e quer fazer, faz sem mim.
E agora, beco sem saída?
Experimentei África, com a selecção dos Camarões. Acredita que não perdi nenhum jogo, fundamentalmente à custa dos jogadores de qualidade. Das melhores experiências da minha vida. Pena aquele penálti falhado no último minuto a privar-nos do Mundial-2006. Pena também pelo fervor do público e pelo entusiasmo dos jogadores. Nem imagina a tristeza no balneário, todos a chorar.
Vejo aqui que depois se aventurou novamente no Al-Nasr e acabou no Créteil. França é um país do futebol.
Quando pensamos em Paris, capital da Europa, capital da moda, capital da finança, com 20 milhões de habitantes, e só vemos uma equipa na 1.a divisão, quer dizer...
Uma equipa que não é campeã francesa desde Artur Jorge, em 1994.
Pois, ainda por cima. É um caso estranhíssimo, o de Paris sem clubes de primeira nem interesse. Lembro-me de passear em Paris sem qualquer incómodo – no bom sentido, digo. No Porto, por exemplo, era menos possível passar invisível, as pessoas querem-te mais, param--te a meio da rua e têm o prazer de falar. Em Paris é a indiferença. Agora não, é mais intenso. No meu tempo o Parc não enchia. Agora enche. Já lá fui ver um jogo esta época e o Parc a abarrotar. Quarenta mil, penso eu. Outros tempos, como lhe digo.
Mourinho ganhou pela 400.a vez e ainda por cima foi assobiado na própria casa.
Mais um dado da diferença de épocas. No meu tempo não havia assobios. Também é verdade que nunca estive no topo da montanha que é o Real Madrid. Digo-lhe uma coisa, Mourinho é um nome incontornável na nossa história, a de Portugal e a do resto do mundo, agora e daqui para a frente. Tem 400 vitórias em quantos jogos?
590.
Quinhentos e noventa? E assobiam-no? É preciso [risos] coragem. Assobios no meu tempo só quando a minha equipa era assaltada em casa. Lembro-me de um PSG-Juventus [0-1], segunda mão das meias-finais da Taça UEFA em 1993. Fomos tão, tão, mas tão roubados, nem imagina. Aí assim, justificam-se os assobios. Assobiar o próprio treinador é que... Talvez não o façam na 500.a vitória, quem sabe?
O que sei é que vou ligar-lhe nesse dia.
Esteja à vontade, é um prazer.

in "ionline.pt"

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Artur Jorge: «Pinto da Costa transforma coisas más em muito boas»

LÍDER PORTISTA COMEMORA 30 ANOS DE PRESIDÊNCIA



Artur Jorge, treinador do FC Porto no primeiro título de campeão europeu do clube, afirmou que Pinto da Costa, em 30 anos de presidência, transformou "coisas médias em boas e más em muito boas".
O técnico português, atualmente afastado dos grandes palcos do futebol, disse à agência Lusa que essas três décadas - terça-feira é celebrada a primeira eleição do líder portista - representam "um percurso memorável".
"Tal como todos os presidentes de clubes, Pinto da Costa tentou fazer o melhor possível e, no FC Porto, conseguiu uma grande melhoria a todos os níveis", disse o técnico que dirigiu a equipa que, em 1987, conquistou em Viena a Taça dos Campeões Europeus.
Segundo Artur Jorge, o FC Porto "sempre foi uma grande equipa, mas devido ao trabalho de Pinto da Costa, tornou-se um clube melhor e cada vez mais forte".
"Basta olharmos um pouco para as taças conquistadas por todas as modalidades desportivas, que demonstram tratar-se de um grande percurso", justificou.
Artur Jorge, que passou em duas ocasiões diferentes pelo banco dos dragões (84/85 a 86/87 e 89/90 a 90/91), sustentou que Pinto da Costa "é uma pessoa que está sempre por cima de tudo o que se faz no clube, tendo conseguido fazer com que as coisas médias se tornassem boas e as coisas más se tornassem muito boas".
"Nestes 30 anos, foi a grande figura do FC Porto, pois sem ele o clube não tinha conseguido alcançar aquilo que alcançou", argumentou.
O nome de Artur Jorge é indissociável de um dos momentos mais altos do clube, o da sagração de campeão europeu, em 1987: "É a minha recordação mais importante. É algo que toda a gente recorda com enorme satisfação e que fica na nossa memória".
"Estou convencido que, não só para mim como também para as pessoas que fazem parte do FC Porto, é a maior vitória do clube", disse o também ex-selecionador nacional (1990/91 e 1997).
Segundo Artur Jorge, a conquista em Viena "foi conseguida graças a todos, mas principalmente ao presidente".
"Sem ele o clube não teria, de certeza, todas as taças que tem nesta altura", frisou à Lusa.
Além da conquista europeia, Artur Jorge foi três vezes campeão nacional com o FC Porto (1984/85, 1985/86 e 1989/90), tendo também vencido uma Taça de Portugal (1990/91), e foi campeão francês, pelo Paris Saint-Germain (1993/94).
in "record.pt"

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

FC Porto é a melhor equipa da primeira volta, diz Artur Jorge

Artur Jorge, que já treinou o FC Porto e o Benfica, diz que os dragões são os melhores nestas primeiras 15 jornadas. Por sua vez, Menezes Rodrigues, ex-vice-presidente do Sporting, diz que o objectivo do Sporting só pode ser vencer todos os jogos.


O FC Porto é a melhor equipa das primeiras jornadas da primeira metade da Liga Portuguesa. É líder com mais oito pontos do que o Benfica. O Sporting está a 13 pontos dos Dragões e a cinco das Águias. Em declarações à TSF, Artur Jorge, antigo treinador dos dragões e dos encarnados, valoriza o desempenho do FC Porto.
«O Porto fez a primeira volta mais forte que os outros. O Benfica começou muito mal e o Sporting, nesta altura, está melhor do que estava», disse Artur Jorge, que não avança com um vencedor do campeonato.
«Ainda nada se sabe sobre a classificação porque ainda faltam muitos jogos», afirma, sublinhando que as três equipas têm ainda jogos internacionais pela frente.
Aliás, segundo o antigo treinador, o Benfica «melhorou depois de um início de temporada muito mau. O Sporting vai melhorando, vai piorando, vai melhorando. Parece-me que está mais forte do que no início do campeonato». O FC Porto, refere, «está forte».
Questionado sobre quais os futebolistas da primeira volta que destacaria, Artur Jorge aponta Hulk e Falcao: «são dois jogadores de grande qualidade». André Villas Boas, por seu turno, como treinador, «está a fazer um bom campeonato».


in "tsf.pt"

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Artur Jorge: "FC Porto tem crescido com Villas-Boas"

Artur Jorge prepara-se para ser homenageado amanhã, em Viena, juntamente com os jogadores que conquistaram o primeiro título europeu para o FC Porto, em 1987. Mais do que o reconhecimento pelo feito, esta é uma homenagem a um técnico que chegou ao clube pela mão de Pinto da Costa, que apostou tudo nele. Ora, no início da actual época, o presidente do FC Porto começou um capítulo semelhante ao de 1984, com Artur Jorge, desta feita ao contratar André Villas-Boas, sem que, quer na altura, quer hoje, qualquer um deles tivesse currículo para que fossem aparentemente candidatos ao lugar de treinador dos dragões. "É verdade, e nesta altura há muita coisa a correr bem no FC Porto. A equipa tem feito um bom campeonato e isso tem sido fundamental em todas as situações, o que tem permitido que o clube cresça", frisou Artur Jorge, que acredita na possibilidade de a equipa de Villas-Boas poder apresentar um balanço muito positivo no final da época em curso.

Desde o início da actual campanha, o FC Porto venceu a Supertaça, conta dez vitórias e dois empates (Guimarães e Sporting) na I Liga, está apurado para os 16 avos-de-final da Liga Europa e ultrapassou a quarta eliminatória da Taça de Portugal, somando 21 jogos sem perder. "Quando olhamos para o futebol que esta equipa pratica, vê-se perfeitamente que tem qualidade para que o clube continue a crescer com Villas-Boas, tal como tem acontecido nas últimas décadas", comentou.

O crescimento a que Artur Jorge se refere é assim por ele explicado. "Quando se comparam as condições que havia no meu tempo e as que existem hoje, há diferenças consideráveis, mas elas não aconteceram por acaso, mas sim porque o FC Porto foi capaz de continuar a ganhar títulos, uns a seguir aos outros e de não ter parado depois da final de Viena. Por isso, quando se olha para o clube que tínhamos antes e o que ele é hoje - o próprio estádio é uma obra fantástica - vê-se nitidamente que o FC Porto passou a ser um dos maiores clubes do mundo e que continua a crescer", sustentou.

"Vitória importante para o clube"

Os vencedores da Taça dos Campeões Europeus de 1987 vão ser homenageados no Estádio Ernst Happel, antigo Prater, palco verde que João Pinto percorreu com a taça à cabeça, imagem que ficou da primeira conquista internacional do FC Porto. "É uma homenagem à equipa e, para mim, um contentamento total, por algo que nos aconteceu, numa altura muito importante para o FC Porto. Mas é acima de tudo uma honra, porque vencemos um adversário que praticamente jogava em casa, numa final em que o FC Porto não era favorito", comentou Artur Jorge. Mas o jogo não marcou só o clube: "As pessoas não faziam ideia, não conheciam a qualidade dos jogadores do FC Porto e foi preciso uma grande vitória para que tomassem consciência disso e entendessem que era possível alcançar grandes títulos". Sobre a final em si, guarda mais do que a vitória: "Vencemos com grande lucidez, apesar de só na segunda parte os jogadores se terem exibido realmente ao seu nível".

in "ojogo.pt"

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FC Porto 5 - Benfica 0 (comerntarios)

Artur Jorge: «Resultado não foi exagerado»

O antigo treinador do FC Porto e Benfica sublinha a justiça da vitória dos dragões.

«O FC porto foi muito mais forte do que o Benfica em todos os aspectos do jogo», começa por afirmar Artur Jorge.

A goleada imposta pelo clube da invicta ao rival lisboeta não choca, aliás, o treinador português. «Estou convencido de que, apesar de se tratar de um desfecho pouco habitual para o que as pessoas estão habituadas a ver num clássico, os 5-0 espelham o que se passou no relvado. O resultado não foi exagerado. O FC Porto mereceu ganhar por aquela diferença», explica Artur Jorge.


«FC Porto cilindrou o Benfica» — Jaime Magalhães

Jaime Magalhães, antigo jogador do FC Porto, não se mostrou nem um pouco surpreendido com a forma como o dragão controlou as operações. O resultado... até podia ser mais desnivelado, garante.

«Aconteceu o que já se previa, domínio absoluto do FC Porto, que funcionou como equipa e acabou por cilindrar o adversário. O resultado é anormal mas o FCP ainda teve oportunidades para marcar mais...»
 
 
«Houve um equívoco», defende Humberto Coelho
Ex-seleccionador da Tunísia diz que a aposta em David Luiz como defesa-esquerdo foi determinante para o descalabro do Benfica no Dragão.

Directo ao assunto, Humberto Coelho não tem dúvidas. «Houve um equívoco que na minha opinião justifica o resultado pesado: a colocação de David Luiz junto à linha lateral e a entrada do Sidnei, que está sem ritmo, para o eixo. O Benfica não teve organização defensiva e pagou caro por isso», sublinha o antigo seleccionador nacional.

«O Benfica tem apostado numa dupla de defesas-centrais que dá garantias e desfazê-la foi determinante. O FC Porto soube aproveitar este facto e dominou por completo no jogo e no adversário», conclui Humberto Coelho.
 
«Benfica é quase a antítese da época passada» - Toni
 
A chave para a goleada sofrida pelo Benfica no Dragão foi, segundo Toni, antiga glória e treinador dos encarnados, faltar a consistência da época passada, que tão bons resultados trouxe à equipa da Luz.

Toni referiu que «a máquina trituradora passou a ser quase a antítese da época passada.» «O Benfica é uma equipa longe do futebol espectacular que fez furor na época passada, pela consistência, espectacularidade. Este ano a equipa falha em muitos daqueles que foram os pontos fortes da época passada e por isso há um Benfica não tão consistente, constante e eficiente», acrescentou.

O ex-técnico considerou, portanto, que «a justiça do resultado [5-0 para o FC Porto] não deixa dúvidas a ninguém.» «Só temos é que dar os parabéns ao FC Porto, porque foi mais forte e mereceu incontestavelmente a vitória», esclareceu.

Mas Toni não ficou inteiramente surpreendido com a goleada portista, explicando que «o jogo da Supertaça deu sinais evidentes do que seria o percurso das duas equipas, que foram confirmados.»

O campeonato não está entregue, garantiu Toni, mas será muito difícil evitar que não rume ao Dragão, pois os azuis-e-brancos têm agora, com os 10 pontos de vantagem, «uma almofada de confiança.»
 
in "abola.pt"