sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"TEMOS QUE FAZER EXIBIÇÃO CATEGÓRICA"


Rui Gomes diz que a equipa não ficou abalada com a derrota no Restelo, mas ainda lamenta os golos falhados. Frente ao Guimarães B, o técnico do FC Porto B pede uma exibição intensa, com ritmo, à procura do golo desde o apito inicial.

Jogo com Belenenses abalou a confiança da equipa?
Não invalida nada do que fizemos para trás, mesmo em relação ao que fizemos nesse jogo, o resultado final de maneira alguma traduz o que foi a nossa exibição. Convém não esquecer que fomos jogar a casa do primeiro classificado, com uma vantagem enorme, e nós conseguimos chegar ao fim com a sensação que o resultado não traduziu o que se passou. Para além do golo, tivemos mais cinco seis ocasiões claras, enquanto o Belenenses não teve mais nenhuma ocasião, além dos dois golos que marca. Foi uma equipa excepcionalmente eficaz e que teve realmente a sorte de nós não termos concretizado.

Jogo ideal para regressar às vitórias?
Daquilo que vemos nesta divisão, a classificação pouco ou nada nos diz do que vai ser o jogo. Alguns dos percalços que tivemos foram contra equipas mal classificadas, algumas das melhores exibições eu tivemos foram contra equipa mais bem classificadas, sabemos que sendo um jogo contra o Guimarães há uma rivalidade muito especial, são sempre jogos especiais. Daquilo que eu tenho visto do Guimarães, a classificação não traduz aquilo que tem mostrado em campo. Devem estar a pagar alguma imaturidade e também o facto da equipa A socorrer-se muitas vezes da equipa B. Perspectivo um jogo extraordinariamente difícil, contra equipa muito bem organizada e quererá fazer uma segunda volta melhor. Nós temos que fazer uma exibição categórica, com qualidade, com ritmo, com intensidade, com os olhos postos na baliza e procurarmos o golo desde início. Se assim for, as coisas podem correr a nosso favor e ganhar.

O facto de o Guimarães estar a precisar de pontos pode fazer com que venha com a intenção de dividir mais o jogo?
Penso que o Vitória, até pela forma habitual de jogar, porque gosta de ter bola, de mandar no jogo, vai ser uma equipa que vai querer jogar, não se vai colocar lá atrás, vai querer ganhar e esse é o seu padrão de jogo. Penso que também por aí podemos ver um jogo aberto, com ambas as equipas a querer chegar ao golo e poderá ser um extremamente interessante.


in "fcp.pt"

Vítor Pereira: «Expulsão de Mangala é ridícula»


Vítor Pereira, treinador do F.C. Porto, em declarações à Sport tv após a vitória por 2-0 em Aveiro frente ao Beira Mar:

«Foi uma vitória segura. Fizemos dois golos e podíamos ter feito mais um ou outro. Não permitimos nenhuma oportunidade de golo ao adversário. Não fizemos um jogo exuberante, mas, em termos gerais, estou satisfeito com a exibição da equipa.»

«A expulsão de Mangala é ridícula. Uma jogador que salta mais um metro do que o adversário, não pode ser penalizado por isso».



Atsu: «Quero fazer mais pelo FC Porto»


Atsu, em declarações à Sport TV, depois da vitória do FC Porto sobre o Beira Mar (0-2), jogo no qual marcou um golo, no primeiro jogo depois da participação na CAN:

«A vitória é muito importante e o golo também, pois foi o meu primeiro jogo depois do CAN. Quero fazer mais pelo Porto. Estava um pouco cansado mas não muito. Estou bem para a Liga dos Campeões.» 

[espera ser titular frente ao Málaga?] «Claro que quero ser titular, mas aceito qualquer decisão do treinador.»

in "maisfutebol.iol.pt"

FC Porto com um Jackson vintage (0x2)


O FC Porto voltou à soma natural dos três pontos na Liga portuguesa, depois do empate na jornada anterior. Em Aveiro, o regressado Atsu abriu um jogo que ameaçava ser parecido com o último e Jackson desculpou-se com um grande golo, o 20º da temporada.
Atsu trouxe presente da CAN
O FC Porto «perdeu-o» por mais de um mês, mas no regresso à Invicta depois da participação na Taça das Nações Africanas pelo Gana, Christian Atsu trazia um presente especial: o primeiro golo dos dragões em Aveiro, na vitória por 2x0 sobre o Beira-Mar, é obra do extremo, escrita com um remate de longe e nem por isso indefensável para Rui Rego.
Aliás, a inclusão do ganês no ‘11’ portista – no lugar de Varela – revelou-se importante no regresso dos azuis e brancos às vitórias, depois do empate a uma bola com o SC Olhanense. Quando o jogo portista parecia emperrado – Izmaylov joga bem, mas devagarinho -, era nos pés de Atsu que ganhava alguma imprevisibilidade, fulcral no minuto 34, quando optou pelo remate e foi feliz.
Jackson marcou o 20º golo na Liga portuguesa ©Catarina Morais
Os minutos antecedentes ao ato individual e decisivo do internacional ganês mostraram um FC Porto ligeiramente desconfortável com o jogo, à imagem do que tinha acontecido na receção ao SC Olhanense, apesar da entrada prometedora no jogo: João Moutinho (1’) usou o pé esquerdo para um primeiro aviso – ao lado – e o próprio Christian Atsu chegou a desviar de cabeça, mas à figura de Rui Rego (3’).
Depois disto, um remate de Izmaylov, aos 9 minutos, também ele travado pelo guardião da casa, e um cabeceamento de Mangala, aos 25 minutos, ao lado. Do Beira-Mar anotavam-se os esforços defensivos e a nulidade no ataque, onde Yazalde batalhava de forma inglória entre os «monstros» Mangala e Otamendi.
Nota, contudo, para Rui Sampaio, que aos 14 minutos «trocou as voltas» a Izmaylov com uma finta monumental na área portista; mais tarde no primeiro tempo bateu-lhe à porta o infortúnio e, lesionado, teve de ceder o lugar a Serginho.
Poupanças e a «redenção» de Jackson
O «herói» da noite portista saiu aos 65 minutos, quando Vítor Pereira optou por adiantar Alex Sandro e desviar Mangala para a lateral esquerda; Maicon foi o homem chamado a jogo para formar dupla com Otamendi, provavelmente a próxima a jogar na Liga nacional em virtude da expulsão (que disparate de Xistra!) de Mangala, que o tira do encontro com o Rio Ave, tal como no caso de Alex Sandro, que viu o 5º cartão amarelo.
Sobrava o regresso de James Rodríguez, mais de um mês depois da lesão. O colombiano entrou aos 71 minutos para o lugar de Lucho, dono de um jogo soberbo e poupado para o Málaga, que visita o Dragão na próxima semana no primeiro compromisso dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões; mais tarde (81') seria a vez de João Moutinho, já com o jogo resolvido.
Nota final para o melhor momento de futebol da noite, assinado pelo líder dos goleadores do futebol português e com um toque de «redenção». Jackson Martínez encerrou as dúvidas com um grande golo, aos 73 minutos; desviou Hugo com classe e bateu Rui Rego em arco, festejando o 20º no campeonato e desculpando-se da grande penalidade falhada há menos de uma semana.  

in "zerozero.pt"

Beira Mar-F.C. Porto, 0-2 (destaques)


A figura: Atsu

Num encontro disputado quase em ponto morto, o ganês mostrou que a energia trazida do CAN ainda não se esgotou. Mostrou bem cedo ao que vinha, tirou as medidas à baliza de Rui Rego, e desfeiteou-o com toda a naturalidade, num remate-surpresa pleno de força e colocação. Galvanizou-se e continuou a fazer diabruras, tantas que Vítor Pereira teve de o retirar do jogo não fosse esgotar a magia toda esta sexta-feira atendendo à falta que ela pode vir a fazer dentro de alguns dias. 

Outros destaques:

Jackson Martínez

Brilhou mais alto o ganês, mas o colombiano, goleador-mor portista, também fez questão de passar por Aveiro e deixar a sua marca. Parecia aliado da partida até que, no momento certo, com um grande gesto de técnica, fez o golo da ordem. 

James

Jogou cerca de 20 minutos, para ganhar rodagem, depois de 40 dias afastado da competição. Não era noite para dar nas vistas, apenas para cumprir um objetivo específico, mas é sempre bom saber que um dos mais virtuosos jogadores da Liga está de volta. Ainda assim, teve tempo para deixar as mãos de Rui Rego a arder num remate em posição frontal.

Danilo e Alex Sandro

São jogadores ofensivos por natureza, mas num jogo com estas caraterísticas ainda puderam dar mais azo ao ataque. Cada um deles, em cada metade da partida, teve pelo menos uma subida perigosa concluída com remate potente. 

Izmailov

Sem atingir um patamar exibicional de grande destaque (alguém o teve para além de Atsu?), o russo mostrou que continua paulatinamente no caminho da recuperação total. Ativo e rematador, foi dos mais inconformados, pelo menos enquanto teve forças - ou cabeça.


in "maisfutebol.iol.pt"

Dragão sobe a cortina da 19ª jornada em Aveiro



Após o empate com o Olhanense, no último domingo, o FC Porto procura o regresso aos triunfos na visita a Aveiro, esta sexta-feira (20h30), diante de uma equipa que tenta fugir da zona de despromoção.
Antes do regresso ao palco milionário (terça-feira diante do Málaga para a Liga dos Campeões), o FC Porto espera somar três pontos na sua luta para o título e mostrar, como pediu Vítor Pereira, «pujança física, mental, tática e técnica».
Os azuis e brancos interromperam o seu ciclo de vitórias mas os adeptos esperam uma reação ao empate caseiro diante dos algarvios. Todavia, o Beira-Mar já assumiu – por seu lado – que 'não quer pagar a fatura'.
Beira-Mar, a segunda defesa mais batida da Liga
Liga Portuguesa

Beira-Mar vs FC Porto
26 Jogos, 2V 6E 18D (Golos: 16-49)

Últimos Resultados:
11/12: SCBM 1-2 FCP
10/11: SCBM 0-1 FCP
06/07: SCBM 0-5 FCP
04/05: SCBM 0-1 FCP
03/04: SCBM 0-0 FCP

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Os aveirenses – que não ganham há seis jornadas - seguem em zona de despromoção e querem, pois, sair o mais rapidamente dos lugares delicados da tabela. Ulisses Morais prometeu uma equipa «forte» e sem «embebedar-se ou desnortear-se» por algum tipo de facilidade após o empate dos portistas na última ronda.
O Beira-Mar – a segunda defesa mais batida com 35 golos encaixados - chega de uma pesada derrota diante do Moreirense (3x0) e quer, por isso, mostrar que está na luta pela permanência.
Agente James apresenta-se ao serviço
Após algumas semanas de paragem, James Rodríguez está de regresso ao lote de escolhas de Vítor Pereira. El Bandido é a grande novidade para o desafio desta sexta-feira com o Beira-Mar. O colombiano, que jogou pela última vez a 5 de janeiro, deve sentar-se no banco mas pode ser lançado pelo técnico portista, após uma lesão muscular que o afastou dos relvados.
in "zerozero.pt"

Onze provável do FC Porto:

18J 0G
16J 1G
17J 0G
15J 1G
17J 3G
13J 0G
18J 1G
12J 1G
5J 0G

River recebeu certificado: Iturbe já pode jogar

Juan Iturbe deve estrear-se pelo River Plate no próximo domingo, frente ao Estudiantes. Depois de vários dias de espera, os «milionários» anunciaram nesta quinta-feira que o certificado internacional do jogador, cedido pelo F.C. Porto, já estava na federação argentina.

De acordo com a imprensa argentina o impasse estaria associado a uma verba que o clube português pretendia receber já pela cedência, e só então enviaria o documento, indispensável para jogar.

A estreia de Iturbe é aguardada com expectativa pelos adeptos do River Plate, e até os colegas elogiam o jovem. «É muito rápido. Vão dar conta que é um turbo. Tem uma potência aeróbica terrível. Vai fazer a diferença», disse o médio Carlos Sanchez.

in "maisfutebol.iol.pt"

Varela travado por lesão muscular


Silvestre Varela é a principal baixa portista do jogo desta noite, frente ao Beira-Mar. O avançado lesionou-se no último desafio, com o Olhanense (foi substituído aos 66 minutos), mas o FC Porto nada declarou sobre a situação clínica do futebolista nos últimos dias, dando a entender que estava apto para defrontar os aveirenses.

No entanto, o internacional português não figura na lista de convocados para hoje, com a justificação a surgir no próprio site do clube: fadiga muscular é a razão da sua ausência.

Os problemas do género sucedem-se. Só este ano, o departamento médico teve a seu cargo três jogadores com roturas musculares: Kléber, James Rodriguez e, mais recentemente, Steven Defour, que ainda se mantém em tratamento.


in "abola.pt"

Maicon vai ser o maior privilegiado

ESPERA POR UMA ABERTURA


Maicon tem exercitado a sua paciência ao longo das últimas semanas. Depois de se ter lesionado em novembro do ano passado, o brasileiro perdeu a titularidade para Mangala e, agora, aguarda por uma oportunidade para voltar a mostrar o seu valor.

A próxima ocasião para regressar ao onze azul e branco pode surgir precisamente na sequência dos castigos tanto de Mangala como de Alex Sandro.

Quando o francês vir o 5.º cartão amarelo no campeonato nacional, Maicon será o mais sério candidato a ocupar o seu lugar, da mesma forma que, se Alex Sandro for obrigado a cumprir castigo, deverá ser o central a entrar em campo para o eixo da defesa, com Mangala a ser desviado pontualmente para a lateral, que já conhece bem.

Certo é que Maicon vai ser beneficiado pelas duas exclusões disciplinares.

in "record.pt"

Atsu direto ao onze?


A ausência de Varela abre espaço para uma dúvida no onze inicial que o FC Porto vai apresentar esta noite: quem acompanhará Izmailov e Jackson no ataque?
Ao contrário do que aconteceu nas últimas semanas, não faltam opções ofensivas na lista de Vítor Pereira e isso potencia as interrogações. Apesar da ausência de Varela, desta vez há James, Kelvin, Atsu e até Sebá, que repete a presença numa lista de convocados pela décima vez consecutiva. 

Aparentemente, e apesar de Vítor Pereira não ter testado nenhuma destas soluções durante a semana de trabalho, Atsu surge na pole position por um lugar no onze inicial. O internacional ganês, que voltou apenas esta semana ao Olival, esteve a jogar com regularidade na CAN, apresentando-se em boa forma neste regresso a Portugal. Atsu está com ritmo e até o único "handicap" que poderia jogar contra si (falta de treinos com o plantel nas últimas semanas) é facilmente rebatido pelo facto de já conhecer bem os conceitos da equipa.

in "ojogo.pt"

Pedidas gravações da audiência

A Comissão de Instrução e Inquérito só decidirá se recorrerá da decisão do CD de manter o FC Porto na Taça da Liga após o visionamento da gravação da audiência


A Comissão de Instrução e Inquérito (CII) da Liga enviou um pedido para o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para ter a gravação da audiência com o FC Porto. Uma fonte da Liga de clubes revelou à agência Lusa que a CII só decidirá se recorrerá da decisão de manter o FC Porto na Taça da Liga após o visionamento da gravação.

Ainda assim, é seguro que o assunto chegará ao Conselho de Justiça visto que o V. Setúbal já fez saber que vai recorrer da decisão ontem conhecida.


in "ojogo.pt"

Walter já pode jogar


Certificado internacional já foi emitido e o avançado deve ser titular contra o Goianésia
A Confederação Brasileira de Futebol confirmou, ao início da tarde, a regularização da inscrição de Walter, o que permite ao avançado brasileiro cedido pelo FC Porto ao Goiás, defrontar o Goianésia, já no domingo. Walter vinha treinando à espera que fosse dada luz verde para disputar o campeonato estadual e tem agora a oportunidade de dar seguimento à temporada, que marcou o regresso do Goiás à I Divisão do futebol brasileiro. 

Recorde-se que os 16 golos apontados na Série B brasileira levaram os dirigentes do Goiás a negociar junto do FC Porto a renovação do empréstimo até dezembro de 2013.

in "ojogo.pt"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Tozé: um filho do Dragão apaixonado por animais


Nos últimos anos, os filhos do Dragão foram saíndo de casa sem direito a exposição pública. No domingo, porém, o F.C. Porto voltou a mostrar um dos seus produtos na Liga, um jovem português com crescimento sustentado na formação do clube: Tozé.


O cenário desaconselharia o risco mas Vítor Pereira demonstrou a sua confiança. O diminuto médio fez o mesmo. Aliás, terá causado estranheza o atrevimento do número 70. F.C. Porto empatado em casa, tudo à espera do passe simples e ele a rematar. Uma, duas, três vezes.



É assim Tozé. Aos 20 anos, adiou o sonho da família para chegar à equipa principal do F.C. Porto. Os adeptos não gostaram do resultado mas puderam finalmente aplaudir a aposta num talento da casa, uma criação de longa data, diferente de alguns talentos já amadurecidos em outras latitudes.



Sete anos para convencer o veterinário



António José Pinheiro de Carvalho, vulgo Tozé, é um orgulhoso representante de Forjães, freguesia do concelho de Esposende. Por lá começou a jogar futebol, conjugando duas paixões que acompanham as gerações mais recentes da família Carvalho: o Forjães Sport Clube e os animais.



José Armando Carvalho, pai e conceituado veterinário de Esposende, guia o Maisfutebol por este capítulo: «O Tozé jogou no Forjães como eu joguei, como os tios jogaram. Eu fui jogador, fui dirigente, fui presidente. O tio jogou, depois tornou-se presidente. Todos estamos ligados ao clube.»



A herança familiar também cultivou a paixão pela prática veterinária. Nesse campo, o jovem do F.C. Porto merece as maiores ovações. «Eu sou veterinário, a minha mulher também, e o avô dele também era. Dei-lhe liberdade mas ele também seguiu a medicina veterinária. Está no primeiro ano da Universidade.»



Os estudos nunca ficaram pelo caminho. Aos 13 anos, Tozé despertou a atenção dos principais emblemas portugueses: F.C. Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga, V. Guimarães. A família quis tê-lo por perto, sem comprometer o seu futuro. Passou a ser dragão.



«Foram anos e anos a sair de casa em Forjães às sete da manhã e a voltar às nove da noite.Ainda se falou da hipótese de ficar na Casa do Dragão, mas ele quis ficar connosco e nós também preferimos assim», recorda, orgulhoso, o pai.



José Armando Carvalho foi aceitando o destino. Tozé fez o mesmo. Em 2009, no jornal local O Forjanense, o progenitor deixava o aviso. «Neste momento, a carreira de futebolista não é uma hipótese. O futuro planeado para o nosso filho mais novo passa pelos estudos e por um curso superior.»



Seguindo o seu rumo sem vacilar, o jovem concluiu o 12º ano com um registo impressionante e inscreveu-se na universidade. O próximo passo está em suspenso. Para já, o Dragão grita mais alto.



Líder pelo exemplo



As viagens diárias entre Forjães e o Porto ajudaram a moldar o caráter de Tozé. Tornou-se um exemplo pela perseverança e resistência a um sem número de distrações que rodeiam os jovens, sobretudo os projetos de futebolistas. 



«Sempre foi muito influente nas nossas equipas e um exemplo para o grupo. O Tozé era o único que se levantava às sete da manhã, ia para a escola, treinava, tinha mais aulas e chegava à noite a casa. Nenhum de nós tinha essa capacidade de sacrifício. Ainda por cima tirava 20 a tudo», recorda Lupeta, companheiro de equipa entre 2006 e 2012, ao Maisfutebol.



Kiki Afonso, outro ex-colega de equipa, reforça a tese. Durante anos, partilhou o assento da carrinha do clube nesse vaivém constante. «Éramos três da zona de Esposende: eu, o Tozé e o Alexandre Marques. Íamos na carrinha de manhã e só vínhamos à noite. Ele continuou a fazer isso pelo menos até ao ano passado. Aguentou sempre.»



«A dada altura, aos 15/16 anos, tive medo de o perder», desabafa o pai. Tozé resistiu. Agarrou-se aos seus sonhos. No domingo, cumpriu um deles.


Tozé: nota 20 para entrar onde o F.C. Porto não entra

Desempenho escolar valeu um prémio de Rui Rio


Tozé não será o típico nerd mas conciliou o desenvolvimento como jogador e os estudos. Com distinção, aliás. O jovem que Vítor Pereira lançou frente à Olhanense terminou o 12º ano com média de 20!

Em 2011, o médio ofensivo foi chamado à Câmara Municipal do Porto para ser galardoado com o «Rumo à Excelência», o prémio de mérito escolar instituído pela autarquia. 

António José Pinheiro de Carvalho (Tozé), que concluiu o ensino secundário na Escola António Nobre, foi premiado como o melhor aluno do ensino secundário das escolas públicas do concelho do Porto. 

Nessa condição, entrou no edifício da Câmara e foi fotografado ao lado de Rui Rio. «Por acaso, brinquei com o Rui Rio nesse dia e disse-lhe: olhe, o presidente Pinto da Costa não entra aqui mas o meu filho entrou.»

O pai de Tozé não evita as gargalhadas quando recorda o episódio. «Quando eu disse isso, ele não sabia quem eu era. Fui acompanhar o meu filho. No final, até veio ter comigo para perguntar porque é que eu tinha dito aquilo. Mas com boa disposição. Lá me apresentei, ele já sabia que o Tozé era jogador do F.C. Porto».

A matrícula à espera do aluno

Tozé manteve o rumo e seguiu para o ensino superior. Este ano, está matriculado em Medicina Veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Mas o tempo escasseia.

«Este ano, ainda não conseguiu tempo para os estudos. Como representa também a seleção, pediu entretanto o estatuto de atleta de alta competição, para tentar conciliar melhor os horários. 

José Armando Carvalho não se deixa iludir. «As coisas correm bem e ele agora é maior de idade, tem a rédea mais larga da minha parte, mas sempre lhe disse que o futebol são dois/três dias, o resto será a vida dele.» 

O pai não fala em vão. Passou por algo semelhante no passado, no final da década de 70.

«Eu jogava no Forjães quando o clube estava na III Divisão, mas fui estudar Medicina Dentária para Lisboa. Só que o treinador Virgílio Mendes (ex-jogador do F.C. Porto) gostava tanto de mim que convencia o clube a pagar-me viagens de avião só para eu ir jogar. Mas eu disse sempre que os estudos eram a prioridade.»

Forjães em festa com o jovem dragão

A estadia em Lisboa permitiu a José Armando Carvalho alimentar uma paixão assumida. «Sou benfiquista, não escondo. Quando estava lá, ia a tudo, treinos e jogos, mas também pelo amor ao futebol. Não sou doente.»

«Em Forjães, há outros benfiquistas mas se isto continuar assim para o Tozé, vai haver festa de campeão para o F.C. Porto com todo o gosto, claro. Até porque ele ainda mora aqui comigo, portanto é sempre acarinhado por todos», explica o pai.

Os amigos também vibraram com a estreia do médio ofensivo. Kiki Afonso, que representou o F.C. Porto entre 2007 e 2011, salienta o mérito de Tozé. «No F.C. Porto, é muito complicado para um jovem português chegar à equipa principal. Ele conseguiu porque tem muito mérito e grande qualidade.»

«Eu cheguei a treinar com o plantel no último ano de juvenil, mas treinar consegue-se, jogar tem sido muito mais difícil. Talvez a partir de agora as coisas mudem», remata Kiki, que saiu para o Rio Ave na época passada.

Jucie Lupeta despede-se da mesma forma. Fala como antigo dragão, pois abandonou o clube em 2012, mas dá os parabéns a Tozé. «Quis telefonar-lhe logo depois da estreia, mas decidi esperar uma semana. Ele deve estar a ser contactado por toda a gente e não quis incomodá-lo.»

«Ele falava connosco sobre a paixão pelos animais e pela Medicina. Todos sabíamos que ele ambicionava ser veterinário, mas dizíamos-lhe que isso só ia acontecer depois de acabar a carreira de profissional de futebol», remata Lupeta. Os amigos terão razão?

Tozé: futuro veterinário com uma estrela no céu

«Baixo? Isto não é um concurso de misses»


Os animais esperam por Tozé. O presente é o F.C. Porto. Lançado por Vítor Pereira na receção ao Olhanense, cumpriu um sonho em trinta minutos. Aos 20 anos, o jovem médio ofensivo sentiu que o esforço compensou.

Iniciou-se no Forjães Sport Clube, chegou ao Dragão com 13 e passou a ser um cliente regular da A28, a estrada que liga o Porto a Esposende. O futuro veterinário conseguiu, após sete anos de crescimento no clube, vestir a camisola azul e branca na Liga portuguesa.

Na ressaca daquele momento, Tozé recordou o avô Amândio, a sua estrela no céu. «Ontem concretizei o teu sonho e o que mais gostarias de ter visto antes de partires! Sei que estás no céu com um sorriso na cara hoje! Simplesmente brilha aí, que eu brilharei por ti na Terra!»

A dedicatória não surpreende o pai do jogador. «O avô dele, meu pai, era um grande portista. Faleceu no ano passado. É a ele que o Tozé dedica os golos quando levanta as mãos para céu», reconhece José Armando Carvalho, emocionado.

«Baixo? Isto não é um concurso de misses»

Voltando a Tozé. Quem viu pela primeira vez, ficou com duas ideias na retina: remata muito (naquela noite, mal) e tem um porte físico curioso, baixa estatura e largura de ombros. É o código genético.

«Eu também joguei futebol e sou assim. É de família. Costumo dizer que isto não é um concurso de misses. Aí é que precisam de ter as medidas certas. O Tozé é baixo mas largo e não deixa por isso de ter o remate forte que tem», frisa o pai.

O jovem tem os mesmos 170 centímetros que João Moutinho. Até por isso, a estreia foi especial. «Percebi que ele tinha medo de perder a bola e permitir um contra-ataque, porque ficou a jogar sozinho no meio-campo com o Moutinho. De resto, demonstrou a coragem de sempre.»

«Se entrares, tenta ficar na história»

O pai incentivou o risco. Vítor Pereira terá feito o mesmo. Depois de um período de adaptação à realidade, com presenças consecutivas no banco de suplentes, Tozé foi a jogo. E apostou forte.

«Já lhe tinha dito: se entrares, tenta ficar na história. Faz o que sabes, arrisca. És novo, as pessoas vão perceber se falhares. O treinador deve ter dito o mesmo. Claro que agora lemos as críticas, que podia ter rematado menos, etc. Mas ele é assim.»

Kiki Afonso, atual jogador do Rio Ave e velho amigo de Tozé, reforça a ideia. «Ele não vai ficar abalado. Penso que foi por ter sido a estreia, sentiu que era uma oportunidade única, mas quem o conhece sabe que tem muita mais qualidade do que aquela que demonstrou.»

«É ele que tem segurado a equipa B. Já é assim desde as camadas jovens. Quando outros se encolhiam, ele queria sempre a bola, nunca teve medo de arriscar. Se fosse amanhã, faria parecido. Talvez não rematasse tanto, mas tentava novamente», acrescenta Kiki, em conversa com o Maisfutebol.

«Dois passes maravilhosos» à chegada

Tozé está no F.C. Porto desde 2006. Pouco mudou ao longo dos anos. Baixa estatura, capacidade física, rapidez de execução. Remate fácil, passe a condizer.

Jucie Lupeta recorda o início da aventura. «Eu tornei-me jogador do F.C. Porto por culpa do Tozé. Fomos treinar à Constituição, em testes, precisamente no mesmo dia. Eu treinei a extremo e ele era o médio ofensivo. Fez dois passes maravilhosos para golo e fez-me brilhar.»

O avançado saiu do clube em 2012(esteve perto do Bury mas não ficou devido a operação ao menisco) sem esquecer o médio. Craque nos relvados, craque na escola, mas sempre com tempo para uma brincadeira. «É um rapaz muito sereno, mas adora brincar nas alturas certas. 

«Numa viagem de avião, à vinda de um torneio, encheu-me o cabelo de papéis, borrachas e outras coisas. Eu ia no banco da frente e ele atrás, ao lado do Pedro Emanuel. Adormeci e quando acordei estava toda a gente a rir-se de mim. Vi logo que tinha sido o Tozé», recorda Lupeta, ao Maisfutebol .


in "maisfutebol.iol.pt"