segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vitor Pereira: "Se entrasse de chicote durava dois meses"

Admite não ter a capacidade oratória de Villas-Boas, mas garante que o que diz no balneário é lei. Sem negar que teve dificuldades iniciais, explica que começou de mansinho para poder terminar melhor do que a concorrência ao sprint, mas reconhecendo que as principais adversidades até estiveram dentro de portas. No final, conclui agora, os resultados validaram a sua liderança.


Na sua apresentação como treinador, apelou à tranquilidade dos adeptos e prometeu "qualidade de jogo e resultados". Sente que cumpriu?

Em termos de qualidade de jogo, tivemos momentos em que a apresentamos, outros em que não. Mas procuramos sempre, no trabalho, comportamentos que nos pudessem dar um jogo circulado, de pressão. Por circunstâncias várias, houve alturas em que não fomos capazes de o apresentar, de ter essa intensidade.

Consegue especificar essas circunstâncias?

Tenho a noção clara. Primeiro, as expectativas elevadíssimas dos jogadores depois de uma época como a que tínhamos feito. Isso elevou as expectativas de toda a gente e o foco e a concentração dispersaram-se um bocadinho. Não foi fácil assentar e focar os jogadores no nosso jogo e nos nossos objetivos, o que é natural no ser humano. Depois de uma época brilhante, perspetivavam para a sua vida outros campeonatos, mais competitivos. Houve mais do que um momento em que isso, para mim, foi notório.

De que momentos é que se está a lembrar?

Logo no início, que se foi prolongando, e na reabertura do mercado. São coisas que mexeram com a nossa época. Acrescente-se a isto uma perda fundamental na dinâmica de jogo, que foi a perda do Falcao, a nossa referência. Deixou-nos sem tempo e o Kléber, apesar da sua qualidade, precisava desse tempo. Faltou-nos a referência para o jogo interior, alguém com quem as coisas já saíam naturalmente, permitindo uma qualidade de jogo na área... Foram aspetos fundamentais, para mim, e que nos fizeram oscilar.

O presidente disse, já no final da temporada, que o Vítor Pereira teve de lidar com jogadores que se achavam os melhores do mundo. Porque é que essa revelação só foi assumida a posteriori e que trabalho teve o treinador durante a época na gestão destes egos?

Basta irmos ao passado para percebermos que esta questão é intrínseca ao ser humano. É naturalíssimo. Depois de grandes conquistas, os jogadores sentem-se valorizados, sentem que é a oportunidade deles. Eu não posso apontar rigorosamente nada em termos de profissionalismo aos meus jogadores, nada. Mas admito que, inconscientemente, perceberam que o mercado funciona e que, depois da saída do Falcao, houve uma certa dispersão. Nós vivemos com isso e lutámos contra esse problema. Procurámos resolvê-lo, acredito que houve momentos em que isso nos afetou, mas acabámos consistentes e, nos jogos em que foi preciso que aparecêssemos, as coisas acalmaram e provámos claramente a nossa competência.

Concorda que tem dificuldades em passar, mediaticamente, uma mensagem forte e cativante?

Percebo claramente essa crítica. Não sou um grande orador, sou uma pessoa reservada e gosto de estar sozinho, preservo a minha pacatez e não posso mudar a minha personalidade, não posso representar. O André [Villas-Boas] tem um discurso diferente, é uma pessoa diferente, até porque tem menos dez anos do que eu. Mas o André tem uma forma de comunicar forte e eu não sou um comunicador do nível dele. Se calhar, deixei-me influenciar e quis ser algo que não sou. Não estava à vontade naquele papel e falhei. Cometi erros de comunicação no início, eu próprio olhava para mim e dizia: 'Tu não és assim'. Admito que, inicialmente, não respeitei a minha natureza. Em relação a discurso forte, para dentro, se não o tivesse nem chegava ao FC Porto. Perguntem aos jogadores que eu liderei. Quando o barco navega em águas calmas, qualquer um é líder. O problema é ter liderança em contextos de adversidade. Se eu tivesse sido mais agressivo, tinha durado dois meses no FC Porto, não tinha passado disso. Tive de ser flexível até as peças do puzzle se juntarem.

Teve sempre esse controlo interno? Houve episódios com dimensão pública, nomeadamente algumas reações a substituições...

Mas no ano anterior não houve? Não foi uma, foram várias. Mas não se falou, porque se ganhava. Todos querem jogar e quem anda emocionalmente instável tem reações emocionais desproporcionadas. Asseguro que não estive perante uma situação muito grave. Trabalhamos nos limites da emoção, da pressão, da competitividade, os jogadores são animais competitivos, uma ou outra vez têm de extravasar. Vindo de uma II Liga, se chego ao FC Porto com uma liderança de chicote, tinha durado dois meses. Não tenho dúvidas nenhumas disso. Fui flexível. 

"Cheguei a ler que até um macaco seria campeão"

Durante o ano foi muitas vezes anunciada a sua saída inevitável ou acordos com o presidente no sentido de só ficar se fosse campeão. Houve alguma conversa com Pinto da Costa sobre isso?

O presidente foi o primeiro a manifestar-me total confiança no nosso trabalho. Acho estranhíssimo que se pense que uma pessoa que se distingue pela inteligência e pela intuição, que tem ganho títulos uns atrás dos outros, fosse apostar em mim a pensar que eu ia falhar. Dá para acreditar nisto? Olho para o meu trajeto e não estranho que, de fora, me coloquem em dúvida, porque eu sei de onde vim, a última equipa que eu tinha treinado foi o Santa Clara, da II Liga. Eu presto provas todos os dias, sei que tenho de ganhar mais, sei que há muita gente que gostaria de treinar o FC Porto. Pôr em causa o treinador é uma forma de desestabilizar um clube que tem ganho tantos títulos, porque o ganhar desgasta, mas desgasta os outros e não se olha a meios para atingir fins. Sei que era eu que estava mais à mão, eu é que vim de adjunto... Às vezes entristece-me que se diga que na época passada se ganharam tantos títulos e parece que eu não estive cá. Vim de férias, vim de qualquer lado, caí de paraquedas... Falam como se não tivesse estado, mas estive e ajudei.

Sentiu-se um alvo fácil?

O que estava mais à mão, o mais fácil. Mas isso torna-me muito mais forte. Sem competência não há quem resista; a estrutura pode ser muito forte, mas sem competência não há hipótese... Eu cheguei a ler coisas... Não me dói por mim, porque sei bem no meio em que estou. Agora, os meus filhos... Os meus filhos e os amigos dos meus filhos também veem televisão, também leem jornais. Os meus filhos chegaram a casa a dizer: 'Ó pai vais sair, eu até chorei". Isso é que me custa. Eu cheguei a ler que até um macaco seria campeão. Isso é a maior falta de respeito pelos outros adversários todos. Isso pode-se pensar, mas não se pode dizer. É uma vergonha. Hoje estou mais preparado, mas houve momentos em que pensei que era de mais. Estive firme nas convicções, só assim conseguimos chegar ao fim e ganhar o campeonato. Com mérito. Não é só demérito dos outros. O Real Madrid não ganhou também com o demérito do Barcelona? Aqui o campeonato foi competitivo enquanto teve o Benfica na frente, continuou espetacular quando foi o Braga, depois passou o FC Porto para a liderança e lá se foi a qualidade num campeonato nivelado por baixo. Depois vejo que tivemos mais golos marcados, menos golos sofridos... É esta a equipa que foi martelada todo o ano porque jogava mal? Temos de ser coerentes e não nos deixar levar na onda. No final da época, tiveram de se engolir muitos sapos. 

"Há dez anos já dizia que treinaria o FC Porto"

Há dias, o presidente disse que "os contratos não se rasgam, renovam-se". Vai renovar?

Estamos a trabalhar na próxima época, com tranquilidade. O futuro vai-se construindo. Nunca tive medo do futuro, eu sou treinador, treino em qualquer lado. A mim ninguém me tira este sonho. Tenho muito orgulho em ser treinador do FC Porto, sempre disse que aqui chegaria, perguntem aos meus jogadores de há dez anos. Eu disse-lhes que ia ser treinador do FC Porto, portanto eu estou onde quero estar. Enquanto me quiserem, aqui estarei.

Há a possibilidade de ir para o Olympiacos?

Estou num grande clube, mas é como para os jogadores. Fico satisfeito, nada mais do que isso. Quero conquistar muito mais títulos neste clube.

A noção de carreira está nas suas palavras. Vê-a chegar até onde?

Tenho 43 anos e estou em aprendizagem.

Até onde pensa treinar?

Até onde Deus me levar. Vou treinar enquanto o futebol for a minha paixão. Não consigo viver sem isto, se estiver um mês ou dois sem futebol começo-me a desequilibrar emocionalmente e a minha mulher já me começa a dizer 'vai que eu já não te aturo'. Chegamos cansados, mas não conseguimos viver sem isto.

Há dez anos dizia aos seus jogadores que ia treinar o FC Porto. Hoje, onde se vê daqui a dez anos?

A treinar, não sei que clube, mas a treinar, de certeza absoluta. É como respirar, se não treinar sinto que não estou a viver. Viver é treinar. 

"O que disse sobre Jesus fez-me pior a mim"

Retratou-se de um discurso mais duro que teve, inicialmente, para com o treinador do Benfica. Porquê?

Não fui autêntico, provavelmente por defesa. Estava numa perspetiva defensiva, porque os pontos de interrogação começaram logo no início e eu fechei-me e fui reativo, reagia com agressividade. Um treinador amigo dizia-me que amigos dele lhe comentavam que eu me tinha tornado agressivo e arrogante e ele achou estranho. Acho que aconteceu inconscientemente, para me defender. Não estava preparado para ser atacado por toda a gente, quase que me senti humilhado, parece que tinha deixado de perceber de futebol. Aquele Vítor que muitos perspetivavam que pudesse ir longe, parecia que tinha deixado de existir. Depois percebi que as pessoas não me conhecem e passei a encarar as coisas com naturalidade. Quando disse o que disse sobre o Jorge Jesus, não fui eu próprio e aquilo fez-me mal. Provavelmente, fez-me pior a mim do que a ele. Nunca mais me senti bem comigo próprio, porque não posso avaliar as pessoas e eu avaliei o Jorge Jesus como pessoa. Não posso fazê-lo, porque não o conheço como pessoa. Não fui correto e por isso pedi desculpa e fiquei muito melhor comigo próprio. Vou continuar a cometer erros, mas a refletir sobre eles para que não voltem a acontecer. 

"James não tem medo de assumir"

Face à ameaça de perder Hulk, Vítor Pereira recusa-se a atirar a pressão para cima de James, mas admite que o colombiano já tem bagagem para não minguar nos grandes jogos. O treinador perde-se em elogios...


Já percebeu onde é que o James se sente melhor?

Se eu pedir ao James para jogar num corredor, ele não consegue...

Mas não foi isso que lhe pediu na maior parte dos jogos?

É claro que sim, mas não quero que ele nos dê sempre banana ou maçã a comer. Eu quero é que ele nos dê aquilo que os outros não esperam. Quero que seja ele a procurar, sem desequilibrar a equipa... Quando a dinâmica na frente é grande, essa fatura paga-se no momento da perda de bola. É preciso rigor posicional, mas eu dizer-lhe 'James, tu vais jogar só num corredor'? Nunca na vida. Não posso é permitir que ele se lembre de se juntar ao Hulk na direita, porque, se o fizer, desequilibra a equipa na perda. Eu só tenho de organizar em função do que ele me dá, mas não pode ser a anarquia total nos três homens da frente. Nunca lhe disse para jogar sempre no corredor, mas também nunca lhe disse para jogar sempre dentro, porque essa alternância entre o dentro e o fora, o alto e o baixo, é que cria a diversidade, a qualidade de jogo. Tem é de ser ele a procurá-la, eu deixo que o seu talento seja exposto em prol da equipa, não o deixo é desequilibrar a equipa.

Isso explica que, muitas vezes, tenha preferido o Varela?

Motivou críticas, mas é preciso encontrar equilíbrios na equipa. A função de um treinador é aproveitar o talento sem colocar em causa a equipa. A própria equipa o exige, quando sente que o desequilíbrio está a surgir por incumprimento tático aqui ou acolá, a equipa não gosta disso, a equipa começa a perceber que alguém está a falhar e se alguém está a falhar tem de se chamar a atenção para isso.

O James vai ser o quê?

O James é um jogador de grande talento, que cresceu do ponto de vista defensivo, porque o seu grande problema era não ter essas preocupações. Retirava-nos qualidade do ponto de vista defensivo, mas percebeu que é preciso ser agressivo na perda de bola, é preciso jogo posicional defensivo, que não podia haver anarquia... Foi aprendendo, é inteligente; para mim não é um ala puro, mas tem que lá aparecer também, porque tem um cruzamento de grande nível, cria situações de rutura sem precisar de velocidade, de ir para cima, de rasgar. Tem uma capacidade de decisão enorme e uma capacidade técnica enorme, mas tem de pôr ao serviço do coletivo o jogo dele. Não o podemos amarrar, porque é entre o meio e a ala que ele se sente bem.

Já é produto tático acabado?

Vai continuar a evoluir, a ganhar peso e estatuto. Só espero que isso não lhe retire a humildade, porque com isso perderia tudo.

O James está preparado para pegar na equipa como o Hulk pegou esta época?

É diferente do Hulk, mas tem maturidade suficiente e já o provou. Chegou muito novo, mas não tem medo de assumir as coisas. Há uns meses sentíamos que ainda tinha dificuldades nos jogos grandes, mas neste momento acho que está preparado para jogar contra qualquer equipa. 

"Tenho de estar preparado para a saída do Hulk"

Depois dos dois golos marcados por Hulk à Dinamarca, os seus primeiros pelo Brasil, é natural que a sua cotação no mercado dispare mais um pouco. Assim sendo, é inevitável que seja transferido? "O Hulk é super, é um jogador de um nível elevadíssimo. Neste momento é nosso jogador, trabalho a pensar que ele fica, mas tenho de estar preparado para a sua saída. Gostaria que continuasse, mas se não for possível teríamos de nos dinamizar de outra forma", desviou Vítor Pereira, que não consegue comparar uma eventual saída de Hulk à perda de Falcao no último verão: "São dois jogadores excecionais, um mais no espaço central, envolvido em toda a dinâmica, e o Hulk sobretudo no corredor, ainda que o tenha usado algumas vezes ao meio, sendo fortemente criticado por isso, mas ganhando o campeonato." O treinador não deixa de reconhecer, porém, que a saída do Incrível teria implicações na forma de definir os lances de ataque. 

"Pensei que contaria com o Falcao e com o Kléber"

Pelo que disse anteriormente, deduz-se que a saída do Falcao foi uma surpresa...

O FC Porto forma jogadores, consegue adquiri-los quando não estão na plenitude das suas capacidades, forma-os, ganha títulos e sistematicamente tem sobre si os olhos de clubes de outros campeonatos... É natural que nunca se saiba bem que jogadores saem, depende das propostas e da procura.

Mas desde inícios de julho que parecia quase inevitável a saída do Falcao. Não trabalhava precavendo esse cenário?

Pensei que contaria com o Falcao e com o Kléber, com tempo, num processo de adaptação natural que lhe permitisse, depois, revelar o seu potencial.

Nesse sentido de evolução, o Kléber será uma opção diferente na próxima época?

O Kléber tem qualidade. É um jovem, precisa do seu tempo. Não pode ser imediatamente posto à prova, mas foi o que aconteceu porque houve necessidade de que isso acontecesse. Acredito num Kléber mais maduro, mais habituado a este tipo de pressão e que nos dará muito mais na próxima época.

É um dado adquirido que fica para a próxima temporada? Que salto perspetiva que ele possa dar na equipa?

Não o posso dizer com certeza absoluta. A este nível, não é possível, depende do mercado. Fundamentalmente, espero-o mais tranquilo.

Que papel desempenha o treinador para que um jogador consiga essa tranquilidade?

Há coisas que nós não podemos fazer pelos outros, por mais confiança que possamos transmitir. Há coisas que tem de ser o próprio a ir buscar. Isso é uma coisa que é dele, o nosso trabalho é dar-lhe ferramentas para que ele esteja mais forte. O resto é interior. 

"Precisamos de um ponta de lança"

Sente necessidade de outro tipo de soluções para além de Kléber e Janko?

Julgo que é consensual que precisamos de uma alternativa, vamos procurá-la e trabalhar nesse sentido.

O Jackson Martínez pode ser esse jogador?

O Jackson Martínez ou outro jogador qualquer que o clube entenda que tem qualidades que acrescentem alguma coisa.

Mas conhece-o? Que opinião tem?

Como deve calcular, observo jogadores durante todo o ano. Mas só falo dos meus jogadores e o Jackson Martínez não é um dos meus jogadores.

Identificou carências no plantel?

Está equilibrado, mas precisamos de um ponta de lança sim, que tenha características diferentes, que não diminua os pontas de lança que já temos.

Que características são essas?

Quero um jogador que possa ir no espaço, mas que também possa vir em apoio. Um jogador que consiga ser explosivo, o que não é fácil encontrar, mas é isso que procuramos, um jogador que na área seja capaz de finalizar pelo ar e no chão. 

"Jogadores dão-me muito mais do que sou capaz de imaginar"

O que o levou a insistir com Hulk a ponta de lança?

Porque senti que era ali que ele mais nos poderia ajudar. Às vezes ouço críticas e questiono-me... Eu toda a minha vida refleti futebol. Se quisermos falar sobre futebol, eu falo e argumento, seja com quem for. Porque experimento e reflito no terreno. Estranharia é se eu não conseguisse ver que o Hulk é muito mais forte à direita, naquele tipo de movimento em que ele é um desequilibrador. Seria estranho não ver isso, ainda para mais trabalhando todos os dias com ele. Mas se entendia que a equipa precisava mais dele ao meio, foi porque a dinâmica que faltava naquele momento o exigia ao meio, mesmo sabendo que ele rende mais à direita. Decidi em função das necessidades da equipa e o Hulk é humilde. No meio, deu-nos o que esperei, essencialmente nos jogos de decisão, que vencemos.

Perante as críticas de que falou, e que foram recorrentes e transversais, nunca vacilou nas suas convicções?

De outra forma não teria ganho o campeonato.

Mas não reconheceu validade em algumas críticas?

A utilização do Maicon à direita, por exemplo. Respondo da mesma forma. Então eu não sei que o Maicon é muito mais central do que lateral? Naquele momento, senti que não tinha uma solução que me transmitisse mais confiança do que ele, pela forma de trabalhar, por estar focado no nosso jogo e nos nossos objetivos... Senti que o Maicon, naquele momento, era a melhor solução, mesmo que não me desse, ofensivamente, aquilo que uma equipa como o FC Porto precisa. Eu não vejo menos do que os outros.

São questões de balneário, portanto...

São questões de trabalho. Quem me transmite confiança no trabalho, eu conto com ele. Naquele momento, os outros não me transmitiam confiança. E ponto final. Só isso. Eu é que tenho de decidir, e hoje decidiria exatamente da mesma forma.

Pensa que isso foi importante para o crescimento dele?

Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas. Deu-lhe a confiança que lhe faltava, para sentir que tinha espaço e que tinha qualidade.

O Maicon é o seu troféu pessoal mais emblemático? Os treinadores gostam de reclamar méritos no crescimento dos jogadores...

Há treinadores que gostam, mas eu não gosto.

Porquê?

Porque o mérito é do jogador. O treinador trabalha aquilo que é coletivo, depois há o talento e o mérito dos jogadores, integrados na nossa dinâmica de jogo e com as correções que temos de fazer.

Exclui-se desse salto?

O crescimento que eu tenho de promover é o crescimento coletivo. Eu não estou com o Maicon a fazer trabalho específico, o meu trabalho é coletivo e dentro dele há jogadores que crescem mais e que aproveitam as oportunidades.

Com 31 anos, fisicamente diferente do jogador que chegou à Europa em 2005, Lucho pode aguentar a próxima época a um nível alto?

Claramente. Fui criticado pelo triângulo do meio-campo, a questão do duplo pivô. O Moutinho será sempre um 8 que gosta de vir atrás, pegar no jogo a partir de trás. Nunca na vida será um pivô. A minha perspetiva de treino não é organizar o meu jogo. Se assim fosse, estaria limitado àquilo que sou capaz de imaginar, mas, na verdade, os jogadores conseguem dar-me muito mais. Eu só organizo aquilo que eles me podem dar. O Moutinho movimenta-se em função da qualidade que tem e eu não quero formatá-lo, não quero que ele jogue o meu jogo, não quero dizer-lhe que ele tem de fazer isto ou tem fazer aquilo. Só ajudo a organizar esse jogo. Com o Lucho é a mesma coisa. Quem sou eu para lhe dizer para não baixar, para não receber entrelinhas, para não jogar nas costas do adversário? Mas quem sou eu para dizer ao Fernando para aparecer na área a finalizar? Eu só vou modelando e, para mim, essa é a função do treinador. Só tenho de tirar partido do potencial de cada um. Se sentir que há desequilíbrios, vou equilibrando... Isto para mim é treinar. 

"Lucho comunica mais sem falar"

Reforço de inverno, Lucho pareceu capaz de congelar a emotividade do balneário. Foi mesmo assim? "O Lucho não é de falar muito, comunica muito mais sem falar. O Lucho é sério, encara a sua profissão com seriedade, e trouxe-nos tranquilidade, experiência acumulada e qualidade", respondeu o treinador. 

"Fomos o nosso principal adversário"

Nem Benfica, nem Braga, muito menos Sporting. Para ser campeão, Vítor Pereira teve de olhar para dentro e cerrar fileiras. Sabe, porém, que a concorrência quer dar o salto e que isso vai exigir mais de um dragão que também quer crescer na Europa.


O FC Porto não falhou nos jogos decisivos em Portugal. Tendo escorregado em outros, isso tem que ver com a tal descompressão que apontava?

Quando se sente que o desafio não é desafiante, temos um problema. Foi o nosso maior problema, aliás, dar uma dimensão desafiante aos jogos teoricamente menos complicados. Não tenho qualquer problema em admiti-lo e penso que os jogadores têm consciência disso.

Em que momento da época é que acha que a mensagem passou de forma definitiva?

Ganhámos em Coimbra 3-0 para o campeonato e as coisas aconteceram naturalmente nesse jogo, nem tivemos de acelerar muito. Isso foi um problema e quando lá fomos jogar para a Taça pensávamos que o jogo do campeonato iria repetir-se. Deixámos correr o tempo, fomos afastados e foi esse o momento em que tomámos consciência.

Mas mais à frente, em Barcelos, viu-se uma exibição muito parecida...

Basta situarmos o jogo no tempo. Foi a nossa única derrota, era mais bonito ser campeão invicto, mas não foi possível. Lembro-me de que foi a três dias do fecho do mercado; esse momento mexeu com os jogadores, percebi isso claramente. Mas isso é intrínseco ao ser humano. Por exemplo, até no jogo em Alvalade: foi um mau jogo, um jogo de transições constantes, com as equipas sempre partidas, sem sequências de quatro ou cinco passes que fosse. E quando foi esse jogo? No início de janeiro...

Houve jogadores que tremeram em janeiro?

É outra vez a questão das expectativas. Não mexe só com os jogadores do FC Porto, mexe com todos os jogadores, em todo o mundo.

Fazendo um balanço de tudo o que disse até agora, o FC Porto foi o seu maior adversário?

Acho que sim. Não tenham dúvidas nenhumas. Não foi o Benfica, não foi o Sporting, não foi o Braga, foi a própria equipa, fomos nós o nosso principal adversário. Por todos estes motivos. E temos consciência disso.

Eliminando o efeito novidade, de onde espera que venham as dificuldades na próxima época?

Espero uma época mais forte do que esta, mais tranquila também. Os jogadores do FC Porto são constantemente procurados por outros clubes, esse é um ciclo que se repete, mas pela experiência adquirida, pelo conhecimento que temos uns dos outros, acredito que faremos uma época mais forte e mais consistente.

Nessa linha evolutiva, de que jogadores espera mais na nova época?

De todos eles. E de mim próprio. Quero um jogo que nos permita ser mais fortes na Liga dos Campeões e na Taça de Portugal, naquelas competições onde queremos estar em melhor nível.

Foi uma desilusão a época europeia do FC Porto?

Se no jogo com o Zenit em casa tivéssemos concretizado metade das oportunidades que criámos, teríamos sido primeiros no grupo. Foram pormenores, decisões no último momento... Na Liga Europa, a eliminatória com o City foi disputada de igual para igual e conseguimos impor o nosso jogo em grande parte dos confrontos, mas cometemos erros em momentos cruciais que ditaram o nosso afastamento. Não posso negar que foi uma frustração para mim e para todos.

Os jogos europeus colocam desafios muito diferentes?

Na Liga, vivemos de dois momentos: a posse e a transição defensiva, a reação agressiva na perda de bola. Na Europa, temos de ser consistentes na organização defensiva e nas transições ofensivas, assim como nas bolas paradas. A Europa obriga-nos a ser uma equipa culta e adulta nos vários momentos do jogo.

Que desafios espera de Benfica, Braga e Sporting na próxima época?

O Benfica já não cometeu os mesmos erros do ano anterior; o Sporting já não ficou a trinta e tal pontos; o Braga aproximou-se. A época anterior foi uma época atípica, por mérito do FC Porto, mas muito demérito dos outros também. Este ano foi taco a taco, com grande desgaste, mas a tendência é para que as equipas que não ganharam já estejam a trabalhar no pormenor, no que falhou. Nós temos de fazer o mesmo. 

"Se tivesse entrado com o André teria saído com ele"

A esta distância, compreende a decisão do André Villas-Boas há um ano?

O André é um portista, atenção... Daqueles portistas! Ganhou tudo, sair do clube do coração bem por cima deve ter pesado um bocadinho. Se fez bem ou mal, só ele o poderá dizer. Não faço ideia do que faria no lugar dele, ficava-me bem dizer que teria ficado, mas não posso dizer. Só quando confrontados com as situações é que percebemos. Eu decidi ficar consoante o que senti no momento, senti que devia cá estar. É preciso que se saiba que eu vim para o FC Porto convidado pelo FC Porto, não pelo André. Se fosse ao contrário, e isso digo-o com certeza absoluta, se fosse o André que me tivesse convidado, se eu tivesse entrado com ele, teria saído com ele, disso podem ter a certeza absoluta, porque só estou na vida desta forma, não estou para aproveitar as oportunidades que outros me criaram. Tenho uma relação de amizade com o André porque foi tudo feito com clareza.

Por que sentiu que devia ficar?

Porque esta era a equipa que eu queria treinar, sabendo que seria uma época muito difícil. Mas seria fácil para algum treinador do mundo? Não seria, de certeza. Apesar de os jogadores serem os mesmos, não eram os mesmos... 

"Senti que os jogadores andavam a ver o que tinham"

Durante a entrevista, Vítor Pereira avaliou, expôs, argumentou. Ele próprio, porém, sabe que esteve também em análise, inclusive pelos próprios jogadores. "Acho perfeitamente normal. Tinha estado por dentro de todo o processo, mas como colaborador. Eu vim de treinar o Santa Clara na II Liga, é natural que a minha competência noutras funções tenha sido avaliada, como eu avalio os jogadores que chegam. Naturalmente, passamos por um período em que senti que eles andavam a ver o que é que tinham", diz quem também ia avaliando a sua própria equipa técnica, ao ponto de ter promovido alguns ajustes: "Levámos tempo a perceber a dinâmica entre nós e o que cada um poderia dar. Quanto ao Quinta, precisamos de uma perspetiva de fora, de uma perspetiva mais tranquila. Depois surgiu o aproveitamento do Filipe, que já tinha alguns anos comigo e estava habituado à minha dinâmica. Quanto ao Paulinho, a ideia foi que, tal como o Semedo, pudesse ser importante no balneário, junto dos jogadores, num relacionamento de amizade e cumplicidade que ele nos conseguiu dar. 

"Se com 16 não se cumpre..."

Como vê o panorama competitivo em Portugal? Está em causa a sustentabilidade do futebol português depois de situações como a do Leiria, associada ao incumprimento salarial de outros clubes?

Há que tomar medidas que credibilizem o futebol, premiando quem cumpre e penalizando quem não cumpre.

Há margem para alargamento?

Eu vejo tantos incumpridores que não entendo como seria possível. Se com 16 não se cumpre, com mais vai-se cumprir ainda menos. Neste país tomam-se medidas rápidas, soluções rápidas e com consequências gravíssimas, porque adiam problemas e criam novos problemas. Está a ser tudo feito em cima do joelho e nada disso beneficia o futebol. Isto vai ter custos. 

O autorretrato de quem tenta fugir da exposição

Tem 43 anos, nasceu, cresceu e vive em Espinho e sagrou-se campeão nacional na época de estreia na I Divisão. Vítor Pereira dá-se a conhecer no futebol, mas preserva a privacidade fora dele. A O JOGO, porém, garante que a sua vida não se prolonga muito para além do treino. "Tenho uma vida pacata, Olival-casa, casa-Olival. Vou ao cinema uma vez por outra", diz este pai de três filhos, todos rapazes (entre os 10 e os 15 anos), que não veem no futebol mais do que um hóbi. "Já chegam os custos que o futebol tem numa família, aquilo que eu lhes retiro já chega. Tenho pouco tempo para eles", queixa-se, apontando a família como o seu refúgio, o escape que lhe permite afastar-se do lado mediático da sua profissão e do qual prefere abstrair-se: "Estou bem em Espinho, junto aos pescadores, é o meu habitat natural. Não me sinto bem nos Globos do Ouro, não é a minha praia."
Vincada nos discursos dos momentos mais marcantes esteve sempre a sua religiosidade, que Vítor Pereira não renega nem esconde, mas que não gostou de ver exposta. "No percurso a Fátima, não fui respeitado. Aquilo não é futebol, são as minhas convicções, a minha fé", apontou, incomodado com a presença de fotógrafos no percurso que fez no final da época, na companhia da mulher. Deus entra na casa de Vítor Pereira, mas fica à porta do Olival e dos estádios onde os dragões jogam. "Sou católico, de muita fé, mas só fui a Fátima pedir saúde para os meus filhos e para a minha família. Não peço títulos a Deus, não misturo futebol com religião", remata quem prefere não deixar a sua sorte em mãos alheias. Por isso, as palavras trabalho e competência andam de mãos dadas no discurso de Vítor Pereira, um antigo professor de Educação Física, futebolista frustrado que se serviu da carreira de jogador unicamente para pagar os estudos e chegar onde sempre sonhou: ser treinador do FC Porto. 

"Agradeço aos adeptos"

A relação de Vítor Pereira com os adeptos flutuou ao sabor dos resultados. Feitas as contas, o treinador não o esquece no balanço. "Quero deixar uma mensagem de agradecimento aos adeptos e às claques, que muito nos apoiaram neste percurso", vincou, revelando que as abordagens que tem tido são muito positivas. 

in "ojogo.pt"














domingo, 27 de maio de 2012

«É natural que me liguem ao FC Porto» - Domingos

Domingos Paciência considera natural que o seu nome continue a ser associado ao FC Porto, dado o seu passado enquanto jogador dos azuis-e-brancos.

«Cheguei com 13 anos, saí com 27 [para jogar no Tenerife] e regressei com 29. Foi uma vida ligada ao FC Porto. Sou profissional de futebol, dá-me prazer ganhar e ver os outros ganhar. Pelo passado que tenho, é natural que me liguem ao FC Porto», sustenta o treinador, em declarações à RTP Informação.

«É sinal do reconhecimento pelos muitos anos em que representei o clube», constata.


in "abola.pt"

Fernando: «Não há nada de concreto»

COMENTOU O ALEGADO INTERESSE DO INTER



De férias, Fernando tem acompanhado as notícias que dão conta do alegado interesse do Inter Milão na sua contratação. No entanto, o médio, de 24 anos, garante que não não recebeu qualquer proposta do emblema italiano.

“Até agora não há nada de concreto. Só sei do que tem vindo nos jornais”, referiu o trinco, aRecord, preferindo jogar à defesa.

in "record.pt"

FC Porto a postos


Em Gulpilhares, o FC Porto aproveitou para, tranquilamente, se aproximar do líder do campeonato. Venceu sem problemas a equipa da casa, décima classificada, e cumpriu o jogo a menos que tinha relativamente ao Benfica (este tinha antecipado a 27ª ronda devido aos compromissos europeus), colocando-se de novo a um ponto (69) da equipa da Luz (70), a qual comanda a I Divisão desde que os dragões, na 23ª jornada, perderam de forma surpreendente em casa da Académica de Espinho.
Com dois golos em 12 segundos, o decacampeão começou cedo a garantir a vitória, decidido no propósito de, no dia 10 de junho, se deslocar à Luz para discutir o título; algo que o Benfica persegue sem êxito desde 1998, e que o FC Porto coleciona há dez anos consecutivos.
Faltam três jornadas e os dois rivais encontram-se na 29ª ronda, depois de o FC Porto receber a Oliveirense (equipa que na última visita ao Dragão eliminou o FC Porto da Taça de Portugal) e de o Benfica jogar com o Candelária, nos Açores. O campeonato termina com os dragões a jogarem em casa com a formação do Pico e o Benfica a deslocar-se a casa do Tigres.
Na luta pela permanência, Viana (ainda em 2008/09 e 2009/10 foi vice-campeão) e Paço de Arcos tentam a fuga ao último lugar de descida, enquanto Infante Sagres e Riba d'Ave estão já condenados à despromoção.

Resultados 27ª jornada

Gulpilhares 4-6 FC Porto
J. Viana 3-4 HC Braga SAD
I. Sagres 4-2 Riba d'Ave
Ac. Espinho 5-2 Barcelos
16/05
Paço de Arcos 4-7 Benfica
24/05
Física 4-4 Tigres
Oliveirense 29/05 Candelária

in "ojogo.pt""

Vitor Pereira: "Já não via os jogos só como adepto"


Viu Cubillas de azul e branco, nas Antas e às cavalitas do pai; delirou com Madjer, mas inspirava-se em Gabriel e em João Pinto, apesar de, como lateral-direito, nunca ter sido mais do que um jogador mediano. Em 1987, já analisava o futebol com cabeça de treinador, ansioso por um dia treinar o clube do coração.

Onde é que estava no 27 de maio?
Estava seguramente a ver o jogo, ainda que não me recorde ao certo onde; muito provavelmente em casa.

Que memórias guarda desses dias, do antes e do depois? Como passou os dias antes do jogo e como festejou depois?
A ansiedade era grande e lembro-me de que sofri bastante; no final, quando ganhámos, saí à rua para festejar.

O que vale o calcanhar de Madjer enquanto momento simbólico? Ou seja, concorda que é o pontapé de viragem na história do clube e da sua posição na hierarquia nacional e internacional?
O golo foi memorável; ficou para a história do clube e da própria competição e conferiu a Madjer o estatuto de estrela maior. Fazer um golo de calcanhar numa final é algo que merece ser recordado para sempre. Foi um jogo que assinalou efetivamente um momento de viragem e que elevou o clube a um patamar de excelência, a nível europeu; nunca mais foi visto da mesma forma. Muitos, como eu, sentiram um orgulho enorme em ser portistas.

Tinha 18 anos na altura, ainda tinha ídolos? Havia algum jogador que admirasse particularmente?
Madjer, por ser o mais criativo, era o que mais me marcava. Na posição em que atuei na minha formação, a de lateral-direito, admirava Gabriel e João Pinto.

Qual é a primeira memória que guarda do FC Porto, o dia ou a ocasião em que percebeu que era portista?
Sou portista, como o meu pai. Lembro-me perfeitamente de que quando ele me levou pela primeira vez ao Estádio das Antas, não conseguia ver o jogo por ainda ser muito pequeno. E então acabei por assistir a todo o encontro às cavalitas dele. Foi um grande momento, pois tive oportunidade de ver Cubillas ao vivo, que era um sonho para mim.

De onde absorveu essa admiração pelo clube?
É algo que vai passando de geração em geração na minha família. O meu pai é portista, eu sou portista e os meus filhos também são portistas.

Costumava ir ao estádio? Viu algum jogo da campanha para Viena?
Na altura era complicado ir ao estádio, por questões financeiras. Mas seguia todos os jogos pela televisão. E a final foi o que mais me marcou. Conseguiu-se um feito tremendo, que não era nada fácil naquela época que, como disse, elevou o FC Porto para um patamar europeu muito importante.

Era imaginável, na altura, que o clube se pudesse afirmar internacionalmente e conquistar a hegemonia em Portugal?
A verdade é que se começou a sentir que tínhamos equipa, organização e talento para isso, para estamos numa final e ganharmos uma competição europeia.

Pensava na altura que poderia intervir diretamente no clube uns anos mais tarde? De que forma é que esse pensamento o orientou na altura e nos anos que se seguiram?
Sempre sonhei em chegar ao FC Porto, sempre acreditei que era possível e senti um orgulho enorme quando o consegui. A forma que encontrei para atingir esse objetivo foi querer ser sempre melhor. Valorizo muito o meu percurso e aprendi sempre com as minhas experiências; são elas que me fazem refletir e ter ideias.

Havia já, em si, uma visão de treinador sobre o jogo em 1987? De que forma se manifestava? Por exemplo, o Vítor recolhia dados e analisava informação sobre o FC Porto ou qualquer outra equipa?
Enquanto jogador, já me sentia treinador; já procurava organizar as equipas, já refletia sobre as opções que se tomavam e já gostava de liderar. Via os jogos não só como adepto, mas já com a perspetiva da organização do próprio jogo. Assistia às partidas das grandes equipas e referenciava-as como modelo. Ainda que estivesse mais focado no FC Porto, analisava igualmente as outras equipas de topo. É uma forma de aprendizagem relevante que ainda hoje elogio.

Num âmbito mais alargado, os anos 80 foram marcantes para o futebol português, com várias finais europeias de clubes, meias-finais de um Europeu e a presença num Mundial. Como recorda esses anos?
Foram de facto anos marcantes para o nosso futebol. Aliás, acredito mesmo que foi nessa altura que começou o talento do jogador português e a valorização do treinador português.

Vítor Pereira em 87


Só jogava para pagar os estudos


Em 1987, Vítor Pereira estava a iniciar a sua formação académica projetando já a carreira de treinador. De origens humildes, admite que se servia da sua carreira como jogador para financiar os estudos, para os quais direcionava todos os focos. "Era um estudante na Faculdade de Desporto do Porto e era um jogador de futebol
mediano. Pagava os meus estudos com o dinheiro que ganhava no futebol; foi
assim que consegui tirar um curso e seguir com a minha vida", revela-nos, ressalvando prioridades: "Sempre quis mais ser treinador do que jogador. A profissão de treinador sempre me fascinou." Licenciado com brilhantismo, foi conciliando a carreira de jogador com a de treinador, ao mesmo tempo que passou também a lecionar Educação Física. Aliás, teve de pedir licença sem vencimento quando finalmente foi orientar o Santa Clara, clube que lhe permitiu o salto para o FC Porto e o abandono definitivo do ensino.

in "ojogo.pt"

Roma ainda não desistiu de Rolando


A Imprensa italiana - o jornal "Corriere dello Sport" em particular - insistia ontem nas movimentações do Roma para tentar contratar Rolando ao FC Porto. Os últimos desenvolvimentos apontam mesmo a disposição dos dirigentes transalpinos de melhorar a proposta inicial de 10 milhões de euros e esticá-la até aos 12 milhões.
Walter Sabatini, diretor-desportivo dos giallorossi, terá sido o responsável pelo engordar da proposta numa altura em que o clube procura ainda um substituto para o treinador Luis Enrique, que deixou o comando técnico da equipa no final da temporada. Rolando, recorde-se, tem uma cláusula de 30 milhões de euros, mas Sabatini parece disposto a tentar convencer Pinto da Costa a baixar o preço do central, que os italianos acreditam poder sair por cerca de metade do valor da cláusula.

in "ojogo.pt"

Mangala encara época decisiva


Mal percebeu que o estavam a contactar de Portugal e que o tema era Mangala, Erick Mombaerts, selecionador dos sub-21 franceses, disparou de pronto: "Não jogou muito." Ficou claro que esse era o problema principal para ele, que lamentou, a O JOGO, o momento que marcou em definitivo o percurso do central: "Na melhor fase da época, teve o azar de se lesionar e perder o comboio." Mangala acabou como quarta opção para o eixo da defesa, o que, sem ser alarmante, não deixa de preocupar. "É uma situação que se pode tornar um inconveniente ou até ser incómoda para ele no futuro", apontou Mombaerts.
Mas, no fundo, a questão que se colocou com Mangala no FC Porto não foi muito diferente da que se verificou com outros craques dos bleus. "Sim, não foi diferente do que aconteceu a Varane, no Real Madrid, ou a Francis Coquelin, no Arsenal. Optaram por dar seguimento às suas carreiras em grandes clubes e tiveram de enfrentar o problema da concorrência - o que não deixa de ter os seus aspetos positivos - e de contextos em que é necessário ter muita paciência e saber esperar pelo momento certo para entrar na equipa, quando se é jovem e se procura um espaço de afirmação", frisou.
A falta de experiência de Mangala, quando comparado com Rolando, Maicon e Otamendi, acabou por se revelar decisiva para uma menor aposta de Vítor Pereira, mas isso até era de esperar, diz Mombaerts. "Acredito que quando o contrataram, sabiam que era um investimento que não ia começar a render de um dia para o outro, até porque os outros centrais são internacionais. Apesar das qualidades de Mangala, não me parece que o FC Porto estivesse à espera de que ele chegasse e se impusesse na defesa. O plantel é muito competitivo, e Mangala teve de aprender a gerir isso tudo sem deixar de continuar a evoluir", explicou.
Mesmo não sendo utilizado com a regularidade desejada, a equipa técnica francesa nunca deixou de o acompanhar: "Tenho a certeza de que poderá dar mais. Acredito que, mesmo tendo jogado pouco, Mangala tenha feito o suficiente para que percebecem que tem grandes qualidades e foi uma aposta acertada. Pela nossa parte, vamos usar o estágio para os jogos com o Cazaquistão e a Letónia para lhe devolvermos o melhor ritmo."
Promessas que segundo o empresário do jogador, Fabrizio Ferrari, também são extensíveis ao FC Porto, pois diz ter recebido, de Antero Henrique, a garantia de que a próxima época será de afirmar: "Vai ganhar a aposta que fizeram nele."

Está a treinar com o Eupen


Enquanto não chegam os jogos pelos sub-21 franceses, marcados para junho, Mangala pediu a Luciano D'Onofrio para treinar com o Eupen, equipa da segunda divisão da Bélgica. Desde a passada semana que o central vem trabalhando com aquele clube.

in "ojogo.pt"

Incrível show de Hulk


Três minutos de jogo, e depois de duas perdas de bola, ouvi, de um dos muitos jornalistas que acompanham a seleção brasileira, o primeiro comentário sobre Hulk. "Este cara é mesmo ruim". O complexo de jogador de seleção que não brilhou no Brasil continuava lá, mas ontem durou apenas oito minutos. Hulk pegou na bola, saiu da direita, aproveitou o espaço no meio, mediu a distância para a baliza e disparou uma bomba de fora da área que nem a experiência de Sorensen conseguiu travar. O portista marcava o primeiro golo na seleção, na primeira vez em que jogou a titular na posição que mais gosta: encostado ao lado direito do ataque.
Os defeitos de Hulk passaram a ser virtudes, que foram sendo definitivamente descobertas pelos brasileiros com o passar dos minutos - será mesmo? Pouco depois, o portista voltou a brilhar: roubou uma bola no meio-campo ofensivo, Óscar trabalhou o lance, procurou novamente o portista, que, quando ia marcar o segundo, viu-se antecipado por uma finalização na própria baliza de Zimling. Afinal, Hulk até consegue emprestar a agressividade que costuma faltar ao "adorado" avançado típico brasileiro.
Mas não foi tudo. Faltava o toque de classe, o mesmo que, para os brasileiros, só parece existir nos pés artísticos de Neymar. Desta vez, e ainda antes do final da primeira parte, Hulk acabou de uma vez com o jogo; arrancou com a bola, fintou Kjaer, deitou o guarda-redes com uma simulação e marcou o terceiro do jogo. As qualidades de Hulk ficaram todas condensadas numa só partida: potência, remate forte, agressividade e, pasme-se, até classe. Foi mesmo incrível, até para os incrédulos brasileiros. Hulk não ganhou o jogo sozinho, é certo, mas bem que mostrou o caminho para a vitória. A mesma que Portugal procurará perante esta Dinamarca, no segundo jogo do próximo campeonato da Europa.

Brasil 3

Dinamarca 1

Estádio Imtech Arena, em Hamburgo
Árbitro Felix Brych [Alemanha]
Jefferson, Danilo (Rafael 72'), Thiago Silva, Juan, Marcelo (Alex Sandro 68'), Sandro (Casemiro 86'), Rômulo e Óscar, Lucas (Giuliano 82'), Hulk (Bruno Uvini 90') e Leandro Damião (Wellington Nem 75')
Treinador Mano Menezes
Sorensen (Andersen 25'), Wass, Kjaer, Agger, Simon Poulsen, Schone (Kahlenberg 24'), Christian Poulsen (Jacob Poulsen INT), Zimling, Eriksen (Rommedahl 62'), Krohn-Dehli e Bendtner
Treinador Morten Olsen
n ao intervalo 1-2
Golos 8' Hulk, 12' Zimling (a.g.), 39' Hulk, 70' Bendtner
amarelos nada a assinalar vermelhos nada a assinalar


Os outros "portugueses"


Danilo


Entrou mal no jogo, como que a acusar a falta de ritmo e confiança, tendo melhorado com o decorrer dos minutos. Foi uma boa ajuda a Hulk no flanco direito, pelo qual subiu muitas vezes, embora também tenha tido algumas desconcentrações defensivas, que acabaram por não ser um grande problema para o Brasil.

Alex Sandro


Começou no banco de suplentes, mas foi a primeira opção de Mano Menezes para a segunda parte. Lançado aos 68 minutos para o lugar de Marcelo, numa altura em que o jogo já estava num ritmo mais baixo, o lateral realizou uma exibição segura no capítulo em que lhe competia destacar-se: o defensivo.

Wass


O jogador do Benfica, que se encontra emprestado ao Evian, substituiu no onze inicial Lars Jacobsen, o habitual titular do lado direito da defesa, tendo realizado uma exibição demasiado discreta. Sentiu dificuldades para travar a técnica de Lucas e a potência de Hulk e raramente se aventurou no ataque.


Mano Menezes


"Faltava-lhe o golo"


Mano Menezes chegou a antever, na véspera, o golo de Hulk e por isso ficou muito feliz pelo portista."Já vinha a jogar bem, mas faltava-lhe o golo", apontou. "Desta vez conseguiu demonstrar tudo que tem feito no FC Porto", destacou, antes de salientar que o Incrível é uma aposta ganha: "Queremos ganhar mais jogadores e Hulk enquadra-se nesse cenário."


DISCURSO DIRETO


O resultado foi positivo e estamos a formar um bom grupo. Foi um bom jogo para mim, que só tinha feito um jogo completo no FC Porto depois da lesão. Espero que este tempo na seleção também sirva para me reabilitar fisicamente

Danilo

Jogador do FC Porto


Cada minuto na seleção é um orgulho. Quero jogar sempre e mesmo estando em campo pouco tempo, procuro entrar concentrado e disponível para cumprir o que me é pedido. Estou feliz com a minha exibição, mas posso fazer ainda melhor

Alex Sandro

Jogador do FC Porto


Hulk aplaudido por... dinamarqueses


Adeptos da Dinamarca estavam em maioria e, por altura do anúncio individual dos onzes iniciais, todos os jogadores brasileiros foram apupados. Quase todos. Sem explicação conhecida, Hulk foi o único aplaudido. Pelos vistos, a fama do portista já chegou longe e voltaria a ser aplaudido na substituição.

in "pjpgp.pt"



Hulk: «Se não for aos Jogos Olímpicos fico magoado»


Avançado do F.C. Porto faz questão de ir a Londres


Brasil vs Dinamarca (EPA/Daniel Reinhardt)Poucas palavras, mas relevantes. Hulk falou à TV Globo após os seus dois primeiros golos ao serviço do Brasil, frente à Dinamarca, e demonstrou enorme felicidade. O avançado do F.C. Porto foi lançado a titular por Mano Menezes no amigável realizado na Alemanha. 

«O objetivo era entrar em campo, ajudar a Seleção e aproveitar essa oportunidade acima de tudo. Ajudei bastante», referiu Hulk, que logo a seguir à partida esteve à conversa com os restantes jornalistas. Para dizer, acima de tudo, que ficará «magoado» se não for chamado aos Jogos Olímpicos.

«O Mano está a observar com calma, a dar oportunidades aos jogadores, aos que estão aqui e aos que não vieram. Temos de aproveitar para estar sempre aqui. Mas é claro que vou ficar magoado se não for chamado às Olimpíadas», disse o Incrível.

Veja os golos de Hulk frente à Dinamarca

Avançado do F.C. Porto estreou-se a marcar pela selção e tomou-lhe o gosto


A seleção olímpica do Brasil, com Hulk em plano de destaque, bateu a Dinamarca, adversária de Portugal no Euro-2012, por 3-1, num jogo particular no Arena de Hamburgo, na Alemanha, com José Mourinho a assistir. O avançado do F.C. Porto estreou-se a marcar pela seleção, com dois golos, e esteve ainda no lance do terceiro.

Hulk abriu o marcador, logo aos 7 minutos, com uma «bomba» à entrada da área, sem hipóteses para Sorensen. Cinco minutos depois, erro tremendo da defesa dinamarquesa, Oscar tentou servir Hulk, mas Zimling, na tentativa de intercetar o lance, atirou para as próprias redes.

A perder por 0-2 aos 12 minutos, Morten Olsen viu a vida a andar para trás aos 24, quando o guarda-redes Sorensen chocou com Schone obrigando a uma dupla substituição. A Dinamarca procurou reagir antes do intervalo, mas Hulk voltou a marcar, aos 43 minutos, depois de mais uma recuperação de bola de Oscar.

A vencer por 3-0 ao intervalo, o Brasil levantou o pé na segunda parte e a Dinamarca, cresceu. Daniel Wass, lateral do Benfica, que na última temporada esteve emprestado ao Evian, da liga francesa, foi titular. Zimling acabou por redimir-se do erro que cometeu na primeira parte, aos 70 minutos,com um bom lance pela esquerda que culminou com uma cruzamento bem medido para Bendtner finalizar.

O Brasil, com uma seleção muito jovem, que se está a preparar para os Jogos Olímpicos de Londres, além de Hulk, jogou ainda com Danilo no lado direito da defesa, enquanto Alex Sandro entrou no decorrer da segunda parte para o lugar de Marcelo.

José Mourinho foi um dos atentos espetadores no Arena de Hamburgo. Segundo a imprensa espanhola, o treinador do Real Madrid foi observar Lucas Moura, estrela do São Paulo.

Equipas:

BRASIL: Jefferson; Danilo (Rafael, 72m), Thiago Silva, Juan e Marcelo (Alex Sandro, 68m); Sandro (Casemiro, 84m), Rômulo, Lucas (Giuliano , 81m) e Oscar; Leandro Damião (Wellington Nem, 75m) e Hulk (Bruno Uvini, 90m).

DINAMARCA: Sorensen (Stephan Andersen, 24m); Daniel Wass, Kjaer, Daniel Agger e Simon Poulsen; Christian Poulsen (Jakob Poulsen, 46m), Christian Eriksen (Rommedahl, 63m), Schone (Kahlenberg, 24m) e Zimling; Bendtner e Krohn-Dehli (Nicklas Pedersen, 83m).

in "maisfutebol.iol.pt"


sábado, 26 de maio de 2012

F.C. Porto: Danilo e Hulk titulares na seleção


Frente à Dinamarca


Danilo e Hulk, jogadores do F.C. Porto, serão titulares na seleção do Brasil que enfrentará, neste sábado, a Dinamarca em encontro particular. Curiosamente, um dos adversários de Portugal na fase final do Euro2012.

O selecionador Mano Menezes divulgou o onze do Brasil na véspera do encontro: Jefferson, Danilo, Juan, Thiago Silva e Marcelo; Rômulo, Sandro, Lucas e Oscar, Hulk e Leandro Damião.

Paulo Henrique Ganso foi dispensado da seleção para realizar uma operação que o irá afastar dos relvados durante três a quatro semanas, como tinha sido adiantado.

Para o embate com a Dinamarca, a realizar na Alemanha, Mano Menezes apostou num onze que poderá servir de base para os Jogos Olímpicos.

A equipa inicial tem quatro campeões mundiais de sub-20, sendo Danilo um deles. Hulk tem mais de 23 anos mas pode ser um dos atletas acima dessa idade a marcar presença em Londres.

~in "maisfutebol.iol.pt"

Kelvin a caminho do Olhanense

O brasileiro Kelvin, que como Christian Atsu esteve emprestado na época finda ao Rio Ave, vai em princípio fazer parte do lote de jogadores que os dragões vão levar para estágio para melhor ajuizarem sobre o destino a dar-lhes.

A caminho dos 19 anos (dia 1 junho), o avançado não parece que tenha amadurecido o suficiente para poder ser considerado um potencial reforço para o quadro principal dos dragões.
Estará igualmente fora de hipótese fazer rodar Kelvin na equipa B do clube, porque apesar de ficar mais perto e defendido retrocederia no seu processo de crescimento na divisão principal do futebol português.

Resta assim o... Olhanense, clube algarvio que já terá até manifestado interesse em levar o brasileiro para Olhão, onde poderá ter como companheiros os portistas André Pinto e Atsu.


in "abola.pt"

Paulinho Santos: "Foi em Viena que começámos a ser os melhores"


Percebeu o que era ser portista quando, com oito ou nove anos, o pai lhe perguntou de que clube era. A resposta valeu-lhe uma camisola e alimentou um sonho que se transformaria numa obsessão: Paulinho Santos só pensava em jogar no FC Porto.

Onde estava no 27 de maio?
Assisti ao jogo em casa, nas Caxinas. Vivi o momento como todos os portistas: com grande ansiedade até ao final do encontro e com muita felicidade após a vitória. Ser campeão europeu foi um marco histórico.

Conhecia o André? Como é que a comunidade local, tendo um representante em Viena, viveu a final?
Não o conhecia pessoalmente, mas via-o muitas vezes. Já na altura tinha uma enorme admiração por ele. Parecia que o jogo nunca mais começava e essa ansiedade só desapareceu quando tivemos a certeza do triunfo. Depois, viemos todos para a rua gritar e comemorar. Foi uma alegria a dobrar: o FC Porto venceu e entre os campeões estava um representante da nossa terra. A noite tornou-se inesquecível.

Como foi o André recebido no regresso?
Não me lembro da receção ao André em concreto, mas recordo-me que houve festejos durante a noite e o dia todo.

Tinha 16 anos na altura. Em quem se revia quando jogava? Quem procurava imitar?
Estava no Rio Ave e sempre sonhei jogar no FC Porto. Sinceramente não pensava em ninguém em particular; só queria mesmo representar o FC Porto.

De que forma é que esses dias influenciaram a sua relação com o FC Porto?
Na altura, já era adepto do FC Porto, tal como o meu pai e um dos meus irmãos. Esta conquista serviu para nos motivar ainda mais. Traduziu um ponto de mudança na vida de todos os portistas, que passaram a ter um desejo cada vez maior de vitórias. Foi um momento de viragem nesse sentido.

Ia ao estádio? Assistiu a algum jogo dessa campanha?
À data, era complicado ir ao Estádio das Antas, pelos custos que uma deslocação ao Porto implicava, mas lembro-me de assistir a um jogo do FC Porto em Vila do Conde, já depois da conquista da Taça dos Campeões Europeus, e recordo-me que a euforia ainda era muito grande, mesmo já tendo passado um ano.

Recuemos um pouco. Qual é a sua primeira memória do FC Porto, o dia em que percebeu que era portista?
Quando tinha oito ou nove anos, o meu pai perguntou-me de que clube é que eu era; respondi-lhe que gostava do FC Porto e ele ofereceu-me uma camisola, que guardei com muito carinho.

Apercebe-se do que mudou na forma como o FC Porto era visto então e como é visto hoje?
Em termos de nome, mudou tudo. Completamente. Começámos a ter um tipo de trabalho diferente e a ganhar mais troféus. E, acima de tudo, começámos a ser os melhores.

Chegou a jogar com alguns dos vencedores dessa Taça dos Campeões. Como era a sua relação com eles? Como foi o primeiro contacto e como se sentia perante pessoas que idolatrava anos antes?
Foi fantástico jogar com figuras como o Jaime Magalhães, o André e o João Pinto. Mas não só. Também foi importante conhecer o Lima Pereira e o Fernando Gomes, por exemplo, que mais tarde vieram a integrar a estrutura do FC Porto. Sentia um orgulho enorme pelo que fizeram. Serviram de inspiração para todos nós. Nutria muito respeito, carinho e amizade por eles.

O que acha que herdou de médios como André, Sousa, Jaime Pacheco?
No FC Porto, todos herdam um pouco uns dos outros. A nossa cultura é ganhar; não olhamos para nós, mas para o grupo, para os adeptos e para toda a estrutura. Todos os que se envolvem também ganham; não são só os jogadores. É precisamente essa mentalidade que nos distingue dos demais.

Que valores de clube foram representados por essa geração, quais deles foram marcantes para si enquanto jogador do FC Porto e quais tenta transmitir hoje como treinador?
É como acabei de dizer: o FC Porto é diferente, porque aqui sentimos que todos ganham. Olhamos para todos e para tudo o que nos envolve e não apenas para nós.

Focado em ser Dragão


Ao contrário da maior parte das figuras dos últimos 25 anos do FC Porto que temos entrevistado ao longo desta semana, Paulinho Santos é perentório em afirmar que via o seu futuro como futebolista nas Antas. A obsessão tomou conta do jovem médio, então ainda nas escolas do Rio Ave, clube pelo qual se estrearia no futebol sénior antes de, em 1992, cumprir o seu destino. “Queria ser jogador de futebol e, mais do que tudo, queria jogar no FC Porto, fosse em que desporto fosse. O meu sonho era ganhar títulos no FC Porto, nem que tivesse de jogar outra modalidade”, refere a esta distância. Sem especial interesse ou apetência pelos estudos, Paulinho Santos seguiu o trilho do também caxineiro André, com quem ainda se chegou a cruzar nos azuis e brancos. Com mais 300 jogos, foi sete vezes campeão nacional, conquistando ainda quatro Taças e cinco Supertaças. Como jogador do FC Porto, esteve ainda no Europeu de 1996.

in "ojogo-pt"

Damião afasta-se do FC Porto

Depois da partida de Falcao para o Atlético de Madrid, sucederam-se os nomes para reforçar o centro do ataque do FC Porto. Um deles foi o de Leandro Damião, ponta de lança do Internacional de Porto Alegre e o atual titular da seleção. O avançado, que hoje jogará ao lado de Hulk, garante que se sente bem no Brasil e que não está a pensar mudar de clube. "A verdade é que não sei de nada sobre o FC Porto e se formos pelo que se tem dito, acho que já tenho um clube em cada continente. Não houve nenhuma proposta concreta e estou muito tranquilo e feliz no Brasil. Lá estou a jogar e faço parte da seleção, o que é muito importante para mim", referiu. O problema, no caso de Leandro Damião, é o valor que o Internacional pede para o libertar e que já ultrapassa os 20 milhões de euros, uma verba capaz de deixar dúvidas até nos clubes ingleses que já manifestaram interesse no goleador.



Newcastle pensa em Ukra

Em Inglaterra foi notícia o interesse do Newcastle em Ukra, jovem extremo que o FC Porto teve emprestado em Braga na época finda. Supostamente, os dragões recusaram os 2,5 milhões de euros oferecidos pelos magpies, mas estes estarão dispostos a chegar aos três milhões. Ukra tem na liga inglesa e na espanhola as suas preferidas.

Falcao aconselhou Sapu


De acordo com a Imprensa romena, o Atlético de Madrid já terá feito uma proposta ao FC Porto para a aquisição de Sapunaru. De acordo com o site "cancan.ro", terá sido Falcao a aconselhar o romeno aos madrilenos, depois de ter ficado encantado com a sua força, velocidade e posicionamento, ao longo dos anos que passou com ele em Portugal.

in "ojogo.pt"

"Discurso foi o mais forte apelo à violência de que há memória"


O FC Porto quer que a Procuradoria-Geral da República investigue o "ataque à honra e à imparcialidade dos juízes e da polícia" feito por Luís Filipe Vieira no discurso de anteontem, em que chamou "ladrão" a Pinto da Costa e remexeu no processo "Apito Dourado". Para os dragões, não há dúvidas que o discurso do presidente do Benfica "consiste no mais forte apelo à violência no desporto de que há memória em Portugal" e não é admissível "o orgulho, admiração e agradecimento mostrado pelos gestos e insultos de um seu funcionário", no caso Carlos Lisboa.
De acordo com o comunicado ontem publicado pelo site do FC Porto, é assim que se avalia o "carácter do leitor", ou seja, Luís Filipe Vieira, que é sempre tratado desta forma por só "ler o que outros lhe escreveram".
Vieira usou o termo "burros" para classificar aqueles que "acreditam que a impunidade vai durar para sempre." O FC Porto também, mas para classificar outro tipo de pessoas, essencialmente os que "só tiram a cabeça da toca de vez em quando e que nunca são capazes de dar a cara nas repetidas derrotas", em alusão ao silêncio de Vieira nos últimos desaires benfiquistas e ao facto de só ter falado depois de ser campeão de basquetebol.
Ainda segundo o comunicado, burros são também "os que se deixam levar por textos a fingir de anjos e arcanjos, enquanto o passivo dos nove anos de gestão do leitor galopou dos 83,9 para mais de 400 milhões de euros, os que permitem a quem nunca mostrou competência alterar os estatutos às escondidas para que ninguém ouse disputar-lhe a presidência, e os que se deixam contentar com dois campeonatos e uma taça enquanto o leitor enche pneus de inveja com os títulos nacionais e internacionais do FC Porto", num recado direto para o presidente que, em tempos teve um negócio de pneus. "Burros são os que ainda levam a sério o leitor", classifica o documento, citando frases proferidas por Vieira em que, sucessivamente, prometeu títulos e um desempenho brilhante a nível europeu. "Burros são os que pela força do hábito não sabem lidar com a vitória. Podem continuar a tentar ganhar eleições à nossa custa, mas continuam a ver o FC Porto ganhar camião de títulos. E nem o camião nem os títulos são roubados", lê-se ainda.

Fecho do basquetebol é hipótese


Segundo O JOGO apurou, o FC Porto enviou ontem uma carta ao presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), Mário Saldanha, pedindo-lhe que se retratasse das declarações proferidas no rescaldo do FC Porto-Benfica e que foram encaradas como uma "gota de água", ao ponto de o clube ponderar a sua continuidade no basquetebol.
Na exposição que fez, o FC Porto mostra o seu desagrado em três pontos fundamentais: aquele que considera ser um tratamento diferenciado em relação às transmissões televisivas do basquetebol, atendendo a que os jogos na Luz são exclusivo da Benfica TV e o direto do quinto jogo, no Dragão, foi televisionado pelo Porto Canal, mas sem autorização da FPB, que ameaçou com sanções; a ausência de Mário Saldanha em todos os jogos da final e particularmente no último, de consagração do campeão; e, por fim, os comentários do presidente federativo sobre os acontecimentos no Dragão Caixa, e particularmente quando terá falado numa "invasão de campo" que não existiu.
Desagradado com tudo o que envolveu a final, o FC Porto espera a resposta de Saldanha, enquanto analisa uma eventual saída da modalidade.

in "ojogo.pt"

Atsu aceita nova cedência


O ganês Christian Atsu está disponível para voltar a ser emprestado pelo FC Porto se se aperceber durante a pré-época que terá poucas oportunidades de jogar pela equipa principal. "Fui chamado para fazer a pré-época com o FC Porto e espero que as coisas corram bem para mim. Se não tiver hipóteses de jogar pelo FC Porto, então gostaria de sair, nem que seja para um novo empréstimo", declarou ao "Ghanasoccernet", numa fase em que está pela primeira vez na sua seleção nacional.
O jovem esteve em destaque no Rio Ave e, com isso, ganhou um lugar nos planos de Vítor Pereira. É para alguns dos juniores um modelo, uma vez que representa com sucesso as oportunidades que os jovens podem ter. Foi isso mesmo que disse Ebo, também ganês e atual extremo dos sub-19 portistas. "Estou muito feliz por ver Atsu na seleção. Eu trabalho arduamente para seguir o seu trajeto. O seu sucesso mostra-me que é possível. Basta trabalhar muito", expressou ao "goal.com" um dos melhores amigos de Atsu, além de seu fã número 1. "Vir para o FC Porto foi uma grande mudança para mim. Estou sempre a aprender aqui" prossegue, embora sem certezas sobre o futuro. "Eles gostam da forma como jogo. Mas só daqui por algumas semanas saberei os planos que têm para mim", fechou.

in "ojogo.pt"

"Se tiver que ficar também ficarei bem"


Hulk está como os adeptos do FC Porto, com dúvidas. Muitas dúvidas, diz ele. Assunto? O inevitável: uma possível saída do clube onde brilhou durante os últimos quatro anos. O brasileiro, agora em representação da sua seleção, garante que nem sequer pretende ouvir falar de propostas durante os tempos mais próximos, até porque, para já, tem um objetivo bem definido: representar bem o Brasil nestes quatro particulares para garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres. No entanto, o assunto é incontornável, até porque Teodoro Fonseca, o seu empresário, vai garantindo que não faltam clubes interessados em contratá-lo. Hulk é que diz não querer saber do assunto. Pelo menos para já. "Neste momento, tenho tentado deixar de lado tudo o que diga respeito ao FC Porto ou a uma possível transferência. Quero estar concentrado na seleção, porque só assim poderei ter êxito aqui. O meu objetivo passa por estar bem nestes quatro jogos e, para que isso possa acontecer, não me posso distrair com esses assuntos. Tem sido assim até aqui e continuará a sê-lo nos próximos tempos", começou por referir a O JOGO.
Sair ou continuar é uma dúvida que não o afeta, sobretudo depois de ter ouvido Pinto da Costa garantir que tudo fará para o manter no Dragão na próxima temporada. Afinal, o que pode o presidente do FC Porto fazer para convencer Hulk a ficar? Nem o brasileiro parece saber a resposta. "É difícil comentar isso neste momento. Se houver alguma coisa, o presidente Pinto da Costa conversará com o meu empresário. Saio se tiver que sair, mas se tiver que ficar também ficarei bem. Tenho dito sempre o mesmo nos últimos tempos. Temos de ver o que é melhor para mim, mas também para o clube, embora agora o que quero mesmo é estar bem na seleção", referiu.
Neste jogo de palavras, fica uma certeza dada por Hulk: "Esteja onde estiver, serei portista para sempre. E isso eu posso garantir. Serei sempre do FC Porto, independentemente do que me reservar o futuro. Aprendi a amar o clube, que levarei para sempre no meu coração. Em Portugal, vou torcer para que o FC Porto vença cada vez mais." Afinal, Hulk também tem sido tema de conversa quase diária na Imprensa, mas também por entre a nação portista, que mantém uma secreta esperança de que ainda é possível manter no clube um dos jogadores mais cobiçados do planeta. Nesse sentido, também sobraram algumas palavras para os portistas, que o avançado fez questão de transmitir através de O JOGO. "Quero agradecer aos adeptos tudo o que sempre fizeram por mim. Sempre me trataram com um grande carinho. E se eles têm dúvidas se vou continuar na próxima época, posso garantir-lhes que eu estou igual: também não sei se ficarei ou se vou sair." E com esta, Hulk lá se despediu, até porque estava na hora de começar a treinar.

"Quero ir aos Jogos Olímpicos"


Hulk prepara-se para somar esta tarde a sua 10ª internacionalização pela seleção do Brasil, embora tenha um objetivo bem concreto para os particulares que se seguem: "Jogar bem para estar nos Jogos Olímpicos." "É sempre bom representar o meu país e espero aproveitar estes quatro jogos para garantir uma vaga nas Olimpíadas", referiu. No caso do avançado, e tendo em conta que já tem mais do que 23 anos, a luta pelas três vagas disponíveis faz-se com o guarda-redes Jefferson e os defesas David Luiz, Thiago Silva e Marcelo, embora para ir a Londres também seja necessária uma autorização do FC Porto. "Isso é o menos. Não conversámos sobre isso, mas se for chamado tenho a certeza de que não haverá nenhum problema." Hulk garantiu ainda que aproveitou "a última semana para descansar", pelo que se sente "preparado" para o jogo de hoje com a Dinamarca, mesmo depois de uma época "desgastante".


Ex-diretor do Chelsea põe o Incrível nos píncaros


O JOGO encontrou em Hamburgo o antigo diretor desportivo do Chelsea, Frank Arnesen. O dinamarquês esteve quase seis anos no clube londrino, tendo saído em 2011, mas com um conhecimento profundo de Hulk e dos principais jogadores do campeonato português. Agora no Hamburgo, Arnesen foi evasivo na conversa com o nosso jornal, recusando entrar em detalhes sobre observações a Hulk nos seus tempos em Stamford Bridge. "Não gosto de falar sobre isso, porque já não estou lá", começou por referir, contornando avaliações pormenorizadas, mas alertando para a dimensão que o Incrível tem, há já algum tempo, entre a nata do futebol internacional. "É lógico que um clube como o Chelsea segue um jogador como o Hulk, mas não éramos os únicos. Acredito que os maiores emblemas do mundo já estão atentos há muitos anos", comentou o dinamarquês, que nos seus tempos em Londres até tinha um observador em permanência no Norte de Portugal. Em Hamburgo, Arnesen admite não ter argumentos para os melhores jogadores do nosso campeonato, pelo que, acrescenta, não planeia fazer compras no nosso país.


Alex Sandro e Danilo dão "força e juventude"


Ainda não é certo, mas é quase. Danilo e Alex Sandro têm um lugar praticamente garantido para os Jogos de Londres, depois de ontem terem sido elogiados publicamente por Mano Menezes, o selecionador brasileiro. "São dois jogadores que, muito provavelmente, farão parte da equipa para as Olimpíadas, não só porque têm idade para isso, mas também porque têm qualidade. Danilo e Alex Sandro fizeram a trajetória na seleção até aos sub-20, já estiveram presentes em algumas convocatórias da seleção principal, participaram no superclássico frente à Argentina e, no caso do Alex Sandro, até jogou mais recentemente frente ao Gabão e Egito", documentou Mano Menezes, antes de anunciar o que os dois jogadores podem acrescentar a esta seleção. "Estão aqui com muita força e juventude, e sempre com o objetivo de ocupar um espaço e uma oportunidade que a seleção lhes está a oferecer".
Na conferência de Imprensa de antevisão do encontro de hoje com a Dinamarca, Mano Menezes também confirmou a presença de Hulk na equipa titular. "O Leandro Damião é um jogador que precisa ser servido e, por isso, jogaremos com o Hulk e o Lucas nas alas. São dois jogadores muito móveis e que poderão trocar de posição com o Óscar, que jogará mais por trás do ponta de lança", explicou. Curiosamente, Hulk vai ser titular pela primeira vez na seleção brasileira na posição onde mais gosta de jogar, o lado direito do ataque, ainda que tenha ordens para percorrer outras zonas do terreno, onde poderá encontrar um dispensado do... Benfica. É que Wass, que se encontra emprestado aos franceses do Evian, deve ser titular no lado direito da defesa da Dinamarca na partida desta tarde

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