quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Varela regista patente

MELHOR MARCADOR PORTUGUÊS DA LIGA
Varela não tem um impacto mediático comparável ao de Hulk ou Falcão, mas a verdade é que o Drogba da Caparica também é um dos principais responsáveis pela excelente campanha que o FC Porto tem vindo a realizar.

É sobretudo com golos que o extremo tem dado o seu contributo à equipa. Já leva 7 no total dos jogos oficiais que realizou, sendo que 6 deles conseguiu-os no campeonato. Um registo assinalável, que o deixa no topo dos melhores marcadores portugueses da Liga. Curiosamente, num país onde os pontas-de-lança escasseiam, Varela apontou todos os seus golos dentro da grande área. Notável!

Na ausência de uma alternativa válida ao titularíssimo Radamel Falcão, tem sido um extremo de raiz a surgir na principal zona de finalização e com a eficácia referida. As diagonais de Varela tornam-se mortíferas para os adversários, seja para finalizar as investidas de Hulk pela direita, ou para dar o flanco esquerdo a Alvaro Pereira, aparecendo na área para tentar finalizar os cruzamentos do uruguaio. Com bola, também opta por interiorizar o seu jogo até encontrar o momento ideal para disparar às redes adversárias. Foi desta última forma que marcou ao Sp. Braga e à U. Leiria.

No registo de Varela, falta apenas um golo na Liga Europa. A verdade é que, nessa prova, Villas-Boas tem optado por dar a titularidade a Rodríguez em detrimento do ex-E. Amadora. Em contrapartida, na Liga, Varela marca tanto quanto Falcão (6 golos cada um) e mais do que qualquer outro português. Nesse particular, leva um golo de vantagem em relação a João Tomás (Rio Ave) e a Miguel Fidalgo (Académica)...

Lito Vidigal: «Surpresa é Varela não atuar não Seleção»

Lito Vidigal trabalhou diretamente com Varela no E. Amadora e, por isso, não se deixa surpreender pela veia goleadora que o jogador tem demonstrado. Contudo, o treinador, de 41 anos, continua espantado pelo facto de o extremo não ser presença assídua na equipa de todos nós.


“Surpresa é ele não jogar frequentemente na Seleção Nacional. Quanto ao resto, ao que tem feito no FC Porto, não fico surpreendido. Já no E. Amadora era um dos goleadores da equipa, mas agora tem mais qualidade à sua volta, pelo que acho normal que jogue melhor e marque mais golos”, explicou.

Quando contactado por Record, na tarde de ontem, Lito Vidigal nem pestanejou: “Sobre o Varela? Acho que já não tenho mais nada a dizer, já disse tudo...” Contudo, mostrou-se perspicaz a analisar o facto de Varela marcar todos os seus golos dentro da grande área. “Sim, que me lembre, no Estrela da Amadora, só marcou 1 ou 2 de fora da área. Ele tem um remate forte e colocado, mas a verdade é que gosta de arriscar, gosta de furar até encontrar o lugar ideal para rematar e, por norma, ele aparece dentro da área, onde as probabilidades de sucesso são maiores”, prosseguiu.

Outra forma encontrada pelo técnico para justificar a onda de golos de Varela prende-se com questões táticas: “O FC Porto joga em 4x3x3, mas com três avançados e não com um avançado e dois extremos.”

in "record.pt"

Rodríguez eufórico com o clássico

DOS MAIS EFUSIVOS NO TÚNEL APÓS O DUELO
 

Rodríguez falhou o clássico, mas quando Pedro Proença apitou para o final, o uruguaio desceu da bancada e festejou de forma eufórica com os colegas, entre o túnel e os balneários. Ao que Record apurou, o ex-Benfica não se inibiu nas manifestações de júbilo, ele que mostra particular gozo nas vitórias sobre o antigo clube.

O esquerdino viu o duelo in loco e junto dos não convocados, que também foram às cabinas felicitar o grupo pelo eloquente triunfo. Entre todos, destacava-se a efusividade do uruguaio, encantado com a goleada imposta.

O que se passou no jogo com o Besiktas parece ficar para trás e o Cebola está desejoso de voltar a ser opção para Villas-Boas, festejando em campo. Falhar o grande duelo foi penoso e, por muito que o técnico tenha tentado retirar carga ao gesto irrefletido para com o diretor-geral Antero Henrique, a verdade é que foi esse comportamento que esteve na origem da sua exclusão dos convocados.

Rodríguez já teve a oportunidade de se retratar. Nesta fase, e depois do “castigo” cumprido no clássico, não é do interesse de nenhuma das partes prolongar a ausência do CR10, pelo que é de admitir o seu regresso para o duelo com o Portimonense. O FC Porto não quer ter um ativo parado e o esquerdino espera por novas chamadas para limpar a má imagem deixada diante dos turcos.

Espaço perdido

Para quem vive para os grandes embates, não há punição maior do que perder um encontro com o Benfica. Rodríguez está apostado em voltar a ser opção, ele que tem vivido na sombra de Hulk e de Varela, não aproveitando o espaço competitivo da Liga Europa.

O uruguaio, por quem os dragões pagaram 7 milhões de euros, participou em apenas 11 dos 18 jogos oficiais desta época e só foi titular em 4. Números que espelham as dificuldades que tem sentido para se impor e que foram agudizadas pelo comportamento no jogo com o Besiktas.

A expulsão por agressão a Uzulmez, quando o FC Porto vencia por 1-0, trocou as voltas ao encontro, descontrolou a equipa e acelerou o empate, obrigando Villas-Boas a rever os planos quando já geria esforços para o clássico.

Foi um dos piores momentos de Rodríguez no Dragão, mas foi a reação perante Antero Henrique que fez o copo transbordar, exigindo uma tomada de posição da estrutura dirigente e do treinador. Publicamente, todavia, o FC Porto procurou contornar o caso, desvalorizando o sucedido e gerindo tudo ao nível interno, como é normal na casa.

in "record.pt"

Observador sai da sombra

DANIEL SOUSA É O HOMEM DOS RELATÓRIOS
 
Daniel Sousa é o homem que faz para Villas-Boas o que Villas-Boas fazia para Mourinho. O técnico resgatou-o do anonimato na conferência de imprensa pós-clássico, colocando-o a par de Vítor Pereira, José Mário Rocha, Pedro Emanuel e Wil Coort.

Formado na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, Daniel Sousa é um jovem de 26 anos que foi indicado a Villas-Boas por José Guilherme, o preparador físico da Seleção Nacional na era Carlos Queiroz e um profissional com um vasto passado na estrutura do FC Porto.

Sucedendo no cargo a Rui Pedro Silva, que seguiu com Jesualdo Ferreira para o Málaga, Daniel Sousa é o responsável pelos relatórios de análise aos adversários dos dragões, tendo já sido enviado a alguns confrontos dos rivais na Liga Europa. Villas-Boas faz a seleção da informação que passa aos jogadores e é, ele próprio, um analista muito atento dos adversários, mas que não dispensa os relatórios do jovem observador portista.

in "record.pt"

Luzes da ribalta

EUROPA RENDIDA A HULK E AO FENÓMENO VILLAS-BOAS
 
Villas-Boas é o “baby fenómeno” dos treinadores europeus. Assim o define o jornal transalpino “Corriere della Sera”, um dos mais conceituados de Itália, que lhe dedicou quase uma página na sua edição de ontem. Aqui ao lado, na “Marca”, o “novo Mourinho” é o treinador da semana, mas o destaque vai quase todo para Hulk, “o brasileiro incrível”.

É o FC Porto em plano de destaque nos países dos grandes campeonatos e a cotação das suas estrelas a subir em flecha. E se o mercado parece pronto para atacar Hulk, que ganha outro mediatismo em função da maior dimensão dos seus feitos, é notória a curiosidade europeia em torno do técnico de 33 anos e que parece destinado a voos mais altos.

Amarrado

Com o Incrível a acelerar para a descolagem no final da temporada, Pinto da Costa tem devidamente amarrado o jovem treinador. O contrato de dois anos até pode ser reforçado e o FC Porto não será apanhado desprevenido. Face à onda de bons resultados, Villas-Boas não tardará a ver o seu nome sondado por grandes clubes, sobretudo se tiver sucesso idêntico ao de Mourinho, por quem o Chelsea pagou mais de 5 milhões de euros.

Com os grandes jornais internacionais (do Japão aos Estados Unidos) a dedicarem grande atenção a este novo fenómeno, não deixam de ser interessantes as comparações (inevitáveis) com o Special One. “Taticamente, o trabalho do Mourinho loiro é mais sofisticado do que o do original”, escreve o “Corriere della Sera”, que ousa uma análise forte: “É mais voltado para o jogo de ataque.”

A “Marca” lembra que o arranque de Villas-Boas no FC Porto supera igual período de José Mourinho, mas os espanhóis centram atenções no fenómeno Hulk, o MVP do fim-de-semana à escala internacional. O jornal realça a forma como o brasileiro vulgarizou David Luiz, primeiro, e Fábio Coentrão, depois, e conclui que esta será uma exibição para recordar.

O dragão ganha dimensão e começa a justificar grandes loas na imprensa internacional. Os analistas preveem que “os títulos vão cair como fruta madura” e está publicamente assumido que o FC Porto quer a Liga Europa, o que reforçaria o destaque global que esta equipa tem justificado.

in "record.pt"

F.C. Porto quer Dragão cheio: bilhetes a 1 euro para o Portimonense

Associados que adquirirem ingressos terão direito à promoção

O F.C. Porto quer aproveitar o excelente momento de forma para encher o Estádio do Dragão. O clássico cativou os adeptos, que ocuparam todos os lugares disponíveis no recinto azul e branco. Segue-se a recepção ao Portimonense, no domingo (20h15).

Tal como o Maisfutebol revelou nesta terça-feira, a campanha da equipa de André Villas-Boas tem contribuído para o aumento da afluência ao Dragão.

A direcção portista pretende capitalizar esse entusiasmo e fará uma promoção para o embate com o Portimonense, disponibilizando bilhetes a 1 euro.

O associado do F.C. Porto que adquirir o seu ingresso (preços entre os 8 e os 25 euros), poderá comprar mais um bilhete de público pelo tal preço especial de 1 euro. Uma iniciativa naturalmente limitada aos lugares disponíveis.

As entradas para o público em geral obrigam a uma despesa entre os 15 e os 40 euros. A venda de ingressos já começou.

in "maisfutebol.iol.pt"

V. Pereira sublinha "melhorias"

O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, vincou hoje que "houve melhorias" nas actuações de árbitros nas cinco últimas jornadas, em comparação com o período da primeira a quinta rondas.


Na segunda análise às arbitragens nas competições profissionais realizada esta temporada, no Complexo Desportivo do Monte da Galega, na Amadora, Vítor Pereira sublinhou as melhorias na interpretação da lei "de fora de jogo", "maior eficácia nas situações de entradas violentas" e "mais clarividência" nos lances de contacto da bola com a mão.

O dirigente da arbitragem da Liga referiu que o curso realizado em 10 de Outubro, em "que foram clarificadas posições", e o facto de o árbitros estarem mais rodados após as jornadas iniciais poderão justificar a maior eficácia nas arbitragens nas competições profissionais.

"Estes dois factores conjugados permitiram a melhoria", considerou Vítor Pereira, que, na análise da arbitragem, utilizou imagens auxiliares de excertos de jogos, entre os quais União de Leiria-Académica, Rio Ave-Sporting de Braga, Sporting-Rio Ave, Académica-FC Porto, Sporting de Braga-Olhanense e Vitória de Guimarães-FC Porto.

Se no capítulo da lei do fora de jogo se verificaram "algumas situações que não tinham sido sancionadas" da primeira à quinta jornadas da Liga portuguesa de futebol, nos casos em que estão em causa oportunidades de golo "tem estado a haver uniformidade de critérios técnicos e disciplinares".

Vítor Pereira não garantiu que após a 15. jornada voltará a Comissão de Arbitragem voltará a analisar as arbitragens nas competições profissionais, mas deixou expresso a pretensão de "aumentar a comunicação com clubes e adeptos em geral", porque, frisou, se pretende passar a "opinião, com total transparência e sinceridade".

"Queremos que as pessoas entendam melhor o espectáculo e a arbitragem", ressalvou, acrescentando que compreende as posições de treinadores, como a de Villas Boas após o Vitória de Guimarães-FC Porto (1-1) e a de Manuel Machado depois da vitória em Alvalade (3-2), na segunda-feira.

Vítor Pereira admitiu que, em "alguns casos", os treinadores terão razão nos comentários que fazem" e declarou que "o cenário ideal era que não ocorresse qualquer situação".

in "rtp.pt"

Bolas de golfe lançadas a Roberto custam 2500 euros ao FC Porto

O clube portuense goleou o rival lisboeta por 5-0 e reforçou a liderança do campeonato, mas foi multado pelo órgão disciplinar da Liga de clubes num total de 4200 euros por várias infracções.

As bolas de golfe arremessadas em direcção ao guarda-redes benfiquista Roberto durante o “clássico” da 10.ª jornada da Liga de futebol, custaram ao FC Porto 2500 euros, na sequência da multa imposta hoje pela Comissão Disciplinar.

O comportamento incorrecto do público, situação em que o FC Porto foi considerado reincidente, custou 1400 euros aos “dragões” e ausência da bandeira do Benfica no Estádio do Dragão aumentou a penalização em mais 300.

O Benfica também foi multado em 850 euros por comportamento incorrecto dos seus adeptos e o presidente “encarnado”, Luís Filipe Viera, foi punido com multa no valor de 250 euros por ter frequentado zonas do recinto para as quais não estava autorizado.

in "sapodesporto.pt"

«Liverpool tem o potencial de sucesso do FC Porto» - Raúl Meireles

Médio chegou ao Dragão na época 2004/05, após a saída de José Mourinho e de vários jogadores do plantel azul e branco. Diz viver situação análoga no Liverpool, clube onde ingressou já depois de Roy Hodgson ter rendido Rafa Benítez no comando dos “reds”.

«Cheguei ao FC Porto numa altura em que tudo mudou. Tinham contratado um novo treinador e vários jogadores e não começámos bem a época. Passou-se o mesmo no Liverpool», comenta Raúl Meireles, em declarações à revista do clube, justificando: «Quando são feitas muitas alterações, é preciso tempo para pôr as coisas em ordem. Estamos a começar a seguir na direcção certa e temos de continuar assim».

«É preciso tempo para os jogadores se adaptarem a novos métodos. No FC Porto conseguimos fazê-lo e acredito que o mesmo está a acontecer aqui. Vejo o mesmo potencial de sucesso», refere, rematando: «Temos bons jogadores, com experiência, e também um bom treinador. Todos acreditamos que podemos fazer uma boa época».

Raúl Meireles chegou ao FC Porto em 2004/05, proveniente do Boavista. Na época de estreia de dragão ao peito, viu o Benfica sagrar-se campeão nacional. Seguiram-se quatro títulos consecutivos no campeonato português até rumar à Premier League, já com a presente época em curso.
 
in "abola.pt"

Rúben volta ao onze

Castigo de João Moutinho reabre no próximo domingo as portas da titularidade ao futebolista madeirense.


Não será apenas pela dúvida Fernando que o meio-campo do FC Porto concertará atenções particulares de André Villas Boas em relação ao jogo com o Portimonense: João Moutinho está castigado e podem ser, assim, dois os grande pilares circunstancialmente de fora. Na posição de Moutinho não há que saber: Rúben Micael é a solução inquestionável, e ao 19º jogo oficial da temporada, será titular pela sexta vez, revelando-se, em definitivo e em absoluto, o verdadeiro 12º jogador...

Condição de 12º jogador que, certamente, não agradará por aí além ao categorizado médio funchalense, mas Moutinho entrou pela porta grande e Belluschi ganhou a outra posição, daí Rúben ter caído um pouco na sombra do banco por força de um meio-campo que desde o jogo inaugural da época, a Supertaça Cândido de Oliveira, se fixou como a verdadeira central de energia da equipa, sem perda de fulgor após 18 jogos oficiais e, como se viu com o Benfica, cada vez mais operativo e personalizado, mesmo sem Fernando, bem disfarçado por Guarín.

Num plantel em que o nivelamento de opções por posição é claramente superior ao das últimas épocas e onde Rúben Micael é dos mais 'ameaçadores' à condição e estatuto de qualquer titular, o facto é que Moutinho é intocável e Belluschi anda lá perto, tornando muito mais turbulenta que o esperado a viagem de regresso à titularidade a quem, na época passada, chegou, viu e venceu...

in "abola.pt"

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Teodoro Fonseca: «Hulk não vai sair»

Empresário garante permanência até fim da época
 

Teodoro Fonseca, assessor do empresário de Hulk, Juan Figer, abordou esta terça-feira, em entrevista à Antena 1, o atual momento do jogador que representa. Para Teodoro Fonseca, o Incrível "pelo que está a fazer, está entre os melhores do mundo" mas garante que este "não vai sair na reabertura do mercado".

O futebol explosivo do avançado do FC Porto despertou definitivamente a cobiça dos grandes clubes europeus mas o empresário do jogador veio a terreiro tranquilizar os adeptos azuis e brancos.

"O pensamento não passa por [Hulk] se transferir. Na reabertura de mercado, não vai sair. Só se o FC Porto considerar que estamos perante uma proposta irrecusável", assegurou o agente do brasileiro.

Teodoro Fonseca sublinhou a ambição do n.º 12 dos dragões: "Hulk quer o título para o poder oferecer ao FC Porto e aos adeptos e afirmar-se na seleção brasileira. O objetivo é chegar ao fim da época com títulos."

Sobre a possibilidade de o jogador brasileiro se deixar afetar pela presença constante de emissários dos grandes clubes do velho continente, Fonseca não tem dúvidas: "Isso não mexe com ele. As propostas de clubes grandes chegaram mesmo quando estava castigado e ele continuou a fazer o seu trabalho".

in "record.pt"

Falcão mal dormiu após a goleada

Golo do colombiano no clássico foi mágico
 

O calcanhar aéreo de Falcão, que rendeu o 2.º do FC Porto na goleada ao Benfica, andou a correr o Mundo e também surge como culpado pela insónia do matador.

“Meti o calcanhar karateca”, escreveu o internacional colombiano no Twitter, já na madrugada de ontem, como resposta a um dos seus amigos nesta rede social. Isso aconteceu pouco depois do fim do jogo no Dragão, mas bem antes de o avançado ter adormecido. “Agora, depois de uma partida esgotante, quero descansar. O problema é que estou tão emocionado que o sono não chega”, confessou, sem conseguir esconder a sua satisfação pelo que tinha acabado de viver.

Foi, de facto, uma goleada histórica, que Falcão jamais irá esquecer. “Houve festa completa no Estádio do Dragão, com grande apoio dos adeptos. Retribuímos com uma grande vitória”, escreveu ainda o goleador colombiano, que somou o seu 36.º golo do ano 2010, tendo superado as suas próprias expectativas para esta partida. É que, antes do clássico, tinha deixado a promessa: “Quero dar-vos uma grande alegria e, quem sabe (?), chegar ao golo 35...”

Logo após o final da partida, El Tigre mostrou o seu lado divino: “Obrigado, Deus. A glória é toda para ti. Não sabem a alegria que estou a sentir...”

in "record.pt"

Hulk: eis o goleador prometido

o camisola 12 marca cada vez mais
 

Desde que chegou ao FC Porto, em 2008/2009, Hulk teve sempre liberdade para (re)matar. Contudo, nunca revelou a eficácia que o tem notabilizado na corrente temporada. Os golos surgem a um ritmo tal, que o Incrível até já roubou a Radamel Falcão o estatuto de goleador-mor da equipa.

Honra seja feita a Jesualdo Ferreira, que até mesmo nos piores momentos de Hulk insistiu que o brasileiro viria a tornar-se num goleador e trabalhou-o nesse sentido. Foi, portanto, uma previsão acertada, esta do professor.

Pelo lado do jogador, era o atributo que lhe faltava para que a sua cotação no mercado viesse a disparar. Agora, já todos conhecem Hulk e as suas bombas, pelo que o assédio para a sua contratação é cada vez maior.

Basta ver, por exemplo, o registo de Hulk no atual campeonato, com uma média de um golo por jogo. O camisola n.º 12 segue isolado no topo da lista dos melhores marcadores e está apenas a 3 golos de igualar a soma dos que assinou nas duas últimas edições do campeonato (13), revelando assim um crescimento notável.

Leilão aberto pelo Incrível

chelsea posiciona-se para contratar hulk
 
Hulk dinamitou o Benfica e toda a Europa viu. Foi apenas a confirmação do talento do brasileiro, por quem os grandes colossos já se posicionam.

Como ninguém vai bater a cláusula de rescisão (100 milhões de euros), iniciaram-se as movimentações para o leilão e Record sabe que o Chelsea aposta forte na contratação do avançado para a próxima época. Como o nosso jornal já escreveu, Hulk é inegociável em janeiro, mas o assédio será difícil de suster no verão.

Roman Abramovich está disposto a abrir os cordões à bolsa e Frank Arnesen, o diretor-desportivo, tem no Incrível o grande alvo para o próximo defeso. É que de Portugal continuam a chegar relatórios em abono do melhor marcador da Liga.

O Chelsea tem um olheiro a residir no norte do país, o dinamarquês Flemming Berg, homem da confiança de Arnesen e que tem passado as melhores informações sobre o momento de Hulk. As grandes exibições deste início de época dissipam quaisquer dúvidas sobre o potencial do internacional canarinho de 24 anos e os londrinos, que há muito estão na peugada, parecem convencidos.

Concorrência

Sem estatuto de comunitário e intermitente na seleção, Hulk pode ter dificuldades para entrar no mercado inglês, onde também o Manchester United o segue com atenção e há já muito tempo. É na Premiership que está o dinheiro da Europa.

Saindo da Velha Albion, só Barcelona e Real Madrid parecem ter argumentos financeiros para concorrer pelo portista. “Não posso falar sobre essas questões, mas confirmo que estivemos no Dragão. Se temos seguido Hulk? É claro”, disse a Record Narcís Juliá, antigo adjunto de Víctor Fernández na Invicta e atual secretário-técnico do Barça.

A Europa ficou boquiaberta com a exibição do Incrível diante do Benfica. O poder de explosão do brasileiro não passa despercebido e não há grande clube que não procure jogadores capazes das mudanças de velocidade que fazem a diferença no futebol atual.

De Itália viajaram grandes clubes, mas os transalpinos não têm poder financeiro para estes leilões. O Inter Milão, porém, está muito interessado. O observador do campeão europeu nem sequer pediu bilhete ao FC Porto, mas o nosso jornal sabe que houve um emissário nerazurro no clássico que terminou com 5-0.

in "record.pt"

«Samurai» Belluschi volta a golpear o Benfica: «É especial»

Médio argentino tende a brilhar nos duelos com as águias

Fernando Belluschi reinventa-se, ensaia novos passos e movimentos. O argentino maravilha com a bola e corre quilómetros sem ela. É uma das grandes figuras do F.C. Porto pensado por Villas-Boas e um dos que mais cresceu relativamente à época anterior.

Diante do Benfica, duas assistências para golos de Falcao foram a face mais visível de uma exibição soberba. A dimensão do jogo de Belluschi extravasa em muito os limites a que foi imposta no reinado de Jesualdo Ferreira.

Afinal, a que se deve este crescimento exponencial do internacional alvi-celeste?

«Mudaram muitas coisas no Porto. A começar pelo treinador, claro. Mas talvez estejamos com outra mentalidade. Há um mérito evidente do André Villas-Boas», revelou Belluschi, já depois da goleada histórica imposta ao Benfica.

«Se calhar também estou a trabalhar melhor. Creio que isso se nota em campo», acrescenta, numa espécie de mea culpa.

Atenas, Novembro de 2008: o primeiro golpe na águia

O Benfica é, de resto, uma presa recorrente de Fernando Belluschi. A primeira estocada do sabre do Samurai na águia foi há quase dois anos, em Atenas. O Olympiakos goleou o Benfica por 5-1 a 27 de Novembro de 2008 e o agora dragão fez o quarto dos helénicos, aos 44 minutos.

Já em terras lusas, Belluschi voltou a usurpar as redes encarnadas, ao fechar as contas do F.C. Porto-Benfica (3-1) do campeonato passado com um golo fantástico. Bola recebida na esquerda, Ramires pelas costas, túnel a Aimar e bomba ao ângulo superior esquerdo de Quim.

Desta feita Belluschi não marcou, é certo, mas os dois passes soberbos para Radamel Falcao confirmam uma apetência muito particular.

«É especial ganhar ao Benfica, claro», não esconde. «Um clássico é um duelo marcante, em qualquer país. Fizemos um grande jogo, embora não creia que as coisas tenham sido fáceis, pois o Benfica tem grandes jogadores. O jogo abriu-se mais com o nosso primeiro golo e aproveitámos isso na perfeição, através de transições rápidas.»

«Não se pode falar já no título»

Dez jornadas decorridas, 20 mais por disputar. Para Fernando Belluschi, o campeonato está «longe» da decisão final, apesar da «boa diferença» entre o F.C. Porto e todos os outros. «Num campeonato tão difícil como o português, não se pode falar já no título», defende o atleta, que se tem revelado a alma gémea de João Moutinho no meio-campo azul e branco.

À sombra continua Rúben Micael, outro elemento de valor inatacável. Por aqui também se prova que qualidade não falta a este F.C. Porto.

in "maisfutebol.iol.pt"

F.C. Porto: as lições britânicas do Mestre André Villas-Boas

Ex-observador é estudioso por excelência e ganhou duelo com Jesus


Villas-Boas no sábado: «Não sei se o David Luiz irá jogar a lateral esquerdo. Se acontecer, mudam comportamentos e estaremos preparados. Referimos isso mesmo hoje aos jogadores.»

Villas-Boas no domingo: «A única coisa que é importante perceber é que a adaptação do David Luiz mexeu em toda a dinâmica do Benfica. Acreditou-se demasiado num duelo, acreditando que isso resolveria tudo, e não foi isso que se passou.»

Em poucas palavras, o treinador do F.C. Porto resumiu um dos pontos-chave na goleada frente ao Benfica (5-0). No sábado, André Villas-Boas abriu os jornais e antecipou o cenário. Um dia depois, aproveitou a aposta falhada de Jorge Jesus para conduzir os dragões ao resultado histórico.

Entre sábado de manhã e domingo à noite, Villas-Boas analisou o adversário, preparou a equipa para a eventualidade e inclinou o F.C. Porto para a direita. Não só Hulk, mas também Belluschi a surgir naquele espaço, entre David Luiz e Sidnei. Por ali surgiram os três primeiros golos azuis e brancos.

O passado como observador de adversários fez-se sentir. Manteve a identidade do F.C. Porto, variando apenas o «modus operandi». Mais Hulk, sempre Hulk, e Belluschi a vir de trás, Falcao a mexer-se ao centro, Varela solto ao segundo poste. As fraquezas do adversário evidenciaram a força portista. Nesse duelo táctico com Jorge Jesus, neste clássico, foi ele o Mestre.

A recorrente influência de Robson

Aos 33 anos, completados em Outubro, André Villas-Boas é o treinador da moda. Uma Supertaça no currículo, 10 pontos de vantagem em 10 jornadas da Liga. Carreira convincente na Liga Europa. Obra do acaso? Longe disso.

A experiência acumulada na formação do F.C. Porto junta-se aos ensinamentos nos contactos com Bobby Robson e José Mourinho. Para lá da experiência prática, o jovem treinador apostou desde cedo na sua formação específica. Com 17 anos, «sir» Robson aconselhou o Reino Unidos a Villas-Boas.

«Robson ajudou-me a entrar em Lilleshall para ter as qualificações de treinador da Football Association de Inglaterra. Também ajudou-me a tirar as qualificações na Escócia. Eu era tão novo, quando comecei, que nem devia estar lá. Tirei o curso UEFA C, depois o UEFA B e, na época passada, consegui a Licença A», explicava Villas-Boas em 2004, ao jornal The Independent.

A aprender na Escócia até 2008

«Ele conseguiu a Licença B da UEFA em 1997 e continuou com a Football Association da Escócia até 2008, quando conseguiu a Licença Pro. Foi um estudante de primeira, com grande apetite de aprendizagem, mesmo sendo jovem e estando fora do seu país. Foi exemplar», garante Jim Fleeting, actual dirigente da Football Association da Escócia.

Em entrevista ao Maisfutebol, Fleeting congratula-se com os largos anos de convivência com Villas-Boas. «Estamos muito satisfeitos por termos um pequeno papel na carreira do André. Ele tem muitos amigos e fãs na Escócia, pela sua personalidade. Acredito que ele dará o seu máximo para chegar ao topo. E cá estaremos para o convidar a vir ensinar outros treinadores, no nosso curso.»

«Quando o André começou a tirar os seus cursos na FA da Escócia, eu ainda estava aqui como treinador. Lembro-me que sempre foi determinado, reservado e concentrado no seu objectivo. Colocava dúvidas e desde cedo dava as suas opiniões», recorda o dirigente escocês, falando sobre o último contacto, em 2008.

«Quando esteve cá a tirar a Licença PRO, como já era reconhecido pelos seus excelentes relatórios no Chelsea, ajudava os outros candidatos a completar tarefas. O seu método, o seu perfeccionismo sempre impressionaram.»

André Villas-Boas atingiu o nível máximo de formação em 2008. Ainda seguiu com Mourinho para Milão, mas já não conseguia esconder o desejo de aventurar-se a solo. Pegou na Académica em Novembro de 2009, chegou ao F.C. Porto em Junho de 2010. Cinco meses depois, está no topo.

in "maisfutebol.iol.pt"

Dragão sem igual na Europa


Os dez pontos de avanço que o F. C. Porto possui sobre V. Guimarães e Benfica na liderança da Liga portuguesa não têm paralelo nos principais campeonatos europeus. A vantagem actual dos dragões é a excepção à regra num cenário de equilíbrio no resto da Europa.

Nas dez melhores ligas europeias da última década (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Holanda, Portugal, Turquia, Grécia e Bélgica, por esta ordem), cujo ranking foi divulgado ontem pela Federação Internacional da História e Estatística do Futebol (IFFHS), reina o equilíbrio na luta pelas lideranças. A excepção é mesmo o campeonato português, por culpa do sensacional rendimento do F. C. Porto nas dez jornadas já disputadas, muito superior ao do rival Benfica, que já está a dez pontos de distância.

De resto, em todos os campeonatos europeus que estão em andamento, apenas na Dinamarca há uma equipa, o Copenhaga, que possui uma vantagem maior do que os dragões no topo da tabela (15 pontos sobre o segundo classificado, o Midtjylland). Na Rússia, o Zenit pode sagrar-se campeão hoje, se derrotar o CSKA de Moscovo, e nesse caso passará a ter, a três jornadas do fim da época, 11 pontos de avanço sobre o Rubin Kazan.

Em Espanha, os dois primeiros classificados (Real Madrid e Barcelona) estão separados por apenas um ponto, a exemplo do que acontece em França (Brest à frente do Rennes), na Grécia (Olympiacos é perseguido pelo Panathinaikos), na Holanda (Twente lidera com vantagem mínima sobre o PSV) e na Turquia (Trabzonspor comanda, seguido de muito perto pelo Bursaspor). Em Inglaterra, dois pontos separam Chelsea e Manchester United, tal como sucede em Itália (Lazio à frente do Milan) e na Bélgica (Genk com vantagem sobre o Gent), enquanto que, na Alemanha, são quatro os pontos que o Borússia de Dortmund tem de avanço sobre o Mainz.

Nos campeonatos pertencentes ao "top-ten" da IFFHS, o F. C. Porto possui ainda a defesa menos batida, com quatro golos sofridos em dez jornadas, menos um do que Real Madrid, Chelsea, Inter e Olympiacos, ao passo que o ataque portista (25 golos) é superado pelos do PSV (39), Genk (37), Fenerbahçe (29), Dortmund, Real Madrid e Chelsea (todos com 27), embora os dois primeiros tenham mais encontros disputados do que a equipa treinada por André Villas-Boas.

Os dragões também fazem parte do lote de clubes ainda sem derrotas nos respectivos campeonatos, partilhando esse estatuto com o Real Madrid, Manchester United, Twente e Bursaspor.

in "jn.pt"

Operação policial milionária no clássico de domingo

A operação policial montada em redor do clássico de domingo entre F. C. Porto e Benfica, que mobilizou cerca de 600 agentes dentro e fora do Estádio do Dragão, custou largos milhares de euros ao erário público.

A aparatosa operação policial, montada em redor do encontro F. C. Porto-Benfica, custou ao erário público mais uns bons milhares de euros, já que foram mobilizados cerca de 600 agentes, sem contar com os elementos da GNR presentes no trajecto do autocarro da equipa de Lisboa ao Porto.

Contactado, pelo JN, o Ministério da Administração Interna (MAI), este não especificou a verba que foi gasta com tantos agentes e meios. Recorde-se que esta mobilização geral foi precedida de várias reuniões, em que foi feita a avaliação da situação e se decidiu o número de efectivos a envolver na missão.

Os quatro grupos do Corpo de Intervenção ultrapassaram a centena, a que se somaram os "spoters" (agentes que acompanham as claques e que as conhecem bem...), os elementos "à paisana" que se misturaram com a multidão (um deles detectou o adepto, depois detido, que lançou o objecto que estilhaçou um dos vidros do autocarro benfiquista) e todos aqueles que integraram a operação de controlo das claques dos lisboetas, numa operação que, inclusivamente, envolveu um helicóptero requisitado à Protecção Civil. Além desta "máquina" policial, o F. C. Porto, como clube organizador, requisitou cerca de uma centena de polícias para auxiliarem na vigilância das entradas e saídas do jogo.

Estes agentes, que, normalmente, estão de folga, receberam cerca de 18 euros por quatro horas de serviço. Como curiosidade, refira-se que, se o seu trabalho fosse solicitado por uma empresa, receberiam mais dez euros, uma desigualdade já denunciada pelo Sindicato de Polícia. Assim, os portistas terão gasto, grosso modo, uma quantia que rondou os dois mil euros, excluído o serviço dos stewards presentes no estádio.

in "jn.pt"

Hulk passa do estatuto de "Incrível" ao de "rolo compressor"

Hulk foi a grande figura da goleada imposta pelo FC Porto ao Benfica (5-0) no "clássico" de domingo e é a principal figura da Liga Zon Sagres. O melhor marcador, o jogador mais valioso para o Sindicato de Jogadores de Futebol Profissional (SJPF) – arrecadou todos as distinções atribuídas até ao momento – e o melhor para a comunicação social, sendo o jogador com mais citações de "Melhor em Campo" para a Renascença.

Não é fácil estar na pela de um guarda-redes e ter Hulk pela frente. A potência, a técnica e a imprevisibilidade fazem com que o duelo seja dos mais duros.

Ventura, guardião emprestado pelo FC Porto ao Portimonense, treinou com Hulk e vai defrontá-lo na próxima jornada da Liga Zon Sagres. O «1» do Portimonense é claro na abordagem à "batalha" que vai manter com o brasileiro, mas tem a esperança de vencer, embora reconheça que não será fácil.

"Não é só pela potência das suas acções, mas pela qualidade que tem e pela capacidade de decisão que tem. Vai ser um duelo que espero levar de vencida, sabendo da confiança que ele tem. Está a sair-lhe tudo bem e espero poder conseguir travar um bom duelo com ele e levar de vencida", começou por dizer, em entrevista a Bola Branca.

A rapidez de execução de Hulk, na opinião de Ventura, é a maior arma do avançado do FC Porto para dificultar a acção dos defesas: "Ele é imprevisível pela potência que mete no jogo. Torna-se difícil jogar contra ele, porque com a bola nos pés é muito rápido a decidir o que vai fazer".

Ora, no domingo, no jogo com o Portimonense, Ventura espera os jogadores do FC Porto possam relaxar um pouco, depois do triunfo no "clássico", para que os algarvios tenham mais hipóteses.

O guarda-redes, que fez a pré-época com Villas Boas, não ficou surpreendido com a exibição, qual "rolo compressor", dos antigos companheiros diante do Benfica.

"Não demonstraram mais do que o que vinham a fazer neste campeonato. O FC Porto é ainda mais forte em termos colectivos e teremos que, todos juntos, tentar anular o seu colectivo. Depois da vitória com o Benfica, esperamos que não estejam tão motivados mas sim distraídos para termos mais possibilidades", considerou.

Preparado para defender tudo o que houver para defender diante do FC Porto, de forma a garantir pontos ao Portimonense, Ventura não esconde que este regresso a casa será "especial". Ainda assim: "O Portimonense tem os seus objectivos e vamos trabalhar para conquistar pontos".

Candeias falha o jogo com o FC Porto, devido a castigo. Uma situação a que o Portimonense se tem habituado nas últimas jornadas. Diferentes jogadores têm sido penalizados com cartões, encurtando as opções de Litos.

Os algarvios têm contestado as arbitragens, mas Ventura coloca água na fervura. O guarda-redes aconselha os companheiros a terem mais calma, porque a revolta que têm sentido só os tem prejudicado.

"Quando vemos jogadores nossos serem expulsos e decisões controversas, por vezes perdemos a calma porque nos sentimos injustiçados. Mas sabemos que não adianta perder o controlo porque só nos prejudica a nós", concluiu.

in "rr.pt"

Momento de forma de Falcao continua a encantar a Colômbia

Na Colômbia, as televisões estão a passar os golos que Falcao apontou ao Benfica, e o momento de forma que o ponta-de-lança atravessa alegra os adeptos colombianos, que bem necessitam na selecção de "El Tigre" com a veia goleadora que continua a exibir ao serviço dos "dragões".

"Os golos de Falcao e sobreutod a forma como os consegue, são boas notícias para a Colômbia porque a selecção precisa de um Falcao com este olfacto goleador. Esperamos que os golos que Falcao está a marcar pelo FC porto, os repita pela selecção. Os golos dão-lhe confiança e são bons indicadores para a selecção", contou o jornalista Antonio Cortez, da RCN, da Colômbia, em declarações a Bola Branca.

Os colombianos têm vibrado nas últimas horas com os dois golos de Falcão, apontados ao Benfica, em especial o golo de calcanhar na sequência de um cruzamento de Beluschi: "Todos esperamos que Falcao se consolide com golos, quando representar a selecção colombiana".

in "rr.pt"

Em apenas oito meses André Villas-Boas conseguiu passar o FC Porto do 8 para o 80

"Ele é os meus olhos e os meus ouvidos." Foi desta forma que em Junho de 2004, poucos dias depois de chegar a Londres para treinar o Chelsea, José Mourinho apresentou em entrevista ao jornal The Independent o seu colaborador mais jovem, de apenas 26 anos. Seis anos depois, em nome próprio, André Villas-Boas (AVB) diz olhar "de soslaio" para alguns elogios, mas há factos inquestionáveis: o mais jovem treinador da história do FC Porto revolucionou uma equipa que chegou a parecer moribunda na última época e já ameaça fazer melhor do que o "melhor treinador do mundo" conseguiu no primeiro ano no Dragão.

Faz hoje precisamente oito meses que o FC Porto saiu do Emirates Stadium humilhado por uma goleada contra o Arsenal por 5-0, três dias depois de Guarín ter evitado uma derrota em casa contra o Olhanense com um golo aos 94" (empate a dois). Numa equipa onde faltava Fernando (curiosamente também estava lesionado), havia Helton, Rolando, Álvaro Pereira, Varela, Falcao e Hulk. Guarín, Belluschi e Maicon estavam no banco, Sapunaru jogava por empréstimo no Rapid Bucareste, Bruno Alves e Meireles eram indiscutíveis. O resultado em Londres foi contundente, a exibição confrangedora e os portistas regressaram a Portugal afastados da Liga dos Campeões e a 11 pontos de distância do Benfica ao fim de 22 jornadas.

Oito meses depois, Março de 2010 parece fazer parte de um passado bem longínquo para os portistas. Mas o que mudou no Dragão? Os números mostram que quase nada. Dos 20 jogadores utilizados por AVB na Liga 2010-11, seis são reforços. No entanto, apenas um (Moutinho) teve um papel relevante nas 10 primeiras jornadas. Na soma dos minutos disputados por todos os jogadores, os que transitam da última temporada representam 88 por cento do total, Moutinho oito por cento e as restantes contratações uns residuais quatro por cento. O "pó mágico" no segredo do sucesso dos "azuis e brancos", que em oito meses passaram do 8 (0-5 contra o Arsenal) para o 80 (5-0 contra o Benfica), tem indiscutivelmente o nome do treinador.

Mas AVB não se distingue apenas pela forma sagaz como conseguiu transformar figuras secundárias no passado (Belluschi, Maicon, Sapunaru) em mais-valias e as estrelas em superestrelas (Hulk, Falcao, Varela). O jovem treinador fez também a diferença pela lufada de ar fresco que trouxe ao futebol português através de um discurso pouco comum no mundo do "futebolês": simples, directo e objectivo. E sem se colocar em bicos de pés. Mesmo depois de conseguir colocar no seu currículo a maior vitória de sempre do FC Porto sobre o Benfica para o campeonato, AVB elogiou o rival - "a organização do Benfica aqui não representou a sua qualidade" - e destacou a importância da restante equipa técnica - "são essenciais no meu trabalho".

Com a qualificação na Liga Europa conseguida com facilidade, apenas dois pontos perdidos em 10 jornadas de Liga - Mourinho no mesmo período, em 2002-03, perdeu seis - e 10 pontos de vantagem sobre a concorrência, o desafio agora é manter o "compromisso de ganhar" para se sentir "a fazer história". "Um treinador de 33 anos que não ganhe o campeonato no FC Porto no primeiro ano" está sujeito a "ir dar uma volta para o outro lado". AVB já pode começar a preparar a próxima época no Dragão

in "publico.pt"

Para Rui Moreira a dúvida está desfeita, o FC Porto é o melhor

Rui Moreira, colunista de A BOLA e adepto do FC Porto, afirma que depois do desfecho do clássico de ontem o campeão nacional está encontrado.

«Foi um jogo normal, não acho que o Benfica tenha facilitado, provou-se que o FC Porto tem melhor equipa que o Benfica e melhor treinador. A menos que haja uma hecatombe acho que o campeão está encontrado, até porque o braga, que eu considerava ser o nosso principal concorrente também perdeu.»
 
in "abola.pt"

Italianos voltam à carga por Fucile

Internacional uruguaio do FC Porto está desde o Verão referenciado pela Lazio, que deve concretizar proposta em Janeiro.

No último defeso, chegaram notícias de Itália a revelar o interesse da Lazio em Fucile, lateral-direito que tem contrato com o FC Porto até 2013 e que acabou por ficar no plantel azul e branco.

Agora, a imprensa transalpina relembra o interesse da Lazio e garante que o mesmo pode concretizar-se numa proposta formal na reabertura do mercado de transferências, em Janeiro. A Sampdoria também está na corrida.

in "ojogo.pt"

Melhor FC Porto da geração '3 P'


Máquina de recordes num mês. Desde que a vitória vale 3 pontos que não há melhor. Mourinho e Robson iguais, mas menos goleadores.

Campeão banalizado, campeão anunciado? Manda o bom senso reter a euforia, mas já não há pista disfarçável. Este dragão AVB tem a marca da história, e ao virar do primeiro terço da prova-rainha, não é só a margem pontual que se cava abruptamente e da forma mais brutal para os encarnados: é a constatação exacta de que, na geração dos três pontos (valor de uma vitória partir de 1995/1996), também já não há quem resista a André Villas Boas.

José Mourinho e a dupla Bobby Robson/Augusto Inácio têm a mesmíssima e fantástica marca decorrente de nove triunfos e um empate, mas o conjunto orientado pelo antigo delfim do 'special one' revela-se em amplitude muito maior e ainda mais esmagadora do que os belos conjuntos de Robson/Inácio, relembrados pela graciosidade e até espectacularidade que sustentava a eficácia, ou as máquinas de guerra do actual técnico do Real Madrid, indiferentes à estética mas capazes de levarem tudo à frente.

Como se tem escrito profusa e justificadamente, André Villas Boas montou, em menos de um mês (primeiro treino em 2 de Julho, primeiro jogo oficial 7 de Agosto), uma equipa que hoje já é, para muitos, a dominadora à distância, o campeão anunciado, a máquina dos recordes. AVB é declaradamente contra as euforias, mas o universo do dragão curva-se totalmente a uma equipa indizível, indescritível ou, até e principalmente, ainda imbatível: mistura-se a adjectivação porque, em rigor, ninguém esperava tanto em tão pouco período. Uma montagem preciosa em tempo recorde.

in "abola.pt"

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eurico. "Pinto da Costa estava sempre presente nas horas más"

Foi campeão no Benfica e no FC Porto (e no Sporting). Um defesa ao ataque


É o único jogador campeão português pelos três grandes (até repetiu o título em todos), mas, por incrível que pareça, tem outros motivos para se orgulhar. Afinal, trata-se de um homem que triunfou por conta própria e escalou uma infinidade de degraus até chegar ao topo. Vindo de Trás-os-Montes, chegou a Lisboa aos 13 anos com ideias fixas: ser jogador de futebol no Benfica. Isso, porém, não foi possível, pois a oferta do Benfica (500 escudos) era inferior ao seu ordenado como aprendiz de uma oficina de automóveis na Póvoa de Santo Adrião (2500). Arranjaram-se alternativas, como o Várzea e o Odivelas, mas o Benfica voltou à carga no ano seguinte, com quatro contos. Começou nos juvenis e entrou para os seniores em 1975, com a espinhosa missão de substituir Humberto Coelho, o grande capitão que saíra para o Paris SG. Com garra e habilidade, Eurico superou os primeiros tempos de desconfiança e, quando Humberto regressou, em 1977, já era titular indiscutível, com voz activa na equipa.

O espaço era seu e só deixou de o ser em 1979, após ruptura com a direcção. Transitou para o Sporting, onde foi campeão logo no ano seguinte, e bicampeão em 1982. Depois... bom, depois, completou o ciclo e foi fundamental no mágico FC Porto de Artur Jorge, antes de se lesionar gravemente em Agosto de 1985, após partir a perna num lance com Nunes (Benfica), na primeira jornada do campeonato nacional. Foi o seu 22.º e último clássico da carreira.

Lembra-se?

Lembro-me. Ganhámos 2-0 com golos de Juary e Gomes. No golo do Juary (4'), ainda participei nos festejos. No outro (79') já não.

Então?

Lesionei-me aos 17 minutos e foi o meu último jogo pelo FC Porto. Depois só regressaria em Setembro de 1987, pelo V. Setúbal.

Mas o que aconteceu?

O Nunes entrou de pé em riste. Quando alguém entra de maneira agressiva, nunca pensa que vai aleijar. Mas os riscos são sempre maiores. Eu afastei de carrinho e ele mete a bota por cima. Bastava que ele se encolhesse. Foi um lance evitável. Nunca fiz isso a ninguém. Nunca ataquei o adversário de pé em riste. E acredito sinceramente que não era para partir mas se estás a conduzir na estrada de olhos fechados, arriscas-te a ter problemas.

E a reacção do Nunes?

Além de nunca ter feito um telefonema que fosse, ainda fez umas declarações públicas desagradáveis, qualquer coisa como ''não tenho culpa que ele seja fraco''. Enfim, a gente do futebol sabe que o Nunes não fazia faltas ao preço do combate físico. Era ao preço da maldade. Que ele tenha saúde na vida. E eu também. Mas não há nada a fazer.

Tem mágoa?

Há mágoa, mas não me vejo perseguido por ela. Uma vez, na Luz, num lance acidental junto à linha lateral, o Marco Aurélio despacha uma bola, o Toni encolhe-se e chocam. O Marco Aurélio partiu a perna...

Então mas esse não é o jogo em que Toni começa a chorar e pede para sair, emocionado por ter participado nesse lance?

É só para tu veres o contraste.

O Eurico lesionou-se em 1985 e só voltou em 1987. Porquê tanto tempo?

O médico disse-me: "Vou fazer-te uma operação que é uma novidade. A capacidade de recuperação é metade do habitual." E deram-me oito meses. Passado esse tempo, recebo a notícia de que tenho mais oito/dez meses de lesão. Assustei-me. Marquei o melhor hospital ortopédico de Londres e procurei alguém neutro. E esse médico disse-me que a minha tíbia só conseguia suportar as cargas que a alta competição exige entre 10/12 meses. Vim de Londres desiludido. Então, por interferência de alguém próximo de mim, dirijo-me ao padre Miguel. Perguntam--me se acredito em santos e eu digo que sim. Visitei o padre Miguel e passei uma tarde com ele. Só um parêntesis: Conheces o João Gabriel? Agora director de comunicação do Benfica? Antes, ele era jornalista, e da SIC. Uma vez, fez um trabalho sobre o padre Miguel. Pronto, o padre Miguel viu-me e... ao fim de um mês e meio, estava pronto para treinar. Fiz uma radiografia e mostrei-a ao médico que me operou.

E ele?

Caiu na cadeira, redondo. Deu-me alta numa sexta-feira. E marquei um jantar no sábado, na casa de uns amigos, perto do Porto, para celebrar o meu regresso aos treinos na segunda-feira seguinte. Nessa altura, eu tinha uma empresa chamada Eurima Vinhos. De Eurico e Manuel. O meu amigo Manuel ficava em Espinho e eu como morava em Gaia levei a casa uma das nossas empregadas, que era promotora e nessa noite tinha estado em Oliveira de Azeméis. Perto da Boavista, tenho um acidente de viação. O piso estava com a chamada cacimba, era 1h45. Como saí do hospital às 4h30, assumiram essa como a hora a que eu tinha tido o acidente. No dia seguinte, já diziam que havia mulheres no carro, às tantas da noite.

Mas o que lhe aconteceu?

Bati com o queixo no volante e desmaiei. Tiraram-me para fora com o carro a arder. A senhora que ia ao meu lado partiu a perna no mesmo sítio onde eu parti no lance com o Nunes. Eu fui ao Hospital Santo António e fiz uma radiografia ao pé. Acredita que eu fiz tanta força no travão que consegui vergá-lo? E aquilo era um Mercedes 360, automático. Fiz uma fissura no osso escafóide mas isso não se viu nas radiografias. Oito dias depois, lá apareci nos treinos do FC Porto. Com a dor no pé, coxeava um pouco a correr. Dizia que tinha dores mas ninguém ligou muito. Só ao oitavo dia é que dei um murro na mesa e disse que queria que me fizessem uma outra radiografia. Ao 12.º dia já todos tinham percebido que se me têm detectado a fissura, ter-me-iam imobilizado o pé e não passava por isso.

Eu ia dizer já chega! Mas há uma outra história a respeito da sua lesão com o Nunes. Um escorpião nas suas calças de fato de treino...

É verdade. O FC Porto foi ao Canadá fazer dois jogos de fim de época em 1985. No primeiro jogo, fissurei o dedo mindinho do pé. Como percebi que fisicamente não ia dar para fazer o segundo jogo, pedi aos dirigentes do FC Porto para me deixarem ir ao Porto ter umas férias em família, até porque 20 dias depois teria de regressar ao Canadá, onde iria participar na equipa do Resto do Mundo, convocado pelo Eriksson, contra o Canadá. O FC Porto deixou-me e entreguei as minhas calças de fato de treino ao roupeiro. A coisa passou-se. Fui ao Canadá e fiz o tal jogo do Resto do Mundo. No começo da época seguinte, fomos à Corunha, de autocarro, para o Torneio Teresa Herrera, e entregaram-me o meu fato de treino. Qual não é o meu espanto quando detecto um escorpião enrolado numa folha de papel com uma oração de plástico transparente, enrolada num fio vermelho. Pensei, ''caraças, mas o que é isto?'', mas não disse nada. Nesse Teresa Herrera, perdemos a final com o Atlético Madrid com um penálti roubado pelo árbitro, feito por mim. Em toda a carreira, se eu fiz dois penáltis, foi muito... Barafustei com o árbitro e fui expulso. Dias depois, na primeira jornada do campeonato, com o Benfica, vamos para estágio na Batalha e entrego o escorpião ao roupeiro. Pergunto-lhe o que era aquilo e ele diz que nada sabe. Bem, fui a jogo. Aos 17 minutos, saio lesionado! Tenho duas conclusões: ou alguém vestiu as minhas calças de fato de treino no Canadá ou alguém meteu aquilo de propósito nas calças. Na área da parapsicologia, aquilo foi intencional. Mas não era para mim, era para alguém. Fui eu o atingido e fui eu a vítima. Se calhar, era amuleto de defesa de alguém, mas para mim foi um amuleto com alguma maldade.

A verdade é que foi bicampeão nacional nos três grandes e isso é história.

No final do século passado, o jornal "Record" fez um livro dos 100 melhores jogadores portugueses e eu estou lá. Levei aquele calhamaço ao Bobby Robson para ele assinar. Ele ainda treinava o FC Porto. Quando ele viu o que eu tinha ganho, disse-me: ''Tu é que devias assinar isto para mim. Tu, em Inglaterra, tinhas emprego para toda a vida e até uma estátua''.

E nos três grandes, outra curiosidade: sempre 89 jogos para o campeonato!

Noutro dia, num programa da RTPN, puxaram os meus dados e foi a primeira vez que percebi isso. É sinal de regularidade. De boa vida. De cumprimento profissional exemplar. E de uma mentalidade muito honesta.

Isso no Porto vale ouro. Conhecem-se histórias de detectives, sobretudo com o Futre...

O futebol é adrenalina. Um frade nunca seria jogador de futebol e um futebolista não tinha capacidade para ser frade. Sempre cumpri horários. Sempre. Agora quando me lesionei em 1985, o Octávio [Machado] andava a controlar-me para outros efeitos, que não a capacidade de trabalho. Observava-me com o intuito de me prejudicar. Quando temos fracturas ósseas é o tempo que as cura, não os tratamentos. Os médicos diziam--me para aproveitar e gozar a vida. "Não treinas mas também não precisas de ficar em casa." Assim fiz. Depois comecei a ouvir as pessoas a dizer que tinha chegado a casa às 2 ou 3 da manhã. Certo, certíssimo, mas no dia seguinte eu não ia treinar... O Futre? O Futre talvez desse trabalho aos detectives [risos].

E aos adversários também.

Claro, um fenómeno. Eu conhecia-o dos meus tempos no Sporting, porque ele era júnior e, às vezes, treinava connosco. Quando cá em cima [Porto] me perguntaram por ele, disse-lhes que era um valor seguro. Em 1984, o Sporting equacionava emprestá-lo à Académica. E o FC Porto, através de um empresário galego, foi a Lisboa e trouxe-o para o Porto. Espécie de rapto. Consentido, claro. Na quarta-feira, toda a equipa do FC Porto foi para estágio, para manter o Futre ao nosso lado e para ele assinar o contrato.

Ora aí está uma situação que o Eurico conhece bem. Saltou do Benfica para o Sporting e do Sporting para o FC Porto.

E as duas situações foram parecidas. No final dos anos 70, havia o livre direito de opção no final do contrato. Só não podíamos sair para o estrangeiro. Nantes e St. Etienne interessaram-se por mim mas o Benfica não me deixou sair. Até porque o Humberto já tinha ido para o PSG. Ok, muito bem. Então, quando os meus três anos de contrato estavam quase no fim, pedi um aumento de 15 contos por mês para renovar. Um dirigente [Romão Martins] disse-me que não, que era um jogador da casa e não acreditou na minha saída. Já tinha sido assim com o Artur - o Ruço - e o Jordão. Tive a dignidade de deixar acabar o meu contrato com o Benfica a 31 de Julho. No dia 1 de Agosto, assinei pelo Sporting.

E não houve problemas por causa disso? Pessoas na rua ou em restaurantes a incomodá-lo?

Nãããã, nada disso. Muita gente até me deu os parabéns pela frontalidade de lutar pelo meu aumento. Bastava o Benfica organizar um particular e, pronto, garantia o meu aumento de ordenado. Mas não.

E do Sporting para o FC Porto?

Foi parecido. Assinei por três anos, fui bicampeão nacional, ganhei uma Taça e uma Supertaça de Portugal. Quando chegou a hora de renovar, pedi ao João Rocha um aumento. Ele negou. Então propus-lhe ganhar o mesmo mas jogando apenas seis meses no Sporting. Nos outros quatro, ia para a América. Até já tinha equipa, os Toronto Blizzard. Naquela altura, era moda meia época em Portugal e outra meia nos EUA. O Artur, o Ruço, fazia isso. E o Eusébio também já fizera. O João Rocha disse-me que não. Outra vez. E até pediu ao treinador [Malcolm Allison] para não me pôr a jogar na final da Taça de Portugal, com o Braga [4-0]. Se é assim... Esperei que o contrato acabasse e já estava com a cabeça nos EUA, quando o Pedroto me liga. A pedir-me para ir ao Porto. No dia seguinte, já estava lá, a assinar o contrato.

Já é uma tradição portista...

Sim, o FC Porto tem feeling para negócios. Entre uma jarra de prata e outra de casquilha, eles percebem imediatamente qual é a de prata, enquanto os outros ainda estão a ver de que é feito o produto.

Então, o Eurico acompanhou o início da era Pinto da Costa.

Já aí carismático. Raramente estava connosco nas horas boas, mas estava sempre nas horas más. Havia ele e o Pedroto. Grande dupla. Uma vez, logo no meu início nas Antas, o Pedroto apresenta os prémios de jogos aos jogadores e eu digo-lhe que o Sporting e o Benfica pagavam muito melhor, sobretudo o Sporting, que pagava prémios mais valiosos que o ordenado. O Benfica já não era assim, embora os prémios fossem mais altos ainda que aqueles do FC Porto. O Pedroto fica a olhar para mim e pede-me para lhe dizer quanto é que o Sporting pagava.

E quanto era?

Já não me lembro. Naquele tempo, sim, lembrava-me. No dia seguinte, lá apareci com os valores do Sporting. Dei a folha ao Pedroto, ele reencaminhou-a ao Pinto da Costa e este dobrou os prémios do Sporting num abrir e piscar de olhos. E pronto!

...

Aquilo é uma máquina, o FC Porto! Eles também perceberam um truque do Benfica nos anos 60 e 70.

Então?

No final de cada época, o Benfica fazia as contas aos jogadores que lhes tinham roubado pontos e contratava-os. Na época seguinte, o Atlético, a CUF, o Barreirense e outros já não tinham esse ás, bem guardado pelo Benfica, que tinha um plantel de 35/40 jogadores. Os bons ficavam lá, o excedente ia rodando nos outros clubes, de confiança. E o que é que faz o FC Porto agora?

Isso é o FC Porto de Pinto da Costa.

Sim, exacto, o homem a quem eu lhe dei a minha camisola quando regressei aos relvados.

E o FC Porto de Pedroto?

Só lhe conto uma história. Lesionei-me duas vezes pelo FC Porto. Aquela de que já falámos e uma outra, em Portimão. O Rui Águas tinha uma maneira peculiar de saltar, de braços abertos. A saltar, o cotovelo dele acertou-me na cara. Partiu-me malares e maxilares. Tive de usar aparelho. Na véspera da segunda mão da meia-final da Taça das Taças, com o Aberdeen, lá na Escócia, depois de termos ganho 1-0 nas Antas, o Pedroto, numa fase inicial da convalescença, chama-me a casa e diz-me ''tens de jogar''. Eu respondo-lhe ''mas mister...'' Ele interrompe: ''Não quero que vás jogar. Só quero que estejas presente.'' E eu: ''Se você quer, dou o meu melhor.'' E joguei essa meia-final, famosa pelo golo do Vermelhinho [1-0]. E também joguei a final [perdida para a Juventus] Sempre com o aparelho nos dentes. Nem imaginas quantas vezes tiveram de me levar a papinha à boca!

Dos três grandes, onde preferiu ser campeão nacional?

No Sporting. Tem força clubística. É uma pena que agora já não seja assim. É aquele clube em que os sócios não deixam de ter um sentimento genuíno, muito próprio. E é o que tem ganho menos. Há qualquer coisa ali que devia ser estudado. Tanta grandeza, tanta força e tanta fidelidade. Falta gente com discurso e sangue à Sporting. Ao longo das décadas, o Sporting vai-se afastando dos grandes. É um clube de investimentos. Na minha altura, era um clube de vitórias. O que ainda sobrevive é a paixão dos adeptos pelo Sporting.

Depois dos três grandes, acabou a carreira em Setúbal, com duas épocas (1987-89). Ao lado de Meszaros, Jordão e Manuel Fernandes, seus companheiros no Sporting.

É verdade. Grandes amigos, grandes jogadores.

Há um golo do Jordão que circula aí como um dos mais espectaculares de sempre...

Sabes que estava a marcá-lo nesse dia [30 de Janeiro de 1983]? Eu. Antes de mais, adoro o Jordão. É um ser humano muito, muito, muito sui generis. É coerente e inteligente. Um dos meus melhores amigos do futebol. Cinco ou seis anos antes de acabar a carreira, já estava saturado do futebol. E era um predestinado. E um predestinado nunca se chateia do que gosta, mas o problema é este mundo do futebol. As pessoas e tudo aquilo que anda à volta dele. O que é que ele fez? Abandonou a carreira e orientou a sua vida pelas artes plásticas. É um homem realizado sob o ponto de vista mental.

E o golo?

Às vezes, ainda discuto com ele sobre se ele fez de propósito ou não. É uma bola cruzada, tipo centro-remate e ele antecipa-se ao defesa, que sou eu. Na antecipação, eu espero que ele controle a bola. Em vez disso, ele mete a parte lateral da bota, calcanhar, e atira à baliza do Amaral, que não tinha a mínima hipótese. Foi no topo sul do antigo Alvalade. Um golo de antologia. De museu. Esse jogo acabou 3-3 e ele marcou os três golos. Mas isso não é tudo. Havia gestos técnicos, dribles e golos nos treinos que nos faziam ficar a olhar para ele. Eu fui um privilegiado por trabalhar com ele. De verde e branco [Sporting e V. Setúbal]. E também de encarnado [Benfica e selecção nacional, no Euro-84].

in "ionline.pt"