quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

F.C. Porto: Falcao pára por gestão de esforço

Villas-Boas orientou treino sem seis jogadores



Cumprido um dia de folga, o F.C. Porto começou a preparar esta quarta-feira a recepção ao Juventude de Évora, em jogo a contar para a Taça de Portugal. Da sessão de trabalho matinal, sobra a notícia de que André Villas-Boas não conta nesta altura com seis jogadores, todos a contas com problemas físicos.

A maior novidade acabou por ser a ausência de Falcao, que fez apenas trabalho de ginásio. O colombiano parou apenas por uma questão de gestão de esforço, não estando em dúvida para o jogo de sábado. Alvaro Pereira, Fernando, Beto, Cristian Rodríguez e Varela não treinaram devido a lesões.

Por partes: Alvaro Pereira e Fernando fizeram treino condicionado, Beto, Varela e Rodriguez realizaram apenas tratamento. Recorde-se que o uruguaio é o mais recente caso clínico devido a uma mialgia de esforço que o obrigou a abandonar o jogo com o V. Setúbal. Nesta altura é o atleta que inspira menos cuidados.



Jogo entre Nacional e F.C. Porto cancelado

Particular não se realiza por causa do mau tempo


O F.C. Porto cancelou o encontro particular com o Nacional que estava agendado para esta quarta-feira, no âmbito das comemorações do centenário do clube madeirense, por causa do mau tempo.


As condições climatéricas adversas que se têm feito sentir na Madeira levaram a que o Nacional-Naval se tenha arrastado por três dias, por causa do nevoeiro, e a que o Marítimo não tenha conseguido viajar a tempo de jogar domingo com a Académica: o jogo está marcado para quarta-feira.

Em compensação, o guarda-redes Kadú (Sub-17) voltou a ser chamado ao plantel principal, ele que se afirma como uma aposta de André Villas-Boas. O F.C. Porto volta a treinar esta quinta-feira, pelas 10 horas, à porta fechada, preparando assim a recepção ao Juventude de Évora marcada para sábado às 18 horas.

in "maisfutebol.iol.pt"

TAÇA DE PORTUGAL: WILSON DAVYES APONTA AOS QUARTOS-DE-FINAL

Recuperado de uma gripe, Wilson Davyes espera dar o seu contributo à equipa já esta quarta-feira, no jogo dos oitavos-de-final da Taça de Portugal. O FC Porto Vitalis recebe o S. Bernardo, às 17h00, no Pavilhão Dragão Caixa, e o universal promete um grupo concentrado, confiante e bem preparado.

Recuperar um troféu que vem escapando
«Queremos marcar presença nos quartos-de-final. Está em jogo um troféu que nos escapa há três anos e gostaríamos de conquistá-lo esta época.»

Concentrados e sem menosprezar o adversário
«O S. Bernardo tem uma equipa jovem, com jogadores de qualidade; Tem realizado uma época irregular, mas merece todo o nosso respeito, até porque sabemos melhor do que ninguém as dificuldades que sentimos em Aveiro, à quarta jornada, numa partida que foi disputada até aos últimos instantes. Como tal, vamos entrar muito concentrados, sem menosprezar minimamente o adversário.»

Capazes de jogar contra qualquer equipa
«Somos Bicampeões e temos de fazer justiça ao nosso estatuto a cada jogo e cada treino que passa. Os nossos índices de confiança estão a aumentar, creio que estamos a atravessar um bom momento, e sentimo-nos capazes para jogar contra qualquer equipa.»

Ritmo de jogo sempre elevado
«O facto de estarmos bem preparados fisicamente permite-nos aguentar um ritmo de jogo elevado durante os 60 minutos. Quem nos consegue acompanhar, disputa o encontro até ao fim; quem não consegue, acaba por se ressentir na segunda parte.»



in "fcp.pt"

Falcao mata, Hulk esfola


Hulk e Falcao têm sido as grandes figuras do F. C. Porto desde o início da época. Numa campanha sem derrotas da equipa de André Villas-Boas, os dois avançados possuem registos idênticos: 17 golos marcados por cada um, em igual número de jogos realizados (21)


É caso para dizer que, se Falcao mata, Hulk esfola... Os internacionais colombiano e brasileiro estão a carregar o F. C. Porto às costas, sobretudo no que aos golos diz respeito, para uma temporada de grande sucesso, parecendo pouco interessados em deixar que um faça mais pela equipa do que o outro. Os números desta época são elucidativos: o "Incrível" e "El tigre" somam 17 golos cada em 21 jogos disputados até agora pelos dragões e até os minutos de utilização de ambos são bastante parecidos (1776 para Hulk,  1646 para Falcao).
Os dois avançados também falharam o mesmo número de jogos (dois), tendo o brasileiro ficado de fora, logo no início da temporada, nas partidas com o Genk (play-off da Liga Europa) e Beira-Mar (Liga portuguesa), enquanto o colombiano não participou nos encontros com o Limianos (Taça de Portugal) e Portimonense (Liga). Hulk é, à passagem da 13.ª jornada, o melhor marcador do campeonato, com 12 golos, mais cinco do que Falcao, que lidera a lista de goleadores da Liga Europa, com oito golos (sete na fase de grupos e um no play-off), mais três do que o brasileiro.
"El tigre" também já facturou na Supertaça (um golo ao Benfica) e na Taça de Portugal (um golo ao Moreirense), faltando-lhe apenas marcar na Taça da Liga para completar o pleno das competições que o F. C. Porto tem para disputar. Nos 23 jogos realizados até agora pela equipa treinada por André Villas-Boas, estando um ou outro em campo, ou os dois em simultâneo, apenas em três ocasiões não aconteceram golos de Hulk ou Falcao: nas partidas da Liga com o Nacional e com a Académica, e no encontro da Taça com o Limianos.
Os dois avançados bisaram no mesmo jogo em duas ocasiões, em casa com a U. Leiria e no clássico com o Benfica, e também já assinaram ambos um "hat-trick" na presente temporada, sempre na Liga Europa (Hulk marcou três golos na segunda mão do play-off com o Genk e Falcao fez o mesmo na semana passada, em Viena, na partida com o Rapid).
Falcao desmente Collin
Ontem, as duas estrelas  estiveram em acção fora dos relvados, por motivos diferentes. Falcao desmentiu, ao site oficial do F. C. Porto, ter dito que o lance de que resultou o golo da vitória dos dragões sobre o V. Setúbal não era passível de penálti, contrariando o defesa Collin: "Fiquei surpreendido ao ler as declarações do jogador do V. Setúbal. Não é verdade que tenha conversado com ele, nem que tenha concordado com a sua análise no lance da grande penalidade. Não falei com ele... Assim que o árbitro marcou a falta, ele reclamou comigo de forma intensa, mas não falámos sobre nada. Limitei-me a não responder à forma agressiva como se estava a dirigir a mim, portanto é mentira que tenhamos conversado".
Hulk deu uma entrevista à Rádio Lance, do Brasil, na qual sublinhou a vontade de conquistar o título perdido na época passada para o Benfica. "Faltam muitos jogos, mas temos uma boa vantagem para o segundo classificado. Queremos recuperar o título e para isso não podemos facilitar", afirmou o "incrível".

in "jn.pt"

Hulk: «Queremos recuperar o título»

BRASILEIRO DIZ ESTAR FOCADO APENAS NO FC PORTO


Hulk, uma das figuras da campeonato até ao momento, concedeu uma entrevista à Rádio Lance, do Brasil, onde sublinhou a vontade do FC Porto em conquistar o título perdido na época passada para o Benfica.
"Faltam muitos jogos, mas temos uma boa vantagem para o segundo classificado. Queremos recuperar o título e para isso não podemos facilitar", disse o avançado brasileiro, que refere também como meta a conquista da Liga Europa.
Quanto ao seu bom momento pessoal, assim como o possível interesse de outros clubes, o melhor marcador da Liga ZON Sagres respondeu de forma pragmática, referindo que está concentrado em ajudar o clube.
"Estou a ser muito falado em Portugal, mas tenho de continuar a trabalhar para ser observado e para poder estar sempre no topo. Continuo focado no Porto e espero estar bem fisicamente, pois se estiver bem posso fazer algo positivo em campo", rematou.
in "record.pt"

Jardel recorda jogo dos 7 golos

ENCONTRO COM JUVENTUDE DE ÉVORA FOI ÉPICO


Ao intervalo estava 1-0 e de penálti! António Oliveira olhou para o banco e chamou Jardel para evitar calafrios com o Juventude de Évora. Na semana em que os alentejanos regressam ao Porto, é impossível não evocar os 7 golos do Super Mário naquele 17 de dezembro de 1997 (9-1). Em Fortaleza, o avançado do Cherno More comenta o feito na 3.ª pessoa. Naturalmente. “Não tem como esquecer esse jogo. É para a história. Marcar 7 golos numa parte é obra. Só Jardel mesmo...”, disse aRecord.
Recapitulando: 3 golos de cabeça, 3 de pé direito e 1 de pé esquerdo. Todos dentro da área, 1 de penálti e outro de letra. “Parei uns instantes para pensar, idealizei, acreditei e fiz”, rebobinou no final do encontro. Hoje, recuando 13 anos, não se lembra do que lhe pediu Oliveira ao intervalo. “Fiquei no banco, foi opção do treinador. O que ele me disse quando entrei? Nunca ninguém precisou de me dizer nada. Eu simplesmente ia e marcava”, resume no estilo que é a sua imagem de marca.
Com 5 golos em 22 minutos, o fenómeno Jardel conseguiu pôr Salgado, o infeliz guarda-redes do Juventude, a menorizar o cabaz com que saiu das Antas. “É um desespero, mas no bom sentido. Ou seja, o Jardel, de facto, não dá hipóteses de marcação a ninguém”, sintetizou o eborense, ainda mais conciso no que respeita ao tal golo de letra: “Partiu-me todo.”
O brasileiro continua a garantir que foi o melhor tento da sua carreira, não acreditando que Falcão ou Hulk possam, no sábado, repetir o seu feito. “Jardel só tem um”, comenta. O desafio está lançado: quem dá mais?
in "record.pt"

Otamendi para o Mundial do Brasil

ESTÁ NAS ESCOLHAS DE SERGIO BATISTA


Nicolás Otamendi, de 22 anos, é um dos jovens argentinos apontados pelo selecionador Sergio Batista para o Mundial do Brasil. O central do FC Porto faz parte de uma lista onde constam também os nomes dos benfiquistas Jara, Gaitán e Salvio.
Depois do último jogo particular frente ao Brasil, no Qatar, Batista esteve na Europa e conversou com todos os jogadores individualmente, dando conta das suas intenções para a competição agendada para 2014. Dos casos referidos, Otamendi é o único que já tem experiência de um Mundial, tendo marcado presença na África do Sul. Com Maradona, foi utilizado a lateral-direito.
in "record.pt"

Poupanças na Taça sem correr riscos

André Villas-Boas tem aproveitado os jogos da Taça de Portugal para dar oportunidade a alguns jogadores menos utilizados e, ao mesmo tempo, oferecer descanso a outros. Foi assim com o Moreirense, mas sobretudo frente ao Limianos. No primeiro destes dois jogos, disputado no Estádio do Dragão, André Villas-Boas utilizou apenas três dos habituais titulares: Sapunaru, Hulk e Varela; no segundo, em Moreira de Cónegos, arriscou menos nas poupanças, tendo chamado ao onze inicial mais gente habituada ao lugar: Sapunaru, Rolando, Maicon, Belluschi, Moutinho, Hulk e ainda Falcao, que entrou para decidir o jogo na segunda parte. Ora bem, a partida deste sábado frente ao Juventude de Évora apresenta um grau de dificuldade teoricamente superior à recepção ao Limianos, mas substancialmente inferior ao Moreirense. Sendo assim, parece crível que André Villas-Boas volte a oferecer oportunidade a jogadores menos utilizados nos últimos tempos, como são os casos de Sereno, Souza, Castro ou até mesmo Walter, para além de James e Ukra, já referidos aqui ao lado. Estas dúvidas, no entanto, só serão desfeitas com os próximos dias de trabalho, embora também seja facilmente perceptível que existe a necessidade de fazer descansar alguns jogadores mais desgastados pelos últimos meses de competição. O jogo com o Setúbal, que se seguiu a uma desgastante visita a Viena, foi a prova disso mesmo. No entanto, o FC Porto até tem dois jogos consecutivos aparentemente fáceis: Juventude de Évora e CSKA de Sófia, pelo que André Villas-Boas deverá optar por misturar nos dois encontros que se seguem titulares com alguns dos jogadores menos utilizados.


in "ojogo.pt"

Já só falta James cumprir as promessas

Que se passa com James Rodríguez? O colombiano custou mais de cinco milhões de euros ao FC Porto, realizou uma excelente pré-temporada, apresentou bons pormenores sempre que foi a jogo, mas raramente tem sido utilizado por André Villas-Boas. A promessa de um grande jogador continua intacta e o treinador já lhe reconheceu talento, embora também lhe tenha aconselhado paciência, porque a hora é de trabalhar e esperar pelas oportunidades. Agora, para este sábado, não haverá Varela, nem tão pouco Cristian Rodríguez para a partida frente ao Juventude de Évora, sendo que a ausência de extremos pode abrir espaço para o regresso de James à competição, ele que anda afastado dos relvados desde o memorável triunfo frente ao Benfica. Até ao momento, o colombiano não realizou nem uma única partida a titular - e já lá vão 23 jogos oficiais -, nem tão pouco 90 minutos no somatório de todos os desafios em que participou. Para ser preciso, foram três partidas, 51 minutos, e sempre na condição de suplente utilizado - 22' com o Limianos, 21' frente ao Leiria e mais oito na recepção ao Benfica. Muito pouco para tão grande promessa.

Mas há muito tempo pela frente e a época nem sequer chegou a meio. A administração do FC Porto acredita no jogador, André Villas-Boas também, motivos mais do que suficientes para se recusarem a admitir um empréstimo na reabertura de mercado - e o Espanhol de Barcelona até já tentou resgatar o jogador.

No entanto, parece haver um pequeno problema para resolver. A verdade é que James Rodríguez passou a maior parte dos tais 51 minutos de competição a jogar no meio, atrás dos avançados - ou avançado - e quase sempre longe das alas. Esta constatação pode levar a outra conclusão: Villas-Boas parece com dificuldades para encontrar no colombiano as características essenciais para ocupar a posição de extremo na actual fórmula do FC Porto.
Os factos assumidos no passado recente não impedem, no entanto, que o futuro de James Rodríguez passe mesmo pelo lado esquerdo do ataque, algo que até pode acontecer já este sábado, na recepção ao Juventude de Évora, em virtude das ausências dos dois jogadores que mais vezes fazem o lugar: Varela e Cristian Rodríguez. Mas, é bom não esquecer, ainda há Hulk e Ukra...

Ukra tem sido mais aposta

A hierarquia de extremos no FC Porto parece definida há muito tempo por André Villas-Boas: há Hulk e Varela, os mais titulares, para além de Cristian Rodríguez, a primeira alternativa, surgindo logo a seguir Ukra. O extremo português tem mais minutos de competição do que James Rodríguez, tendo garantido também mais jogos esta temporada - seis contra apenas três do colombiano.

Nesta luta muito particular entre os dois extremos mais jovens do plantel, o português tem saído a ganhar nestes primeiros tempos, parecendo oferecer, actualmente, mais garantias no que diz respeito às faixas laterais do ataque portista. Ukra participou, inclusivamente, nos dois jogos já realizados esta época para a Taça de Portugal - foi mesmo titular em Moreira de Cónegos - o que até lhe poderá oferecer vantagem na escolha para o próximo sábado...

in "ojogo.pt"

Falcao: "Não falámos sobre nada"

A grande penalidade assinalada por Elmano Santo sobre Falcao gerou polémica na altura, no campo, mas continua a dar que falar fora dele, com declarações contraditórias entre os protagonistas do lance. No final do encontro, em declarações à Imprensa, Collin alegou, para sustentar a sua versão, que até Falcao lhe teria confessado que não tinha sido lance para grande penalidade. "Para mim, não há falta. O árbitro não justificou a sua decisão, mas o Falcao disse-me que não houve falta. Agora, isto é futebol e há que respeitar, porque quando o árbitro marca, não há nada a fazer", declarou Collin na zona mista a propósito do que se seguiu mal Elmano Santos apontou para a marca de grande penalidade.

Confrontado com tais declarações o colombiano reagiu ontem, desmentindo que tivesse sequer conversado com o defesa, quanto mais comentado o lance em causa. Falcao aproveitou a página do sítio oficial do FC Porto na internet para apresentar a sua versão: "Fiquei surpreendido ao ler hoje [ontem] as declarações do jogador do Setúbal. Não é verdade que tenha conversado com ele nem que tenha concordado com a sua análise no lance da grande penalidade. Não falei com ele... Assim que o árbitro marcou a falta, ele reclamou comigo de forma intensa, mas não falámos sobre nada. Limitei-me a não responder à forma agressiva como se estava a dirigir a mim, portanto é mentira que tenhamos conversado." De facto, no relvado, as imagens que se seguem ao apito do árbitro mostram Falcao, ainda no chão, virado para trás, de braços no ar, a pedir falta. Pouco depois surge Collin a dirigir-se ao avançado a esbracejar e a protestar, sem que o colombiano responda sequer, limitando-se a encolher os ombros e a abrir os braços, mas sem trocar qualquer palavra com o defesa sadino, tudo perante o olhar de Neca.

in "ojogo.pt"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

10.000 Visitas Obrigado a todos



Quando em Agosto deste ano comecei na blogosfera nunca nas minhas melhor expectativas imaginei que em 5 meses atingisse as 10.000 visitas. 
Com a crise a bater-me a porta e pela primeira vez em 20 anos de trabalho, pertenço portanto agora as estatísticas, decidi arranjar algo para me entreter ... após uma grande reflexão (5 minutos e um whisky duplo) lembrei-me de algo que já faço a muitos anos, todos os dias vasculho a net á procura de noticias sobre o meu FCP e porque não agrupa-las e partilha-las com o resto dos Portistas !?!!? e foi assim que me lancei nesta aventura.

A todos vocês o meu obrigado.

Beijos e abraços

Paulo Ungaro

Serviço mínimo aflição máxima

Sem a neve e sem o gelo de Viena, a exibição do FC Porto foi patinando à vista desarmada na segunda parte até chegar ao impensável golpe de teatro: um penálti duvidoso - tal como fora duvidoso o que, ainda na primeira, favorecera Falcao - ameaçava roubar dois pontos à liderança confortável dos portistas. Parecia castigo em forma de lição bem dada, ainda que resultasse de um somatório de asneiras: não só a suposta falta de Fucile sobre Henrique era discutível, como Elmano Santos ainda conseguiu punir com amarelo Otamendi, que nada tinha a ver com o assunto. Se o tivesse mostrado a Fucile, apoiado na certeza de que este tinha mesmo feito falta, seria a expulsão do uruguaio. Um detalhe apenas, porque o jogo entrava nos descontos, mas um equívoco a contribuir também para o final escaldante. Frio, qual frio? Jaílson lá marcou o penálti à primeira, mas falhou-o à segunda. Elmano ainda não tinha apitado quando ele enganou Helton e, na repetição, a bola saiu-lhe por cima da barra. O estádio gritou como se fosse golo. Como não foi, os três pontos acabaram no bolso do FC Porto, que esticou novamente a vantagem para oito pontos.

Este último minuto ajuda a um resumo perfeito: pode um jogo pobre ser assim tão rico em histórias? Pode, pois.

Antes de mais, não houve Villas-Boas no banco. E, a avaliar pela quantidade de vezes que Pedro Emanuel se levantou para segredar ao ouvido de Vítor Pereira as instruções vindas da bancada, ele não estava a gostar nada do que via. Provavelmente, não estaria a gostar de tamanho desperdício na primeira parte: o Setúbal, nessa altura, fazia figura de corpo presente, mas, apesar do domínio avassalador de posse de bola, não havia maneira de capitalizar essa supremacia. Por desacerto na finalização, mas também por desconcentrações pouco comuns neste FC Porto. O penálti acabou, assim, por cair do céu. Já se disse que foi duvidosa a infracção assinalada a Collin, mas Hulk não quis saber desses detalhes e marcou mesmo, reforçando o estatuto de melhor marcador do campeonato.

Ao intervalo, Manuel Fernandes deve ter aquecido as mãos num eficaz puxão de orelhas a uma equipa apática. Teve também uma boa ideia, lançando Zeca, autor do primeiro remate setubalense à baliza de Helton - aos mais distraídos, convém reforçar que já se vai na segunda parte. Subitamente, o Setúbal acordava e aproveitava a apatia portista, aparentemente resultante do desgaste físico da Liga Europa, para deixar o jogo num limbo. A vantagem do FC Porto fragilizava-se com o passar dos minutos, aumentando a sensação de desconforto. Villas-Boas, por intermédio de Vítor Pereira, ainda se socorreu de Rúben Micael e de Sapunaru para dar consistência, mas eram os setubalenses quem carregavam. Manuel Fernandes prescindira dos médios-defensivos (Bruno Gallo e François) e apostara em tudo o que era avançado. Depois de Zeca, Henrique e Sassá.

De tanto empurrar o FC Porto para trás, com lançamentos em profundidade, cantos e livres, o Setúbal lá chegou ao que parecia ser um golpe fatal. O apito de Elmano Santos gelou as bancadas do Dragão, onde estava Villas-Boas. Jaílson tratou de as aquecer novamente ao falhar o penálti.

Fica a lição: os maiores tropeções da caminhada podem resultar de obstáculos mais pequenos. O FC Porto argumentará que, além da lição, ficaram também os três pontos...


FC Porto, 1 - Setúbal, 0

in "ojogo.pt"

Vítor Pereira: "Os campeões fazem-se assim"

Qualquer um dos treinadores teria, de bom grado, dispensado a forma como o jogo se decidiu. Vítor Pereira, adjunto que substituiu André Villas-Boas, que ficou na bancada, castigado, passou ao lado da polémica relativa à arbitragem de Elmano Santos e concentrou-se no que o FC Porto fez de bom, no "espírito de equipa" que mantém a equipa líder e sem derrotas, a 90 minutos do último desafio do ano, apesar das dificuldades na segunda parte da vitória com o Setúbal.

A quebra, na ressaca de Viena, já era esperada, daí a urgência com que o FC Porto entrou à procura de golos. O que falhou foi o plural. "Foi uma primeira parte bem conseguida, em que podíamos ter feito outro resultado, em que os movimentos foram saindo com alguma qualidade. Conseguimos penetrar no último terço do adversário por diversas vezes, tivemos uns 15 remates, oportunidades para ir para o intervalo com outro resultado, a almofada de que a equipa precisava". Sem a tal vantagem confortável, o jogo ficou a favor da estratégia sadina. "Sabíamos que íamos acusar o esforço de Viena", lembrou Vítor Pereira, que assistiu, impotente, a esse efeito. "Os movimentos de construção começaram a não surgir, o jogo começou a ficar mais quebrado, também pela forma como o Setúbal se dispõe em campo", e o FC Porto entrou num "jogo de exposição", começou a "cometer erros", a "não saber gerir a posse de bola", até se ver salvo do empate pelo apito do árbitro, que Jaílson não ouviu no penálti que, à beira do fim, se viu forçado a repetir, sem o sucesso do primeiro remate. Para Vítor Pereira, a noite valeu pela resistência, pelo "espírito de sacrifício tremendo". "Os campeões fazem-se assim", referiu, no rescaldo da vitória que mantém os dragões invencíveis, a uma jornada do final de 2010. "Oito pontos de vantagem que vão retirando vantagem ao adversário, vão massacrando, é assim que temos de continuar. O FC Porto tem feito uma época excepcional. Os jogadores têm sido constantes, consistentes na qualidade do jogo, merecemos a época que estamos a fazer."

in "ojogo.pt"

Breves

Desde Agosto só dá Hulk

Antes do pontapé de saída para o FC Porto-Setúbal, o Dragão saboreou, com aplausos, o que já começa a ser um ritual desta temporada: a entrega a Hulk do troféu relativo ao melhor jogador do mês, na Liga. Desde Agosto que o avançado portista foi consecutivamente distinguido com o voto dos treinadores do primeiro escalão e dos adeptos.

Prediger deixa Cruzeiro

Prediger está de saída do Cruzeiro e o FC Porto terá de resolver o seu futuro. O médio foi emprestado ao clube brasileiro pelo FC Porto, mas nunca chegou a jogar, chegando a acordo para a rescisão do contrato que valia até 2011. O argentino deverá agora deslocar-se ao Porto para tratar do seu futuro que deverá passar por um novo empréstimo.


Valdomiro ficou com o 12

O jogo nem sempre foi tão nervoso como na segunda parte, período em que chegou a perder-se dois minutos para marcar um livre. Ao intervalo, era tudo bem mais sereno: apesar de estar a perder, o central Valdomiro trocou logo a camisola com Hulk. Levou para o balneário o número 12 do Incrível, que ainda levava, fresquinho, o suor dos festejos do 12º golo na Liga.

FC Porto: um a um

A ESTRELA: Hulk 6

Este jogo só contou para as estatísticas

Ensaiou aqueles arranques que se conhecem, sem sucesso; tentou puxar a bola para o seu pé esquerdo, sem efeitos práticos; envolveu-se em tabelinhas com Belluschi, João Moutinho e até Falcao, sem quebrar a monotonia do jogo; e sofreu faltas - algumas cirúrgicas - que serviram para evitar males maiores. No final, porém, acabou por marcar um golo. Pode-se sempre tentar desvalorizar a coisa por ter sido apontado de grande penalidade, mas até esses é preciso saber marcar. Aliás, este golo acabou por saber a três pontos e garantir uma vitória que deixa tudo como antes em termos classificativos, afastando de novo a sombra crescente do Benfica no retrovisor portista. Com isso, Hulk engrossa o pecúlio individual na lista dos melhores marcadores, aumentando para 12 os tentos apontados na liga portuguesa, e conta mais um jogo decidido à custa de um golo seu, o que o coloca a caminho de mais um prémio de Jogador do Mês... A continuar assim, o Incrível vai ter de comprar uma vitrina nova.

Helton 5
Podia ter sido ele a figura do jogo se defendesse a grande penalidade depois de não ter passado de mero espectador durante boa parte da partida. Jaílson, porém, atirou por cima. Até aí limitara-se a responder à altura das encomendas.

Fucile 6
Está ligado aos dois castigos máximos do jogo. No primeiro, faz o cruzamento para Falcao, que cai com Collin; no segundo, terá arriscado em demasia. Esteve concentrado a defender e muito empreendedor no ataque.

Rolando 6
Evitou o golo do empate do Setúbal com uma recuperação espectacular sobre Zeca (69') e resolveu sempre bem os lances na sua área de acção. Atravessa um grande momento de fora depois de uma boa exibição em Viena.

Otamendi 5
Esteve menos em jogo do que Rolando, mas sem dificuldades a assinalar, desfazendo os lances com classe. O cartão amarelo que viu na sequência do penálti... era para Fucile.

Rafa 4
Acabou por ser o pior elemento da defesa, desastrado a cruzar e sem sorte nas combinações com os extremos. O Setúbal sabia que era por ali que tinha de carregar, mas também não terá tirado daí dividendos.

Guarín 5
O Setúbal nunca foi uma equipa que pressionou, e ainda bem para ele. Alternou lances surpreendentes, como um corte na área (49'), com outros atabalhoados.

Belluschi 6
O FC Porto quase ia para intervalo em vantagem, mas a bola saiu-lhe à trave. No meio-campo, foi o que menos se ressentiu do desgaste de Viena ao envolver-se em vários lances de ataque.

João Moutinho 5
Acabou a primeira parte em grande, com muita dinâmica, procurando o jogo e fazendo jogar, até "desaparecer" no segundo tempo, pagando a factura de Viena.

Rodríguez 4
Foi um corpo estranho neste FC Porto, ensaiando jogadas sem muito nexo, perdendo-se entre os defesas. Evidenciou-se num remate colocado (53') que saiu ao lado, por pouco.

Falcao 5
Algo lento, por vezes desenquadrado, sem sorte nos ressaltos. Ontem não foi Tigre; foi mais um gatinho.

Rúben Micael 6
Entrou para resolver dois problemas: eliminar o corpo estranho da equipa (Rodríguez) e resolver o "desaparecimento" de Moutinho. Teve logo nos pés uma oportunidade (61'), mas a bola saiu ao lado.

Sapunaru 4
A entrada do romeno permitiu recompor a defesa (Fucile passou para a esquerda) numa altura em que o Setúbal estava a crescer e era preciso segurar a quantidade de avançados em campo.

Walter -
Com ele em campo, o FC Porto mudou tacticamente para segurar o Setúbal nos últimos minutos.

Rodríguez perseguido pelo azar

SAIU LESIONADO NUMA COXA


Cristian Rodríguez continua a ser perseguido pelo azar. Ontem, na noite em que fazia a sua estreia a titular neste campeonato, o extremo não conseguiu concluir o encontro em campo. Ainda antes da hora de jogo, sentou-se no relvado, em frente ao banco do FC Porto, e de lá não mais saiu. Depois de assistido, e com as lágrimas nos olhos, o internacional uruguaio teve de abandonar o terreno de jogo. Resultado: uma mialgia de esforço na coxa esquerda.
Um momento de infelicidade para Cebola, que até estava a ter uma das melhores exibições da época. Uma primeira parte ao nível do que já fez no passado e que lhe possibilitava discutir com Varela um lugar no onze para futuro. Resta saber se a lesão lhe vai permitir defrontar o Juventude de Évora, no próximo sábado, naquela que será mais uma boa oportunidade para mostrar serviço.
Mas os casos não se resumem ao uruguaio. Há mais quatro jogadores com problemas físicos, um dos quais fora das contas de Villas-Boas para o duelo da Taça de Portugal: o guarda-redes Beto. Os restantes ainda têm em aberto a possibilidade de alinhar, embora seja complicada a recuperação atempada de Alvaro Pereira, jogador que acabou a semana a efetuar trabalho condicionado.
Varela e Fernando, que se lesionaram em Viena, deverão estar em condições de defrontar a formação alentejana, embora o tempo jogue contra os atletas. Uma vez que o encontro está marcado para sábado, só há quatro dias para recuperarem.
Apesar disso, o grupo goza hoje uma folga, estando o regresso aos treinos marcado para amanhã, às 10.30, no Olival. É nessa altura que arranca a preparação para o embate com o Juventude de Évora.
in "record.pt"

Guarín evitou escudar-se no desgaste

COLOMBIANO ESPERAVA ATUAÇÃO SUPERIOR


Guarín reconheceu que não foi uma exibição conseguida por parte dos dragões, assumiu que houve algum cansaço resultante do encontro com o Rapid Viena, mas não se escudou nessa circunstância. O colombiano esperava mais da equipa.
“A condição física pode não ser a melhor, mas isso não justifica o facto de não termos jogado o nosso futebol. É verdade que estamos cansados, mas podíamos ter feito mais. Já tivemos outros jogos difíceis como este e sempre respeitámos o adversários, como o fizemos agora. Foi complicado, especialmente na parte final, mas o mais importante é que vencemos”, revelou o médio, lembrando que aquilo que ficou deste jogo foi o facto de o FC Porto ter “mantido a distância” para os perseguidores.
Relativamente aos casos polémicos da arbitragem, o camisola 6 respondeu com humildade: “Respeito sempre as decisões do árbitro. São tomadas em segundos. Deixo isso para os jornalistas.”
in "record.pt"

Villas-Boas tomou todas as decisões

CONTACTOU COM PEDRO EMANUEL VIA WALKIE-TALKIE


Uma das tiradas históricas de Jorge Jesus foi a referência às informações que recebe quando está no banco. “Estou sempre online”, dizia há uns anos. Villas-Boas, a cumprir castigo, também recorreu à tecnologia para intervir no jogo, colmatando o vazio da sua presença no banco, entregue à dupla Vítor Pereira e Pedro Emanuel.
“Escondido” na bancada, ao lado de Wil Coort, treinador dos guarda-redes, o portuense socorreu-se de um walkie-talkie para comunicar com Pedro Emanuel, munido de um auricular que lhe permitia interagir com o chefe de equipa. Um invento que fez furor na II Guerra Mundial e que ainda teve grande utilidade para mais uma batalha do FC Porto, cujo banco esteve sempre em bolandas e com Antero Henrique constantemente atento ao telemóvel, onde caíram várias mensagens que fez questão de partilhar.
Feitas as contas, Villas-Boas fez ou não falta junto ao relvado? Tem a resposta Vítor Pereira. “A presença do líder é sempre importante, não há dúvida nenhuma. Na 2.ª parte as coisas tornaram-se mais emocionais e os jogadores ouvem muito pouco, cometem erros e o jogo fica descontrolado. Se o André estivesse no banco, dificilmente seria ouvido”, comentou o adjunto, referindo-se à frase mais crítica do encontro.
Antes, a agitação tinha sido pontual. Pouco depois do quarto de hora, Vítor Pereira foi ao limite da área técnica para dar indicações, juntando-se-lhe de imediato Pedro Emanuel, que ditava as ordens superiores e fazia a ponte para a bancada. O antigo central teve sempre um bloco nas mãos, onde recolhia as impressões do técnico, que lia o jogo bem de cima. E de cima vieram as indicações das substituições, dos ajustes táticos a fazer após as substituições do V. Setúbal (viu-se o banco agitado depois dos primeiros arranques de Zeca) e dos comportamentos a pedir aos jogadores. Foi sofrer a bom sofrer.
in "record.pt"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vítor Pereira fala de cansaço, Manuel Fernandes pondera reforma

Vítor Pereira, treinador-adjunto do F.C. Porto, e Manuel Fernandes, treinador do Vitória de Setúbal, em declarações à TVI, após o jogo entre as duas equipas, que terminou com vitória dos «dragões» (1-0):


Vítor Pereira:

«Tivemos uma primeira parte bem conseguida, frente a uma equipa que praticamente abdicou de atacar. Fizemos 15 remates à baliza, o suficiente para vencer ao intervalo. Depois do esforço de Viena, mais a viagem, é compreensível que na segunda parte se sentisse alguma dificuldade do ponto de vista físico. E quando assim é, começamos a pensar mal o jogo. Foi um jogo em que uma equipa fez tudo para vencer, assumiu as despesas do princípio ao fim, e outra que esperou pela segunda parte. Só através de bolas longas e segundas bolas é que criaram perigo.»

«Não digo nada sobre o árbitro. Aquilo que tenho de enaltecer é o espírito de sacrifício. Os campeões fazem-se assim. São oito pontos de vantagem sobre o rival mais directo, que lhe vão retirando confiança. É natural termos alguns jogos mais bem conseguidos, e outros menos conseguidos. Pagámos a factura de um jogo tremendo que fizemos em Viena.» 

Manuel Fernandes:

«Não compreendo nada. É uma tristeza. O futebol é isto mesmo. Os meus jogadores não mereciam. Ouvi os adeptos do F.C. Porto chamar gatuno ao árbitro, e talvez tenham razão, mas não é por beneficiar o Vitória, de certeza. Os meus jogadores foram rigorosos, sabiam que iam jogar contra a melhor equipa de Portugal. Não nos deixaram retardar mais o golo do F.C. Porto. Já fomos prejudicados mais do que uma vez. Posso ser castigado, mas o árbitro teve um dia mau. Nós, jogadores e treinadores, também temos. Foi triste o que vi aqui. Tenho mais dois anos de contrato com o Vitória, e depois vou pensar se vale a pena continuar no futebol.»


in "mISFUTEBOL.IOL.PT"

F.C. Porto-V. Setúbal, 1-0 (crónica)

Líder escapou ao castigo máximo numa noite de dolce fare niente



Dolce fare niente, o F.C. Porto de pijama e pantufas numa noite caseira, um visitante chato que ameaçou estragar a noite. Os dragões contentaram-se com uma refeição ligeira, entrega ao domicílio, sem imaginar o risco de indigestão. Hulk marcou o seu castigo máximo (1-0), Jaílson atirou para o céu e motivou o maior festejo da noite.

O Vitória esteve em jogo até ao final, não quebrou com uma grande penalidade duvidosa e espreitou o empate com outra. Elmano Santos mandou o sadino repetir, à segunda nem acertou na baliza, Jaílson disparatou e o Dragão, cansado pela noite europeia, agradeceu. 

As trombas de água desde início de Dezembro puxam para o aconchego, lareira acesa, chocolate quente, dormência sob um longo cobertor. Os adeptos do F.C. Porto trocaram o estádio pelo sofá. O líder da Liga sentiu-se tentado a fazer o mesmo.

O V. Setúbal lançou o engodo. Com jogo lento, repleto de trocas de bola, passes curtos a aconselhar uma desaceleração generalizada. Algo com o cobertor que nos envolve, desaconselha movimentos bruscos, promete levar-nos pela noite fora, sem sobressaltos, com contínua sensação de conforto.

Chegar a casa para o conforto

À meia-hora, os homens de André Villas-Boas pareciam convencidos. O Vitória atacava pouco ou nada, recebia a bola e circulava sem subir, perdia a bola e fechava-se em concha, muitas pernas pelo caminho dos dragões, iniciativa dada para movimentos simples e inconsequentes.

O F.C. Porto, que até chegara a casa com entusiasmo, deixou-se vencer pela inércia e acomodou-se. Ocupou o sofá e limitou-se a esperar, a longa espera por um momento de real entusiasmo numa noite fria. 

Rodriguez, esforçado, viu Diego voar para lhe negar um golo feito. Antes, já o redes do Vitória defendera uma bola de Sapunaru. Depois, outra de Guarín. E mais outra de Moutinho, cada vez maior.

Tudo isto, compilado, parece suficiente. 19 mil almas, numa das piores assistências do Dragão, esperavam mais. Esperaram, esperaram, foram esperando até ao minuto 40, quando a trave devolveu o remate de Belluschi e anunciou o golo inaugural.

Escrever certo por linhas tortas

O F.C. Porto escreveu certo por linhas tortas. Não acreditou na lesão de Bruno Gallo e subiu pelo flanco direito, apesar de contínuos apelos para colocar a bola fora. Fucile chegou onde queria e cruzou para a área, onde Collin embrulhou-se com Falcao e viu Elmano Santos apontar para a marcar.

Dúvidas no castigo máximo, muitas dúvidas, que nem a fidedigna televisão permite esclarecer. O árbitro, bem colocado por sinal, não hesitou. Hulk, o goleador-mor da Liga, também não. O bravo Diego, belo guarda-redes, esticou-se sem evitar a desvantagem sadina.

Zeca a ameaçar o final do filme

O Vitória regressou das cabines com «score» negativo e cara nova: Gallo estava mesmo lesionado e ficou no banho. Zeca entrou para dar o primeiro aviso a Helton: acabara-se a noite de tréguas. Cristian Rodriguez ainda ameaçou o 2-0 antes de quebrar, Pitbull provou que foi incompreendido com uma exibição ameaçadora. 

Com hora de jogo, ninguém garantia o final do filme. O F.C. Porto aceitava humildemente defender, como a equipa sadina fizera durante largos períodos. 20 remates depois, vantagem mínima no marcador. 

André Villas-Boas, algures na bancada do Dragão a cumprir castigo, repetia a mensagem: é preciso vencer até ao Natal. A cada aviso do Vitória, o Porto levanta-se do sofá. Abria a pestana sem acordar de vez. Adormeceu antes do tempo e arriscou. Arriscou demasiado, vendo Elmano Santos descortinar mais um castigo pouco consensual.



in "maisfutebol.iol.pt"

F.C. Porto-V. Setúbal, 1-0 (destaques)

João Moutinho, um utilitário de alma acoplada



João Moutinho, alma utilitária
Pormenor soberbo a meio da primeira parte. Bola protegida, rodopio e toque de calcanhar a servir Emídio Rafael. Prova inequívoca de confiança, coragem e, acima de tudo, qualidade. Primeira parte excelente, intensa, contagiante. Menos participativo na etapa complementar, ainda que sempre útil. Perto do golo aos 29 minutos, a obrigar Diego a uma defesa para canto num remate de longe. Pés de veludo, visão panorâmica, cabeça sempre erguida.

Hulk, genial e confuso
Noite de definição ambígua. Fez um golo de penalty, pulverizou os adversários em arrancadas portentosas, mas aproximou-se demasiadas vezes daquele Hulk complicativo e irritante. Aquele que o assolava antes de se tornar o jogador brutal que conhecemos. Fica, por isso, a nota a um comportamento oscilante, confuso, ainda que pincelado por traços de genialidade. Desastrado a rematar.

Cristián Rodríguez, sorte severa
Época severa para o uruguaio. Demasiado severa. Na estreia a titular para o campeonato, uma nova lesão muscular interrompeu abruptamente uma prestação com muitos pontos de interesse. Adivinha-se mais uma paragem longa. Entendimento harmonioso com Emídio Rafael. Recepção, passe, movimentação e recepção. Dois bons pontapés de longe, um cabeceamento a merecer golo e três ou quatro passes falhados direitinhos à impaciência dos adeptos. É o momento mais negro desde a sua chegada ao F.C. Porto.

Collin, poder sadino
O auto-elogio saiu-lhe naturalmente: tenho valor para jogar no F.C. Porto. Talvez tenha. Corpulento, intimidador, concentrado no corte e poderoso nas bolas pelo ar. Decisivo na anulação de alguns ensaios ofensivos do dragão. Regressa a Setúbal certamente mais convencido daquilo que afirmara antes do jogo.

Diego, instantes heróicos
Um dos melhores em campo, claramente. Uma, duas, três, quatro defesas tremendas e de elevado grau de dificuldade. Dois voos absolutamente heróicos a sacudir para canto o golo que se anunciava. O Vitória tem uma das defesas menos batidas da Liga. Percebe-se porquê.

Cláudio Pitbull, pronto a morder
Desaproveitado no F.C. Porto, faz questão de mostrar o que vale quando defronta os dragões. Demonstrou categoria e muito saber. Tranquilo com a bola nos pés, ambicioso na hora do remate, esteve sempre perto de morder a baliza de Helton.

Otamendi e Emídio Rafael, notas soltas
Sem Maicon e Alvaro Pereira, o argentino e o jovem português ganham espaço na defesa. Otamendi esteve muito regular, jogou simples, impôs a sua velocidade e o poder de antecipação. Convenceu, uma vez mais, apesar do penalty cometido perto do fim. Rafa nem por isso. A este nível um lateral não pode falhar tantos passes. Não terá sido à toa que Villas-Boas o substituiu na fase derradeira. Tem grande qualidade, criou desequilíbrios na defesa sadina com subidas exemplares, entendeu-se bem com Rodríguez mas, lá está, entregou a bola erradamente vezes a mais.