domingo, 26 de fevereiro de 2012

F.C. Porto-Feirense, 2-0 (crónica)

Campeão volta a ser líder depois de acabar com a noite heróica de Paulo Lopes


Sessenta e oito minutos. Foi este o tempo que o F.C. Porto precisou que agarrar de novo o primeiro lugar na Liga. Mais de duas horas e meia: o tempo necessário para marcar o primeiro golo ao Feirense esta temporada. E, já agora, para cima de quatro horas: o tempo que Paulo Lopes conseguiu manter a sua baliza inviolável no Estádio do Dragão.

A história deste encontro tem no guardião do Feirense um protagonista inevitável. Paulo Lopes foi uma muralha entre o F.C. Porto e o primeiro lugar que a equipa de Vítor Pereira teve muita dificuldade para escalar. Deu seguimento ao que vinha a fazer: em dois jogos, nenhum golo sofrido na casa portista. Esta noite foi enorme. Enquanto deu...

Mesmo elogiando a organização da turma de Quim Machado, que, como prometido, deixou o autocarro na garagem, é preciso perceber que o arrastar do jogo em muito se deveu a uma atitude errónea e demasiado passiva na primeira parte. Foram maus os 45 minutos inaugurais do F.C. Porto. Quem quer ser campeão tem de mostrar mais. 

No fundo, o jogo não fugiu à regra do que têm sido as prestações do F.C. Porto no seu reduto, esta época. Quase nunca fica tudo decidido cedo. Este foi apenas mais um. Quem gosta de suspense pode marcar lugar anual no Dragão que talvez não se arrependa. 

O estranho caso de Paulo Lopes

Vítor Pereira apostou no onze esperado. Voltou a dar a titularidade a Varela, mas o português, pouco depois de atirar ao lado a primeira oportunidade portista, lesionou-se e deu o lugar a James. O colombiano demorou a abrir o livro, mas, no segundo tempo foi decisivo. 

O Feirense foi dando sempre que fazer. Mesmo com o público a reclamar das constantes quedas e assistências médicas, a estratégia dos homens de Quim Machado foi muito mais do que jogar com o relógio. Houve pressão, algum atrevimento e solidez defensiva. 

Quando a muralha rachava, aparecia Paulo Lopes a emenda-la. Tremenda a exibição do guardião, um dos bons valores desta Liga que parece nunca ter tido o reconhecimento devido. 

A defesa ao livre de Hulk, na primeira parte, foi a primeira de uma sequência que levou o Dragão a um completo estado de nervos. No mesmo período, ainda evitou que James festejasse e no segundo tempo, até ao golo, deu um festival. Tapou o caminho a Lucho, num lance em que o argentino até estava em fora de jogo; evitou que Janko marcasse pelo quarto jogo consecutivo; defendeu um remate de James de fora da área e ainda a recarga de Janko. E, claro, parou um penalty. 

Quando Luciano agarrou o isolado Janko dentro da área parecia aberto o caminho da baliza fogaceira. Ilusão, apenas. Hulk atirou colocado, Paulo Lopes foi ao solo segurar o nulo. 

«Apaguem as luzes!»

Nesta fase o F.C. Porto, diga-se, já massacrava. A expulsão de Luciano, no penalty, expunha ainda mais a linha defensiva do Feirense. Mas havia Paulo Lopes, lá está, capaz de contrariar qualquer sentido lógico. Não ficou assim tão longe. 

Chegou, então, aquele minuto 68. Um livre de James descobriu a cabeça de Maicon que abriu finalmente o ferrolho. Respirava fundo o Dragão, que pouco depois, na melhor jogada coletiva do encontro, viu James dizer: ponto final. Excecional a ação de Lucho que já antes tinha enviado uma bomba à trave. A esmagadora maioria dos jogadores de futebol teria assistido Janko, nesse lance. O argentino, que pisa caminhos menos prováveis, deu a bola a James, que finalizou. 

Depois de muitos nervos, o F.C. Porto resolvia o jogo em quatro minutos e voltava à liderança do campeonato. Tem os mesmos pontos do Benfica, mas vantagem na diferença de golos. «Apaguem as luzes!» gritaram em provocação os adeptos portistas nas bancadas, dando o mote para o reencontro com o Benfica, na próxima ronda.

Chega à Luz como líder o campeão nacional. Cenário muito improvável há oito dias. Cenário real, com culpas dividas entre os dois candidatos. O Clássico promete parar o país. Mas ficou menos decisivo.

in "maisfutebol.iol.pt"

2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Uma boa casa, 34.229 espectadores, assistiram ao regresso do F.C.Porto à liderança do campeonato, Liga Zon Sagres, quando vamos entrar no último terço da prova, quando muitos já apregoavam que o vencedor estava encontrado e não era o clube da Invicta... Mas não foi fácil lá chegar. Foi preciso sofrer mais do que o esperado, por culpas, muitas, do Campeão e mérito do Feirense, principalmente, do seu inspirado guarda-redes. Quando falo em culpas do Campeão, refiro-me, obviamente, à péssima primeira-parte da equipa treinada por Vítor Pereira.
O F.C.Porto dos primeiros 45 minutos parecia uma equipa inexperiente, pouco habituada a liderar e que perante a possibilidade de chegar ao topo da classificação, ficou tolhida de ansiedade, paralisada, incapaz de jogar. Foram tantos os passes errados, tantas bolas perdidas, tantas jogadas inconsequentes, que o público reagiu e assobiou.

Na segunda-parte tudo foi diferente e para muito melhor. Entrando forte, mais rápida a recuperar, a trocar e a soltar a bola, a equipa portista esteve mais esclarecida, melhor organizada, procurou e conseguiu dar mais largura ao seu jogo, encostou o Feirense lá atrás e foi criando situações de golo que Paulo Lopes foi evitando como pôde. O domínio era total, só dava Porto, o Feirense já não saía, o golo adivinhava-se. Adivinhava-se, era justo e podia ter acontecido ao minuto 13, quando Hulk falhou uma grande penalidade a castigar a falta de Luciano, que foi expulso, sobre Janko - falarei deste lance mais lá para a frente... Mas Hulk, que não esteve nos seus melhores dias, falhou e o teimoso zero a zero manteve-se.
Manteve-se a igualdade, mas também se manteve tudo o que de bom a equipa portista vinha fazendo. Com a equipa da Feira só preocupada em defender e menos um homem, Vítor Pereira, bem, tirou Sapunaru, pouco profundo e meteu Djalma. Com o angolano, que entrou muito bem no jogo, o futebol do Campeão ganhou dois flancos, maior largura, tornou-se, se é possível dizê-lo, mais perigoso. Como corolário, uffa, golo de Maicon e Porto na frente do marcador e do campeonato. Passados 5 minutos, James aumentou a vantagem, o resultado ficou decidido, a vitória e a liderança garantidas
Concluindo: má, muito má, primeira-parte. Segunda-parte bom nível. Vitória justíssima, cristalina, que só peca por escassa - merecíamos mais dois ou três golos. Estamos em primeiro lugar, na luta pelo título e com bons níveis de confiança. Mas atenção, não podemos repetir exibições como a dos 45 minutos iniciais da partida de hoje.

Notas finais:
Maicon foi um gigante, tem sido o jogador mais regular do F.C.Porto em 2011/2012. Na época passada, eu incluído, poucos davam alguma coisa pelo jovem defesa brasileiro - irregular, desconcentrado, erros comprometedores... Valeu a teimosia de Vítor Pereira e hoje Maicon está muito mais jogador, um jogador fiável, melhor a central, mas capaz de jogar a lateral, sem comprometer.

Janko estava sozinho dentro da área, bem enquadrado com a baliza, tendo só o guarda-redes pela frente, em posição privilegiada para fazer golo. Foi derrubado por trás por Luciano, de forma clara e que não deixa dúvidas. Penalty e expulsão sem margem para discussão, Feirense a jogar com 10. Mérito do F.C.Porto, que construiu uma jogada que deixou o seu ponta-de-lança na cara de Paulo Lopes. Ouvindo alguns, repisaram até à exaustão que a equipa da Feira jogou com menos um, até parece que o árbitro errou, a saída do jogador do Feirense foi obra e graça do Espírito Santo. Não, foi por obra e graça dos jogadores do F.C.Porto e ao falar-se sempre da expulsão, está a ser-se injusto e de alguma forma, tirar mérito à vitória portista. E que dizer dos responsáveis do clube aveirense? Queixam-se de quê?

Abraço

Rui Anjos (Dragaopentacampeao) disse...

Mais um jogo de um Porto de duas faces, como já vem sendo hábito. O primeiro de futebol pastoso, pausado e inconsequente. Ainda assim, com duas ou três boas oportunidades falhadas pela pouca acutilância dos rematadores portista e o brilhantismo do guardião Feirense.

O segundo (da segunda parte)já mais próximo de uma equipa com ambições. Futebol mais incisivo, esclarecido e perigoso. As oportunidades sucederam-se em catadupa e os golos apareceram inevitavelmente.

Custa a perceber este tipo de exibições. Os jogadores têm classe, são capazes de ultrapassar quaisquer obstáculos, mas a auto-confiança parece funcionar intermitentemente. Dá a ideia que o treinador não lhes consegue insuflar a dose certa de força anímica.

O Campeonato começa a caminhar para o seu epílogo, altura em que vai ser necessário, mais que nunca, essa força.

Um abraço