terça-feira, 22 de maio de 2012

Pinto da Costa: "Os contratos não se rasgem, renovam-se"

Pinto da Costa marcou presença no 12º aniversário da Casa do FC Porto de Espinho e no discurso da praxe fez um balanço da temporada, mas começou por elogiar Vítor Pereira, um homem da casa. "É sempre especial vir a Espinho por causa de grandes espinhenses que se dedicaram ao FC Porto. Este ano tenho um motivo ainda maior e tocou-me profundamente ver o dragão espinhense Vítor Pereira ser homenageado pelas pessoas da sua terra. Costuma dizer-se que santos da terra não fazem milagres, mas Espinho é diferente: abre as portas do município ao FC Porto, homenageia os filhos da terra que se distinguem e mostra um grande sentido de solidariedade", referiu, dirigindo-se em seguida ao treinador. "Vítor, sei desde a primeira hora como foi difícil esta época, sei o que foi pegar num conjunto de jogadores que tinham ganho tudo e que pensavam que eram os melhores do mundo. Não são, embora sejam muito bons. Houve constantemente notícias a tentar desestabilizar. Ainda hoje [ontem] li os títulos de dois jornais e um punha o Manuel Fernandes no FC Porto, não sei se aquele que jogou no Sporting, se o que esteve em Espanha; e o outro vendeu-nos o Miguel Lopes. Dinheiro e propostas ainda não vi. Sabemos o que querem e que queriam que nós fizéssemos, mas não fazemos porque quando escolhemos é com critério, rigor e cuidado. E quando assinamos contratos não são para rasgar, mas para renovar. É o que temos feito e continuaremos a fazer", atirou, dando a entender que Vítor Pereira poderá ser convidado a prolongar o contrato com os dragões.
Depois, Pinto da Costa passou ao ataque. "Foi uma época difícil e quem não fosse ao futebol nem visse televisão ficaria confundido ao ver o FC Porto campeão com seis pontos de avanço. Tivemos um campeonato que até meia dúzia de jornadas do final foi extremamente competitivo, com três que podiam ganhar. Não se via melhor na Europa. Mas depois fomos à Luz, desta vez não foi preciso apagá-la, mas apenas vencer e o campeonato deixou de ser fantástico. Era de segunda categoria com jogadores fracos, treinadores medíocres. E quem lesse alguns jornais a falar das nossas exibições ficaria apreensivo se não iríamos descer de divisão. Este era o melhor Benfica dos últimos 28 anos com nota artística elevada. Pensávamos que já não valia a pena jogar, mas quando se tem um treinador competente, sério e determinado, quando se tem um conjunto de jogadores de grande valor e solidariedade, vale a pena chegar ao fim ganhar e dizer-lhes 'sois muito ridículos'", frisou, continuando com a ironia. "Ainda bem que é assim. O nosso treinador durante o ano deixou de o ser, ele até já me tinha dito que se ia embora e eu já andava à procura de treinador, já tinha ido ao presépio escolher o treinador... mas continuamos firmes no nosso destino de vencer. E faço votos para que daqui a um ano continuem com essa estretégia que nós cá estamos a trabalhar com rigor, competência e paixão. Em 30 anos o FC Porto venceu 308 títulos e na quarta-feira, se Deus quiser, venceremos o campeonato que ontem esteve para ser conquistado mas faltou a Luz. É deixá-los falar", acrescentou, fazendo questão de dizer que no FC Porto ninguém ganha nada sozinho. "Se não tivesse a colaboração da minha administração, da direção e do departamento de futebol nas pessoas do Reinaldo Teles e do Antero Henrique, garanto-vos que não teríamos tantas vitórias", concluiu. 

"Vozes de burro não chegam à UEFA"

Pinto da Costa fez questão de falar de arbitragens, uma vez mais para criticar a estratégia dos adversários. "Vemos programas televisivos e entrevistas estratégicas a culpar os árbitros. O Pedro Proença foi constantemente castigado e quem não visse futebol pensava que era o pior árbitro da Europa, mas depois a UEFA, quando tem de escolher o melhor para a final da Liga dos Campeões, elege esse que fui zurzido a toda a hora. Só chego a uma conclusão: vozes de burro não chegam à UEFA", atirou. 

Pinto da Costa, "o rei Midas do futebol europeu"

Pinto Moreira, presidente da Câmara local, mostrou-se honrado por receber Pinto da Costa. "Uma personalidade que marca o presente, marcou o passado e marcará o futuro, não só do FC Porto como de Portugal", começou por dizer, acrescentado mais elogios. "Um site espanhol utilizou um epíteto muito feliz referindo-se a Pinto da Costa como o rei Midas do futebol europeu porque transformou o FC Porto no maior e no melhor clube português. Um exemplo também para políticos e autarcas pela capacidade de trabalho e dedicação", atirou enquanto Pinto da Costa aproveitava a deixa para tocar no microfone do Porto Canal.
Pinto Moreira recordou ainda o seu passado na escola e não esqueceu Vítor Pereira. "Na primária era gozado por ser do FC Porto, mas entretanto já o vi ganhar tudo. Só falta aquela taça da cerveja que não interessa para nada e já retribuí o gozo aos benfiquistas. Mas uns títulos são mais especiais do que outros e este foi muito especial porque nele participou um treinador nascido, criado e que vive em Espinho", atirou. 

Espinho parou para o presidente passar

Pinto da Costa presidiu às comemorações do 12º aniversário da Casa do FC Porto de Espinho que arrancaram com uma receção na Câmara Municipal. "É uma honra estar nos Paços do Concelho, o que acontece de Norte a Sul, de um modo geral, e em Espinho pela primeira vez", referiu, aproveitando para mais uma crítica implícita a Rui Rio. "Lembro-me da história da mãe que foi ao juramento de bandeira do filho e achou que ele era o único que marchava direito e os outro todos estavam mal. Também alguém da cidade do Porto pensa que tem o passo certo e se tem alheado dos feitos do clube. Ainda ontem, quase à uma da manhã, o presidente da Câmara de Coimbra ficou à espera de receber a equipa que brilhantemente venceu a Taça de Portugal em Lisboa. Ele estava com o passo certo", atirou.
Pinto da Costa atravessou depois, a pé e em cortejo com centenas de adeptos, a Rua 19, até chegar às instalações da Casa do FC Porto de Espinho. Seguiu-se o jantar-convívio no casino da cidade. Foi lá que Vítor Pereira se juntou para ser homenageado. Antes, porém, foi guardado um momento simbólico em recordação de Júlio Lemos, o antigo presidente da delegação portista e que faleceu no início do ano. Vítor Baía, Vítor Hugo, Manuela Aguiar, Frasco e Eduardo Luís, entre outras figuras, também estiveram presentes. 

Prémio para Vítor Pereira

Para Vítor Pereira, as últimas semanas têm sido de festa, mas também de emoções. O treinador voltou a senti-lo ontem e a homenagem que mereceu fê-lo recordar o percurso que trilhou até ser campeão pelo FC Porto. Por isso, foi com sentimento que comentou esta celebração... em casa. "Cresci nesta terra e este foi um trajeto de muita luta, muita entrega. Lembro-me do que ficou para trás, uma infância feliz mas difícil. Recordo o que passei, as pessoas que gostaria que aqui estivessem e não estão", registou com emoção e reagindo à vontade do presidente da autarquia em homenageá-lo: "Nasci numa família humilde, numa zona de Espinho humilde. A minha força interior veio dessas raízes. Com trabalho, dedicação e competência, consegue-se chegar onde se sonha." Por ter sonhado onde chegou, o presidente da Câmara de Espinho vai propor, dia 16 de junho, que seja atribuído ao treinador o título de reconhecimento público. 

in "ojogo.pt"



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