sexta-feira, 29 de março de 2013

Volante do Porto busca usar fama pelos desarmes para chegar à seleção brasileira


Em entrevista ao iG, Fernando pede paciência aos palmeirenses com ex-companheiro e coloca o meia Alex como adversário mais difícil que já teve



David Ramos/Getty Images
Fernando, volante do Porto

Em 2007, Fernando tinha apenas 19 anos quando deixou o Vila Nova para acertar com o Porto. Trocou o time goiano, que disputava a terceira divisão nacional, para se juntar ao então campeão português. O processo de adaptação à nova situação profissional não foi fácil e incluiu uma temporada de empréstimo ao Estrela Amadora, mas aconteceu. Hoje, aos 25 anos, o volante não só é titular absoluto do Porto como é chamado de polvo pelos torcedores, em uma demonstração de reconhecimento ao que faz dentro de campo.
O apelido nasceu durante a partida de volta do Porto contra o Manchester United pelas quartas de final da Liga dos Campeões de 2009. O placar de 2 a 2 em Old Trafford, casa do adversário, não foi suficiente para evitar a eliminação dos portugueses. Mas o desempenho de Fernando contra o ataque inglês naquele jogo não passou batido.
“Fui muito bem naquele jogo, marquei bastante e roubei muitas bolas”, lembrou Fernando, em entrevista ao iG . “A torcida começou a me chamar de polvo exatamente por causa desses roubos de bola. Eles diziam que parecia que eu tinha muitas pernas e que estava em todos os lugares do campo. Isso me deixou bastante feliz”, completou.
O fato de hoje ser reconhecido pela capacidade de marcar mostra o quanto as coisas mudaram na carreira de Fernando. No início, ele era meia. Virou primeiro volante nas mãos de Nelson Rodrigues, técnico da seleção sub 20 em 2007, pouco antes de ir para Portugal. “No começo foi difícil. Sempre gostei de sair para o jogo e tentar fazer gols. Mas isso foi mudando e hoje sou feliz na minha função”, afirmou.

AP
Fernando disputa a bola com Ibrahimovic durante jogo do Porto contra o PSG pela Liga dos Campeões

A ida logo aos 19 anos para o futebol europeu, a temporada de empréstimo ao Estrela Amadora, o apelido que ganhou da torcida do Porto, a mudança de posição dentro de campo. Sempre que Fernando se recorda de uma etapa da carreira ou de uma decisão que tomou, a palavra “feliz” aparece. O que mais falta? Qual o próximo objetivo?
“Agora, é seleção brasileira”, respondeu. “Acho que nunca tive uma possibilidade real de ser chamado. Aqui no Porto, as pessoas me falam muito que serei convocado a qualquer hora porque elas estão sempre me vendo jogar, mas isso não acontece no Brasil. O que tenho a fazer é continuar trabalhando para ser observado e essa chance aparecer.”
Adversário mais difícil 
No jogo em que ganhou o apelido de “polvo”, o Manchester United ainda contava com o Cristiano Ronaldo, que se transferiu para o Real Madrid ao final daquela temporada. O português, no entanto, não é colocado por Fernando como o jogador mais difícil que já teve de marcar até hoje.

“Ronaldo é um dos grandes jogadores do mundo. Rooney também foi bem difícil de encarar. Mas o adversário contra o qual eu mais tive dificuldades foi o Alex (meia que hoje defende o Coritiba), pela qualidade e também pela admiração que sempre tive por ele”, disse o volante.
Esse duelo entre os dois aconteceu no dia 17 de setembrio de 2008, quando o Porto recebeu a visita do Fenerbahce, da Turquia, na primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Foi também a estreia de Fernando na competição continental. A partida terminou com vitória por 3 a 1 dos portugueses.
Paciência, torcida palmeirense 
No Porto, Fernando foi companheiro de uma das caras novas do elenco do Palmeiras para 2013. Trata-se do atacante Kleber, que ainda não balançou as redes desde que chegou ao Palestra Itália. O volante, que diz acompanhar bastante o futebol brasileiro, acredita que a fase ruim do ex-colega logo vai passar e pede paciência à torcida palmeirense.

“Aqui no Porto, ele jogava muito bem e fazia gols. No Palmeiras, as bolas não chegam para ele. Tirando aquele lance na Libertadores (na derrota por 1 a 0 para o Tigre na Argentina), não apareceram mais chances claras. O Palmeiras joga com quatro volantes, não tem um meia para armar as jogadas. Quando ele tiver a chance, vai fazer gol. A torcida do Palmeiras pode confiar”, declarou.

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