segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Taça de Portugal: Moreirense-F.C. Porto, 0-1 (crónica)

«El Tigre» viu a luz num jogo de muito suor

Litros de suor depois, o F.C. Porto selou o apuramento para a próxima eliminatória da Taça de Portugal, com uma vitória muito difícil no terreno do Moreirense, por 0-1. Do traje de gala exibido na recepção ao campeão nacional, o líder do campeonato apenas manteve a cor. Tudo o resto foi alterado, com André Villas-Boas, que já tinha avisado para a dificuldade deste encontro, a obrigar a equipa a vestir o fato-macaco. De onze artistas, passou-se para onze operários. Só assim os dragões conseguiriam levar de vencida a aguerrida equipa de Moreira de Cónegos.

Os primeiros minutos do encontro funcionaram como o paradigma perfeito para o que se iria ver durante o resto do tempo: muita transpiração, pouca inspiração. O F.C. Porto encontrou notórias dificuldades para desmontar a teia montada por Jorge Casquilha, sobretudo porque os seus elementos mais desequilibradores estavam em noite não.

Hulk, hoje capitão, desdobrou-se em correrias em ambos os flancos, mas aparecia sempre uma perna, quase sempre de André Micael, a desviar a bola na altura exacta. Belluschi e Moutinho foram mais trabalhadores que artistas e, neste cenário, os dragões acabaram por só conseguir rematar pela primeira vez para lá da meia hora.

Em abono da verdade, o Moreirense, muito bem organizado, também não criava grande perigo. Ou melhor, não criava perigo, pura e simplesmente. Até porque Beto foi um autêntico espectador durante todo o jogo. Dois erros de Rafa no passe, um deles a obrigar Maicon a ver amarelo, animaram as hostes da casa, mas não se materializaram em lances de golo.

«A interpretação fácil previa goleada, mas a realidade é diferente»

Esse chegou em cima do intervalo. Um bom movimento ofensivo do Moreirense, concluído com um forte remate de Castro que Beto defendeu para a frente. Antchouet empurrou para o golo, mas a festa da casa foi travada pelo assistente que viu, aparentemente mal, um fora-de-jogo. O árbitro Paulo Baptista, de resto, não sai bem na fotografia, já que, antes, Hulk também pareceu derrubado na área contrária.

Belluschi descobre o caminho e partilha-o com Falcao

Antes do golo, o melhor que o F.C. Porto conseguiu teve a assinatura de Belluschi. O médio argentino, ainda na primeira parte, desenhou uma grande jogada individual, que passou, depois, pelos pés de Walter, antes de ser concluída pelo «Samurai». O remate saiu a rasar o poste.

Na segunda parte, Belluschi voltou a sobressair, fazendo nascer o lance do golo. Pontapé fulminante que Tigrão só desviou para a trave. No sítio certo, Falcao, que tinha entrado pouco antes, empurrou para o golo.

Antchouet e o golo anulado: «Vi logo que estava em jogo»

Estava desbloqueado o ferrolho. E o mérito também tem de ser dado a André Villas-Boas, que, para além da aposta lógica no goleador colombiano, teve o mérito de alterar o esquema portista, reforçando o miolo com Ruben Micael e abdicando de Walter. As marcações, até então muito eficientes, do Moreirense ficaram baralhadas. E o F.C. Porto começou aí a ganhar o jogo.

Não precisou fazer muito mais. A estratégia do Moreirense, certamente, não previa um golo sofrido e, com isso, as armas da formação da casa ficaram mais tímidas. Faltou ao F.C. Porto matar o jogo com o 0-2, o que seria, registe-se, uma injustiça para aquilo que jogou este Moreirense. Imperou a lei do mais forte, como quase sempre. Mas o Moreirense leva a consolação de ter feito sofrer, como poucos, o, ainda invicto, dragão.

in "maisfutebol.iol.pt"



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