quinta-feira, 21 de abril de 2011

Clássico. Não se apaga a Luz, mas é a morte do artista

O Benfica sucumbiu perante um FC Porto que nunca desistiu de voltar ao Jamor para defender e revalidar o título que lhe pertence (1-3)


Em 1792, a França declarava guerra à Áustria e começavam as lutas revolucionárias gaulesas. Em 1999, acontecia o triste massacre na Columbine High School, no Condado de Jefferson do estado norte-americano do Colorado. Há um ano, espalhava-se petróleo no Golfo do México, porque explodia a plataforma Deepwater Horizon. Ontem, o dia 20 de Abril na Luz foi a morte do artista para o Benfica. Esfumou-se a vantagem da primeira mão e o regresso ao Jamor. É o FC Porto que vai tentar revalidar a Taça de Portugal
Alan Kardec avisara que o Benfica ia entrar como se a eliminatória estivesse 0-0 e foi com esse espírito que os homens de Jorge Jesus começaram o jogo, com Jara a fazer de Salvio e César Peixoto de Gaitán (baixa de última hora). Nem por isso, os encarnados deixaram de sentir dificuldades em chegar à área do FC Porto, até porque os dragões, mesmo com a desvantagem dos dois golos sofridos na primeira mão, arrancaram na partida com mais vontade de aguentar o jogo no meio-campo do que de criar pressão na frente.
Pouco depois do quarto de hora, Óscar Cardozo mostrou que estava atento e quase interceptou um passe arriscadíssimo de Otamendi para Beto, mas o guarda-redes sacudiu o perigo para a bancada. Instantes depois foi Javi García a querer repetir o feito do Dragão, mas o cabeceamento, após livre de Carlos Martins, saiu a rasar o poste. A outra grande oportunidade do Benfica surgiu aos 34 minutos, quando Carlos Martins rematou contra o corpo de João Moutinho e Cardozo, em luta com Alvaro Pereira já na área, ainda conseguiu um remate, mais uma vez a rasar o poste.
O FC Porto começava a crescer e a mostrar mais consistência, dificultando a tarefa do Benfica a partir do meio-campo. Com o intervalo à espreita, ouviu-se a primeira grande ovação da noite para os jogadores encarnados. E não era para menos, o brasileiro Júlio César foi grande o suficiente para um remate de Falcao, que apareceu sem marcação à boca da baliza, depois de um passe de Hulk. O guardião encarnado fez a mancha, mostrou os punhos e, na recarga, o colombiano rematou para o ar. Estavam jogadas as emoções da primeira parte, que ainda tiveram continuidade com alguns jogadores do FC Porto a insistirem nos protestos com o árbitro Carlos Xistra antes de irem refrescar-se no balneário.

Viragem gélida
Claro que o FC Porto não dava a eliminatória por perdida, mas o Benfica tinha Júlio César, que continuava a evitar o golo azul e branco. A travagem que fez ao livre-bomba de Hulk confirmava a grande concentração do guarda-redes encarnado. No pingue-pongue sobre o relvado, o incansável Carlos Martins lançava Jara que procurou bem Cardozo, mas o paraguaio chegou depois de Rolando e o defesa resolveu. 
O Benfica perdia as oportunidades de se adiantar ainda mais na eliminatória e João Moutinho aproveitou para marcar o primeiro da noite. O passe de Cristian Rodríguez acabou num remate cruzado e fantástico de fora da área do médio. Hulk imitou o companheiro com um golo irregular – estava em fora-de-jogo – mas que valeu o empate da eliminatória. A Luz enlouquecia e Falcao gelou as bancadas, como a brisa da noite. Mais uma vez, Rodríguez assistiu e o ponta-de-lança colombiano trabalhou bem para virar o jogo.
O Benfica não gostou, Jesus coçou a cabeça a pensar “Ai a minha vida”. Chegava o minuto 79 e o penálti assinalado por Carlos Xistra, que considerou falta de Sapunaru sobre Saviola. Cardozo reduziu, mas ainda não chegava para a festa. E a questão impunha-se: será que a Luz se ia apagar de novo?
Não se apagou a luz e o FC Porto festejou. Era o jogo do ano para o Benfica, pensaria Jesus, mas o guarda-redes Beto ajoelhado no relvado no final do jogo, a agradecer aos céus, era a imagem da catarse.

in "ionline.pt"

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