terça-feira, 1 de maio de 2012

"A festa arrepiou"


Os nomes deles não aparecerão na lista dos campeões nacionais 2011/12, mas Kelvin e Christian Atsu reclamam também uma parte da conquista. "Temos contrato com o FC Porto e ajudámos na pré-época. Também nos sentimos campeões", explica de forma desinibida o primeiro. "E se não tivéssemos empatado com o Benfica, o FC Porto ainda não tinha festejado", completa o segundo. Argumentos deste peso não podem ser rebatidos. O JOGO juntou e conversou com a dupla que infernizou o Benfica e lançou os foguetes para que a nação portista celebrasse. "Infelizmente nós só festejamos em casa e de forma comedida. Não foi o que queríamos, pois estamos no Rio Ave e ainda precisamos de pontos para não descer. Temos de respeitar", explicou Kelvin. "Mas vi tudo na televisão. Já era tarde e estavam tantas pessoas. A festa até me arrepiou. Quis estar lá", contou o brasileiro. Atsu concordou com a cabeça. Também ele se sentiu arrepiado e com muita vontade de subir à varanda do Dragão. "É o meu objetivo para a próxima temporada", atirou.
O ganês tem mais um ano de FC Porto do que o brasileiro. Talvez por isso sinta o clube de forma especial. Na época passada ainda foi convocado por Villas-Boas para a última jornada da prova. Agora esteve na iminência de fazer parte do plantel. Não conseguiu, mas quis o destino que fosse decisivo. "Quando entrei em campo pensei no Rio Ave, mas também no FC Porto. As duas coisas eram importantes para mim. Queria fazer o FC Porto feliz e aquele era o momento certo para isso. Senti que os adeptos portistas precisavam de mim. Por isso dei tudo", explica. Kelvin não sentiu qualquer chamamento. Aliás, quando entrou em campo até só pensou no Rio Ave. "Mas quando terminou pensei que o Benfica não podia mais ser campeão. Então festejámos", sorriu.
Os planos para fazerem parte da festa já estavam feitos de véspera. Mais do que momentos de inspiração, os golos com que abateram as aspirações do Benfica (Atsu marcou, Kelvin assistiu) tinham sido planeados ainda no estágio. "Ficámos no mesmo quarto e combinámos jogar com determinação para ajudar Rio Ave e FC Porto", contou Christian. Mas foi Kelvin a fazer a grande revelação. "No hotel, ouvimos o presidente [Pinto da Costa] dizer que não queria ser já campeão. Então combinámos estragar-lhe os planos. E acabou acontecendo", brincou, por saber que esta tirada Pinto da Costa levará a mal. E Atsu também está certo de que o presidente vai compreender a "partida". "Quando o vi na televisão a festejar parecia feliz. Por isso, não deve ter levado a mal", brincou também.
Mais a sério, o ganês não duvida que o quinto golo que marcou no campeonato foi o melhor da carreira. "Deu um ponto muito importante ao Rio Ave. Foi com o Benfica, contra quem não é fácil jogar. Além de marcar, também joguei bem. E ainda ajudei o FC Porto. Melhor era difícil", frisou. Os adeptos do FC Porto devem concordar com ele.

Hulk é o herói comum mas não o mais próximo


Se há um jogador que Kelvin e Atsu consideram ter sido preponderante nesta conquista do FC Porto é Hulk. O Incrível é o herói e, para ambos, o melhor jogador dos azuis e brancos. "Marca golos, faz muitas assistências, trabalha para a equipa, remata bem, dá o melhor pelo clube. É difícil alguém o parar", justifica o ganês. Kelvin acrescenta as qualidades humanas do compatriota. "É um jogador extraordinário, muito técnico, dos que vão para cima de todos. Gosto muito do estilo dele. Mas como pessoa também é incrível. É humilde, tranquilo, fala com toda a gente e fora de campo nem parece ser jogador de futebol", elogiou. Ontem fez questão de lhe ligar a dar os parabéns. Mas primeiro mandou mensagem a Alex Sandro, o jogador de que mais se aproximou na pré-época. Atsu fez o mesmo com Djalma, também africano e extremo, e com o qual se identifica.


"Basta uma oportunidade"


Obcecado por tornar-se internacional ganês, Christian sabe que "só é possível se estiver no FC Porto." Também por isso trabalha focado no regresso, que espera ser já na próxima época. "Não sei se já mereço um lugar. Jogar no FC Porto não é nada fácil. Resta-me trabalhar árduo para isso, sabendo que ainda me falta muito para ser titular da primeira equipa", explana.
O banco não o assusta, pois acredita muito no seu valor. "Estar no banco não significa muito. Acredito que um jogo pode mudar tudo. Basta uma oportunidade. Se ma derem, posso mudar essa condição. Por isso não tenho medo de chegar e começar no banco", justifica, embora salvaguarde que a equipa B não será uma solução. "Toda a minha vida meti na cabeça que trabalhava para a primeira equipa e não para a B. Tenho de estar na primeira liga", reclama o Messi africano, como lhe chama Kelvin, por "ninguém o conseguir segurar."
Sobre o campeonato, em que acha que o "Rio Ave merecia estar melhor colocado", não tem dúvidas em considerar o seu FC Porto um justo campeão. "Jogou bem, trabalhou sempre forte, mesmo nos momentos mais difíceis. E esteve mais semanas em primeiro lugar", resumiu.


"No Brasil não se marca"


Com 13 titularidades em 26 jogos disputados pelo Rio Ave, dois golos e outras duas assistências, Kelvin está longe dos números do amigo Atsu (21 vezes titular, cinco golos e quatro assistências). A necessidade de se adaptar ao futebol português é a explicação. "Não joguei tanto como queria, mas o futebol português é totalmente diferente do brasileiro. Pude aprender muita coisa, mas ainda não estou completamente. Faltam-me algumas coisas na marcação. No Brasil o avançado não tem de marcar", frisou.
Ainda assim, sente-se pronto para voltar e, ao contrário de Atsu, admite jogar numa futura equipa B do FC Porto. "Quero procurar o meu espaço no plantel. Sei que, tal como o Christian, tenho capacidade e cheguei aqui pelo mérito. Agora tenho de procurar mais objetivos. Estando no plantel principal já estaremos a aprender muitas coisas. E jogar na equipa B significa que um dia terei oportunidade de jogar na A", considera.
O facto de a equipa portista se ter mantido "igual a si própria" foi decisivo para ser campeã. "Teve alguns tropeções, mas o título é justo. Jogou sempre da mesma forma e isso é meritório", vinca.


Curiosidades


Irmão africano

O pai de Kelvin diz que Atsu é o irmão africano do brasileiro. Este concorda. "No Rio Ave ou no shopping, passamos o dia juntos. Atsu é uma grande pessoa e um grande jogador. Terá um futuro extraordinário se continuar com esta cabeça. Desejo-lhe tudo de bom", diz.

Cabeça para Kelvin

Atsu concorda que Kelvin é um irmão para si. E é por ter confiança que o aconselha: "Diz muitas piadas e está sempre a rir. Com este talento, tem tudo para ser um grande jogador. É só meter na cabeça que é isto que quer. Às vezes estamos em baixo e é preciso ser forte psicologicamente"

Famoso no Gana

Antes de conversar com O JOGO, Atsu falou com a mãe, que no Gana está "muito orgulhosa" pois nas rádios já falam dos golos do craque "especialmente ao Benfica e ao Sporting." Por isso, nem estranhou que alguns jornalistas do país já lhe liguem de vez em quando.

Cabelo foi aposta

Agora com tranças, Kelvin teve durante muito tempo uma crista na cabeça que o fazia parecer Neymar. Mas os culpados foram os ex-colegas no Paraná que, por causa de uma aposta, o obrigaram a viajar assim para Portugal.

Parabéns do dragão

O FC Porto não deixou passar em claro as boas exibições dos dois jogadores cedidos ao Rio Ave. No final do jogo, o team-manager para os emprestados telefonou a cada um para dar os parabéns.

Facebook diferente

Os dois são fãs de redes sociais e usam o Facebook diariamente. Atsu diz que é para falar com os fãs e a família. Kelvin também, mas Atsu acusa-o de ser por causa do assédio feminino!

Cinema vs Playstation

Fã de cinema, o ganês é capaz de ficar horas em casa a ver filmes. "Avatar" é o filme preferido, mas nem por isso é bom na ficção. É que se em campo tem sido melhor que Kelvin, na Playstation perde sempre. "Eu era o Rio Ave e ele o FC Porto. E até assim ganhei", goza o brasileiro.

Pré-época garantida

Não há respostas definitivas do FC Porto, mas as indicações recebidas ao longo da época dizem a Kelvin e a Atsu que vão fazer a próxima pré-época. Depois depende deles, reconhecem.


Troféu deve ser entregue no clássico


O FC Porto deverá receber a taça de campeão frente ao Sporting, jogo no sábado às 20h30. Ainda não existe confirmação oficial, mas tudo indica que a Liga de Clubes entregará mesmo o troféu já na próxima jornada. O ponto 2 do artigo 97 do regulamento da competição diz que "o troféu poderá ser entregue imediatamente a seguir ao final do jogo no qual o clube se sagre campeão da competição, independentemente de esse jogo ter ou não lugar na última jornada da competição". Ora, o FC Porto foi campeão no sofá pelo que restam duas jornadas para receber a taça, fazendo mais sentido que isso aconteça no Dragão.

in "ojogo.pt"





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