
Claro que não era de esperar que fosse o modesto Juventude de Évora a travar a caminhada invicta dos portistas esta temporada, mas os jogos da Taça de Portugal são pródigos em surpresas. Ora, sem grande vontade de ser surpreendido e com a possibilidade de fazer uma maior gestão do plantel no jogo de quarta-feira, na Liga Europa, André Villas-Boas fez alinhar um onze próximo do habitual, embora com alterações pontuais. Kieszek estreou-se na baliza e assinou uma exibição segura ainda que com pouco trabalho, Sereno voltou ao eixo da defesa ao lado de Maicon e não comprometeu, Rúben Micael nem sequer é exactamente uma novidade no meio-campo e James Rodríguez teve finalmente a oportunidade que todos esperavam. Uma oportunidade que o jovem colombiano fez questão de agarrar com as duas mãos. Sempre em acção, esclarecido a distribuir jogo, solícito no momento de criar linhas de passe e concentrado na pressão sobre os adversários, James encheu o campo durante o primeiro tempo. O lance do primeiro golo é uma espécie de compêndio das suas qualidades: intensidade na pressão sobre o portador da bola, rapidez na transição e precisão no cruzamento que foi descobrir Falcao nas costas da defesa. Se faltou alguma coisa à exibição do jovem colombiano foi um golo que ele nunca desistiu de procurar, mas sobra-lhe o mérito da participação em dois dos outros quatro e a certeza de ter ganho um lugar de relevo entre as opções de André Villas-Boas.
A discussão do resultado ficou encerrada com o primeiro golo do FC Porto, logo aos 11 minutos e a incapacidade do Juventude de Évora para criar perigo percebe-se facilmente pela constatação empírica de que a maior parte das intervenções de Kieszek foram feitas com os pés, em tabelas com os centrais. De facto, a história do jogo é a da resistência dos alentejanos às sucessivas vagas do ataque portista, pontuada pelos golos tornados previsíveis perante o caudal ofensivo da equipa de Villas-Boas. E se o de Falcao é uma espécie de inevitabilidade estatística e o de Walter representa o rendimento mínimo garantido do brasileiro na Taça, já o de Moutinho representa uma estreia absoluta a coroar uma exibição enorme do inesgotável internacional português que, depois de ter passado a maior parte do jogo no papel de principal municiador do ataque, terminou o jogo como trinco, e sempre com a mesma eficácia. De resto, também o regresso de Álvaro Pereira à equipa foi assinalado por um golo e pela reposição da normalidade no lado esquerdo da defesa portista depois das oscilações provocadas pela ausência por lesão do uruguaio nas últimas semanas.
in "ojogo.pt"
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