quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

F.C. Porto: quando a palavra Sevilha ainda comove

O Maisfutebol revisitou a final com o adepto que ao fim de 38 horas comprou o primeiro bilhete



O regresso do Porto a Sevilha traz à memória uma série de histórias. Há sete anos o clube embarcou numa aventura única. Uma das histórias destaca um nome: José Vilela. Trata-se de um comerciante de Castelo de Paiva que ultrapassou milhares de portistas e garantiu o primeiro bilhete para a final.

Entre 6 e 7 de Maio passou 38 horas e 40 minutos no primeiro lugar de uma fila que se estendeu por milhares de pessoas. Houve de tudo um pouco naqueles dias loucos: houve por exemplo três avozinhas com mais de 70 anos que se fizeram ao caminho de Sevilha de autocarro à boleia dos Superdragões.

Houve cadeiras e tendas, houve bilhetes falsos, houve quem fizesse negócio a vender comida a gente esgotada, houve até roubos e pessoas que só deixavam tirar fotografias aos bilhetes dentro de carro e de vidros fechados. No início de tudo isso esteve José Vilela, o tal comprador do primeiro bilhete.

«Foi uma loucura. Saí das Antas e teve de ser a minha mulher a conduzir o carro para Castelo de Paiva, porque eu não estava em condições. Cheguei a casa, tomei um banho e dormi onze horas seguidas», recorda ao Maisfutebol. «Comprei o bilhete ao início da manhã, foi o Reinaldo Teles que o vendeu.»

Por tudo isso gostava de regressar a Sevilha. Mas não vai. «Era para ir, mas surgiu um imprevisto. Já telefonei a um amigo meu que viajou com a equipa e que me diz que está tudo igual», conta, ele que também foi a Viena, Gelserkichen, às duas finais do Mónaco e sempre que pode viaja com a equipa.

De todas as finais recorda com mais saudade... Viena. «Não há amor como o primeiro, não é?», diz. «Mas Sevilha foi a mais emocionante. Fui de carro, com a minha esposa e uns amigos, durante três dias. Fomos pelo Algarve, chegámos a Sevilha no dia do jogo e após a final só queríamos voltar para festejar.»

Sevilha ficou-lhe gravado no coração. «Há tempos voltei a Sevilha. Fui só para recordar. Fui almoçar ao restaurante onde almocei no dia do jogo, junto ao rio, fui visitar a Catedral e fui ver o Estádio Olímpico por fora, porque agora está fechado. Se fosse com o porto queria voltar a ver esses lugares.»

Mas há mais pormenores marcantes. «O calor...», diz. «Infernal. Saímos do Algarve com 20 graus, chegámos a Sevilha e estavam 40. Mas o que mais me impressionou foi a educação dos adeptos do Celtic. Pintaram a cidade de verde e branco, eram milhares, fizeram a festa e não criaram um problema.»

Na altura, José Vilela garantiu que não vendia o bilhete nem por mil contos. «Continuo a dizer que fiz bem. Foi uma emoção muito grande estar em Sevilha. Digo mais: voltava a fazer o sacrifício de estar aquelas horas todas na fila. Foi uma alegria viver aquele ambiente e ver o F.C. Porto ganhar.»

in "maisfutebol.iol.pt"

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