segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Regressos entre flores e aplausos até costumam ter um final feliz

Bruno Alves será o 14º portista dos últimos 20 anos a regressar a casa ao serviço de um clube estrangeiro. Ao nosso jornal, o defesa já pediu que se lembrem dele pelo que fez. Também a O JOGO, o líder dos Super Dragões tranquilizou-o. Bruno Alves será aplaudido e bem recebido, à imagem daquilo que a história dos regressos a casa nos conta. Os dragões até se podem esforçar na arte de bem receber, mas na hora da despedida "chutam" os entes-queridos com resultados que raramente lhes agradam.
Nos 13 regressos que temos para contar, só dois foram amargos: em 2006/07, quando um empate com o Chelsea de Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e José Mourinho, significou o afastamento nos oitavos-de-final l da Liga dos Campeões; e em 2008/09, quando Anderson ajudou o Manchester United a ganhar por 1-0 e a anular os 2-2 da primeira mão dos quartos-de-final da mesma competição.
Além dessa, há outras três derrotas registadas, todas por 1-0, mas nenhuma com consequências graves no que toca aos objectivos. Em 2002/03, contra o Panathinaikos de Chainho, o resultado foi revertido em Atenas. Contra o Chelsea, em 2009/10, a derrota não impediu que o FC Porto passasse a fase de grupos. Na época passada, o mesmo resultado bastou para eliminar o Sevilha dos 16 avos-de-final da Liga Europa.
Entre as várias histórias, há duas que ficam para a posteridade por terem fugido dos tradicionais aplausos. Em 2002/03, Fernando Couto jogou nas Antas pela Lázio e agradeceu aos adeptos antes mesmo que estes desatassem a gritar o seu nome. O central trouxe consigo do balneário um ramo de flores e uma camisola, que, antes do jogo, ofereceu à principal claque azul e branca. Chovia torrencialmente, mas a noite aqueceu e foram vários os momentos em que o estádio aplaudiu de pé o português. No final, trocou de camisola com o amigo e colega de selecção, Jorge Costa.
Um ano mais tarde, já no Estádio do Dragão, Jorge Andrade também mereceu palmas. Mas, no estádio, houve quem não tivesse percebido que se tratava de um regresso ao convívio dos amigos que deixara há menos de dois anos. Numa brincadeira com Deco, o central deu-lhe um pontapé e sorriu. O árbitro alemão, Markus Merk, não imaginava que os dois fossem amigos e expulsou o defesa português. O jogo terminou empatado, mas o carimbo para a final foi assegurado na Corunha.

Regressos a "casa"

Época Prova Quem voltou Adversário Resultado
1999/00 Liga dos Campeões Zahovic Olympiacos 2-0
2002/03 Taça UEFA Chainho Panathinaikos 0-1
2002/03 Taça UEFA Fernando Couto Lázio 4-1
2003/04 Liga dos Campeões Drulovic Partizan 2-1
2003/04 Liga dos Campeões Jorge Andrade D.Corunha 0-0
2004/05 Liga dos Campeões Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e José Mourinho Chelsea 2-1
2006/07 Liga dos Campeões Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e José Mourinho Chelsea 1-1
2008/09 Liga dos Campeões Paulo Assunção e Maniche Atlético de Madrid 0-0
2008/09 Liga dos Campeões Anderson Manchester United 0-1
2009/10 Liga dos Campeões Ricardo Carvalho e Deco Chelsea 0-1
2009/10 Liga dos Campeões Paulo Assunção Atlético de Madrid 2-0
2010/11 Liga Europa Ibson Spartak de Moscovo 5-1
2010/11 Liga Europa Luís Fabiano Sevilha 0-1

Ricardo Carvalho voltou três vezes

Os caprichos dos sorteios da UEFA já fizeram Ricardo Carvalho voltar três vezes ao Dragão. O central - ganhou um jogo, empatou outro e perdeu o primeiro - é mesmo um caso único neste capítulo. Paulo Ferreira teve exactamente as mesmas oportunidades, mas o Chelsea não o convocou na última visita e, por isso, fica com dois regressos, os mesmos de José Mourinho e Paulo Assunção. Nos 13 jogos contra ex-portistas dos últimos 20 anos, os dragões venceram seis, empataram três e perderam quatro. Um bom prenúncio para amanhã?

Histórias de quem regressou

Zahovic, Regressou pelo Olympiacos

"Mais forte do que um homem pode aguentar"

"Foi uma sensação muito estranha, pois voltei às Antas pouco mais de dois meses depois de ter saído e não me imaginava a jogar naquele estádio sem ser pelo FC Porto. Fui muito bem recebido, tal com previa. Não me lembro se gritaram por mim, mas lembro que aplaudiram. É difícil explicar o que senti, pois aquela era a minha casa. Mas acreditem que a sensação é mais forte do que aquilo que um homem pode aguentar. Mas não tremi! Era profissional e tinha de aguentar. Falei com todos os meus colegas e tive pena de não ter tempo para mais".

Drulovic, Regressou pelo Partizan

"Mourinho comprou-me para toda a vida"

"Comecei o jogo no banco. Quando fui chamado, ouvi assobios, pois os adeptos não se tinham esquecido que saí do FC Porto para o Benfica. Mas depois, José Mourinho foi ao meio-campo dar-me um abraço. Essa reacção foi o que mais me marcou naquele dia. Depois disso, toda a gente começou a aplaudir. Mourinho tinha sido adjunto de Bobby Robson e sempre tivemos uma excelente relação, mas com aquele gesto, comprou-me para toda a vida. Gostava de lhe ter oferecido a camisola. Foi dos momentos que mais me marcaram em toda a vida".

Deco, Regressou pelo Chelsea

"Cantaram a música e até fizeram vénia"

"Fui muito aplaudido. As pessoas cantaram a minha música e até fizeram a vénia. Foi marcante e um dos dias mais felizes da minha vida. No final do jogo fui ao balneário do FC Porto e estive com Pinto da Costa e Antero Henrique, pessoas que tanto estimo. Fazia tempo [cinco anos] que tinha saído do FC Porto, mas contava ser bem recebido, pois as pessoas sabem que é o clube que eu amo. É sempre diferente voltar à casa onde fomos amados e queridos. Saí a 15 minutos do fim e todo estádio bateu palmas. Os meus colegas até comentaram isso comigo".

in "ojogo.pt"

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