domingo, 12 de setembro de 2010

João Moutinho: «Ainda posso render mais»

Foram precisos 11 milhões de euros para a transferência mais marcante do último defeso se concretizar. João Moutinho saiu de Alvalade debaixo de fogo cruzado e chegou ao Dragão para ajudar a salvar a honra de uma equipa que tinha acabado de perder o campeonato.

As portas do onze abriram-se sem qualquer dificuldade, mas, apesar de vitórias atrás de vitórias, parece pairar alguma dúvida sobre o rendimento do antigo capitão do Sporting. “Ainda posso render mais”, confessa, antes de apelar aos colegas que o ajudem a explodir de azul e branco: “Todos procuramos dar sempre mais e, com a ajuda da equipa, acredito que posso vir a fazer melhores jogos.”

Sucessor de Raul Meireles, o internacional português há muito desejava lutar verdadeiramente pelo título nacional. Não esperava é que com apenas um mês de campeonato percorrido as faixas pudessem estar tão perto de encomendar.

“Estamos à frente e queremos continuar a ganhar mais jogos para no final do campeonato terminarmos em primeiro. É sempre bom aumentar a vantagem pontual para os nossos adversários diretos na luta pelo título”, assume João Moutinho, antes de lançar uma olhadela para a próxima jornada em que a sua antiga equipa se vai deslocar ao terreno do eterno rival da 2.ª Circular: “Vamos ver o que dá o clássico... Nós temos de pensar mais em nós, concentrarmo-nos em ganhar as nossas partidas, queremos continuar esta fase de bons resultados. Temos estado muito bem.”

Antes há ainda lugar para as provas europeias onde o FC Porto vai medir forças com o Rapid de Viena: “Vamos tentar repetir os bons resultados também na Europa. Com a ajuda dos adeptos, vamos conseguir.”

in "record.pt"

Varela diz "bi(s)tória"


quatro dezenas de golos em portugal

Houve de novo “ Incrível” na equipa azul e branca mas também houve “Fenomenal”. Silvestre Varela bisou mais uma vez com a camisola portista – na última época marcou dois golos na goleada por 4-0 sobre o Nacional da Madeira, tendo apontado um golo desde a marca dos 11 metros – e esse feito valeu 3 preciosos pontos ao FC Porto, que sai desta jornada deixando Sp. Braga e Sporting a 5 pontos e o Benfica a 9 quando apenas estiveram 12 pontos em disputa. Este pleno do FC Porto de André Villas-Boas fala por si, com o “caçula” dos treinadores portugueses a vencer, embora com esforço, a sua segunda grande prova de fogo, defrontando adversários de alto nível.

Para o herói da noite, mais um portista gerado na maternidade de Alvalade, este foi o seu 40.º golo sob emblemas nacionais, num total já de 167 jogos disputados, com as camisolas de Sporting, V. Setúbal, Estrela da Amadora e FC Porto.

Numa noite em que Rolando completou o seu 200.º jogo e na qual Falcão fez o seu 50.º jogo com a camisola do FC Porto. Curiosamente, o colombiano tinha tantos golos marcador por cá quanto Silvestre Varela, que agora lhe ganhou avanço numa corrida na qual, naturalmente, terá sempre desvantagem pois surge muito menos na zona de tiro.

in "record.pt"

«É preciso manter a lucidez» - André Villas Boas


André Villas Boas, treinador do FC Porto, alertou esta noite, depois da vitória sobre o Sp. Braga, para a necessidade de a sua equipa procurar manter o ritmo evidenciado neste arranque de temporada.

«É preciso manter a lucidez e continuar a pontuar. Temos calendário que começa a apertar, só com grande lucidez e organização se continua a ganhar, disse no final da partida o técnico que valorizou «a grande intensidade emocional e colectiva das duas equipas», no confronto com o Sp. Braga.

Villas Boas não tinha ainda experimentado estar a perder esta temporada. Frente ao Sp. Braga aconteceu-lhe por duas vezes. E das duas a equipa conseguiu dar a volta: «Acho que o mais importante era ter o controlo emocional. Quando se sofre um golo e se perde controlo é que é grave. Conseguimos manter o nosso. Com a nossa calma e força, acabámos por conseguir resolver».

Com cinco pontos de avanço sobre o Sp. Braga e Sporting, nove sobre o Benfica, Villas Boas recusa, ainda assim, grandes euforias: «É muito, muito cedo e depois se entrarmos num padrão classificativo como este, qualquer ponto que reduzam será sempre grande bolsa de oxigénio para os outros».

in "abola.pt"

Noite de gala no Dragão


Grande jogo no Dragão, onde o F. C. Porto reforçou a liderança com um bis de Varela

Quatro jogos, quatro vitórias, liderança reforçada, a cinco pontos do Braga e do Sporting, a nove do Benfica. O F. C. Porto venceu o Braga (3-2), mas sofreu a bom sofrer num grande jogo. Varela marcou dois golos, Hulk foi sensacional.

André Villas-Boas e Domingos Paciência têm muitos pontos de contacto. Um é um treinador a dar passos seguros, o outro foi um jogador brilhante e que também está a dar cartas como técnico. Ambos não fazem bluff. Defendem o jogo pelo jogo, gostam de assumir o risco e o futebol de ataque e ontem apostaram as fichas todas na vitória. Sem receios. Por isso, o Dragão assistiu a um desafio eléctrico: cinco golos e uma reviravolta sensacional do F. C. Porto. Esteve a perder por duas vezes, mas deu a volta e venceu por 3-2. Um bis de Varela, em mais uma noite de sonho de Hulk: marcou um golo e fez uma assistência.

Os dragões mostraram todos os predicados recentes, mas agora revelaram que são uma equipa com grande arcaboiço psicológico. Não se deixam abater, vão buscar forças ao infinito e são capazes de dobrar montanhas para agarrar a vitória. É um conjunto de aço, a antítese perfeita do conformismo que imolava o a equipa na época passada. Há mérito do treinador, que recuperou o código genético da equipa e o que é jogar à F. C. Porto. E agora sorri: liderança destacada no campeonato, a cinco pontos do Braga e a nove do Benfica. A passadeira está estendida...

Mas não foi fácil, porque o Braga é como um relógio suíço. Joga um futebol personalizado e teve o descaramento de perder o respeito pelo adversário. É essa a imagem de marca das equipas de Domingos Paciência, actuam no campo todo e respiram confiança nos ambientes adversos. Tudo somado, os minhotos foram os que mais problemas causaram aos dragões neste arranque de época e mancharam a folha imaculada da estatística de Helton. O guarda-redes sofreu o primeiro golo na Liga, na sequência de um livre directo do sempre perigoso Luís Aguiar.

O F. C. Porto entrou mal no jogo, mas tem individualidades para resolver os problemas mais complicados. Quando se tem Hulk em grande forma, como é o caso, quando se tem um jogador capaz de deixar os adversários à beira de um ataque de nervos, tudo é possível. E foi o brasileiro a rasgar a teia defensiva dos minhotos: mandou uma bola ao ferro e desenhou a jogada para o golo do empate, um excelente pique na direita, onde centrou para a cabeça de Varela.

Depois, a segunda parte foi de loucos. Um grande golo de Lima a dar a vantagem ao Braga, mas a tenacidade do dragão voltou a ser o fio condutor da noite. Hulk voltou a fazer uma grande jogada e a empatar o desafio. Depois, Varela fixou o 3-2 final. Quem pára este F. C. Porto?

in "jn.pt"

FC Porto-SC Braga, 3-2: Noite alucinante no Dragão

Intenso, de cortar a respiração, por vezes verdadeiramente alucinante. À desvantagem, que por duas vezes apontou na direcção contrária ao sentido do jogo, o FC Porto replicou com talento e uma generosidade ilimitada, num misto raro de que se fazem as grandes equipas. E ganhou. Apenas porque foi o melhor num encontro fantástico, que chegou a parecer uma final.

Do ritmo moderado de um previsível estudo mútuo, que se sobrepôs às intenções, ao balanço veloz que multiplica momentos de desequilíbrio, foi questão de 15 minutos. No seguinte, Helton, que até então não tivera oportunidade de esboçar uma defesa, foi forçado a recolher a bola do fundo das redes. Luís Aguiar transformara um livre de forma irrepreensível.

Com o golo disparava o compasso do jogo, num reflexo claro da pretensão portista, cujo plano sofreria uma rápida reformulação. Sem alternativa que não fosse continuar a ditar o sentido e as direcções do encontro, o Dragão expunha-se aos perigos do contra-ataque adversário, num risco calculado.

O empate até poderia ter chegado na primeira resposta à desvantagem, mas a trave negou o adjectivo soberbo, ou outro semelhante com o mesmo significado, ao remate de Hulk, que serviria o empate ainda antes do intervalo. Aí, o brasileiro voltou a ser incrível, ou a fazer o incrível, tirando adversários do caminho e «obrigando» Varela a cabecear para golo.

Num decalque da primeira metade, embora numa versão mais óbvia e descarada, o SC Braga recolocou-se em vantagem na primeira vez que redescobriu a direcção da baliza de Helton. Só que agora Hulk responderia de imediato, em cheio nas redes, depois de tabelar com Alvaro Pereira, que devolveu subtilmente com o calcanhar.

Parceiro do brilho, o FC Porto recuperava de duas situações de desvantagem, mas estava longe de dar a tarefa por concluída. A missão só terminava na vitória, para lá do remate cruzado e fulminante de Varela, que promoveu a aproximação do resultado ao jogo que as duas equipas proporcionaram, ou da persistência de Hulk em campo, mesmo em inferioridade física. Porque no Dragão até a determinação cintila e a fibra confunde-se com génio. Com bom génio. Que só dá vitórias e uma boa vantagem na liderança.

FICHA DE JOGO

Liga 2010/11, 4ª jornada

11 de Setembro de 2010

Estádio do Dragão, no Porto

Assistência: 47.617 espectadores

Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Assistentes: Tiago Trigo e André Campos

4º Árbitro: Vasco Santos

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Alvaro; Fernando, Belluschi e João Moutinho; Hulk, Falcao e Varela

Substituições: João Moutinho por Rúben Micael (66m), Falcao por Cristian Rodríguez (77m) e Varela por Souza (83m)

Não utilizados: Beto, Fucile, Walter e Otamendi

Treinador: André Villas-Boas

SC BRAGA: Felipe; Sílvio, Moisés, Rodriguez e Elderson; Alan, Leandro Salino, Vandinho «cap» e Paulo César; Luís Aguiar e Lima

Substituições: Elderson por Miguel Garcia (65m), Lima por Matheus (67m) e Luís Aguiar e Hugo Viana (72m)

Não utilizados: Artur Moraes, Paulão, Andrés Madrid e Elton

Treinador: Domingos Paciência

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Luís Aguiar (16m), Varela (33m), Lima (61m), Hulk (62m) e Varela (70m)

Disciplina: cartão amarelo a Fernando (15m), Rodriguez (36m), Paulo César (43m), João Moutinho (56m), Leandro Salino (72m), Belluschi (81m), Sapunaru (89m)

Villas-Boas: «Cuidado, este início de campeonato é anormal»


André Villas-Boas, treinador do F.C. Porto, comentando a vantagem ganha à quarta jornada e que já se traduz em 5 pontos para o Sp. Braga, 6 para o Sporting e 9 para o Benfica:

«É preciso ter algum cuidado, porque este é um início de campeonato completamente anormal. Os nossos adversários têm sido extremamente penalizados, mas quem diz que o Guimarães não pode fazer o que o Sp. Braga fez? Temos de olhar para quem está mais perto. Temos de manter uma regularidade pontual, se o fizermos em 4, 5 jornadas poderemos aumentar a distância. Mas depois, qualquer ponto perdido por nós vai ser um balão de oxigénio para os nossos adversários. Numa das épocas em que estava com o José Mourtinho no Chelsea, tínhamos o Manchester United a 12 pontos, a determinada altura, e a coisa ficou feia. Terminamos com 3 ou 4 pontos. É anormal esta distância, mas temos de continuar a ganhar, pontuar e a mostrar regularidade de vitória.»

Sobre o Benfica-Sporting: «Não me diz respeito, nem há resultados que me interessem. Interessa-me pontuar na Madeira. É um campo que afecta mentalmente quem o visita porque há muitos grandes a perder lá pontos. É importante ir à Madeira ganhar.»

in "maisfutebol.iol.pt"

Villas Boas fala nas «emoções», Domingos diz que Porto «foi feliz»

André Villas Boas e Domingos Paciência em declarações à TVI depois da vitória do F.C. Porto sobre o Sp. Braga (3-2) em jogo da 4ª jornada da Liga:

André Villas Boas:

«Foi um jogo de grande intensidade emocional para as duas equipas. Duas boas organizações e duas equipas extremamente competitivas que são, para já, as duas melhores equipas do campeonato, talvez só a par do Guimarães. O mais importante era ter o controlo emocional. Quando se sofre um golo e se perde o controlo é que é grave. Se se perde o controlo entra-se num jogo de transições que não é o nosso. Fazemos um jogo de organização. Acho que é muito cedo para se fazer contas. É normal, mas é muito cedo. Qualquer ponto que os outros ganhem ao F.C. Porto será sempre uma grande bomba de oxigénio. Temos deslocações difíceis, o calendário começar a apertar. Só com uma grande capacidade de organização seremos capazes de ganhar».

Domingos Paciência:

«Toda a gente viu que entregámos a vitória ao F.C. Porto. Dois lances nossos, um em que o Miguel escorrega e outro num ressalto. Acho que o F.C. Porto acaba por ser feliz. O Braga foi uma equipa muito coesa, conhecedora como joga o F.C. Porto. Conseguimos o objectivo que era fazer golos, mas chegamos ao final com a sensação de que perdemos por culpa própria. Acima de tudo ficou provado que o Braga é uma equipa que sabe aquilo que faz. Na primeira parte vimos um Braga inteligente e quando assim é o Braga é uma equipa forte. Não estava à espera deste resultado, não estava a espera de perder. Na quarta -feira é outro jogo [frente ao Arsenal], temos de estar mais concentrados para conseguirmos segurar resultados».

F.C. Porto-Sp. Braga, 3-2 (destaques)

Hulk

O «Incrível» mostrou um novo super-poder. Depois do pontapé mortífero e da velocidade supersónica, Hulk apresentou ao mundo o drible criador: inventa espaço onde ele não existe. Foi-lhe bastante útil esta noite, para se livrar de Elderson no lance que viria a resultar no golo de Varela. Antes disso até parecia algo confuso nas ideias, mas foi sol de pouca dura. O que dizer da segunda parte? Fulminante a fazer o segundo tento portista (o quarto no campeonato), já depois de ter assinalado a melhor jogada individual do desafio, que não deu golo por acaso.

Varela

Depois de algumas exibições abaixo do que havia feito na Supertaça, o extremo português voltou a subir de rendimento. Dois golos, um deles num desvio à boca da baliza e outro num pontapé fulminante, numa noite com vários artistas na linha da frente com quem colher os louros. Está de volta às boas exibições.

Falcao

«Jogatana» do colombiano! Não marcou mas nem foi preciso tantos foram os quilómetros percorridos, as bolas ganhas, correctamente dominadas e entregues numa bandeja. Não marcou mas merecia, apetece dizer. O lance do terceiro tento, por exemplo, é revelador do altruísmo de Falcao que transformou um lance que parecia perdido no pontapé fulminante de Varela que levou o Dragão à loucura.

Fernando

Bem, onde anda o Fernando? É um pensamento que, certamente, assolou as mentes de muitos dos mais de 46 mil espectadores que estiveram no Dragão. É a face mais visível das alterações que Villas-Boas introduziu no futebol dos dragões e nem o amarelo visto ainda cedo o intimidou.

Belluschi

Muito rapidamente: a jogar assim, dificilmente perde o lugar no meio-campo azul e branco.

Vandinho

Não sabe jogar mal. A expressão é tão banal como significativa quando se fala de Vandinho. O patrão do meio-campo minhoto voltou a estar em evidência no Dragão. Foi ele que, por exemplo, conquistou a falta que Luís Aguiar viria a concretizar em golo, numa arrancada pelo miolo ao seu estilo.

Luís Aguiar e Lima

Dois «golaços». Luís Aguiar mostrou no Dragão o porquê de o F.C. Porto o ter ido buscar ao Uruguai. O azar é que foi quando representava o adversário. Primoroso o golo que abriu o activo, num livre superiormente executado. Lima não quis ficar atrás e, depois se vestir a capa de herói em Sevilha, quase o fez de novo no Dragão, com um pontapé do meio da rua. Não deu para mais, porque o F.C. Porto não deixou. A noite era de outro(s) super-herói(s)...

in "maisfutebol.iol.pt"

F.C. Porto-Sp. Braga, 3-2 (crónica)



Há uma teoria interessante defendida no mundo da psicologia. Dizem os entendidos que os pacientes mais felizes são aqueles que acreditam piamente que o são. Parece simples e pode muito bem ser aplicado a esta equipa do F.C. Porto. A redoma de felicidade que envolve os dragões é a principal arma do séquito de Villas-Boas. É também este estado de euforia a principal explicação para o triunfo por 3-2, diante de um Sp. Braga pintado de candidato ao título da cabeça aos pés.

Entre a urgência e o prazer, o Porto faz pela vida e consolida uma liderança indiscutível. Não há tempo para conversas inúteis sobre questões laterais, nem desculpas que soam a cliché estafado e perdido nas agruras do tempo. Neste Porto o pensamento esgota-se na busca da vitória.

Felicidade e pensamento, a alma infinita e a capacidade de ser racional sob pressão. É assim a natureza de um organismo selvagem, bárbaro, por vezes insidioso. Num serão reservado a candidatos ao título, preenchido por cenas feéricas e um espectáculo venial, saiu por cima o que se agarrou à felicidade e ao pensamento.

Na cabeça de Hulk mora a esperança do dragão

O relvado do Dragão parecia um jardim de chalet suíço. Palco idílico, encrostado na encosta de um campeonato que só agora começa a ascensão ao topo. O pontapé de Luís Aguiar abriu as hostilidades e quebrou o protocolo inicial. As equipas deixaram-se de cerimónias típicas de canapés e boas maneiras, entregaram-se à luta, desapertaram a gravata e amachucaram a camisa.

Os Destaques do jogo

A Ficha do jogo

Os donos da casa sentiram-se ofendidos. Encostaram o dedo à testa do visitante abusador e puseram tudo em pratos limpos aos 33 minutos. Hulk agitou as hostes sobre a direita, levantou a cabeça verde de esperança e encontrou Varela ao segundo poste.

Um a um no marcador, o paraíso para o adorador do bom futebol. Bom futebol, grande futebol.

Dois Titanics em choque ao som de violinos

Eram dois Titanics gigantescos, frente a frente, choque esperado. A intensidade e a dinâmica faziam adivinhar o naufrágio de um dos contendores. No filme multi-premiado por Hollywood, a banda toca violino enquanto a embarcação se afunda, na tentativa de enganar com arte um destino facínora.

No Dragão foi um pouco do mesmo. O teor bélico do duelo era pintalgado por notas artísticas, de violino ou de pés afinados. Sabia-se que alguém ia cair, naufragar na ditadura do resultado. Foi o Sp. Braga a morrer, apesar do tremendo pontapé de Lima, que a 30 minutos do fim colocou o F.C. Porto de colete salva-vidas e muita aflição.

Daqui para a frente, tudo foi Porto, tudo foi categoria de uma equipa que toca violino enquanto sofre. A reacção foi violenta, castigadora.

Uma realidade demasiado boa para ser real

Um toque em habilidade de Alvaro Pereira e uma escorregadela de Elderson deixaram Hulk de frente para o golo. O brasileiro, num pontapé que mais parecia um fuzilamento, deixou o marcador em 2-2 e a multidão em euforia.

Havia mais a chegar, ainda antes da embarcação bracarense submergir. Silvestre Varela na esquerda, a driblar para o meio e pontapear para o golo. O Porto resgatava-se das brumas, de uma água gélida, e abria em definitivo uma vantagem gigantesca sobre os três restantes candidatos ao título.

O Sp. Braga, apesar da bela exibição, fica a cinco pontos; o Sporting a seis e o Benfica a nove. Demasiado bom para ser verdade.

A felicidade e o pensamento do F.C. Porto dançam ao som de violinos.

in "maisfutebol-iol-pt"

Atenção F.C. Porto: Besiktas também vence sem Quaresma

O Besiktas, adversário do F.C. Porto na Liga Europa, somou mais uma goleada na liga turca, com uma vitória categórica sobre o Ankaraguçu (4-0) em jogo da 4ª jornada, destacando-se no terceiro posto, ainda atrás do Bursaspor (+ três pontos) e do Kayserispor (+ um).

Desta vez sem Ricardo Quaresma, poupado para a recepção ao CSKA Sofia, da primeira jornada da Liga Europa, a equipa de Istambul venceu com um «bis» do brasileiro Bobo (29 e 67m) e golos de Toraman (61m) e do também brasileiro Mário Nobre (75m).

O Besiktas, que recebe o F.C. Porto a 21 de Outubro e vai ao Dragão a 4 de Novembro, apresentou a seguinte formação este sábado: Cenk Gönen, İsmail Köybaşı, İbrahim Toraman, Ferrari, Nihat Kahveci (Tabata, 59m), Nobre, Bobo (Holosko, 75m), Guti, Ekrem Dağ, Necip Uysal, Fabian Ernst.

in "maisfutebol.iol.pt"

sábado, 11 de setembro de 2010

Choque na Avenida dos Aliados



FC Porto e Braga já aprenderam há muito a não confundir a amizade que os une com os interesses desportivos que os separam. Hoje, no Dragão, os dois aliados de outras batalhas vão discutir a liderança do campeonato e, com ela, a possibilidade de embalarem definitivamente na frente do pelotão, cavando a diferença não só entre si, mas também em relação aos perseguidores do costume. É, por isso, um jogo grande, o desta noite. Um clássico, por mérito próprio e pelos reflexos que pode ter no resto da classificação. André Villas-Boas quer garantir a quarta vitória consecutiva no campeonato e, com ela, deixar os minhotos a cinco pontos de distância, sem perder a vantagem que já conseguiu sobre os outros candidatos ao título. Domingos espera recuperar o primeiro lugar que ocupava por esta altura na última época, colocando para trás das costas o único adversário que lhe preenche o horizonte. E se o FC Porto vai jogar em casa, o Braga vai ter o resto do país desportivo a torcer por si e por um deslize dos portistas que equilibre as contas da tabela classificativa. De resto, depois de quase duas semanas de paragem, é difícil prever quem se poderá apresentar em melhores condições. Os portistas aproveitaram para recuperar Varela que estava lesionado e para afinar Otamendi que já fez por merecer uma primeira chamada de André Villas-Boas. No Braga, Domingos recuperou e chamou Matheus pelo que as duas equipas se apresentam na máxima força para um confronto que vai exigir muito músculo e ainda mais cabeça. A confirmar, mais logo, à noite.

21h15 TVI

Estádio do Dragão

Árbitro

Pedro Proença [AF Lisboa]
Assistentes Tiago Trigo e André Campos



Alinham os suspeitos do costume

Para o FC Porto-Sp. Braga, cartaz a ganhar contornos de clássico, André Vilas Boas terá decidido contemplar os suspeitos do costume, os que lideram, os que só sabem ganhar, os que têm mandado em casa e fora e já deixam, por esta altura, os portista a pensar que não é nenhuma insanidade sonharem com tudo o que há para ganhar.

Com isto... ganha Sapunaru, o único, em rigor, que tinha o lugar suspenso da libertação interna de Fucile, que perdeu a carruagem inicial por estar à venda e que, tal como André Villas Boas denunciou anteontem, «ainda tem que continuar a trabalhar porque Sapunaru esta época está num patamar mais elevado», sublinhou o líder técnico, quem decide e lembra que ainda não sofreu golos na Liga.

Percebe-se então que André Villas Boas, chegada a hora de começar a pensar em gestão (tem pela frente o Rapid de Viena, na quinta-feira), ainda mantenha, pelo menos esta noite, o seu onze mais brilhante: é, no geral, a equipa que ganha tudo, e que até pode, hoje, deixar o Sp. Braga, facilmente reconhecido como concorrente directo ao título, a cinco pontos de distância.

Máxima nos máximos

André Villas Boas segue, então, a máxima de a equipa que ganha ser, para já, intocável. Premeia um início perfeito dos seus jogadores mais requisitados, e mesmo com alguns deles potencialmente mais desgastados (em especial Falcao Hulk, porque Moutinho pouco foi utilizado e Rolando só viajou e treinou), vai manter o onze que arrasa, com um início incomparável nos registos desta década, seis jogos, seis vitórias, objectivos iniciais em pleno: Supertaça ganha, play-off superior, arranque de campeonato insuperável, e sem golos sofridos.

in "abola.pt"

'Queridos amigos' vestem hoje a pele de rivais


Influência portista no Sp. Braga já rendeu aos minhotos 13 jogadores cedidos a custo zero ou por empréstimo desde que António Salvador subiu à presidência.

FC Porto e Sporting de Braga sobem hoje ao relvado do Estádio do Dragão (21.15, TVI) como rivais, para, em jogo da 4.ª jornada da Liga, disputarem aquele que se tem firmado como o maior clássico nortenho, mas fora das quatro linhas têm sido nos últimos anos uma espécie de "queridos amigos".

Desde que António Salvador subiu à presidência dos minhotos (2003), que se tem dado a aproximação entre os dois clubes - estreitada pelo facto de, no final da época 2007/08, o Vitória de Guimarães, grande rival bracarense, ter enveredado esforços para ver os dragões fora da Liga dos Campeões na sequência do processo "Apito Final". Estrategicamente, o FC Porto ganhou um aliado de peso no que toca à influência no futebol nacional, porém, desportivamente, são os arsenalistas quem mais beneficiou desta estreiteza de relações.

O Sporting de Braga é quem faz melhores negócios em Portugal na hora de combinar qualidade e preço. A política da SAD bracarense passa em grande medida por adquirir atletas em fim de contrato e contar com cedências; e, nesse capítulo, o FC Porto tem-se revelado como um parceiro ideal. Se antes de Salvador eram pouco comuns as transferências entre FC Porto e Sp. Braga (Barroso, Fredrik Soderström e Wozniak são as excepções que confirmam a regra), recentemente não faltam exemplos de negócios entre os dois clubes.

Ao todo, desde que Salvador é presidente (2003), a SAD azul e branca já emprestou ou cedeu a custo zero nada menos do que 13 jogadores. O médio uruguaio Luis Aguiar foi o único atleta proveniente do FC Porto pelo qual os bracarenses tiveram de pagar, mesmo assim apenas porque o negócio envolveu o Liverpool de Montevideu (à data detentor do passe do atleta). Desde então, o Sp. Braga já fez bons negócios com ex-portistas, como as vendas precisamente de Luis Aguiar ao Dínamo de Moscovo e de César Peixoto ao Benfica. Outros, com o extremo brasileiro Alan à cabeça, não valeram encaixes financeiros avultados, mas ajudaram a catapultar a equipa para outro patamar desportivo.

No sentido oposto, não têm sido assim tão profícuos os negócios dos azuis e brancos com o Sp. Braga desde que António Salvador está à frente dos destinos do clube. Exemplo disso mesmo são Bruno Gama e Orlando Sá, jovens pelos quais o FC Porto desembolsou verbas importantes, e que ainda estão longe de confirmar o seu valor com a camisola portista, a tal ponto que foram cedidos a título de empréstimo a outros clubes da Liga.

Em todo o caso, também é facto que, noutro plano, o banco bracarense também tem servido para dar oportunidades a antigas glórias do FC Porto, sendo como um trampolim para as suas carreiras de treinadores. E se é um facto que Jorge Costa (com Aloísio a adjunto) não teve uma passagem brilhante por Braga, Domingos Paciência, muito pelo contrário, já conseguiu alguns dos feitos mais brilhantes da história do clube.

in "dn.pt"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

F. C. Porto-Sp. Braga (antevisão): isto é um jogo de candidatos



A Liga só tem a ganhar com jogos destes. Duas boas equipas, recheadas de ambição, candidatas assumidas ao troféu, estádio cheio e promessas de bom futebol. O F.C. Porto-Sp. Braga tem tudo para ser uma partida intensa, bem jogada e dividida.

André Villas-Boas não tem dúvidas e coloca os minhotos no lote de proponente ao sucesso no campeonato. Só um louco desatento não o faria. Basta olhar para a qualidade das unidades ao dispor de Domingos Paciência. Esse mesmo, o ídolo de juventude do treinador do F.C. Porto.

Esse é outro dos atractivos desta peleja. Dois técnicos jovens, dos mais entusiasmantes no universo nacional, carregados de convicções e ideias com o seu quê de romântico. O estudioso, ex-aprendiz irreverente, ambicioso e decidido; o pragmático, maturado na universidade do golo, descomplexado e equilibrado.

Dois conjuntos de qualidade, dois treinadores capacitados, ingredientes mais do que suficientes para 90 minutos de muita e boa bola.

Fucile e Otamendi ficam para outras núpcias

Seis jogos oficias, seis vitórias. Assim se desencanta uma fórmula mágica, capaz de sacudir a pressão da desconfiança para outras paragens. Haverá alguém que ainda se lembre dos 32 anos de André Villas-Boas?

Antes da interrupção na Liga, o F.C. Porto atingira um patamar qualitativo muito interessante. Há uma nova ordem para os lados do Dragão, embora os princípios se mantenham imutáveis.

Mesmo o lateral direito (Sapunaru) e a dupla de centrais (Rolando e Maicon), aparentemente os elos mais débeis da estrutura, se têm saído bem. Villas-Boas, de resto, fez questão de elogiar o romeno e Maicon na antevisão deste jogo. Sinal de que Fucile e Otamendi terão de aguardar por outra oportunidade.

O trio do meio-campo deverá ser o mesmo do costume, com Souza e Rúben Micael à espreita. Na frente, Falcao mesmo «morto» é a referência de sempre, com Hulk e Varela (ou Cebola Rodríguez) nas alas.

Um crescimento que não nasce do acaso

O 5-1 da última época continua presente nas mentes arsenalistas. Não atormenta, mas mói, mexe com um ego já demasiado grande para ser assim beliscado. Com menos dois pontos do que o F.C. Porto na classificação, o Sp. Braga sabe que uma derrota propicia uma margem demasiado confortável à gestão dos azuis e brancos.

O Sp. Braga tem mais uma oportunidade de confirmar que é, de facto, grande. Que tudo o que tem conseguido é resultado de uma ascensão sustentada e organizada.

EQUIPAS PROVÁVEIS:

F.C. PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Alvaro Pereira; Fernando, Belluschi e João Moutinho; Hulk, Falcao e Silvestre Varela.

Outros convocados: Beto, Fucile, Otamendi, Souza, Rúben Micael, Cristian Rodríguez e Walter.

SP. BRAGA: Felipe; Sílvio, Moisés, Rodríguez e Elderson Echiejile; Vandinho, Leandro Salino e Hugo Viana; Luís Aguiar; Alan e Paulo César.

in "maisfutebol.iol.pt"

F.C. Porto: Otamendi é estreia para o Sp. Braga

Varela recupera e está nos convocados, James e Sereno de fora

Nicolas Otamendi é a grande novidade na convocatória do F.C. Porto para a recepção ao Sp. Braga na quarta jornada da Liga, marcada para este sábado. O central argentino, último reforço dos «dragões», estreia-se nas escolhas de André Villas Boas.

Nota ainda para a chamada de Varela, recuperado depois de falhar o duplo compromisso da selecção por lesão. Sapunaru, que saiu lesionado da deslocação ao reduto do Rio Ave, também surge na lista.

O técnico deixou de resto de fora das opções James Rodriguez (trabalhou com limitações durante a pausa na Liga) e Sereno. Mariano González e Guarin, que cumprem treino condicionado, são os únicos clientes do departamento clínico do F.C. Porto.

Lista de convocados

Guarda-redes: Helton e Beto;
Defesas: Maicon, Alvaro Pereira, Fucile, Rolando, Sapunaru e Otamendi;
Médios: Belluschi, João Moutinho, Souza, Fernando e Rúben Micael;
Avançados: Falcao, Walter, Cristian Rodríguez, Hulk e Varela.

in "maisfutebol.iol.pt"

Yuran. "O FC Porto era uma família. O Benfica era uma... brincadeira"



Mogrovejo, Paz, N''Tsunda, Zwane e Baroni. Por incrível que pareça, é assim que começa a caminhada para o inédito penta do futebol português. São estes cinco jogadores os primeiros a ser contratados pelo FC Porto, cortesia de Marcelo Housemann, empresário argentino com ligações privilegiadas ao técnico inglês Bobby Robson. A ideia dos portistas é competir com o campeão Benfica, mas cada nome é pior que o outro. Só se salva o peruano Baroni, o único que joga, ainda que a espaços (14 jogos, todos a suplente), durante a época. Para salvaguardar este quinteto de fiascos, o FC Porto entra finalmente em cena e contrata jogadores a sério, como Emerson (ex-Belenenses) e Rui Barros (Marselha).

Está fechado o plantel? Não, faltam dois jogadores, que só chegam no último dia do mercado: Serguei Yuran e Vassili Kulkov. Se o FC Porto dá tiros nos pés com o penta de reforços de meia-tigela, o Benfica não lhe fica atrás. Além de trocar o treinador campeão (Toni) por Artur Jorge, este novo timoneiro dispensa os dois russos, que, sem clube, rapidamente se apresentam nas Antas. Para jogar e para ganhar - foram aliás os únicos estrangeiros a sagrar-se campeões nacionais em anos seguidos por equipas diferentes. Foi Yuran quem nos chamou a atenção para esta curiosidade.

Yuran, boa tarde. Como está?

Boa noite, aqui já é noite [em Moscovo, são três horas a mais que em Lisboa]. Estou bem, obrigado.

Quero entrevistá-lo. Posso falar português à vontade?

Claro que sim. Aprendi português há mais de dez anos e pratico-o de vez em quando. Há uns três anos estive aí no Algarve com a minha equipa [Shinnik Yaroslavl]. Olha, perdemos com a Olhanense, por exemplo. E pratiquei o meu português. Com o árbitro. Eheheh...

E agora o que faz?

Sou um treinador desempregado. Mas daqui a 15/20 dias hei-de arranjar uma solução. Há conversações com clubes.

Do que eu quero falar consigo é da carreira de jogador em Portugal. Lembrava-se que neste dia, 10 de Setembro, em 1994, você e o Kulkov se estrearam pelo FC Porto?

Do dia em si, não, mas lembro-me dessa troca e do que ela provocou no futebol português. Afinal não é todos os dias que se sai de um campeão para outro...

De um campeão para outro?

Sim. Nós fomos campeões pelo Benfica em 1994 e fomos campeões pelo FC Porto em 1995. Fomos os primeiros - se não engano, até agora os únicos - jogadores estrangeiros a vencer dois campeonatos nacionais seguidos por clubes diferentes.

Bem visto. Havia diferenças entre o Benfica e o FC Porto?

Ahhhh, claro que sim. O FC Porto era uma família, o Benfica... uma brincadeira. Naqueles tempos o Benfica trocava de treinador constantemente, e até de presidente. No FC Porto ainda hoje isso é impensável. Há um homem-forte que move todo um clube, em luta por títulos e mais títulos. Nunca adormecem à sombra da glória. Têm sempre fome. Por isso o FC Porto foi bicampeão europeu e bicampeão mundial nos últimos 25 anos. Por isso o FC Porto está sempre nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões ou da Taça UEFA.

Mas o Benfica foi quem o trouxe para a Europa, certo?

Sim. Cheguei a Lisboa em 1991. No ano anterior ganhei tudo ao serviço do Dínamo Kiev: campeão da URSS, vencedor da Taça da URSS e eleito melhor jogador da URSS. Além disso, marquei cinco golos na Taça das Taças, um deles em Barcelona [1-1]. Isso deu-me projecção e o passo normal era uma transferência para um grande do futebol europeu. Calhou ser o Benfica. O Eriksson insistiu na minha contratação.

Como foram os tempos em Lisboa?

Loucos, eheheh. Agora entendo a raiva de algumas pessoas, mas têm de compreender que eu e o Kulkov, que chegou na mesma época que eu, só que vindo do Spartak Moscovo, viemos de uma realidade completamente diferente. Em Kiev, na URSS, era treino, estágio, treino, estágio. Uma seca, pá! Os jogadores passavam muitas horas juntos, sem nada para fazer. Quando chegámos a Portugal havia um treino de hora e meia e depois era dia livre para o que quiséssemos fazer. Por isso íamos às compras, íamos aos restaurantes, íamos passear, íamos para os bares. Agora entendo que isso é errado, mas aquela realidade entrou em choque com a nossa cultura e deixámo-nos absorver por ela. E foi bom.

Quando iam aos restaurantes ou aos bares, nenhum adepto vos irritou ou incomodou?

Nunca, nunca. Sempre tivemos o respeito de toda a gente. Algumas pessoas até nos ofereciam uns copos. E diziam-se do Benfica. Será que era do Sporting e só nos queriam enganar? Eheheh...

E a ressaca no dia seguinte?

Não havia ressaca nenhuma. Eheheh. Treinávamos normalmente, como se nada fosse. E quando tínhamos algum problema falávamos com o Eriksson [o treinador, sueco, na primeira época de Yuran e Kulkov, em 1991-92].

Então o Yuran nunca teve problemas no Benfica?

Só nunca contei com a compreensão do Mozer. Esse estava sempre a implicar comigo.

Porquê?

Não sei, pergunta-lhe tu a ele. Não devia gostar das pessoas de Leste. Também implicou com o Ivic [treinador jugoslavo no início da época 1992-93, substituído em Dezembro por Toni]. Comigo, às vezes, era duro naquelas bolas divididas. Eu revidava e lá vinham problemas, porque ele não aceitava que lhe tocassem. Quantas vezes o treino foi interrompido para os outros nos separarem? Não há dedos nas mãos para isso. Mas o problema maior nem era esse.

Então?

No FC Porto, o Paulinho Santos e eu também estávamos sempre às turras. Depois, no balneário, os mais velhos, como o João Pinto, juntavam-nos, abraçavam-nos e serenavam os ânimos. Costumavam chamar-nos o Mike Tyson I e o Mike Tyson II. Íamos almoçar em grupo, ali para os lados de Vila do Conde, de onde era natural o Paulinho Santos, ou então ia só almoçar com o Mourinho e tudo ficava resolvido. No Benfica não havia esse sentimento de aproximação depois dos treinos. As brigas entre mim e o Mozer eram constantes e nunca nos acalmavam os ânimos. No fim do treino, cada um ia à sua vida. No dia seguinte eu aparecia descontraído e o Mozer parecia que trazia o problema do dia anterior com ele e aí era pior ainda.

Como se deu a troca Benfica-FC Porto?

Foi tudo muito rápido. O Artur Jorge não contava connosco e tratámos de arranjar um clube, com a ajuda do nosso empresário [Paulo Barbosa]. Tanto eu como o Kulkov nos dávamos muito bem com o Bobby Robson, sobretudo depois do acidente do Cherbakov [avançado russo que ficou tetraplégico depois de um acidente de viação na Avenida da Liberdade], em que nós os três, mais o Mourinho [adjunto de Robson], nos encontrávamos no hospital [S. José, em Lisboa] com regularidade. Ficámos amigos desde então e trocávamos muitas mensagens. Quando soube que o Benfica nos dispensara, o Robson falou com o Pinto da Costa e o negócio fez-se num instante. O Benfica ainda ganhou muito dinheiro com esta dupla transferência [a segunda da história entre os dois clubes, depois de Dito e Rui Águas terem feito o mesmo trajecto, em 1988-89], mas nós é que voltámos a ser campeões.

Alguma recordação especial dessa época?

Ahhhh, claro que é aquele golo na Luz [2 de Outubro de 1994]. Marquei o 1-0 aos 65 minutos, fui expulso por dois amarelos aos 75'' e o Isaías empatou aos 90''. Acabou 1-1, mas marcar aquele golo foi muito bom, libertador. A caminho do balneário, o José Mourinho, naquele estilo que ainda hoje lhe é característico, agarrou-se a mim e gritava para o ar ''és o maior'', ''estás aqui é para marcar'', ''mostraste aos gajos que és bom'', ''deste-lhes uma lição''. Eu só me ria, enquanto os jogadores do Benfica seguiam cabisbaixos, como o treinador [Artur Jorge] e até o presidente [Manuel Damásio]. O Mourinho deixou a porta do balneário aberta e continuou a falar altíssimo, para os do Benfica ouvirem.

Foi bicampeão nacional e depois voltou à Rússia.

Estava cansado e triste. Aconteceram muitas coisas más, como o acidente do Cherbakov [pausa], a morte do Rui Filipe [mais uma pausa]. Bem sei que são coisas que acontecem, mas de certa forma enfraquecem-nos. Por isso quis voltar para casa. E até fui bem-sucedido, no Spartak Moscovo.

Ao lado do Kulkov?

Claro, éramos inseparáveis. E eu pergunto: quantas equipas ganharam os seis jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões? O Spartak Moscovo, em 1995-96, num grupo com Blackburn, Légia Varsóvia e Rosenborg. Seis jogos, seis vitórias. Eu marquei quatro golos, um em Blackburn, quando ganhámos 1-0. Foi, aliás, esse o golo que me fez transferir para o Millwall, também da Inglaterra, a meio dessa época.

Deixe-me adivinhar: você e o Kulkov?

Claro que sim, mas então? O Bobby Robson aconselhou-nos ao Mick McCarthy, o treinador do Millwall. O problema é que mal chegámos o Mick saiu para treinar a selecção da República da Irlanda. Com outro treinador, não jogámos muito. Ou mesmo pouco.
 
in "ionline.pt"

AVB: "Deixar o Braga numa posição desconfortável"



O Braga já não vai apanhar ninguém desprevenido. A convicção é de André Villas-Boas e baseia-se na excelente época realizada pelos minhotos em 2009/10 e pelo recente apuramento para a fase de grupos Liga dos Campeões. Na véspera de receber o vice-campeão nacional no Dragão, o técnico garantiu um FC Porto organizado e capaz de manter o registo vitorioso dos seis jogos anteriores. Mesmo que a paragem tenha condicionado a preparação do encontro.

Como perspectiva o jogo com o Braga?

Queremos continuar a ganhar e a paragem não ajuda as dinâmicas que estão construídas. Ontem [anteontem] foi para recuperação porque os internacionais chegaram tarde das selecções e o Falcao só voltou hoje [ontem]. Optámos por recuperar e hoje [ontem] já treinámos mais intensamente. Acreditamos que a equipa se vai manter a um nível exibicional elevado e de resultados positivos. Queremos manter a liderança e deixar o Braga numa posição desconfortável à quarta jornada. O Braga quer, obviamente fazer o contrário. É uma equipa que se pode permitir a jogar na casa dos grandes e ganhar, foi assim que ganhou em Alvalade, na época passada.

Que opinião tem do adversário?

O Braga vem motivado por uma entrada na Liga dos Campeões totalmente meritória em mais uma elevação do futebol português na Europa. São duas equipas que lutam pelo campeonato, mas o FC Porto e os outros grandes, em relação ao Braga, já não serão apanhados desprevenidos. Na época passada, a consideração que se tinha era de que mais tarde ou mais cedo acabaria por perder pontos e isso foi uma observação errada. Agora estão todos mais alerta e concentrados, sabendo que não se pode relaxar.

Este é o adversário mais difícil que o FC Porto teve até à data?

O Braga é um candidato ao título. É um jogo que permite colocar um candidato a uma distância considerável. É esse o nosso sentimento. O Braga quer continuar a mostrar que é uma equipa de topo.

Vão enfrentar-se as duas melhores equipas do campeonato até ao momento?

O FC Porto e o Braga estão no topo da classificação e foram as que começaram mais regulares, mas não posso dizer que são as melhores. Há boas equipas e o Benfica e o Sporting que estão em ascensão. O Sporting joga em casa e pretende continuar o seu percurso perto dos lugares da frente e o Benfica com uma deslocação difícil.

Um FC Porto ao nível dos últimos jogos será suficiente para vencer o Braga?

Procuramos sempre o resultado e a exibição. Retiro mais prazer quando jogamos bem e demonstramos a beleza do nosso jogo. O FC Porto é uma equipa em crescendo, com exibições que têm variado, mas mantido uma regularidade de princípios. Se é suficiente ou não, vamos ver.

Até por isso estará pouco tentado a fazer alterações?
Vamos ter uma carga de jogos em Setembro e Outubro importante, principalmente devido às viagens e às deslocações difíceis à Bulgária e à Madeira e depois à Turquia. Nesse sentido, é natural que mais tarde ou mais cedo a rotação seja introduzida. Para este jogo não sei. O mais importante é manter o nível elevado de rendimento, sejam quais forem as opções.

Já venceu o Benfica, ganhar ao Braga significará ter uma equipa mais mentalizada que pode conquistar o título?

É muito cedo. Até à 11ª jornada não se poderá estabelecer um padrão em termos de classificação. São quatros equipas a lutar pelo título e afastar o Braga para cinco pontos à quarta jornada é um passo importante, mas não decisivo. O Braga teve uma regularidade impressionante na época passada e não são normais os feitos que tem alcançado. É uma equipa que respira motivação, os jogadores estão unidos em torno do líder e dos objectivos. Toda a cautela é pouca, mas estamos organizados para vencer. Uma vitória do FC Porto não ditará o afastamento do Braga da luta.

"Entregámos um Falcao fresco, devolveram um Falcao morto"

O JOGO fez as contas e concluiu que Falcao teve de percorrer mais de 27 mil quilómetros para jogar dois particulares pela Colômbia, tendo regressado apenas ontem de manhã. Villas-Boas reconheceu ter recebido um avançado exausto pelo que as horas até ao jogo com o Braga serão de repouso absoluto. Admitindo que o FC Porto tem margem de progressão e erros para colmatar, considerou injusta a campanha feita por alguma Comunicação Social a favor da entrada de Fucile e Otamendi na equipa.

Paragem foi de alguma forma benéfica ou condicionou por só ter agora os jogadores?

Os que ficaram permitiram continuar a trabalhar os nossos processos e conhecer um pouco mais o que temos à disposição na formação. Agora, a dinâmica de vitória que estava instalada poderá ou não sofrer atrasos. Vai depender do que fizermos com o Braga. A equipa está preparada e organizada o suficiente para se manter nas vitórias. Houve jogadores que foram para as selecções com resultados variáveis e nesse sentido houve motivações e desmotivações.

Qual a margem de crescimento deste FC Porto?

Há sempre espaço para a evolução. Há erros que podem ser colmatados. Caminhar para a perfeição é um pouco caminhar para o infinito, mas queremos crescer como colectivo. Há decisões na estética do jogo que podemos melhorar e aspectos defensivos em que é claro que podemos dar o salto. O fundamental é manter a regularidade.

Por isso é que não tem mudado as rotinas defensivas?

Há muitas opções, mas acho que o empurrão da Comunicação Social ao Otamendi e ao Fucile não é justo para o Maicon, o Rolando, o Sereno e o Sapunaru. O Otamendi tem um período de adaptação ao estilo de jogo do FC Porto e o Fucile tem de continuar a trabalhar. Foi determinante nos quatros anos, mas encontra um Sapunaru a um nível elevado. Estão próximos um do outro.

Que objectivos é que tem para este ciclo que agora se inicia?

O objectivo global é ganhar o campeonato, mas queremos deixar o Braga numa posição desconfortável. É esse o objectivo imediato, passando mais uma jornada na liderança.

Pergunta O JOGO

Em que condições é que Falcao se apresentou depois de ter feito mais de 27 mil quilómetros para jogar dois particulares pela selecção da Colômbia?

Completamente exausto. Acontece a qualquer um. Foi um número anormal de horas de voo, ainda por cima o voo para a Venezuela partiu com três horas de atraso e, por causa disso, a equipa chegou lá já de madrugada. Entregámos um jogador fresco e eles entregaram um jogador morto e exausto. O tempo de recuperação até ao jogo será suficiente para se apresentar fresco.

"Hulk vai continuar a representar a selecção"

Em entrevista a O JOGO Robinho admitiu que gostaria de ter Hulk ao seu lado no Milan. Villas-Boas registou a intenção do craque brasileiro e não se mostrou preocupado com a projecção que o seu jogador tem tido nos últimos dias por ter estado no estágio em Barcelona. "Foi apenas um estágio da selecção brasileira e, sem querer criticar, há uma série anormal de jogadores que consegue ser internacional, mas depois nem todos dão sequência", recordou. Contudo, está convencido que Hulk fará parte daqueles que vão manter-se na lista de convocados de Mano Menezes. "Acreditamos no potencial do Hulk e que pode continuar a representar a selecção e que se não fosse o castigo teria estado no Mundial. Mas só o rendimento dele no FC Porto permitirá chegara à selecção. Esta chamada foi um factor motivacional nesta fase e esperamos que assim continue e que não seja de desmotivação se por acaso ficar de fora", referiu.

"Se ganhar a jogar mal, não durmo bem"

Por não dar entrevistas individuais - um hábito que mantém desde a Académica -, nos últimos dez minutos da conferência de Imprensa Villas-Boas respondeu, em inglês, às perguntas de um jornalista japonês, a preparar um trabalho de quatro páginas sobre o técnico a publicar brevemente na revista "The Hochi Shimbun". "O facto de estar aqui um jornalista do Japão demonstra que provoco uma certa curiosidade. Se estou a ter sucesso, devo-o também a um grupo de jogadores e a uma estrutura", começou por dizer Villas-Boas.

Sem medo de assumir o objectivo de "vencer tudo", o treinador descreveu a maneira como se vive o futebol em Portugal. "As pessoas prezam-te quando vences, mas quando perdes não toleram as falhas. Quando falhas, que pode ser por causa da natureza do jogo, afectam o teu moral." Com seis vitórias em seis jogos, Villas-Boas também disse estar preparado para momentos menos bons. "Mais cedo ou mais tarde haverá falhas", reconheceu.

A maneira como chegou ao futebol, pela mão de Bobby Robson, também fez parte do questionário da revista nipónica, tal como a colaboração com José Mourinho. "Todos os treinadores me deram experiência e conhecimento. Estou grato aos dois e não esqueço o que me ajudaram, mas também demonstrei o meu profissionalismo." Logo depois veio a comparação. "As ideologias dos meus pais, entre aspas, são diferentes. O Robson tinha uma maneira de pensar o futebol, enquanto o Mourinho adopta maneiras diferentes de jogar dependendo das equipas que orienta", recordou.

Assumindo-se como um "romântico do futebol", que gosta de trabalhar aspectos como a "posse e a velocidade de circulação da bola", o treinador portista valoriza um jogo com "muitas oportunidades de golo, sucesso e futebol de ataque". No entanto, vencer não é tudo. "Os adeptos merecem bom futebol. Nem sempre se recordam apenas as equipas que ganham, mas também as que jogam bem. Como a Holanda de Rinus Michels, o Brasil de 1982, o Bari de Giampero Ventura [futebol italiano, época passada] ou ainda equipas como a Argentina de Marcelo Bielsa. No álbum do futebol, recordam-se os vencedores e os que jogam bem. Se ganhar a jogar mal, não durmo bem", explicou.

Dizendo que não chegou ao FC Porto sem provas dadas - "Não é fácil convencer o presidente do FC Porto" -, Villas-Boas revelou alguns "sonhos estranhos" para a sua carreira. "Gostava de treinar na Argentina, no Chile e no Japão, porque gosto de Tóquio. Mas tenho um trabalho de sonho no FC Porto e quero ficar cá muitos anos. O normal é um treinador não ficar mais de dois anos neste clube, mas tenho de convencer o presidente para ficar dez anos. Adoro o clube, o ambiente e sinto-me envolvido com tudo. Adoro a cidade e as pessoas do Norte, que representam uma certa maneira de ser e com as quais me identifico. Não se encontram estes valores em todo o lado", afirmou André Villas-Boas.

A culpa, afinal, é do ídolo Domingos

Villas-Boas partilhou, com os jornalistas, uma história curiosa sobre o início da sua carreira, admitindo que tinha em Domingos, antigo jogador do FC Porto e actual treinador do Braga, um ídolo da sua juventude. Mais: pelos vistos, Domingos foi o responsável por certo dia ter perdido a vergonha e confrontado Bobby Robson quanto à fraca utilização do avançado. Na sua opinião, o goleador devia ter um papel mais activo na equipa, o que viria a acontecer mais tarde. Esta conversa seria decisiva para a carreira que Villas-Boas abraçou entretanto. "Ele foi o jogador que espoletou o meu início. Quando abordei pela primeira vez o Robson, foi para lhe mostrar a minha insatisfação pelo facto de o Domingos não estar a jogar. O meu atrevimento de jovem permitiu-me descordar da opinião dele e, sem dúvida, não estaria nesta cadeira se não fosse essa história", contou, mostrando-se aliviado por Domingos não poder defrontar o FC Porto amanhã à noite. "Era um apreciador das suas qualidades, assim como sou das suas qualidades como líder e treinador. Os feitos do Braga e a sua regularidade, sobretudo tendo perdido algumas peças fundamentais, não são normais. Está ali um grupo forte para fazer frente aos clubes mais fortes. Tem um presidente e um treinador ambiciosos, uma excelente estrutura e jogadores motivados", acrescentou.

"Não sei a que arbitragens Vieira se refere"

Em entrevista à SIC, Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, exigiu isenção às arbitragens, apontando-as como responsáveis pelas duas derrotas dos encarnados no arranque do campeonato. Villas-Boas foi convidado a comentar estas afirmações e aproveitou para relembrar o jogo "agressivo" do Benfica na Supertaça, considerando normal que o tema das arbitragens tenha sido usado como "entretenimento" durante a paragem da competição. "Não sei a que tipo de arbitragens se refere o presidente do Benfica, se às dele, se às nossas", questionou. "Era natural que o entretenimento nesta paragem fosse as arbitragens. Não achei tão natural que não houvesse o mesmo entretenimento quando o FC Porto ganhou a Supertaça pela mancha que pairou sobre esse jogo pela quantidade inacreditável de lances de agressividade. Se é preciso estar atento às arbitragens, que se divida por todos e não apenas ao clube em questão", atirou.

in "ojogo"

Pleno de vitórias garante continuidade dos titulares



André Villas-Boas vai continuar a apostar no mesmo onze que alinhou na deslocação a Vila do Conde, na recepção ao Braga. Apesar de ter mais opções à sua disposição, na sequência da paragem do campeonato nas últimas semanas, não se prevê que o técnico do FC Porto faça alterações entre os titulares, até porque eles são todos convocáveis. Sapunaru recuperou da entorse que tinha sofrido contra o Rio Ave e Varela recompôs-se da sobrecarga muscular que o afastou da chamada à Selecção para os jogos com o Chipre e a Noruega, pelo que ambos vão voltar a ocupar as respectivas posições no onze. No eixo da defesa, Rolando acabou por passar a semana a treinar com os internacionais, não sendo chamado nos dois jogos da fase de apuramento para o Euro'2012, pelo que deverá manter-se ao lado de Maicon. Estas notícias apontam para que o regresso de Fucile à titularidade permaneça em suspenso por mais algumas semanas e para que as estreias de Otamendi e de James - que também recuperou de uma entorse estes dias - devam continuar adiadas, sendo até mais provável que Villas-Boas chame para o banco o uruguaio Cristian Rodríguez.

No meio-campo, Souza e Rúben Micael só deverão ser opções a ter em conta para fazer alterações tácticas na equipa durante o decorrer do jogo, já que Fernando, Belluschi e Moutinho - este último nem jogou contra a Noruega - serão apostas a manter igualmente.

Na frente, para além da recuperação de Varela, Falcao também deverá alinhar, apesar de ter chegado ao Porto "como morto", conforme André Villas-Boas se lhe referiu na conferência de Imprensa, depois do desgaste provocado por mais de 27 mil quilómetros de viagens para representar a selecção colombiana. Sublinhe-se neste caso particular que Walter beneficiou dos últimos dias para encurtar o atraso evidente na sua preparação física, mas Falcao deverá manter o lugar e a confiança do técnico, apesar do curto espaço de tempo que teve para recuperar. Em relação a Hulk, depois do estágio com a selecção do Brasil, em Barcelona, as dúvidas nem se colocam, até porque é só o melhor marcador desta equipa com seis golos apontados em quatro jogos.

O Braga poderá esperar por um embate contra uma equipa sem alterações, que só sabe vencer no campeonato e aposta nos três pontos para se afastar de um concorrente directo.

Fucile e Otamendi à espera

Ainda ontem André Villas-Boas se referiu à questão do regresso de Fucile à equipa e da estreia de Otamendi no eixo da defesa como situações injustas para os defesas titulares (Sapunaru, Rolando, Maicon e Álvaro Pereira) e não só - porque o técnico sublinhou ainda o trabalho de Sereno apesar de não ter sido utilizado -, pelo bom desempenho do quarteto neste início de temporada. Apesar de uma certa tremedeira em determinadas alturas, a verdade é que o FC Porto ainda só sofreu dois golos nos seis jogos oficiais efectuados esta temporada. Para além da questão da oportunidade para integrar estes jogadores no onze, importa sublinhar que Fucile chegou de férias com a preparação a decorrer e enquanto procurou recuperar o atraso, Sapunaru foi marcando pontos e atravessa uma fase de exibições regulares.

Em relação a Otamendi, o central argentino não só chegou tarde, como enfrenta todo um processo de adaptação ao clube e a um estilo de futebol diferente. Com Rolando e Maicon a darem conta do recado no eixo, a sua integração na equipa terá mais hipóteses de acontecer numa fase mais apertada do calendário, que permita ao técnico gerir o desgaste de um titular, pelo que, tal como Fucile, Otamendi terá de esperar por um momento mais oportuno.


in "ojogo.pt"

Discurso motivador põe Falcão num voo seguro


No dia seguinte à vitória em Vila do Conde, Falcão divulgou no seu Twitter: “Iniciando uma longa viagem até à Colômbia.” Sete horas e meia depois, mas já no destino, El Tigre foi taxativo nas suas confissões à rede social: “Na minha Bogotá querida!!! Pronto para um sono profundo. Estas viagens custam-me cada vez mais.” Custam, mas são para repetir e o atleta terá de se adaptar a essa nova realidade, contando com o apoio das estruturas técnica e médica do FC Porto para que isso não afete o seu rendimento no clube. Villas-Boas, com uma abordagem motivadora sobre o assunto, já começou a fazer a sua parte. “Entregámos um jogador fresco e recebemos um morto, mas ele ficará novamente fresco até à hora do jogo com o Sp. Braga”, garantiu o treinador na conferência de imprensa de ontem.

Record tentou, então, saber como se “ressuscita” um jogador em tão curto espaço de tempo e, sem querer entrar pelo caminho das metodologias de treino, o professor universitário José Neto explicou-nos uma das formas de consegui-lo: “O homem é aquilo que pensa e, ao garantir a aptidão do atleta para o próximo compromisso, André Villas-Boas está a incutir-lhe uma meta, está a dar-lhe certezas e isso vai fazer com que o jogador apenas se concentre nisso e não num sem-número de dúvidas. Em suma, isto só revela a competência comunicacional do treinador. A abordagem positiva a estas situações pode fazer milagres. As palavras de Villas-Boas foram totalmente direcionadas ao atleta.”

in "record.pt"

A nova geração abrange três dragões

Com a Copa América no horizonte, assim como a qualificação para o Mundial’2014, a seleção colombiana encontra-se num processo de transição, apostando numa nova geração de jogadores, nos quais surgem à cabeça Falcão, James e Guarín. Assim, as chamadas dos portistas por Hernán Darío Gomez serão frequentes e este desgaste motivado pelos jogos e pelas viagens será uma constante. Nada que faça a estrutura portista tremer.

José Neto, que também é formador da FPF e da UEFA e conhece bem as equipas médica e técnica do FC Porto, acredita que o trabalho a desenvolver com estes jogadores está há muito delineado: “A competência técnico-científica daquela casa é muito grande. Eles conhecem o fenómeno...”

in "record.pt"

Álvaro Pereira, foguete sem sombra

É convicção geral que esta temporada André Villas Boas herdou e/ou criou o grupo mais competitivo, no plano interno, que o FC Porto agregou nos últimos anos, percebendo-se com extrema facilidade que só mesmo à esquerda da defesa não há essa competitividade que Villas Boas faz gala em acentuar prazenteiramente.

Helton será o outro quase inquestionável, porque Beto mantém-no permanentemente em sentido, mas, depois, não há quem possa respirar ou facilitar minimanente: o suporte defensivo é amplo, a luta no meio-campo é praticamente ombro a ombro, com pelo menos seis homens de calibre sem descanso, tal a qualidade e diversidade do miolo; na frente panorama também diverso, extenso e elevado em número e qualidade.

Há, claro que há, uma primeira base, e Villas Boas já utilizou 22 jogadores nos seis primeiros jogos oficiais, dois onzes mas com clara predominância de uma flagrante maioria. Mas se há lugar sagrado, inquestionável e sem 'sombra' convincente, é precisamente na esquerda, onde Emídio Rafael dificilmente se coloca como adversário real nas competições prioritárias, embora com utilização prevista nas provas secundárias, sem esquecer que “Palito” na temporada de estreia, pulverizou todas as marcas de utilização, com 46 jogos e mais de quatro mil minutos nas competições de clubes, a que se somaram mais sete jogos pela selecção uruguaia...

Evocar “Palito” e esta situação rara no actual panorama do plantel portista vem à mão precisamente porque foi frente ao Sp. Braga e naquela célebre goleada por 5-1 que Álvaro Pereira marcou o seu único golo em Portugal, bem vistas as coisas um golo que valeu... por muitos, um violento e inesperado foguete a bons 35 metros da baliza de Eduardo, seguramente um dos grandes golos da última Liga e que, por sinal, levantou ou remexeu também a estranheza de o verem tão pouco rematador, mesmo sendo a função defensiva e a de municiamento as suas prioridades.

Mas o facto é que o 'Palito' que veio para a Europa tem outras obrigações, notoriamente mais defensivas, e assim se explica por que só marcou um golo pelo FC Porto e outro pelo Cluj, quando, na sua carreira sul-americana, designadamente Quilmes, Argentinos e selecção, soma 17. Mas, na verdade, jogava sempre do meio-campo para a frente...

in "abola.pt"

Moutinho com "mais ânimo para trabalhar forte"

Depois de ter festejado ontem o seu 24º aniversário, João Moutinho foi bastante acarinhado pelos adeptos do FC Porto com centenas de mensagens de parabéns, a que promete responder com trabalho dentro de campo.

Em declarações ao site dos ‘dragões’, o jogador agradeceu as mensagens que recebeu, garantindo que “as vossas palavras dão-me mais ânimo para trabalhar forte para defender o nosso clube”.

in "msndesporto.pt"