sexta-feira, 2 de março de 2012

Clássico: Aimar e Lucho, inteligência sacramentada por Redondo

O antigo internacional argentino junta a sua opinião às de Burruchaga e Victor Zapata: a Argentina de olhos na Luz. Portugal pode preparar-se para se deliciar...


no es inteligencia ni es sabiduría;
esta es mi manera de decir las cosas.
No es que sea mi trabajo,
es que es mi idioma


O tango embalado por Gardel invade o clássico. Insinua-se, provoca, deixa-se deslizar pela relva da Luz. Violinos, violoncelo, piano, Aimar e Lucho. A letra da música diz tudo. Cigarros ardem até o prazer se permitir queimar a boca, corpos movem-se altaneiros, meio bailarino e meio futebolista.

Num instante Pablo tira o chapéu, noutro surge de águia ao peito. Lucho sapateia o ritmo adormecido, desaparece e já é El Comandante. A perspicácia de dois artistas, cérebros de Benfica e Porto, inteligência e sabedoria. O que Gardel não daria para compor a banda sonora deste jogo.

A Argentina não os esquece. Nem os grandes. Os maiores. Fernando Redondo e Jorge Burruchaga. Glórias na terra das pampas. Também Victor Zapata, testemunha dos feitos de Aimar e Lucho no River Plate. Três vozes, a mesma ideia: «Aimar e Lucho são inteligência pura», dizem ao Maisfutebol.

Redondo mantém a aparente indiferença que levava a passear ao meio-campo. Imponente, ar maçado, carregava no pause e tudo ao seu lado parava. Fernando puxava da régua e do esquadro, planeava o mais simples dos passes com a paciência dos eleitos. Fala numa morosidade apressada.

«Aimar e Lucho são dois dos melhores médios argentinos dos últimos dez anos», sentencia, numa autoridade inapelável. Classe pura. «Nunca joguei com nenhum deles em clubes. Com o Pablo estive na seleção. Vejo-o quase como um avançado. O Lucho talvez seja mais parecido comigo. Posicional, forte no passe. Enfim, são dois enormes jogadores.»

Victor El Zurdo Zapata conhece-os profundamente dos tempos no River Plate. Entre 1999 e 2001 foi colega de Pablo Aimar. El Mago rumou a Valência e em 2002 chegou Lucho González. «Joguei três temporadas com ele. Fui colega de quarto em várias concentrações e é um tipo muito bem disposto. Mais conversador do que o Pablo, sem dúvida.»

«Explodiu rapidamente no River. Tenho imensas saudades dele. Vivemos grandes batalhas lado a lado. Sinceramente, raras vezes vi alguém a passar a bola com tanta qualidade. Fazia 50 metros em duas passadas. Ainda vamos falando de vez em quando», conta Zapata, 33 anos, atualmente no Veléz Sarsfield.

E Aimar? «Era um velho de 20 anos», ri Zapata. «Reservado, humilde, sempre no seu canto, uma pessoa excecional. Tinha pinta de craque, falava no balneário sobre assuntos que poucos entendiam. Saiu para Espanha sem surpresa. Era umchico com a cabeça no lugar.»

Jorge Burruchaga, devoto seguidor de D10S nos Mundiais de 86 e 90. 50 anos, treinador agora no Club Libertad, do Paraguai. «Aimar e Lucho? Falo como argentino e digo-lhe: podiam perfeitamente ter feito parte da nossa seleção campeã do mundo. Integram um lote de atletas especiais. Parecidos comigo? Isso não, eu era melhor finalizador e mais rápido. Eles são cerebrais.»

Há clássico em Portugal e a Argentina sabe. Redondo não vê muito futebol, mas estará «atento». «Como vão o Pablo e o Lucho? Bem? Não me surpreende. Envelheceram bem, a idade não lhes roubou nada.»

Victor Zapata clama mesmo por um regresso de ambos à seleção. «Fazem falta ainda. Sinto-me orgulhoso por ter sido colega deles. Que inteligência!»

Dados estatísticos (2011/12):



AimarDadosLucho
18Jogos3
1084Minutos238
2Golos0
7Assistências1
7 (6)Remates10(4)
3.33Média pontos Maisfutebol3.67
in "maisfutebol.iol.pt"

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